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Perdoa-me
Sei que não se mandam
poemas
aos poetas
que como tu, são Altíssimos
mas ISTO
não pretende ser
não quer ser
não e
um poema;
andei ,ao que parece
a enviar as cartas
para regiões inóspitas
e claro-
onde tu não estavas,
onde estarás
em que cadeira te sentaras
agora,
comigo aqui tão sentada neste sulutitario
com ESSE lugar vazio
a meu lado
e tu tão longe
a contemplar com o sorriso
cheio de dentes
as luas,
onde cavalgam
raparigas novas
e nuas;
por cima de cabeças
que se juntam para estenderem as bocas
e as línguas em fogo
que saltitam
como cobras,
tu ao longe a afiar as unhas
nas pedras negras
para ficarem finas
e roubarem os olhos
as jovens raparigas,
mas vivo- ISSO eu sei
redivivo vives
dizes tu
que revives
(novo verbo
desse teu idioma
tão antigo)
perdoa-me eu não sei
se estou ISSO
talvez, não sei
nem sei por onde andaras
o que farás
nem se eu ainda em ti
só sei que ISTO
não pretende ser um poema
não quer ser
não e
um poema;
só apenas o que ando
para te vos encontrar
e se não puder
e se tu nunca leres
estas vivo ,
e ISSO é tudo.
Lagos, 1.2.02
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