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| Caderno de Cultura Caetiteense |
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| OTTO KOEHNE E O RESGATE DA CALDEIRA |
| ÍNDICE |
| Caderno de Cultura Caetiteense - Conteúdo de livre reprodução, desde que citada a fonte: André Koehne - Site Cultural do Município de Caetité - Bahia - 2002-2009 |
| O RESGATE DA CALDEIRA |
| Feito o perfil de Seu Otto, resta-nos uma caldeira sob as águas do rio da integração nacional. Junto ao dr. Mário Teixeira a empresa foi novamente reencetada. |
| Desta vez não no período da seca, mas das águas. Isto mesmo, o resgate seria feito com o S. Francisco em plena cheia. |
| Assim, em lá chegando, localizado o ponto onde a máquina geradora naufragara, diversas balsas foram estacionadas em volta dele. Por ordem de Otto, as embarcações foram enchidas de água, até um ponto máximo para não afundarem. Eis a genialidade de seu projeto: mergulhadores amarraram as naus firmemente na caldeira submersa, de forma que ficasse atada a estas. |
| Para tanto, mister se fizera a confecção de um escafandro, aparelho inventado há muito tempo. O Sr. Silvio Prisco Vilas Boas informa serem dois, e que ambos foram apreendidos "como armas de guerra" quando da prisão de Otto, nos anos 40 (estavam então já bastante velhos e gastos), informe confirmado pelo filho Luiz Otto, que acredita ter sido apenas um. |
| Os escafandros seguiam o modelo clássico, não sendo possível apurar como o ar era bombeado (possivelmente com um compressor manual). O capacete era redondo, com a visor de vidro. A roupa impermeável, de lona. As botas, com chumbo para prender o mergulhador ao fundo. |
| Estando as canoas cheias e os cabos firmes, todos começaram a tirar a água, fazendo com que os barcos, mais e mais leves, erguessem as toneladas de ferro bruto que era a caldeira termoelétrica, de forma a que finalmente esta se desprendesse do fundo onde atolara. |
| Sucesso da empreitada, restou levar a máquina até um ponto ideal na margem, arrastando-a sob as águas, puxada pelos barcos. Postada finalmente em posição, foi sem maiores esforços, comparado aos anteriores fracassos, trazida para terra firme, atrelada a dezenas de bois. A caldeira possuía 4 imensas rodas de ferro, o que a tornavam como que gigantesca carroça. Àquele tempo inexistia uma estrada que levasse de Caetité a Bom Jesus da Lapa. Era o novo obstáculo. |
| A antiga estrada que levava a Guanambi dava uma volta pelo morro do gerais, chegando pelo alto de onde hoje é o Bairro Alto do Cristo. O resto eram caminhos de cavaleiro, como o que usou Teodoro Sampaio em 1880, fazendo o mesmo trajeto, só que passando por Monte Alto. |
| Os intrépidos realizadores desta epopéia, dr. Mário e Otto, literalmente fizeram a estrada. Pela primeira vez o caminho que desce pelo Brás, margeando a encosta do morro onde fica o Paraíso, e a Mutuca, foi aberto - sendo hoje a principal passagem para aquele município vizinho. |
| Além de dezenas de homens que agiam como operários, de 40, nos trechos mais brandos, até 80 juntas de bois foram utilizadas para trazer a caldeira através do sertão. A chegada, testemunhada e narrada por Flávio Neves, deve ter sido de imenso júbilo para Caetité. |
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