Medicina Humana
 
Capítulo 1
Capítulo 2
 
Uma brincadeira com o álcool
O Álcool e o Cérebro
 
Alternativos
Depressão
Depressão Bipolar
Distúrbio de Personalidade
Esquizofrenia
Transtorno Bipolar
 
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Periódicos Médicos
 


Ignacio Pupo de Vasconcellos
Dedicado este site à meu tio-avô Ignácio Pupo de Vasconcellos, médico que exerceu sua profissão com grande dignidade numa Campinas de outros tempos, de outra Medicina
Curso de
Medicina Humana
 
"Não há noite tão longa e tão escura que jamais encontre o clarão do dia".
- Anne Frank, sobre o nazismo

Capítulo 1 - Profissão: Médico

Os antigos médicos chineses definiam a Medicina como sendo o Conhecimento do Homem pelo Homem.  Homem com letra maiúscula significa ser humano, homem ou mulher.  Num sentido mais amplo, a Medicina, como estudo do ser humano, poderia ser considerada uma subdivisão ou ramo aplicado da Antropologia.

A palavra "conhecer", em tempos bíblicos, até a Idade Média, tinha o sentido de amar fisicamente, carnalmente.  A Medicina poderia ser definida, sim, como um amor sublime entre seres humanos.  Amor no sentido de afeição e empatia.

Não há como ser médico se você não consegue sofrer junto com seu paciente, sensibilizar-se, ao menos, pelo sofrimento do outro ser humano à sua frente.  Empatia é a "identificação com e a compreensão da situação, sentimentos e motivos do outro", segundo o American Heritage Dictionary.   Quando Eusculápio falava de empatia, referia-se à relação entre as pessoas mesmo, e não entre o profissional e os cheques do paciente.

É desse compadecimento pelo sofrimento alheio, que também é nosso, que surgiu a necessidade e a técnica de apalpar abdômens em busca de alterações na morfologia do fígado, de se inventar máquinas que registram imagens impressas dos órgãos internos (raios X) e de se descobrir que o óxido nítrico é produzido nas células endoteliais de toda a vasculatura do corpo e também liberado da molécula de nitroglicerina e afins, levando à diminuição do tonus contractilis dos vasos sangüíneos.

Como é notável, um longo caminho foi percorrido pela Medicina desde os tempos da compaixão pura e inócua.  A busca incessante de uma crescente eficácia nas ações de minoramento, senão de eliminação do sofrimento alheio ou até da melhora da qualidade de vida, passou pelo desenvolvimento de técnicas apropriadas de exame do paciente e pelo estudo sistemático de seus achados, os quais procurou-se classificar, desde cedo, em normais e anormais, physis e pathòs, natureza e doença, estado natural (saudável) ou mórbido (doentio).

A palavra diagnóstico vem do Grego "discernimento", avaliar as distinções.  É o que diferencia o médico de todas as outras práticas relacionadas com a saúde, incluindo aqui desde o curandeirismo simplório dos "benzedores" e herbalistas, o conhecimento prático e limitado dos farmacêuticos, até a "empurroterapia" dos balconistas de farmácias, passando mesmo pela nobilíssima e pouco reconhecida prática da Fisioterapia.   Médico é aquele que busca o discernimento, a compreensão das coisas, das doenças e de seus pacientes em suas verdadeiras naturezas, próprias, individuais, de forma a aplicar esse diagnóstico às ações mais efetivas ou eficientes imagináveis, as quais possam modificar aquele estado mórbido e sua evolução para melhor.

A primeira preocupação do médico de verdade é a precisão com que afere o estado real, verdadeiro, de seu paciente, preferencialmente, a confirmação objetiva de seus problemas específicos, tão especificamente quanto se possa discernir, para então aplicar-se o conhecimento (específico) existente a respeito daquela situação, daquela doença, daquele processo físico, daquela pessoa.

O indivíduo médico deve manter-se humilde, consciente de que é apenas um meio, um instrumento através do qual o conhecimento universal da Medicina, acumulado e atualizado ao longo de milhões de anos (pelo menos desde que os mamíferos aprenderam a lamber suas feridas ou as de seus companheiros, inoculando na pele o fator de crescimento epidérmico [EGF] da saliva), chega ao indivíduo paciente.  O médico é um instrumento o qual deve estar constantemente afinado, pois que todo mundo sabe o som horrível que produzem violinos maltratados.

Nos dias de hoje, cada vez mais, além da formação básica, do contato com os pacientes, da vivência clínica, faz-se necessária a contínua busca de respostas, se quisermos realmente discernir o que se passa com nossos pacientes.  O problema maior está em não fazermos pergunta alguma, qualquer questionamento, não pipocarmos em hipóteses que pudéssem ser verificadas e até certo ponto "comprovadas".  Alguns privilegiados, dentre os quais não me incluo, desenvolveram a capacidade de fazê-lo, e até de compartilhar suas buscas conosco, que não fomos expostos a ambientes criativos e produtivos.

A informação médica está mais disseminada do que nunca, com todos os benefícios e prejuízos que isso traz aos seres humanos.  De casa, qualquer pessoa pode acessar, via Internet, os sites do New England Journal of Medicine ou da Lancet.  Daí a entender e conseguir aplicar adequadamente o que está escrito vai uma longa distância.

De qualquer forma, os estudantes de Medicina deveriam, antes de mais nada, aprender a aprender sozinhos.  Este deveria ser o objetivo de toda Faculdade de Medicina: ensinar o aluno a aprender por si só, a ler, entender, analisar, aplicar conscienciosamente (ou não aplicar absolutamente) tudo aquilo que se sabe e aquilo que ainda estamos por saber, aquilo que está sendo publicado esta semana no mundo.

Na verdade, este deveria ser o objetivo primeiro de toda Escola, seja de Medicina, Engenharia ou Artes Cênicas.


Apêndice

Livros-textos recomendados:

1) Vieira Romeiro J., Semiologia Médica (12ª ed.), Rio de Janeiro: Guanabara-Koogan, 1980.
Classificação Bibliotécnica ("índice sistemático") de Dewey: 616.072
Não se impressione com a idade destes livros: eles têm muito a ensinar!

2) Farreras-Valentí P. e Rozman C., Medicina Interna (8ª ed.), Barcelona: Marin, 1974.
Classificação Bibliotécnica de Dewey: 616.026
Este livro em dois volumes parece ter sido reeditado uma ou mais vezes, mais recentemente, pela editora (espanhola ?) Doyma.

Revistas para leitura constante, mesmo que despretensiosa:

British Medical Journal

Canadian Medical Association Journal

Irish Medical Journal

The Lancet

Mayo Clinic Proceedings

Medical Journal of Australia

The New England Journal of Medicine

Postgraduate Medicine


Capítulo 02: "Entrevistar, Examinar, Diagnosticar, Tratar, Acompanhar"

 

 
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