Choro lentamente lágrimas tristes Com a agonia e tristeza de um homem cego Sentindo que não posso mais contemplar o céu infinito Tentando descrever as memórias Agarrando as palavras ainda no ar E lutando com elas por entre os bastidores da morte Passo a passo sobre um campo de batalha Caminhando pelo fogo adormecido Humedecido pela madrugada Sentado numa rocha… Choro lentamente lágrimas fortes Porque só assim consigo transbordar o que vivo A minha alma soluça E o meu coração estremece Quase perdendo os sentidos Mas continuo a percorrer as colinas Os montes e os vales Para encontrar algo que seja imortal Mas… Sou mais pequeno que um mosquito Uma abelha… Uma flor… Choro lentamente lágrimas quentes Porque o dia é frio E trouxe a humidade do norte O vento já não é transparente Com ele veio a areia branca da praia azul À noite, choro devagar… Para relembrar que sou errante Para lembrar que sou eu Para mostrar que nada mais sou que apenas eu… Guilherme Filipe |
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