A derradeitra luz jazia em pó concentrado Um dia a alma não existia nem já o espírito e quanto ao sonho ninguém sabia o que era A derradeira luz jazia em pó concentrado As luas antigas espalhadas à volta eram restos perturbados sem o brilho dos anjos estrelas no frio litoral da vida As constelações pararam o seu ciclo no exacto instante em que os espelhos secam desertos sem a carícia da luz e o verde se torna um tempo de muros por onde nos refugiamos Aliás onde estava o reflexo do sangue num tal mundo só feito de beijos geométricos onde até as bocas são uma ameaça que se dilui no choro noturno de pássaros em sacrifício Um dia à minha volta tudo se funde desvanece e imaterializa num pó de não haver mais nada que o túmido ar que nos veste os ossos um silêncio de planta disperso na inclemência do eco para além do incomunicável da noite João Martim 2003 in De que plasma agora sou |
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