PRESSÁGIO


Saberão prever os fatos e dosar dos homens a ganância,
Nossos anjos mensageiros que desde a gênese calados,
Imperceptíveis surgem nas brumas da noite já cansados
Para livrar os justos dos traiçoeiros laços da ignorância?

Muitos falam do fim dos tempos e da revanche da Terra.
Tolos abrigam os medos nas garras de falsos pregadores,
Zombam, blefam e brincam de Deus alastrando temores,
Instigam ávidos e ardentes jovens que clamam por guerra!

Roubam-lhes as jovens almas encharcadas de negra tinta,
Atiçam com fervor o ódio na cáustica chama da vingança,
Conclamam imberbes fanáticos cuja razão tornou-se extinta,
Que executam planos macabros dos artífices da matança.
 
Sou filha da descrença que nitidamente a todos assola.
Sou mãe da esperança que pouco a pouco se esvai.
Sou presa abatida na espada cortante de um samurai.

Nada mais assusta: o tiro, o grito, o sangue e a degola,
Duelos, disputas e massacres dos filhos do mesmo pai,
Tudo faz parte de um antigo buraco negro que se contrai.

Escrito em 17 de maio de 2006


Maria Helena Santini
Poema 2
Letra M
Menu