Carlos Donizeti Contos e Crônicas
Quantas saudades

Ah! Quantas saudades tenho de minha infância querida, juventude que não esqueço jamais, e as cultivo em vasos de barros. Quando chegavam os sábados que eram movidos de deslumbramentos e segredos,  na meninice da noite onde eu vestia minha melhor roupa e ia aos bailes e festas. Quanta inocência, mal sabia o que a vida me reservaria. Vida que me instiga a viver, diga-me: - Por que existe saudade? Quantas delicadezas, e cuidados onde muitas moças de família limitavam ao simples pegar nas mãos. Beijos, ah! Beijos seriam como uma promessa de amor e felicidade. Mesmo assim os respeitos nos traziam prazer onde sob a vigilância de alguns pais só era permitido dançar com os rostos colados. Minha juventude pedaços de brandura de minha adolescência querida. Como era bom o brincar de amar, e o ensaiar a paixão eram os defeitos permitido que nos faziam sofrer de brincadeira. - Meus sonhos te  pedem: Vão buscar minhas verdadeiras emoções, as juras que me faziam feliz, onde eu um simples menino e fui enganado pelo poder  de amar. Hoje sei o que o amor inventa, são como as estrelas, as flores e o desejo de querer mais, onde os dançarinos bailam no tocar dos astros. Sábados onde as esperanças renasciam motivadas pelos desejos de ser afortunado no amor. Hoje às vezes me pego sonhando, aonde das muitas vezes a lua vem, trazendo uma viola e chorar comigo.



Não me corromperei!

Alguém me disse:- Não me corromperei.
Eu disse: - Você não sabe o que é se corromper.
Às vezes lembro-me de quando abordava o anoitecer e vinham as  frias  madrugadas, onde os perigos corriam soltos nas horas adentro. Ah! Estação do Brás, Jundiaí, Pirituba, Luz e Barra Funda afora as saídas de ar  nas estações do Metro de SP cenário  onde protagoniza este breve conto. O que faz o homem a chegar ao intenso? Ao ponto de dormir nos bancos das praças, fachadas de edifícios, trens ou nas saídas de ar do Metro de SP. Cada um tem sua historia de vida,  seu relato, clausura depois o desabafo de alguma forma. Neste drama musical o maestro é o frio das madrugadas e a orquestra é o silencio  que cala os inocentes. Madrugada console a lua que é a guardinha dos vagabundos e da os cobertores de sereno as crianças de rua.
Longas noites de frio, onde  muitas vezes eu, andava nos porões das estações de trens para procurar um lugar para dormir nos vagões estacionados. Onde muitas crianças sem proteção alguma concorriam também pelos mesmos espaços. Cidade de pedras onde até nas altas nas horas da madrugada vagavam as prostitutas a procura de homens com dinheiro. Chão feito de ossos das casas noturnas, onde prevalece o mau cheiro de urina fermentado nos imundos banheiros públicos. Na boca da noite muitos já eram queimados, ou mortos por grupos de extermínios. Nas noites onde vagam as forças da escuridão, onde mulheres despenteadas, homens embebedados tem por ratos as melhores companhias. Quando amanhece todos são príncipes, mas, nas noites o vermelho do sangue é opaco no chão. No relâmpago do pôr-do-sol a maconha, o crack e a cocaína corriam soltos, onde a porta do inferno estava aberta para quem quisesse entrar ou sair. Paradigmas, às vezes surgiam pessoas vestidas de anjos de luz, oferecer uma xícara de café, um pãozinho ou prato de sopa nem tudo estava perdido, existem pessoas que saem nas noites a socorrer os moradores de rua. São igrejas, casas humanitárias ou pessoas praticando a caridade obedecendo às ordens do Mestre.


Assim viveu e morreu o "Campeão"
Verídico


Existem pessoas que acham que as coisas na vida nunca vão  mudar.
O sol sempre saíra, as flores serão sempre colhidas tempo certo ou viverão para sempre.
Infelizmente, as coisas não são bem assim. Houve um tempo aqui na cidade de Santo André que estava em grande crescimento industrial que era muito fácil conseguir trabalho ou não precisava de muito esforço para ganhar dinheiro com simples serviço com o de pintor letreiro. Nesta época eu era um simples observador uma criança de uns dez anos. Quando chegava o final de semana domingo nos íamos à igreja e às vezes tinha as procissões que andávamos em grade numero de pessoas pela rua do bairro Príncipe de Gales. Quando a procissão passava em frente aos bares que estavam sempre lotados era pedido pelos fregueses que fechassem a porta pela metade, em sinal de respeito à procissão. Dentro dos bares onde muito trabalhadores ficava bebendo estava sempre o "Campeão". Homem forte na época e briguento com seus colegas de bar viravam e mexiam uma briga, mas, naquela época não era igual hoje, pouca brigas e muitas mortes. Campeão era pintor letrista e prestava serviços àquela comunidade comercial era assim que vivia Campeão o letrista. Separado da família por motivos de bebida alcoólica já naquela época viva sozinho. Bebia até altas horas da madrugada onde gastava todo o dinheiro na cachaça com os falsos amigos de copo. Quando acabava o dinheiro bebia a credito, por fim ficava sempre devendo. O tempo passou eu já estava com aproximadamente vinte cinco anos quando fui enxergado com como gente pelo "Campeão". Talvez porque nesta época eu também era consumidor de bebida alcoólica e criou-se uma amizade de bar entre eu e o "Campeão" embora que só de vista. Freqüentávamos os mesmos bares e roda de amigos. Ali naqueles bares eu conheci muitas pessoas do bairro que haviam se entregado ao vicio da cachaça e viviam precariamente, apenas simbolizavam estar bem de saúde de felizes, mas a realidade era outra. A saúde não dura para sempre, principalmente para quem cuida mal.
"Campeão" Já com idade avançada já não conseguia bons serviços e sem família, doente se entregou ainda mais ao vicio. Alguns dos últimos amigos vendo que ele dormia nas praças ofereceram um cômodo para que ele ali vivesse. Porem já doente trabalha muito pouco. Certa noite não me esqueço havia um comentário que se o "Campeão" bebesse morreria foi o medico que disse. "Campeão" ainda nos bares triste por não poder beber, e ali permanecia quieto. Muitos colegas de bar ofereciam bebida ele negava com pouca resistência. Certo dia, não seu qual, mas, me lembro passei no bar bebi uma cachaça senti pena do "Campeão" por sua solidão e fui embora. Ele ainda ficou até que o bar fechasse, quando o bar fechou o "Campeão" não consegui ir embora par a sua casa e ali ficou, segundo fui informado.
No outro dia quando acordei por volta das nove horas, fui buscar o pão e passei, estranhei ao vê-lo em pé encostado na parede da cobertura do bar, comprimentei-o, não respondeu, segui em frente, quando retornei para levar o pão para casa disseram-me que ele estava morto "Campeão" morreu em pé. Acredito que por estar muito frio ele morreu e seus nervos endureceram. Assim morreu o "Campeão"


Dia 25 de julho foi o dia e a gota da água

Depois de alguns dias de recesso escolar retornei ao trabalho, eu já tinha vindo alguns dias para fazer algumas tarefas, sabe como é quem trabalho em escola nunca acaba. Tinha também avisado a direção da escola que eu, iria lavar a portaria da escola no penúltimo dia antes de recomeçar às aulas.
Foi neste dia 25 de julho que, logo quando cheguei tentei providenciar o material para a lavagem da portaria da escola. Retirei as mesas, cadeiras, dei uma varrida no local e fui pegar a mangueira de incêndio para jogar água em toda a área. Quando solicitei a o caseiro da escola e colega de trabalho que me fornecesse a chave para pegar a mangueira, quando a principio fui impedido de realizar o trabalho. O colega disse-me, que não havia necessidade de lavar, bastava só uma varrida, discordei dizendo que toda a escola foi lavada e a portaria de entrada principal também precisava se lavada. Nisso criou-se um clima de bate-boca quando foi me dito que eu estava querendo mostrar serviço, porque a direção já se encontrava no local, ouve arranca-rabo, fiquei nervoso quando também ouvi que a mangueira que foi emprestada e ainda não tinha sido devolvida. Certos problemas são administrativos, mas como resolve-los se nós somos a administração, às vezes é difícil passei tanto nervoso que
disse que não iria mais lavar a portaria da escola e fui embora chateado por não ter feito o que teria que ser feito. Quando cheguei em casa disse o ocorrido a minha esposa e ela censurou o acontecimento. Fiquei sentado na sala alguns instantes, não conformado resolvi voltar ao trabalho, primeiro fui à escola onde a mangueira estava emprestada e a solicitei de volta, em seguida parti em direção a escola no intuito de lavar a portaria da escola.
Ainda permanecia apreensivo de não concluir o trabalho, e de certa forma perder espaço no local de trabalho por um a coisa que eu achava necessidade.
Se recuar, serei derrotado ao ponto de perder o emprego, eu penso assim...
Foi quando de repente surgiu na minha frente um rapaz comparando com a minha aparecia física. Logo de cara ele me pediu dinheiro disse-me que precisava comprar gás de cozinha para sua casa, porém me pediu com muita tranqüilidade. Olhei-o bem de perto e disse: - Porque você não arruma em serviço, veio automático.
Ele me respondeu: - Já arrumei, vou começar na Terça-feira-feira.
Eu disse: - Terça-feira-feira é hoje
Ele respondeu:- Terça-feira-feira que vem.
Eu falei:- Terça-feira está muito longe, até lá você pode fazer muita coisa ainda hoje.
Perguntei:- É casado
Ele me disse: - Sou, e tenho dois filhos.
Eu disse:- Porque você não trabalha catando produtos para reciclar, vendendo sorvete ou lavando carros.
Ele disse: - É difícil a maioria das pessoas que fazem esses tipos de trabalhos, já são esperados pelas donas de casa.
Eu disse:- Tome o cuidado para não virar ladrão, pois a dificuldade da vida nos faz fazer coisas sem que queremos.
Fomo andando até que ele decidiu tomar outro rumo, eu cortei caminho para chegar mais rápido na escola. Quando cheguei à escola falei com a direção e levei uma bronca, pois, a direção disse que agimos como crianças, falei algumas coisas, e fui lavar a portaria da escola. Lavei jogue água como quis depois finalizei e fui para minha casa.
Agora sim, eu poderia descansar em casa com tranqüilidade, andei, briguei, mas, fiz o meu dever conclui o meu trabalho.
Reconheço que falei duro com o rapaz, mas às vezes somos obrigados todos nós a somente escutar.


A avaliação

Minha única chance veio em forma de um passarinho.
No inicio não entendi o que acontecia. Era uma ave recém-nascida que foi abandonada no quintal do meu quarto.
Minha vida corria normal quando de repente vi aquele pequeno bichinho caminhando na pequena área aproximei, e ele não voou.
Estranhei o fato, pássaros voam, mas aquele não voava, pensei que estivesse doente.
Coloquei alguns grãos para que se alimentasse, esperando que dentro de alguns dias estivesse voando, não voou.
Ele passou alguns dias nesta, área e não voou. Certo dia abri a porta do meu quarto e ele entrou passou por baixo de minha mesa e se acomodou bem num cantinho ao lado da estante.
Deixei-o ali, pois tinha receio de machucá-lo com muitos toques de mãos, quando chegou a noite que sai do banho ainda o encontrei bem encolhidinho num cantinho da estante no quarto.
Logo imaginei vamos conviver com um passarinho em casa e solto.
Já não me incomodava o fato de ter um passarinho solto em casa.
Era o meu teste, simplificado e humilde em forma de um passarinho.
Podia ser um gatinho, um cachorrinho, mas era um passarinho.
Naquele mesmo dia ele entrou em casa e ficou bem quietinho num cantinho e ali mesmo morreu.
Terminava ali o meu simples teste em forma de um passarinho.


Vossa Exa.

Vossa Exa. os tijolos que foram feitos esta casa saíram amassados da olaria de meus braços e amolecidos com as gotas de meu suor. Vosso Exa. assim como o joão-de-barro cata e trás a cada bicada um pouquinho de argila para fazer sua habitação, eu e a mulher e meus filhinhos trouxemos lá do barranco o barro e o transformamos no nosso abrigo de paz e amor. Vossa Exa. quando no calor do dia aonde o sol chega a cortar a pele e as borboletas procuram à terra molhada, à noite no céu das estrelas procuro entre todas elas meu cantinho de paz à direção, minha casa, meu teto. Vossa Exa., à tarde quando chego do trabalho sento na cadeira na sala e repenso de como é bom depois da obrigação cumprida, o repouso onde aos poucos se achegam meus filhinhos a procura de pão. Neste lugar, Vosso Exa. não temos o luxo das grandes casas das cidades, mas sempre temos uma xícara de café servido com muita afeição. À noite quando os anjos descem para abençoar, junto vêm os querubins trazendo palavras de conforto e paz para mim.



Dissertação

O que são os sonhos?
Senão o estado do corpo em dormência, onde o cérebro por conta própria busca no inconsciente recordações do passado ou acontecimento presente. Porque os sonhos? Quais são suas finalidades?
Talvez ilusão, descarregar a mente ou mostrar os medos, quem sabe, denunciar angustia aflições, solidão, complexo de inferioridade ou superioridade.
Normalmente existem muitas pessoas que esperam sonhar para realizarem algo em suas vidas, assim foi com muitas pessoas no passado, enfim, ainda hoje muitas crêem nos sonhos, e vivem a esperar por eles.
Isso me faz lembrar dos relatos de muitas pessoas que através de sonhos regressaram ao submundo ou a grosso-modo no inferno fictício de seus medos. Sigmund Freud foi o primeiro a dar inicio na psicanálise explicando o mundo dos sonhos.
Ouve uma época que passei por muitas dificuldades, de personalidade, relacionamento e decisão de vida, foi nesta época que os sonhos vieram intensos nos meus sonos. Eles vieram travestidos de pesadelos invencíveis a atormentar-me as noites adentro. Numa espécie de desafio, onde eu era sempre a vitima e obrigado a fugir de terríveis matadores implacáveis.
Criaturas indestrutíveis motivavam lutas e perseguições eram os personagens mutilados em meus maus sonhos.
Só os tolos desafiam o além, sem proteção divina e eu sofria a conseqüência de estar sozinho.
No mundo dos opressores só eles têm razão, os contrários suportarão a solidão e desespero, até que sejam dominados ou mortos. Certa noite ao dormir regredi em sonho a um campo de flores e depois jogado junto com criaturas podres para a tortura onde existiam vários pessoas a atormentar que eu observava , quando de repente fui descoberto e num relance eu lutava contra uma criatura imbatível que não podiam ser mortas por humanos, somente adiada para o tempo certo.
Sonho e pesadelo são a mesma coisa, quando sonhamos se for bom é sonho se for mal é pesadelo. Os dois iludem, quem sonha não sabe se alcança e quem tem pesadelos finaliza-os quando acorda.
Hoje os sonhos não acontecem com freqüência, nunca precisei deles. Pesquise.



Minha primeira barba

Certa manhã fui contratado pelo Sr. Mario para fazer alguns serviço de eletricidade numa de suas casas, pois, ele era possuidor de um grande numero de casas alugadas. E por conhecer meus serviços sempre me chamava para fazer alguns serviços de rotina. Combinamos para o dia seguinte às oito horas da manhã, feito assim, no dia ele veio buscar-me de carro para fazer os serviços. O lugar onde nós fomos não era muito longe dali, mas era até então era um lugar desconhecido por mim, entramos na pista e depois saímos numa estrada de terra e finalmente chegamos ao endereço. Era uma casa muito humilde não tinha telefone, serviço precários de eletricidade e saneamentos básicos, onde funcionava precariamente um asilo feminino com aproximadamente umas trinta senhoras de idade que viviam ali em condições arriscada visto pelas próprias instalações. Comecei logo o serviço, pedindo para ele que comprasse o material para ser utilizado, enquanto continuei fazendo a vistoria do local para ver se conseguia ganhar tempo e ecomizar material, pois poderia usar além. Observei que aquele local devia ser no mínimo clandestino e devia estar ali para fugir da vistoria prefeitura e submetia aquelas pessoas a condições subumanas e conversando com uma funcionaria também de idade avançada ela me disse que trabalhava ali simplesmente para receber somente algumas sobras de alimentos. Ali se encontrava mulheres de idades avançadas, ex-prostitutas doentes, mulheres com problemas mentais, ou ex-donas de casas que tinham sido abandonadas pelos maridos ou filhos. O lugar era sujo pela precariedade, onde as velhinhas disputavam o pouco espaço.
Logo que o Sr. Mario chegou com o material comecei o serviço porque tinha pressa de sair logo dali. Aquele lugar mexeu com meus sentimentos, onde claramente pude ver até aonde chega o fim da vida, de quando a família não cuida de seus familiares.
São jogadas as traças e escondidos em chácaras foras dos grandes centros metropolitanos. Até onde pode chegar à crueldade humana onde os familiares abandonam as minguas até os pais em asilos para morrerem as minguas. Não vai muito longe é só ir ao centro das grandes cidades para ver o que retrata toda a sociedade, uns culpam os governos, mas que deveria cuidar primeiramente deveria ser os familiares.
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Senhor Policarpo Ferreira Duarte nunca tinha lhe prestado a devido atenção. Ele ficava ali, como um móvel antigo quando dava por umas duas horas do tarde ele pegava as tralhas de pesca e ia para a lagoa e por volta das seis ele voltava trazendo alguns peixinhos para serem fritos era minha alegria demonstrada de longe ao meu avô. Naqueles tempos eram assim as demonstrações de respeito.
Ele já contava com aproximadamente uns noventa anos e a família já não contava mais com seus conselhos ou abedeciam suas ordens, é assim o final de vida ou velhice aqui no Brasil. De vez em quando ele ia ao matadouro e comprava carnes e as cozinhava em grandes quantidades era causa de minhas alegria ao juntar com meus tios e primos a comer mocotós e cozidos. Ninguém lho dava causa diziam que ele “já estava caduco” assim vivia ali o Senhor Policarpo Ferreira Duarte.
Nesta época nos íamos visitá-los só no final de ano, por causa de motivos financeiros, e foi numa destas visitas que o Senhor Policarpo me chamou e me fez um pedido, confesso que entendi a mensagem pelos meus doze anos. Já com seu aparelho de barbear na mão pediu-me que lhe fizesse a barba, senti um acanhamento, mas não deixei transparecer, seria a barba mais difícil de minha vida, pois aquele rosto todo cheio de rugas, teria que ser cuidadoso. Peguei o aparelho de barbear, pois ele já se encontrava sentado numa cadeira de madeira como se estivesse no barbeiro. Passei o creme de barbear, com muito cuidado comecei a rapar os pelos de seu rosto. Fiz em seu rosto alguns corte com o aparelho, mas ele pediu que continuasse até o fim e após terminar me agradeceu. Quando voltamos para nossa casa, passou um mês ele morreu, foi assim minha primeira barba.
Policarpo Ferreira Duarte meu avô, homem simples e de um grande coração pai de doze filhos.


Eu reprovei em Estatísticas

Já fazia um bom tempo que eu não sabia o que é reprovar, ou seja, fazer de novo a mesma matéria escolar. Talvez faltou um esforço a mais, ou houve um descuido, por fim, a culpa sempre é do professor. (nunca do aluno)
Lamento os cinemas, as festas, finais de semana ou mesmo chegar atrasado na sala de aula, todos passaram, eu fiquei e para o próximo semestre a fazer aulas de Estatísticas básica. Não gosto nem lembrar como será. Bem ciências exatas me persegue, não sei porque?
Hoje andando pela rua lembrei-me de um acontecido à muito anos, ainda quando eu estudava o segundo ano primário na escola “Estadual Principe de Gales” Santo André . Antigamente quem não sabia não passava mesmo, e ai começa a minha Historia. Eu já tinha repetido duas vezes no segundo ano e tinha medo de repeti-lo pela terceira vez. Fiz o exame e repeti, lembro-me de eu, e meu pai tentando me conformar com a reprova. Eu e ele vínhamos tristes quando um outro aluno que aproximou-se todo alegre por ter passado de ano e me perguntou se eu tinha passado, não podia mentir principalmente com a presença de meu pai ali. Foi quando ele me disse que eu poderia fazer outro exame numa outra escola no centro da cidade, mas me advertiu que por ser na escola a “Técnica Estadual Julio de Mesquita” seria o exame ali mais difícil porque os alunos que passassem ali como diziam tinham “O futuro garantido” para continuarem na escola técnica e seria muito difícil para mim. Disse-me que o exame seria na próximo na sexta-feira e não restava mais tempo para estudar.
No mesmo dia dirigi-me a escola “Estadual Julio de Mesquita” e fiz minha inscrição para fazer o exame. Quando chegou na sexta-feira fiz o exame e passei. A secretaria disse-me que eu deveria fazer a matricula no mesmo dia, foi quando eu disse que queria voltar par a mesma escola onde eu já estudava (aquela que me reprovou).
Sendo assim ela me deu o certificado de aprovação para matricular na terceiro ano. Peguei o documento e me dirigi a “Escola Estadual Principe de Gales” e fiz minha matricula no terceiro ano.
Quando iniciou o ano letivo fui contente para a escola e entrei na sala da Prof. do terceiro ano e já estava estudando quando a professora que me repetiu adentro a sala, e gritando e disse:
-O que você faz aqui, seu lugar é na sala de segunda serie, eu mesma te repeti.
A professora do terceiro ano disse:- Deve haver algum engano, pois, este aluno veio da “Escola Estadual Julio de Mesquita”
ela insistiu a dizer: - Ele foi meu aluno da segunda serie, conheço-o bem, é ele mesmo, eu o repeti.
Pedi a ela que fosse a secretaria saber da minha situação ela foi, e não retornou de vergonha.


O retornar do passado

Quando retornei ao mundo encantado onde vivi grande parte de minha infância e adolescência, senti o renascer envolvido num clima de suspense e nostalgia.
Cheguei humilde como parti, desci logo na entrada do bairro para rever os velhos amigos. Ao andar naquele sagrado solo feito de cimento e pedra onde muitas vezes, caminhei descalço, e vestindo apenas com uma simples camiseta e um calção feito de saco de farinha. Assim passei ali minha infância na inocência da vida.
Procurei pelos velhos amigos, fui informado que alguns já haviam partido, não suportaram o calcar do tempo e o avançar da idade.
Não sei por que eu estava ali, talvez para curar as velhas feridas de um lugar que amei tanto, e tive que partir. Às vezes distante eu repassava atônito momentos e intantes, de onde cresci e passei minha querida infância e adolescência.
Estava ali pasmado diante de tanta gente estranha, e procurava entre as novas casas algumas coisas que justificasse minha presença ali, naquele lugar. Aos poucos vi ainda resistindo as estações velhas casas ruindo e fragmentando ao tempo, esperando minha volta.
Onde estão os pés de pêras, ameixas, amoras e bananas, foram pisados pelos grandes edifícios e soterrando minha infância querida.
Procurei onde era minha primeira morada, embora reformada senti ali o barulho de nós crianças e filhos.
Repassava ali cada capitulo de minha vida, já amarelada pelo tempo.
Lá em cima continua a lua e as estrelas testemunhando minha volta a um passado distante.

O que será, será?

O que é a vida? Como e quais surpresas ela nos proporcionara? Aonde vamos?
Sabemos como ela começa, mas como terminará isto ainda não nos é revelado, por enquanto, mas alguém disse: Cada um colhe aquilo que planta.
Embora que ninguém possa dar lições de vida, nesta estrada todos nós vamos seguindo este caminho sinuoso e escorregadio da existência humana.
Manoel, homem que lutou, acreditou, insistiu e viu seu mundo se fraguimentar em pedaços. Este homem surgiu aqui em nossa cidade nos tempos em que comprar uma propriedade não era muito difícil, trabalhou como padeiro, bicheiro e servente pedreiro e teve esposa e filhos que participaram da vida da nossa comunidade.
Mas, a vida reserva-lhes não medalhas, mas uma caixa de surpresas, que ao discorrer anos se manifestaria grosso modo, desesperanças. Todas as noites ao sair para trabalhar, Manoel perdia algo muito importante, sua esposa que descobria os carinhos de outros homens. Infelizmente os homens são pego nas mais abomináveis fraquezas, vícios, sexos e traições.
Tudo que é feito no oculto, um dia será revelado, e num certo dia Manoel ao chegar em casa encontrou sua esposa com outro homem na cama. Revoltado com seu matrimonio debilitado ele sai de casa e passa a viver sozinho piorando ainda mais a situação da família. Sua ex-esposa embora já de uma certa idade não reconhece o grande prejuízo, o lar desfeito e a perda de controle dos filhos. Seus filhos não tendo em quem se espelhar a mãe ou o pai, abandonaram os estudos e entregaram aos roubos e tráficos de drogas. Eles tentaram superar, mas o preço que a vida cobrou-lhe foi além de suas estruturas. Seu primeiro filho foi morto a pauladas “Seu sonho era ser o maio traficante do Bairro” o segundo não demou muito começou a roubar pequenos comércios aqui no bairro. E aqui ladrão tem a vida curta, dizem, lembro-me que um dia ela esteve à procura dele por uns três dias, já antecedendo o mal, procurava nas lagoas e delegacias da cidade, não demou muito ele foi achado morto numa determinada lagoa não muito longe daqui.
Este homem revoltado não encontrou outro conselho senão o aprofundar no vicio da velha mandingueira cachaça, ela companheira fiel dos problemáticos da vida e dos não correspondidos no amor. Onde ele se atirou profundamente nos braços desta lançadora de homens abatidos ate passar as madrugadas no relento caindo nas ruas, assim era a punição de um lar desfeito. Nos tempos bons, morte espera e depois nos ruis, ela apressa, e num determinado dia ele também foi encontrado morto às margens de uma mina de água aqui perto. Assim termina a estória de uma família que se perdeu por completo. As escrituras não dizem nada, quando a vida não tem um sentido,
relato por que talvez pudesse ser diferente.
Este conto foi mudado os nomes, talvez possam parecer com a Historia, algumas pessoas, mas é sem o intuito de criticar determinadas pessoas, mas lamento que muitos lares terminem assim.



A avaliação

Minha única chance veio em forma de um passarinho.
No inicio não entendi o que acontecia. Era uma ave recém-nascida que foi abandonada no quintal do meu quarto.
Minha vida corria normal quando de repente vi aquele pequeno bichinho caminhando na pequena área aproximei, e ele não voou.
Estranhei o fato, pássaros voam, mas aquele não voava, pensei que estivesse doente.
Coloquei alguns grãos para que se alimentasse, esperando que dentro de alguns dias estivesse voando, não voou.
Ele passou alguns dias nesta, área e não voou. Certo dia abri a porta do meu quarto e ele entrou passou por baixo de minha mesa e se acomodou bem num cantinho ao lado da estante.
Deixei-o ali, pois tinha receio de machucá-lo com muitos toques de mãos, quando chegou a noite que sai do banho ainda o encontrei bem encolhidinho num cantinho da estante no quarto.
Logo imaginei vamos conviver com um passarinho em casa e solto.
Já não me incomodava o fato de ter um passarinho solto em casa.
Era o meu teste, simplificado e humilde em forma de um passarinho.
Podia ser um gatinho, um cachorrinho, mas era um passarinho.
Naquele mesmo dia ele entrou em casa e ficou bem quietinho num cantinho e ali mesmo morreu.
Terminava ali o meu simples teste em forma de um passarinho.


Minha derradeira morada

Quando este corpo cansado recuar a humilde mãe terra
Este coração irá diminuindo em uma cantiga num só ritmo...
Os olhos calmamente irem fechando, após um leve sorriso
Viverei, numa outra dimensão, mas viverei...
Estará sendo completada a minha obra, a derradeira final
Com muita modéstia serei recolhido a uma cama flutuante
De rosas, jasmim, tudo que a vida me negou, chega agora no fim. A família reunida, os filhos juntos, a presença constante da mulher.
Ao meu lado direito ela chora levemente pétalas de rosas, com um lencinho na mão. Ao esquerdo os filhos, alguns ainda não alcançaram o que está ocorrendo.
Nos meus pés, os amigos de partido político, da igreja, colegas de trabalho todos ao meu redor.
Todos responsáveis por este momento importante para mim.
Viverei com toda a honra, serei levado num carro preto e em um palco todo envernizado, pelos colegas até a minha definitiva morada. No trajeto os bares fecharão a meia porta
em sinal de respeito, lembro-me do meu casamento.
Já estou vendo dois anjos na porta com duas cornetas anunciando minha chegada
Viverei neste lugar florido cheio de silencio e luz.
Aqui receberei finas flores, de vez em quando visitas, aqui eu serei um homem bom, bom pai de família, marido leal.
Quanta honra, quanta badalação tudo que eu queria em vida, me chega agora no fim,viverei.









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