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História do Nirvana



No início de 1986 o cenário musical de Seattle ainda não se destacava e a sua única grande contribuição para o mundo do rock havia sido a figura de Jimi Hendrix.

Sob muita chuva e café, pouco dinheiro e alguma heroína, bandas de Seattle, no frio noroeste americano, conseguiram ultrapassar a fronteira entre o mainstream e o underground, levando o som alternativo - com influências do punk rock dos anos 70 e baladas melódicas - para os grandes públicos.

Bandas como Melvins, Tad, Mudhoney e Soundgarden eram apenas mais algumas perdidas em meio a centenas de pequenos grupos de uma cidade chuvosa em que havia pouco mais a fazer do que formar uma banda de rock.

O cenário começou a se tornar mais profissional a partir dos investimentos de um pequeno selo chamado Sub Pop, montado por Bruce Pavitt e Jonathan Poneman, em pouco tempo se destacando entre os produtores de bandas independentes.

Mais do que gravar demos e singles de bandas desconhecidas a Sub Pop investia em material de divulgação, fotos, contatos com rádios. Embora raramente houvesse lucro em pouco tempo o selo se tornou um grande descobridor de talentos para gravadoras maiores.

A história do Nirvana passa obrigatoriamente por um termo que designava um jeito de tocar e passou a significar toda uma cultura e uma série de pensamentos e atitudes: o Grunge Em meio às várias bandas que passavam pela Sub Pop uma chamou a atenção dos produtores com sua mistura de melodias punk simples, riffs de heavy-metal e vocais agressivos.

Em 11 de junho de 1986 a banda chamada Nirvana gravou seu primeiro single, Love Buzz, cover de uma canção pop gravada originalmente pelo grupo pop alemão Socking Blues. A banda era formada por Kurt Cobain, Krist novoselic e Chad Channing como baterista - Dave Grohl só entraria em 1990, após quase dez bateristas diferentes.

Apesar de um atraso no lançamento e um preço final muito alto o single foi um sucesso. Com Love Buzz o Nirvana saiu do anonimato e começou uma turnê por clubes alternativos. Surpreendentemente o som anti-comercial da banda foi aceitado e isso indicava que um disco poderia ser bem aceito.

A Sub Pop resolveu arriscar apesar de grandes dificuldades financeiras. Durante quase seis meses fizeram as gravações do LP Bleach. Em meio ao ritmo alucinantes de shows as músicas e letras eram terminadas ou mesmo compostas poucos minutos antes da gravação.

A produção se encarregou de tornar o som mais aceitável e comercial. O nome do guitarrista e vocalista da banda constava no encarte como Kurt Cobain.

O outro guitarrista citado no encarte era Jason Everman que não tocou no disco e teve seu nome citado por ter financiado a gravação que custara pouco mais de 600 dólares.

Já com um contrato (a primeira banda da Sub Pop a assinar um contrato com a gravadora) o Nirvana saiu em uma extensa turnê de divulgação pelos Estados Unidos. Por cada cidade que passavam o número de pessoas aumentava e curiosamente a fama da banda começava a chegar antes dela com a divulgação em rádios alternativas.

Ao final da mini-turnê gravam um disco de pequena duração chamado Blew, lançado apenas nos Estados Unidos. Aproveitando um convite da banda revelação de Seattle na época, Tad, o Nirvana os acompanhou como banda de abertura em uma turnê pela Europa.

Em um dos shows conseguiram conquistar a atenção de um executivo da gravadora Geffen. A história da banda começava a mudar e em pouco tempo surgiu a oportunidade de uma mudança de rumos na carreira.

Apesar das ligações afetivas com a Sub Pop era claro que o Nirvana não podia negar um contrato com uma gravadora maior. Além do mais o preço pago pela Geffen à Sub Pop pela rescisão do contrato do Nirvana era suficiente para tirar a gravadora do buraco.

Pouco antes da gravação do novo disco pela nova gravadora o baterista Chad Channing foi chutado por diferenças musicais. Em seu lugar entrou David Grohl. Com esta formação o trio conquistaria o mundo. Em setembro de 1991, logo após o lançamento de Nevermind, ocorre muito mais do que o esperado. Do dia para a noite o disco pula para o topo das paradas, sem divulgação em rádios ou MTV.

A imprensa musical corre atrás do prejuízo e em menos de um mês a banda sai do anonimato e passa a ter de escolher as entrevistas e programas de TV de que vai participar. De repente o som de Seattle, juntamente com o visual clássico dos jovens da cidade, com bermudas e camisas de flanela, estava na moda. Desde os Sex Pistols o underground não vendia tanto.

Aparentemente a banda passava intocada por tudo isso e, apesar de terem se tornado milionários instantâneos continuavam quebrando os mesmos equipamentos baratos em seus shows. O sucesso do Nirvana de imediato alavancou a carreira de dezenas de bandas da cidade de Seattle. Embora não houvesse uma identidade musical entre as bandas, durante dois anos foram poucos os novos grupos a explodirem sem usar bermudas e camisas de flanela. Entre outras bandas da geração de Seattle se destacaram Pearl Jam, Soundgarden, Tad, Mudhoney, Prong, etc. Em 1992, em meio às imensas turnês e devido à falta de tempo para lançar material inédito a gravadora lança Incesticide, uma coletânea de gravações inéditas, lados B, demos ou faixas raras lançadas em coletâneas. Em 1993 é lançado In Utero. A banda parecia estar numa encruzilhada. Era praticamente impossível repetir o sucesso de Nevermind, os fãs antigos abominavam a banda que havia se "vendido" para a mídia enquanto os fãs novos exigiam hits de sucesso como os de Nevermind. Por mais que tenha tentado evitar e negar isso Kurt Cobain se tornou o que mais odiava, um ídolo pop. Em suas letras eram descobertos muito mais significados e poesia do que ele próprio supunha. Devia se sentir roubado de sua rebeldia, tomada e vendida pela mídia.

Kurt Cobain se suicidou em abril de 1994, com um tiro na cabeça. Em novembro foi lançada em disco a apresentação da banda no programa Unplugged da MTV americana.

Unplugged In New York contém o último projeto de Kurt, um show ensaiado exaustivamente nos últimos dias de sua produção musical.

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