NA DANÇA DA VIDA A RODA DA MORTE Na grande dança da vida Na grande roda da sorte A roda da dança Cansa Roda a vida e vem a morte. Na grande dança da vida Tantos pés se vão pisando Na grande roda da sorte Uns em baixo outros Trepando Na grande dança da Vida... Riem uns, outros chorando Na grande roda da Morte Todos nós vamos entrando. Manuela Baptista |
DOCE LEMBRANÇA Quando estou só Embalo em meus braços E sinto ter neles O Mundo, qual criança Quando estou só Balbucio uma canção E em meu coração Renasce a Esperança Quando estou só Oiço o som do meu silencio E uma doce lembrança Renova-me a Esperança Quando estou só Sonho contigo E guardo comigo Uma doce lembrança Manuela Baptista |
POSTUMAMENTE RECONHECIDO Era um poeta completo Sentiu sempre a poesia Em seu peito sonhador; No mundo que percorreu Caminhos que palmilhou Em tudo quanto dizia Ele era mais que um poeta Era pura poesia. E como sempre acontece O mundo o repudiou Até louco lhe chamaram... Mas ele não se importou; Porque o poeta que é poeta Nunca,nunca desfalece Porque sente a poesia E é ela que prevalece No decorrer do seu dia Um dia o poeta morreu Foi encontrado num banco De jardim,por alguém Que ali passou Mas não ligou!... A maior surpresa chegou Quando foram ao casebre Onde vivia,pensando ir Deitar fora,quem sabe Quanta porcaria... Pois o que mais encontraram Foram papeis,escritos, Emendados,rasgados;outros Muito bem alinhados Que deixaram os tais senhores Que lhe chamavam louco Completamente “embasbacados” Anos mais tarde,quando há festivais Ouvem-se noticias na rádio Le-se em todos os jornais Que o poema premiado É do senhor X Poeta consagrado a quem se Irá dedicar um dia Porque não pode jamais Ser esquecido Quem tão bem soube Sentir a poesia. Tudo isto ouves tu Ouve o mundo,oiço eu Mas somente depois que O poeta morreu Por sinal , enregelado Num qualquer banco De um qualquer jardim Competamente abandonado A vida do poeta pobre Vulgarmente acaba assim!... Não faz sentido mas É apenas POSTUMAMENTE RECONHECIDO Manuela Baptista |
PINTAR AS ESTRELAS Eu quiz pintar as estrelas Com as cores do meu sonho Onde eu sonhava contigo Espreitando no meio delas. Só quiz sonhar coisas belas No meu sonho sem ter sono Onde as cores amarelas Eram as cores do sonho Sonhado entre as estrelas E as estrelas eram belas... Tinham rosto de sereias Mas as caudas eram velas Trazidas para as areias Das praias que eram só delas Das ondas e das sereias. Eu quiz pintar as estrelas Com as cores do meu sonho; Mas do sonho, ao acordar Só restaram cores feias... Apagaram-se as estrelas Deixei de ver as sereias Manuela Baptista |
MARIA DO VENTO Maria do vento Mulher do meu tempo No tempo perdida Vives numa teia Com os dedos do sonho No tempo tecida Maria do vento Solta o pensamento Não negues a vida Alegria sangrada De mãe devotada Revolta esbatida Maria do vento Que estrelas cadentes Em teus olhos vejo Assim de fujida? Mastigas as horas Com sabor a acre Com sabor a vida Maria do vento Mulher do meu tempo No tempo esquecida Manuela Baptista |
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MELANCOLIA ( A minha mãe) Meu mundo ruiu ao ver-te ali Estática e serena. Rolaram Lágrimas de impotência Ao sentir a revolta de Nunca mais poder abraçar-te. Continuarei no entanto a Olhar o céu e ver-te-ei Lá, junto a teu marido e filho; Irão de mãos dadas passear no firmamento Até ao dia em que de novo nos encontremos Manuela Baptista |
Solidariedade
S entir a amizade O u tão só a simpatia L ado a lado com a verdade I sso nos causa alegria D igo-vos do coração A mizade é grande dom R eforça a emoção I nebria e é tão bom! E mbala nosso viver D esanuvia e descarrega A quilo que nos faz sofrer D eus me conserve os amigos E faça por eu os merecer. Manuela Baptista |
AMIZADE
A mizade é coisa boa M aldade não prevalece I ronia não destoa Z ombaria,enternece A migos do coração D esejo tê-los com fartura E nlaçá-los com emoção E abraçá-los com ternura Manuela Baptista |