Pego numa caneta e perco o sentido Escrevo e desafio-me A minha alma define-se ao fim de algumas linhas Não tenho qualquer intenção de ganhar dinheiro Ou mesmo ser conhecido ou reconhecido Apenas que as minhas palavras Formem um livro aberto para a minha pessoa Mostrem os meus mais intimos desejos Nada mais... Assim que entro no profundo sentimento que me consome Sinto que consigo escrever milhões de páginas Sobre o que me envolve Pensamentos... Ideais... Ideias... Tormentos... Alegrias ou tristezas... Por momentos ou por vários tempos Sinto-me pairar como se voasse Por todos os locais onde gostaria de passar E olho para trás e persigo o meu pensamento Ora descontente Ora feliz Mas sempre envolvido em puro sentimento Tento enganar a minha mão para que ela escreva De forma diferente Mas sou impulsionado para descrever O que mais de real existe cá dentro Sem pensar Sem cuidado com a palavra Ou modo de escrita... Por vezes sinto que o meu aparo me compreende E escreve por ele o que sente sobre mim A minha mão agarra-se com força O papel torna-se áspero A fragrância da tinta torna-se uma companheira O suor... E por vezes lágrimas! Que caem em folhas de papel Nada mais existe senão... A minha alma e esta forma de a descrever Intensamente Sem qualquer sinal de corrupção Ou evasão Por vezes a minha mão pára! A minha cadeira estremece Como se tratasse de um vulcão A minha alma chora E o meu corpo mostra uma forte emoção Por vezes... Na madrugada... Aguardo sempre por um estado de consciencia Que me permita descrever como realmente sou... Guilherme Filipe |
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