Felipe Tiago Gomes - CNEC
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A CNEC

"Um dia, em 1943, Felipe nos chama para uma conversa e expõe seu pensamento de nos unirmos – ele mesmo, Carlos eu e outros – para promover um movimento semelhante ao de Haya de La Torre. Pretendia fundar um Ginásio do qual seríamos os professores...", são essas palavras de Joel Pontes, um dos fundadores, que resume o nascer da Campanha do Ginasiano Pobre, atual Campanha Nacional de Escolas da Comunidade.

A Campanha Nacional de Escolas da Comunidade (CNEC) foi criada em 29 de julho de 1943, pelo paraibano de Picuí, Felipe Tiago Gomes, na cidade do Recife-PE, com o objetivo de oferecer um ginásio gratuito para estudantes pobres. A Entidade foi, originalmente denominada Campanha do Ginasiano Pobre – CGC. Posteriormente, passou a ser a Campanha dos Educandários Gratuitos – CEG, depois, Campanha Nacional dos Educandários Gratuitos – CNEG, e atualmente é a Campanha Nacional de Escolas da Comunidade – CNEC.

É uma das entidades mais sérias deste País, reconhecida de utilidade pública por decreto do Governo. Tem sede na Capital da República e ação em todo o território nacional. Inspirada na necessidade de tornar a educação nacional acessível a todos os brasileiros, visa, como principal finalidade, fundar e manter em todo o Brasil, com a participação da comunidade e a cooperação do poder público, escolas para seus sócios e dependentes, bem como para estudantes desprovidos de recursos. Não admite discriminações religiosas, raciais ou econômicas, aceita o apoio do poder público, mas principalmente apela para a iniciativa particular, como elemento primordial das suas realizações.

A CNEC não é escola particular nem pública e sim, procura reunir o que há de positivo nos dois modelos resultando num terceiro gênero: a Escola Comunitária. Através do Parecer 3987/75, o Conselho Federal de Educação declara que: "juridicamente a CNEC se enquadra como entidade particular, mas de fato tal categoria não se pode lhe aplicar, por lógica, nas circunstâncias em que se criam e se mantêm seus estabelecimentos. Suas escolas surgem por iniciativa comunitária (...) e têm, evidentemente, características muito peculiares. Prestam evidente serviço público e não são estabelecimentos oficiais."

Uma das características da CNEC é o fato de ela nascer das aspirações das lideranças da comunidade a que irá servir, tendo como base as necessidades educacionais geradas pela própria comunidade. A partir daí, as lideranças comunitárias recorrem à CNEC, que viabiliza os meios para a implantação das escolas. É esse interesse da própria população que torna a participação mais efetiva e mais determinante dos rumos a serem seguidos. A comunidade se responsabiliza pela maior parte das despesas de funcionamento das unidades educacionais.

Os professores vêm das comunidades, o que significa um conhecimento muito maior da realidade onde irão atuar, ao mesmo tempo em que se consegue uma valorização sem precedentes dos recursos disponíveis naquele meio, gerando novos empregos e promovendo o bem-estar social. A política de construção de escolas, sempre em regime de mutirão, onde participam alunos, pais, autoridades e profissionais liberais, requer solidariedade e conscientização coletiva, ingredientes indispensáveis ao progresso social. Graças à participação de todos os interessados no funcionamento da escola cada real aplicado se multiplica por cinco.

As escolas da CNEC começam, geralmente, com as séries iniciais do ensino fundamental (antigo 1º grau), evoluindo depois até chegar ao ensino médio (antigo 2º grau), sendo que, desde 1963, têm sido criadas também unidades de ensino superior. A primeira delas foi a Faculdade de Direito de Santo Ângelo, uma vitória para um movimento que pretendia apenas dar oportunidade para que jovens pobres pudessem completar o curso ginasial.

A CNEC hoje pode ser considerada como um marco referencial de difusão educativa no Brasil, atuando nas mais diversas regiões do país e mantendo instituições diversificadas na área de educação, sempre buscando aprimorar a qualidade dos serviços que vem prestando. Ganhando a aceitação das comunidades, a CNEC representa uma das maiores organizações de ensino do país com unidade e direção. Sua filosofia está baseada na prestação de serviços à comunidade, atuando com 373 escolas, 15.010 professores e empregados, 142.561 alunos e 18 faculdades.

A Campanha Nacional de Escolas da Comunidade já desenvolveu projetos voltados para a criação de escolas agrícolas, espaços esportivos, execução de serviços de editoração, comunicação social e radiodifusão, intercâmbios culturais e artesanato, além de unidades comunitárias de produção, comercialização e prestação de serviços. Ressalta-se a importância da construção de um bairro habitacional com 60 casas na cidade de Picuí – PB, com o apoio dos órgãos SENAR e SEHAC.

Em 1989, quando a CNEC completava 46 anos, era o seu criador, Felipe Tiago Gomes, que definia a importância e a força da ideologia que originou a Campanha: "Há cenecistas que não sabem o que é passar um domingo em casa. Operários que dão gratuitamente dias ou horas de trabalho, estendendo as mãos uns aos outros, formando uma forte cadeia, no afã da solidariedade para o bem comum. Nesta caminhada há o evidente propósito da realização, do que consideramos melhor entre nós, para que façamos do Brasil um país respeitável culturalmente. O tipo de escola que defendemos é uma idéia vitoriosa, que encontra poucos adversários entre os resquícios de uma época em que o ensino era dominado pela filosofia da escola privada. Situando-nos entre a escola pública e a particular, pretendemos cultivar o que há de melhor nas duas e assim, palmo a palmo, vamos consolidando a escola da comunidade."

No período de atuação de seu fundador, a CNEC foi presidida por personagens influentes no cenário político e social brasileiro. Foram presidentes da Instituição: ex-Senador Henrique La Roque, ex-Deputado Paulo Sarasate, ex-Ministro Alcides Vieira Carneiro, ex-Senador Aderbal Jurema, dentre outras pessoas ilustres que abraçaram a causa cenecista. Anos antes de seu falecimento, o Professor Felipe Tiago Gomes dimensionou a Presidência da Entidade para ex-alunos da CNEC. Como exemplo, pode-se citar o Professor Augusto Ferreira Neto e o Senador da República Renan Calheiros. Atualmente, a CNEC é presidida por Alexandre Santos, ex-aluno e Deputado Federal.


"A CNEC me convenceu que o grande

compromisso da vida é com o próximo"

FELIPE TIAGO GOMES

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