Capítulo 8 - Uma Segunda Chance
- Ok, o plano é ir para a Mansão Malfoy e resgatar a Espada Bélica – disse Harry.
- Não é tão simples assim – disse Draco num tom duvidoso – Ou você espera que eles nos dêem a espada embrulhada pra presente, com um cartãozinho e uma mensagem de boa sorte.
- Eu sei que ninguém vai facilitar o nosso lado, mas eu também não espero que eles estejam armados com tochas de fogo e lanças espinhentas prontas para nos acertar assim que dermos o primeiro passo – replicou Harry decidido.
- Espere sempre o pior – avisou desviando o olhar – Quando se trata de um grupo de Comensais da Morte cercando você não existem muitas expectativas.
- Eu pensei que você era a nossa única chance – havia um pouco de rancor na voz de Harry.
- Eu? – falou incrédulo – Desde quando eu sou o herói?
- Ninguém nunca foi herói aqui – afirmou Harry e Draco fez um ruído de protesto – Só que você é o único que conhece aquela casa direito, você pode indicar onde tem ou não armadilhas.
- Há essa hora o meu pai já deve ter armado algumas novas ciladas com a esperança de ver a minha cabeça presa em uma delas também – respondeu com desprezo.
- Ótimo, então você será o nosso guia para a morte – Draco percebeu que Harry estava falando sério.
- Eu sempre desejei isso... – Draco riu maliciosamente – Mas no meu sonho eu não morria junto com vocês!
Harry lançou um olhar mortífero a Draco e ele calou-se com uma expressão cautelosa.
- Muito bem, _ ele corrigiu – Vamos pensar com calma... Eu conheço boa parte das passagens da casa e onde estão os feitiços mais perigosos, isto se encaixa perfeitamente no seu plano.
- Você sabe como deter esses feitiços? – perguntou Harry prudente.
- É óbvio – ele soou com estupefação – Eu poderia me jogar num abismo sem fim se não soubesse a maneira correta de andar pela minha própria casa!
- Bom trabalho – elogiou Harry com tirania – Talvez todos os anos andando pela casa e humilhando os elfos não tenham sido em vão.
- Você quer que eu responda ou apenas posso olhar perigosamente para você? – disse Draco com raiva.
Harry sorriu, do mesmo jeito que havia sorrido para Rony quando eles tinham acabado de fazer as pazes no quarto ano, e o amigo xingou indignado à nota de Karkaroff. Ele pegou a sua varinha que estava em cima da mesa, e jogou a de Draco.
- Vê? – ele olhou com uma expressão maquiavélica para a varinha, e lançou um olhar firme a Draco – Às vezes eu acho que somos invencíveis com apenas uma varinha e um pouco de coragem.
- Você quer dizer para unirmos nossas forças e sair correndo enfrentar Voldemort? – indagou apreensivo, o olhar de Harry era intimidante.
- Não – negou e parte de sua determinação foi embora – Eu e você formamos um belo time, embora eu não goste de pensar nisso.
- Eu também acho – concordou no mesmo tom e encarando Harry – Você tem medo que eu não consiga enfrentar meus pais, não é?
- Malfoy, você sempre defendeu sua família – Harry olhou desconfiado – É estranho você se posicionar contra ela e ao meu favor.
- Sabe o quê nós temos de diferente? – falou num tom firme – Você nunca vai mudar seus conceitos. Eu imagino como deve ter sido difícil pra você descobrir que Sirius era inocente depois de você já ter criado uma imagem de um assassino perverso em sua mente. Você teve que passar por cima de muita coisa para entender a verdade.
- E você se deu conta que Voldemort é um crápula traiçoeiro que vai acabar matando toda a sua família – falou – Agora você quer destruí-lo antes que ele destrua você.
- Eu pretendo – Draco tinha um tom incerto e outro confiante – Meu pai e minha mãe ainda vão me agradecer por isso um dia.
Harry procurou não olhar para Draco, e nem respondeu. Ele achava que isso era impossível de acontecer, e sabia que se fizesse algo Draco iria acabar percebendo e ele não queria decepciona-lo.
- Então, vamos para o seu Doce-Lar? – perguntou Harry definitivo.
- Espere, você sabia que Gryffindor e Slytherin eram grandes amigos antes da briga por Hogwarts? – disse Draco inesperadamente e Harry o fitou com atenção – Eles achavam que as pessoas tinham de ter valores opostos, como ambição e ousadia. Tolos, se eles quisessem lutar juntos por uma mesma coisa, seus poderes seriam imbatíveis.
- Isso é uma breve comparação entre eu e você – disse definitivo – Realmente acho que aqui começa uma amizade, entre sede de poder e valentia. Isso soa bem!
Draco se levantou da cadeira e ainda com a varinha na mão sorriu:
- Estamos prontos para o que der e vier – garantiu empolgado.

**  **


- Pronto para encarar a maior legião de nojentos seguidores de Voldemort? – disse Tathy pegando as poucas peças de roupa e guardando em uma mala.
- Não esqueça que você está incluindo os meus pais nisso – replicou Draco infeliz.
- Eu estou sendo sincera – disse Tathy ofendida.
- Tá legal, eu a admiro muito por isso – crepitou Draco – Mas deixe a minha família fora disso!
- Qual é o seu problema? – ela aumentou o tom de voz impaciente – Resolveu ter uma grande dose de realidade? É... seus pais estão no meio deles querendo nos matar!
- Chega! – interrompeu Lupin jogando uma peça de roupa na cabeça de cada um – Vocês não são mais crianças para ficar discutindo, levando em consideração que a nossa posição hoje é caótica.
- Mas... – protestou Tathy com vigor.
- Não – disse Lupin terminantemente – Não quero ouvir mais. Me prometam que vão se comportar direitinho enquanto eu procuro o Harry e a Gina?
Os dois lançaram olhares zangados a Lupin.
- Ok, acho que posso confiar em vocês – ele já estava quase descendo a escada quando virou e perguntou – Aonde eles estão?
- Passeando por aí – disse Tathy resumidamente.
Aluado desceu as escadas e seus passos fortes refletiam no barulho.
- Quando nós estivermos na minha casa eu vou fazer questão de te deixar perdida na sala de encontros com os temíveis Comensais da Morte – avisou Draco irritado.
- Ah – ela exclamou num tom despreocupado dando de ombros – E eu vou aproveitar a oportunidade e explodir seus pais em mil pedacinhos repugnantes.
- Eu não esperava que você fosse tão convincente – disse e depois sorriu – Meus pais seriam os pedaços mais repugnantes que você teria visto em toda a sua vida, você teria pesadelos horríveis com eles!
Tathy se divertiu por um minuto pensando em manchinhas de gordura asquerosas com o rosto de Lucio e Narcisa Malfoy espalhadas pelo chão fazendo ameaças numa vozinha fina e continua. Iria parecer uma propaganda de esponja, “elimina as bactérias indesejáveis”.
Ela tentou. Tathy mordeu sua bochecha para não rir, mas ela não conseguiu. O comentário do Malfoy havia levado a melhor, e ela se surpreendeu dando um sorriso para Draco.
Eu tinha que rir justo agora? pensou indignada.
Um sorriso também nasceu no canto da boca de Draco e os dois sorriram como velhos amigos, como se não tivessem acabado de brigar.
- Às vezes eu me pergunto porque é tão divertido pensar na hipótese de acontecer alguma coisa trágica com a minha família? – ele soou exasperado.
- O problema não é a sua família – Tathy agora ria compulsivamente – É o fato das bactérias terem a cara deles...
- Hã? – perguntou perplexo – Deixe pra lá, parece estar sendo muito interessante pra você...
- Você não imagina como! – ela confirmou alegremente.
Ela ainda demorou alguns minutos para se recompor e quando finalmente conseguiu isso decidiu mudar de assunto:
- Em que lugar do mundo fica a Mansão Malfoy? – Tathy lançou um olhar curioso a ele.
- Longe daqui – respondeu simplesmente.
- Só isso? Eu pensei que fosse num lugar desabitado, onde tivessem muitos morcegos e corujas – Tathy disse entretida ao mesmo tempo em que parecia contar uma história de terror – Muros infinitamente altos, com um portão gigante que fizesse o tradicional ruído ao ser aberto... e... eu imagino o céu nublado, não me pergunte porquê.
- Você está parcialmente certa – Draco concedeu – Os muros e o portão são altos e grandes, mas o tom da casa é cinza e o céu definitivamente não está sempre nublado.
- E fica aonde? – ela repetiu a pergunta inicial.
- Em cidade nenhuma de lugar nenhum – Draco sorriu com a expressão confusa dela – Vamos pegar o trem na estação de Hogsmeade.
- Mesmo sob a ameaça de ficar perdida eu mal posso esperar pra chegar – Tathy falou animada e guardando as últimas peças em sua mala minúscula.

**   **

Lupin havia voltado com Harry e Gina, que pareciam preocupados e abalados, mas ainda sim decididos.
- E aí, vamos? – Gina disse sem nenhum vestígio de medo em sua voz, embora sua expressão revelasse outra coisa.
- É claro – respondeu Draco pegando sua mochila e colocando nas costas – Particularmente eu estou morrendo de saudades da minha medonha casinha! Garanto que vocês também vão adorar.
- Não seja irônico, Malfoy – falou Harry meio pálido.
- Potter, não vai adiantar nada você ficar tão sério... – Draco analisou com veemência – Você parece muito formalista e seguro de si, no entanto isso não combina com você.
- O quê combina comigo? – replicou Harry com azedume.
- Primeiro você não é convencido, mas sempre tem certeza de que vai se dar bem – disse – Isso é estranho... mas você geralmente consegue!
-  Legal – concluiu Harry mais animado – Pelo menos a estatística está ao meu favor!
Tathy tinha subido as escadas para pegar a mala de cada um, e agora ela descia com uma mala nas costas e outras duas em cada uma das mãos. Talvez isso fosse uma tática, mas ela não parecia com medo, apenas ligeiramente preocupada, nada além.
Ela jogou a mala de Gina e Harry que a pegaram no ar:
- Tome!
- Bom, eu estou preparada – disse Gina – Só queria que a minha mala fosse grande o suficiente para caber uma metralhadora.
Tathy e Harry riram, Draco continuou parado não entendendo nada.
- O que é uma metralhadora? – perguntou confuso.
- É uma arma desse tamanho – disse Gina impressionada mostrando com as mãos. Ela aumentou um pouco o tamanho real – Que serve para mirar na vítima, daí saí uma bala que perfura o seu corpo e você morre depois de ter perdido muito sangue.
Draco apenas ergueu as sobrancelhas surpreso. Gina ficou com ar de psicopata quando pronunciou
“muito sangue”.
Draco ficou mais receoso em relação às armas trouxas do que qualquer feitiço.
- Dizem que ensinam como usa-las em Durmstrang – falou Gina soando leve.
- Tudo bem Malfoy – tranqüilizou Harry – Nós não temos metralhadoras, então não precisa ficar com essa cara de quem está com tétano.
Eles comeram algumas torradas porque Lupin insistiu demasiadamente, afirmando que eles precisariam estar alimentados para não chegar caindo de fome. Realmente era importante todos estarem bem, porque não seria simples entrar impunemente na Mansão Malfoy.
Ninguém mais agüentava de tanta impaciência, eles estavam ansiosos e na mesma proporção sentiam que havia um grande perigo à frente, um perigo inevitável e o qual eles foram obrigados a encarar, e a única possibilidade seria vencer.
Lupin parecia irremediavelmente exausto, seus olhos castanhos sustentavam muita aflição, e ele não parava de lembrar aos quatro feitiços essenciais e recomendar que não se arriscassem sem motivo.
- Harry, não se esqueça que não terá ninguém para te proteger naquela casa, tome cuidado – aconselhou Lupin com uma expressão absolutamente séria.
- Pode deixar, eu sei me cuidar sozinho – disse Harry firmemente.
- Eu não duvido disso – confirmou honestamente – Mas seja atento, eles terão sucesso se você confiar em quem não deve.
- O quê você quer dizer com isso? – Harry perguntou uma oitava mais baixa.
- Confie na sua intuição – ele pediu sensatamente – E qualquer coisa peça ajuda. Que eu e o Sirius iremos correndo te salvar...
Harry escutou cada palavra atentamente.
- Eu não vou deixar que Voldemort consiga o que ele quer – crepitou Harry incrivelmente decidido – Não agora que ele aprisionou a minha alma e acha que pode me manipular por isso.
- Não aja por impulso de vingança, Voldemort é um exemplo vivo de que isso não dá certo – Lupin estava mais protetor do que nunca, ele agia como se o Harry fosse o próprio filho dele – E faça o que tem que ser feito.
- Nós vamos fazer – garantiu Draco com um brilho felino no olhar.
Lupin se virou bruscamente para o garoto, e Harry ficou obviamente assustado com a aparição repentina de Draco.
- Eu conheço planos deles e sei exatamente aonde eles vão nos procurar – falou Draco não prestando atenção no eventual susto dos dois – Basta desviar até o caminho da Espada.
- Eu espero que seja assim – Lupin empertigou-se.
- Vamos logo? – Gina juntou-se a eles, ela havia acabado de comer – Se quisermos chegar antes do anoitecer é melhor nos apressarmos...
Automaticamente todos olharam para Tathy que colocava distraidamente alguns biscoitos na mochila. Ela olhou para eles vagamente ciente de estar sendo observada já algum tempo. Tathy sorriu envergonhada:
- Estes são os biscoitos que me fizeram sentir mais culpada em toda a minha vida – Tathy argumentou com vigor – São para a viagem, não podemos ficar de barriga vazia durante todo o tempo.
- É justo – Lupin concedeu.
Em pouco tempo eles estavam do lado de fora da casa, já haviam se despedido de Lupin e caminhavam em direção ao novo rumo, o lugar menos indicado para Harry ir neste momento.
Ele pensou que se Hermione estivesse com eles, ela certamente impediria Harry de ir, nunca ela concordaria com uma atitude dessas. E Rony iria ficar tão pálido ao saber, Harry imaginava o rosto de Rony flutuando, com a familiar expressão preocupada.
“Você quer se suicidar, Harry? Devemos chamar o Dumbledore, você não pode resolver tudo sozinho”.
É, nenhum dos dois acharia prudente continuar com essa expedição, então seria melhor avisa-los depois que ele já estivesse lá, assim não teria como voltar atrás.
Aluado estava parado na frente de sua loja, olhando igualmente para todos com nostalgia, como se eles já tivessem partido há horas.
- Boa sorte! – ele desejou com um aceno – Não deixe eles intimidarem vocês.
- Harry! – ele tornou a chamar urgente – Se lembra quando eu disse no terceiro ano que nos reencontraríamos de novo? Então, eu garanto a você que esta não foi a última vez.
Harry acenou contente para o amigo, e dando uma última olhada em Lupin, acompanhou os outros.
- Eu também – gritou em resposta sem olhar para trás.

**   **

Apesar de boa parte do trajeto eles terem percorrido com o Nôitibus Andante, tiveram ainda que caminhar alguns quilômetros até a Estação de Hogsmeade. O peso das mochilas adiantou para deixa-los mais cansados, e agora eles estavam sentados em pequenos degraus ao um canto, todos completamente cansados e com a respiração ofegante.
Definitivamente eles precisavam parar para descansar, seus corpos não agüentariam andar nem mais um passo, e aos olhos deles a bilheteria parecia tão longe. Olhando com curiosidade para a bilheteria Harry se lembrou de algo:
- Afinal, para onde vamos? – ele se referiu diretamente a Draco.
- Como se você não soubesse... – desdenhou – É lógico que para a Mansão Malfoy.
- E toda hora sai um expresso específico para o palácio do horror? – replicou Harry com sarcasmo.
- Vocês vão descobrir – por algum motivo Draco evitava dizer a localização certa de sua casa, será que era para impressiona-los?
- Pena que assim não dá pra descobrir se estamos atrasados para o embarque – disse Tathy tentando persuadi-lo.
- Não estamos, nós já chegamos – disse Draco prontamente e ficou de pé.
Os três levantaram atônitos, qualquer coisa que Draco havia tentado explicar não teve muito êxito. Todos o encararam com uma expressão peculiar.
- Sigam-me – falou num tom de superioridade.
Na verdade ninguém seguiu Draco imediatamente, eles observaram o garoto andar como se fosse colidir com uma parede, e tiveram a ligeira impressão de que ele estava ficando louco. Mas, um segundo depois disso, ele atravessou o muro, como se fosse apenas uma película invisível.
Eles continuaram parados se entreolhando, na intenção de escolher quem seria o primeiro a repetir o que Draco fez. Então, emergiu do muro de tijolos a figura irritada do Malfoy.
- Vocês vêem ou não? – disse rispidamente – Sinceramente, eu pensei que vocês fossem mais inteligentes. Isto é uma passagem secreta que saí direto na minha casa, andem!
Antes que Gina pudesse pensar qualquer coisa, ela sentiu os braços de Draco a puxarem violentamente para dentro da passagem. Ela se sentiu tão induzida que chegou a tropeçar nos próprios pés, e levou o maior tombo. Gina caiu em cima de Draco e os dois se estatelaram no chão, ela em cima dele, estranhamente embolados e encabulados.
- Ai! – ele reclamou – Você não podia ver por onde anda?
- Você me puxou e eu não esperava por isso – ela disse ainda se recompondo.
Logo Harry e Tathy surgiram do outro lado do muro, e pelo jeito eles haviam corrido por causa do medo de dar de cara com um muro de concreto.
- Eu esqueci a minha mala... – rangeu Gina aborrecida para Draco.
- Ok, eu sou o culpado, eu vou pegar... – falou em desistência.
Gina observou Draco passar pela passagem, e voltar pouco depois com a sua mala. Ela mordeu o lábio:
- Droga! – Gina disse admirada – Como ele consegue fazer isso com tanta naturalidade?


Harry, Tathy e Gina ficaram perplexos ao olhar o que lhes esperava mais à frente. Eles não conseguiram conter seus olhos se arregalando de excitação ao verem a grande e onipotente Mansão Malfoy.
Um vasto jardim os separava da casa, não havia nada além de um campo com uma grama caprichosamente cortada. Harry supôs que eles estavam em um pequeno monte e na parte mais elevada encontrava-se o destino dele, Harry achava na verdade que poderia haver um penhasco depois daquela Mansão inacreditavelmente grande, ela ocupava o espaço de um campo de Quadribol ou até mais, analisou Harry.
- Ei! – exclamou Gina estranhamente alegre – De fato, isto é apenas uma enorme casa! Será divertido brincar de esconde-esconde aí dentro.
O volume da Mansão era impressionante, Draco não havia mentido quando disse que o tom das paredes era cinza, talvez porque o prateado ficasse chamativo demais. Só era possível ver o alto da casa, porque muros infinitos se estendiam ao redor dela. Muros que deixavam bem claro que ninguém seria totalmente bem-vindo ali, muros que os separavam do mundo afora. Bem ao centro, exatamente igual a que Harry imaginava um portão feito de grades pontiagudas e estreitas, no meio um ostentoso M dividindo as duas metades que se abririam para a passagem de alguém.
Ninguém disse nada até eles chegarem próximos a Mansão Malfoy.
Gina teve um súbito ataque de nojo ao se aproximar da casa, era tão deslumbrante e ao mesmo tempo horrível. Como se fosse um deslumbrante assustador, uma coisa grandiosa, mas que não tinha nenhum aspecto bom.
Depois ela sentiu vontade incontrolável de entrar lá dentro e acabar com todos, um por um daqueles servos de Voldemort, pensar neles lhe causava náuseas. Gina correu desesperadamente até o portão e jogou sua mala em um canto, agarrando selvagemente as barras de ferro e gritando:
- Abram, seus sujos! – ela sacudiu o portão – Nós vamos acabar com vocês, seus hipócritas nojentos. Desleais, todos vocês irão morrer!
- Não – impediu Draco ofegante indo até ela, com a expressão de quem havia visto um fantasma – Você está louca? – replicou ferozmente.
- Eles precisam saber – Gina continuou a berrar – Eu odeio todos vocês!
- Não. Se. Mova – mandou Draco friamente.
Gina pareceu recuperar seu raciocínio ao ouvir estas palavras.
- O quê? – perguntou hesitante.
- Não faça nenhum movimento – ele suspirou extremamente indignado – Eu pensei que você já tivesse provas o suficiente para saber que o meu pai adora artefatos mortais.
- O quê eu faço? – Gina disse com o pânico tomando conta de si, ela mantinha as mãos na mesma posição desde o aviso de Draco.
- Um gesto e você terá muitos machucados para se lembrar – avisou cauteloso – Não faça nada, eu tiro você daí.
Draco passou as suas mãos pela grade e encobriu as de Gina, ele esperou um momento crucial e em definitiva agilidade as puxou pra fora. Numa rajada de segundo, um zumbido cortou o vento e aonde estava as mãos dela haviam duas flechas com um líquido verde escorrendo. Gina olhou chocada para Draco, e viu que um pequeno corte sangrava no lado superior da mão direita dele:
- Oh, meu Deus! – ela disse – Você está bem?
- Estou – respondeu.
- Como eu sou idiota! – ralhou para si mesma – Esta não era a hora certa para ter impulsos de raiva, você poderia ter o matado.
Draco olhou bastante intrigado para ela, não era normal ver alguém brigando com si próprio. E ele percebeu que Gina não se importaria de levar o veneno, sua preocupação maior era que Draco sofresse por causa dela. Isto o deixou ligeiramente grato.
- Malfoy, tudo bem aí? – chamou Harry juntando-se a eles.
Ele apenas lançou um olhar para confirmar.
- Eu acho que ele é um mentiroso compulsivo – Tathy cochichou para Harry – Olhe, a mão dele está sangrando... isto não é estar bem.
Harry retribuiu o olhar de Tathy, mas sabia o quanto Draco era teimoso quando não queria admitir algo, e agora eles precisavam de toda a concentração para entrar na Mansão, e Harry não queria atrapalhar questionando-o. A única coisa de que ele não sabia, é que ele também era teimoso na mesma proporção quando colocava uma idéia na cabeça.
Eles continuaram seguindo o Malfoy, que contornava o muro.
- Desculpe interromper, mas eu acho que o portão fica do outro lado? – disse Harry exasperado.
- E as flechas com veneno também. Agora apenas me siga porque eu conheço esse lugar – respondeu Draco e olhou terminantemente para Harry, um momento depois ele disse em alerta – Não. Se eu fosse você não andaria nem mais um passo.
- Já sei, mais alguma coisa para me matar – adivinhou Harry – E então?
- Volte e passe o mais perto que você conseguir do portão. Assim não terá problemas.
E foi o que Harry fez. Todos se empenharam em decorar os gestos de Draco e imita-lo fielmente, para não correrem o riso de serem atingidos por algum feitiço.
Eles chegaram numa coluna divisória com cobras esculpidas que se entrelaçado até o alto.
- Prestem atenção no que um sangue Malfoy é capaz de fazer – Draco encostou sua mão na coluna e ela se moveu para o lado, desviando o suficiente para apenas uma pessoa passar de lado, isto dava num imenso jardim.
Na verdade era praticamente um bosque particular, com várias árvores e estátuas de provavelmente ancestrais da família Malfoy, havia uma caprichosa estradinha de pedra que levava até a porta.
O caminho era tão convidativo, mas Tathy notou que Draco continuava na grama, então ela deduziu que nada de bom aconteceria se ela resolvesse pegar a simpática trilha.
- A maioria dos feitiços já foram desviados – ele anunciou.
O estranho é que Draco os levava cada vez mais na direção contrária a entrada, eles estavam indo para o lado posterior. Talvez porque a porta principal estivesse cheia de feitiços rondando-a para impedir que intrusos como eles pudessem sequer entender que foi que os atingiu.
Totalmente atrás da Mansão, Draco parou.
- O que é isto? – perguntou Harry se referindo a um tijolo colocado na transversal.
- É uma passagem subterrânea – disse Draco puxando o tijolo e o abrindo como se fosse uma porta – Estaremos seguros lá embaixo.
As duas meninas entraram primeiro, depois Harry e Draco terminando a ordem.
Quando Draco fechou a porta com um baque, tudo ficou na mais completa escuridão. Gina e Tathy pararam de andar abruptamente, aquele cenário já era assustador o bastante sem precisar do escuro.
Ouvia-se barulhos de gotas de água pingando no chão, havia várias goteiras. Cada movimento produzia um eco que se propagava por cada centímetro do lugar.
Apreensivas elas esperavam encontrar animais nojentos, assim como ratos, toda vez que davam um novo passo.
- Não fiquem com medo – a voz de Draco foi se aproximando. Isto foi estranhamente reconfortante – Tudo o que podia ter nos matado já foi deixado para trás.
É aí que você se engana, pensou Tathy em contrapartida, Nós estamos indo ao encontro daquilo que pode realmente nos matar – Voldemort.
- Lumus!
– disse Harry e uma pequena luz brotou da sua varinha dissipando a total escuridão.

**   **

- Sabe o quê me incomoda? – disse Hermione impaciente jogando o rastreador até a outra extremidade da mesa – Não ter nada pra fazer, me sentir uma inútil.
Rony analisou a expressão dela, e um pouco depois seu rosto se iluminou, com a perspectiva de uma grande idéia.
- Você quer algo para fazer? – perguntou com um olhar matreiro – Acho que finalmente podemos ter uma conversa franca.
- O quê você quer? – ela sorriu – Uma seção contínua de gritos e acusações?
- Eu estou falando sério – Rony falou num tom reprimido – E pare com isso porque você está me irritando – reclamou.
Há horas Hermione jogava o rastreador para um lado da mesa, e o pegava. Ela continuou fazendo isto em seqüência.
- Eu sinto muito, me desculpe – disse Hermione arrependida – Você deve ter algo importante pra dizer, então fale que eu estou te ouvindo.
- Eu só queria que você soubesse que eu não iria te convidar para o Baile como último recurso.
- Você pareceu não entender nada aquela noite – alegou Hermione desviando o olhar.
Os dois se lembravam muito bem do quê aconteceu depois do Baile, do Rony atirando ofensas a ela, e por sua vez Hermione vociferava com raiva. Até hoje esse assunto não tinha sido resolvido.
- Você tem que entender que foi uma surpresa pra mim – disse Rony espantado – Eu não imaginava que você fosse o par de Vítor Krum e nem que vocês se divertissem tanto.
- É obvio – ela falou num tom magoado – Desde quando você reparou que eu também poderia ter um par que fosse diferente do Neville?
- A Gina foi o par do Neville – lembrou Rony secamente.
- Isto porque ela não teria outro jeito de ir ao Baile, e porque já faz muito tempo – sua voz soou decidida – No entanto se eu fosse com o Neville e ficasse a noite inteira sentada você certamente teria achado certo. Na verdade era justamente o que você queria, não era?
Rony não respondeu, Hermione estava quase perdendo o controle.
- Não – disse fracamente – Eu queria que você tivesse ido comigo.
- Eu poderia ter ido com você, Rony... – sua voz voltou ao normal – Mas você preferiu arriscar ir com toda a população feminina de Hogwarts antes de mim. Foi aí que você perdeu.
- Só por isso você tinha que começar a namorar o Krum? – criticou totalmente abismado.
- Qual é o problema, que eu saiba ele conseguiu ser tudo que você não soube ser – falou Hermione duramente.
Rony abaixou a cabeça, Hermione tinha acabado de rasgar o coração dele. De arrebentar qualquer esperança, de deixa-lo no fundo do poço.
- Por quê você sempre tem que me humilhar, isso já faz parte do seu roteiro? – perguntou com uma nota profundamente triste.
Ela o encarou com olhos piedosos, Hermione tinha se arrependido de ter dito aquelas coisas. Só ela sabia o quanto, se ela pudesse voltar e não ter sido tão fria... mas Hermione não sabia como fazer isso, e nem tinha muita prática.
- Droga! – sibilou batendo de leve sua mão na mesa. Hermione estava inconformada – Eu realmente não pretendia te magoar, não foi a minha intenção... Às vezes eu sei que digo coisas que não devia, mas é o meu jeito. O quê eu posso fazer?
- Eu sei que você não vai mais falar comigo depois disso, eu sei que você nem sequer vai olhar pra mim – ele argumentou num tom que revelava que não haveria discussões – Hermione, eu sei que você me acha o menino mais patético da escória do universo...
- Não – ela protestou sinceramente – Eu não acho isso, por quê você não acredita em mim?
Ele balançou a cabeça desanimado e se levantou para subir as escadas. Hermione estava chocada, ela não sabia que Rony fazia esse tipo de idéia da personalidade dela.
Rony sentia-se derrotado, ele reconhecia que o erro foi dele de não a ter convidado para o Baile, de não ter percebido antes o quanto gostava de Hermione, e deixar que ela se apaixonasse por Vítor Krum, somente por que ele foi mais rápido, e o único a demonstrar pra Hermione o seu amor.  Talvez agora, Rony sentia, que nunca mais tivesse uma segunda chance.
Hermione observava Rony, fielmente fracassado subindo as escadas, mas junto com isso ele também estava determinado a desaparecer e não ouvir nada do que ela tinha a dizer. Não era justo com Hermione. Afinal, ele a tinha pedido para conversar, e se um dia o Baile tivesse sido para confundir os pensamentos deles, não foi desta vez que eles conseguiram esclarecer tudo. Porque agora pairava uma nuvem negra, uma cortina de fumaça sobre aquilo.
Definitivamente Hermione não iria permitir que ele fosse embora desse jeito, deixando a conversa pela metade. Deixando ela sozinha e sentindo-se miserável por ter feito tanta coisa das quais se arrependia, sem dar o direito a ela de dizer a última palavra. Ela pegou o braço dele e Rony olhou para ela, ele estava de certa forma irritado e guardava um pouco de amor em seus olhos.
Hermione estava completamente infeliz, ela sentia-se dividida em fazer o que ela sempre quis ou apenas tentar se resolver amigavelmente com o Rony.
- Não fuga de mim! – ela disse firmemente.
- Eu estou fugindo da verdade – respondeu Rony – Eu não quero ver você se dar mal, eu odiaria ver você numa confusão por causa da sua inteligência irracional.
- Eu não sou uma garotinha idiota de seis anos e eu também não preciso da proteção de alguém que nem ao menos quer me ouvir! – Hermione gritou rispidamente, corando até a raiz do cabelo.
- Hermione,
o Krum! – disse Rony evocativo tentando induzi-la – Ele estudou com Karkaroff, ele era o aluno preferido dele. Os dois eram grandes amigos tinham muitos segredos em comum, eu via isso...
- Eu não acredito que você está tentando me dizer isso – ralhou num tom incrédulo – Karkaroff voltou para os Comensais da Morte, mas isto foi depois dele ter conhecido o Vítor.
- Se você não vai fazer o mínimo esforço para compreender – Rony lançou um olhar meio desdenhoso – Eu acho melhor eu voltar pro meu quarto.
- Não – Hermione interrompeu apressada – Diga.
Rony mais uma vez parou, e a encarou com uma expressão entediada.
- Eu acho que deveria ficar de olhos abertos. Krum estudou com Karkaroff, mas eu tenho quase certeza que a ligação deles é maior do que isso.
Hermione fez um grande esforço para não dizer a Rony que ele estava delirando, que isso era pura imaginação dele. Já fazia quase um ano que ela namorava Vítor Krum, e sinceramente as atitudes dele não tinham nenhum traço de segundas intenções.
- Krum passou a maioria dos sete anos passados em Durmstrang, eles enfatizam Arte das Trevas lá – Rony falava cada vez mais convicto – Karkaroff pode muito bem ter escolhido o seu melhor aluno para ajuda-lo, e qual seria um plano perfeito? Ele namorar a melhor amiga de Harry Potter que o manteria informado e perto o suficiente para saber de tudo e agir na hora que quisesse.
- Só porque Karkaroff e aquela escola idiota não prestam, isso não garante que o Vítor também é mal – Hermione o defendeu – E ele disse que preferia Hogwarts...
- Eu não confiaria tanto – replicou Rony com vigor – Ele é um búlgaro de dois metros de altura, que ficava tomando banho no lago em pleno inverno e nem ao menos sabia dizer nem o seu nome direito!
- Você pode enumerar os defeitos dele em uma lista, não me importa – disse Hermione com a voz aguda – Eu o amo.
Rony olhou desapontado para o chão e enrugou a testa:
- Não diga isso... – ele murmurou triste – Dói...
- O quê? – perguntou Hermione confusa a poucos centímetros dele.
Rony olhou para ela. Hermione estava esperando que ele dissesse alguma coisa, ela estava olhando profundamente nos olhos dele, como se pudesse se jogar num mar castanho e se perder dentro dele. Hermione não ligava, o que ela queria é que Rony repetisse o que ele havia acabado de perguntar. Porque se ele precisasse, ela falaria quantas vezes fosse preciso que amava Krum, e Hermione contava que Rony dissesse isso, ela queria deixar bem claro o que ela sentia.
Porém, os olhos de Rony estavam difíceis de desvendar, como um labirinto sem saída. E Hermione não sabia o que esperar, não fazia idéia do que ele poderia dizer. Rony ficou alguns segundos em silêncio, apenas contemplando o rosto de Hermione, os cachos louros escuros caindo sobre o ombro dela, e ela olhando daquele jeito para ele de tão perto, tão dentro da alma dele que chegava a transparecer sua própria alma.
- Eu amo... – Hermione começou a dizer vacilante, mas Rony colocou sua mão em cima da boca dela, impedindo delicadamente ela de continuar.
- Você não sabe de nada...
nada do quê eu sinto por você – e olhou para ela furiosamente apaixonado antes de a beijar.

**  **
Os passos deles faziam barulho toda vez que tocavam o chão, aquilo era uma espécie de caverna, escura e úmida. Mas os quarto estavam com a varinha em punho, por ora apenas para iluminar o lugar, mas se algum perigo se aproximasse...
- Acho que aqui deve ser o lugar mais agradável da casa, não é Malfoy? – Harry comentou entretido.
- Na verdade meu pai adora dar festas aqui – respondeu simplesmente – O calabouço. Lugar fantástico, ele diz, perfeito para torturar, aprisionar...
- Chega! – exclamou Tathy indignada – A conversa de vocês está extremamente insuportável...
Gina agradeceu a Tathy interiormente por ter dito aquilo. As paredes e a aparência hostil a faziam sentir calafrios de medo, como se ela precisasse de alguém para lembra-la disso para acrescentar.
Eles prosseguiram sempre com cautela, mas, como Draco tinha confirmado que não haveriam outras armadilhas, isto já deixava Harry mais tranqüilo. De repente um barulho de motor os assustou, Harry, Tathy e Gina paralisaram apreensivos.
Não! pensou Draco revoltado Como eu pude me esquecer disso?
Ele sabia exatamente o quê iria acontecer. Quantas vezes ele já havia ficado preso por causa disso. Aliás, esse era o passatempo de Narcisa. Deixar o calabouço mais complicado e estreito para os fugitivos, nem o próprio Draco podia garantir o caminho certo. Por causa de um feitiço ele estava em constante mudança.
- Malfoy, o quê está acontecendo? – perguntou Harry ligeiramente com seus olhos arregalados.
Mas não houve tempo para uma resposta. Uma parede se movia diante deles, e se colocava entre o Draco e Harry, dividindo-os. Gina analisou rapidamente a situação, todas as paredes mudavam de lugar formando outros corredores, e bem naquele instante uma separaria Harry dos outros. Gina franziu as sobrancelhas, ela estava perdidamente determinada a não deixar Harry sozinho, ele não conhecia nada ali, apesar dela não conhecer também, no entanto se acontecesse algo teria alguém menos importante para morrer no lugar de Harry, Gina pensou.
Não tinha muito tempo para ser gasto com pensamentos, agora era a última chance para ela agir, o estreito espaço se fechava a cada segundo.Gina olhou desesperadamente para Harry e sem hesitar ela se jogou para o lado e por pouco sua blusa não ficou pressa. Gina caiu rolando até a vértice oposta da parede que se fechava, escondendo a imagem horrorizada de Tathy e Draco.
- Isto é um labirinto – disse Draco apressado – É inconstante, como uma máquina que fica revirando tudo do lugar. Não saiam daí, não entrem na casa! – avisou aos berros – Eu vou encontrar vocês de novo.
- Tomem cuidado – aconselhou Harry com demasiada preocupação, e seus olhos verdes sumiram atrás do muro de concreto que tomou seu lugar.
- Ótimo! – Tathy bateu inutilmente com os punhos cerrados aonde tinha visto Harry pela última vez – Era só o que faltava... estamos perdidos!
- Do quê você está reclamando? – replicou Draco arrogante – Poderia ser muito pior... você poderia estar com o Potter, e aí sim você teria grandes encrencas.
- O quê vamos fazer agora? – Tathy perguntou indecisa.
- Andar – respondeu Draco – Este labirinto não é nada fácil, existem tantas passagens que corremos o risco de ficar perdidos para sempre aqui.
- Por quê eu tenho a impressão que você deixou as piores coisas para contar numa hora crítica como essa? Você achou que tudo iria estremecer e a gente não iria reparar? – Tathy estava exageradamente aborrecida, mas ela tinha razão, a todo o momento tudo piorava gradativamente – Tudo bem, não precisa responder. Eu só queria que você não acabasse com as minhas esperanças como se isso fosse tão banal!
- Eu não vou deixar ninguém morrer, se isso te faz não ficar com tanta raiva de mim! – o cabelo platinado de Draco sempre tão arrumado, começava a arrepiar em alguns lugares. Sua voz carregava o tom de muita responsabilidade – Eu sei o que fazer, então dá pra você parar de me pressionar?
- Não me parece que você sabe o que fazer – Tathy disse friamente – Andar, não vai resolver nossos problemas.
- Ficar brigando também não – ele afirmou firmemente – Vamos, me dê a sua mão.
- Por quê? – Tathy perguntou hesitante, mas já estava de mãos dadas com ele.
- Eu não quero correr o risco de te perder, eu sei que você vai me culpar pela vida inteira pelo o que acabou de acontecer. Então eu não quero que você tenha mais motivos para se lembrar de mim como um idiota que deixou todos se perderem em sua própria casa – Draco soou evocativo.
- Não precisa ser tão dramático – Tathy corrigiu num tom leve – Eu nem pretendia me afastar de você por um segundo! Pode ter certeza que até o final eu vou estar do seu lado.
- Isso é bom ou ruim? – ele disse com sarcasmo.
- Depende, se você for bonzinho comigo... – disse num tom de alerta.
- Ok, eu sempre sou bonzinho – ele afirmou terminantemente – E alguma vez eu já deixei vocês na mão?
- Claro que não – falou Tathy num tom cínico – Acho que você está adorando segurar a minha.
- Isso era pra ter sido engraçado – falou Draco com a voz arrastada – Mas não foi.
- Ah, o Malfoy está irritadinho! – ela provocou.
Draco virou bruscamente, ficando cara a cara com ela. Tathy arregalou os olhos, no fundo ela sentiu uma espécie de medo, um medo bobo na opinião dela que ela deveria esconder. Draco estava perto de Tathy o suficiente para beija-la, mas seu rosto tinha uma expressão dura e seus olhos acinzentados estavam cheios de fúria. Ele segurou os braços de Tathy com força.
- Eu não estou irritado! – esbravejou – Eu sei que a culpa não é minha! Eu sei que nós não vamos morrer.
- Você não ter certeza de tudo isso – Tathy ousou retrucar – Ninguém sabe o que vai acontecer com a gente daqui a um segundo, eu posso ser devorada por um basilisco a qualquer hora – neste momento ela falava no mesmo tom de Draco e com o mesmo olhar fulminante – Não, você é incapaz de controlar isto aqui como se fosse o Crabbe e o Goyle. E você está profundamente zangado por isso.
- Droga! – ele praguejou com uma raiva crescente em cada nota – Eu odeio ser quem eu sou, eu odeio ser o responsável pela destruição do mundo.
- Mas você não é o culpado – dessa vez Tathy falou num tom suave – Seria injusto colocar em você a responsabilidade de tudo que acontece.
- E não é? – Draco perguntou quase numa afirmação convicta.
- Não, é culpa de Voldemort e dos malditos seguidores dele – ela disse.
Draco apertou ainda mais o braço de Tathy, ele leu nos olhos dela quanto pavor ela estava sentindo.
     
Talvez o medo a tivesse feito dizer coisas que me agradassem, pensou Draco.
Por isso ele não conseguiu acreditar em nada, nenhuma palavra. E essa conversa o fez ficar pior do que algum tempo atrás. Draco infeliz continuou a segurar Tathy e se torturar porque a garota estava sentindo muito medo, e já não era possível disfarçar. O sentimento de Draco foi uma coisa parecida com, se até Tathy que era amiga dele, se sentia em perigo imagine o quanto maléfico ele não poderia ser. Porém isto era espontâneo, na verdade Draco nunca quis ser um perigo ambulante.
- Draco – ela pediu suplicante – Por favor, solte o meu braço você está me machucando...
Agora foi a vez de Draco sentir um remorso imenso, que ocupava cada partícula do seu corpo. Como ele podia ter perdido o controle daquela maneira? Como ele podia ter sido tão estúpido e inseguro?
Ele soltou rapidamente os braços dela, que caíram com um peso literalmente dez vezes maior. Tathy se agachou e cobriu seu rosto com as mãos.
- Tathy, você está bem? Eu te machuquei? – disse Draco desesperado posicionado-se ao lado dela.
- Tudo bem – Tathy olhou para Draco, eles trocaram olhares aflitos – Só que você me assustou.
Draco não sabia o que dizer, e muito menos como deveria agir. Ele sentiu uma vontade repentina de apagar os últimos instantes, mas não sabia como. De repente ele abraçou Tathy.
- Me desculpe, eu fui um idiota – Draco disse sinceramente – Não se preocupe, eu não vou deixar nada de mal acontecer com você
Em resposta Tathy retribuiu o abraço, segurando em Draco como se ele fosse seu escudo protetor.
Depois de um longo abraço carente os dois se soltaram.
- Eu nunca pretendi tentar achar a saída sem você – repetiu Tathy – Isso seria uma grande besteira da minha parte.
- Então... – Draco sorriu estendendo a mão – Vamos?

**   **

Hermione não pode evitar, Rony a estava beijando. Nesse momento ela nem sabia se queria que isso acontecesse, ou se estava pensando em Vítor Krum. Aliás, ela duvidou que conseguisse pensar logicamente em algo.
Sua primeira reação foi tentar desviar dele, e então Hermione estava encostada na parede e Rony na frente dela beijando-a. A partir daí ela perdeu totalmente a capacidade de se negar a ele, era tudo tão mágico.
Rony poderia ver nuvens em tons azuis claros passando lentamente, nuvens comestíveis. Hermione era a menina que ele mais amava em todo o mundo e desde da primeira vez que a viu ele gostou dela. Rony sentiu que agora tudo o que já havia passado não existiu, como uma borracha apagando todas as cenas de ciúmes. Rony sentiu que finalmente ele a tinha de verdade, Hermione estava perto dele como nunca antes estivera. Beijar Hermione era destruir todos os segredos e tudo aquilo que nunca havia sido dito por insegurança.
Ela não poderia mentir pra si mesma e dizer que isso não tinha mexido com o seu coração, Hermione jamais iria esquecer essa sensação tão boa, por mais que ela impusesse a si mesma a não pensar nisso ela sabia que seria impossível depois que eles terminassem de se beijar.
O segundo momento foi como se os dois estivessem num mundo cheio de nuvens fofas e azuis, como se tivessem flutuando nelas e como se isso nunca fosse acabar...
Porém o infinito tempo em que eles se beijaram terminou com Hermione murmurando:
- Rony, não. Não! – sua voz saiu fraca e Hermione o empurrou para que ela pudesse desencostar da parede – Não – ela repetiu completamente atordoada – Você não devia ter feito isso.
- Mas eu queria fazer isso – Rony disse também paralisado – E você queria do mesmo jeito que eu.
- Você acha que pode saber tudo o que eu penso? – replicou Hermione irritada, Rony estava agindo como se ela fosse previsível. Como se tudo que tivesse acontecido dentro dela naquele momento fosse algo fácil de traduzir. Porém, Hermione havia sido de fato transparente – Você acha que com um simples beijo pode manipular o que eu sinto? Você não é tão bom assim, Ronald Weasley.
- Se você tem dúvidas eu posso tentar de novo – ele sugeriu se aproximando dela.
- Nem pense nisso – disse Hermione horrorizada ao mesmo tempo num tom ameaçador – Você não tinha o direito de rir de mim dessa maneira, você não podia bagunçar os meus sentimentos.
- Mas eu não estou rindo de você – Rony disse com grande insistência – Eu não menti em nada quando te beijei. E quer saber... faz cinco anos que você me confunde.
- Você finge muito bem! – falou Hermione com hipocrisia – Eu sei que eu não pareço nem um pouco com Fleur Delacor, e nem com a garota dos seus sonhos... por isso eu esqueci você. Não é justo você estragar tudo agora que finalmente eu consegui te esquecer.
- O quê? – disse Rony que não estava entendendo nada, ele se sentia perdido.
- Eu sabia que você não iria entender – disse Hermione em fatal conclusão – Você nunca parou para tentar entender.
Quando ela acabou de pronunciar essas últimas palavras, saiu de perto de Rony quase que correndo e com algumas lágrimas indesejáveis querendo escorrer pelo seu rosto, ela não olhou para ele. Hermione só queria fugir daquilo porque machucava muito o seu coração.
- Aonde você vai? – perguntou Rony ainda no mesmo lugar, mas hesitante.
- Eu vou subir pro meu quarto, e eu quero ficar sozinha – ela não conseguia mais controlar o tom de sua voz, que era agudo e depois voltava a ser grosso.
- E você está braba comigo? A gente não vai se falar mais? – disse preocupado.
- Eu não estou braba com você – Hermione respondeu sinceramente – Eu só preciso ficar sozinha e pensar um pouco.
- Você é quem sabe... – Rony deveria estar feliz por ter beijado Hermione, na verdade ele imaginou que seria tão diferente. Ele pensou que quando isso acontecesse ele sairia extasiado dando pulos de felicidade, e até alguém cretino como Draco Malfoy se tornaria um dos seus melhores amigos. No entanto não foi assim, Rony não esperava que Hermione reagisse daquele jeito, e aquelas coisas que ela disse que havia conseguido esquece-lo e que agora ele tinha estragado tudo, era tão estranho. Não existia clima para pensar no beijo em si, e nem o quanto ele havia sido esperado. Rony se conformou em sentar no sofá da sala e olhar vagamente para o céu, sem motivo algum, sem pensar em nada. Ele estava parcialmente arrasado, mas não tinha certeza do quanto.

                                                   **  **

Hermione bateu a porta atrás dela, quantas vezes isso já havia se repetido. Porém todas as vezes que ela tinha feito isso tinham sido por motivos totalmente diferentes.
Antes Hermione subia as escadas do dormitório feminino de Hogwarts, e fechava a cortina envolta da sua cama. Geralmente porque Hermione havia acabado de ter mais uma discussão sem sentido com Rony, mas assim era bem mais fácil de descrever seus sentimentos. Era simples sentir raiva e ficar irritada é óbvio, pois os dois teriam gritado a plenos pulmões e seus rostos estariam corados, sem conseguir esconder a insatisfação.
Nessas vezes, que foram muitas, Hermione passava à noite inteira sem dormir, no entanto porque ela se sentia triste, mas agora talvez esse sentimento fosse pior. Pior porque em vez da discussão, houve um beijo, e Hermione foi incapaz de ficar braba com Rony por causa disso. Ela não conseguiria pensar mal de Rony, até porque no fundo Hermione admitia que havia gostado do que aconteceu, era tão difícil de sentir alguma coisa que não a atormentasse. Não foi ruim Rony a ter beijado, foi ruim Hermione não saber o que fazer com isso depois.
Ela sentou no chão e apoiou seus braços em cima da cama. Hermione gemeu e cobriu seu rosto com a mão. Ela não queria, porém foi inevitável impedir uma lágrima cair lentamente dos seus olhos.
Ela não entendia, porque isto foi acontecer tão tarde. No quarto ano Hermione já tinha descoberto o quanto ela gostava de Rony, fazia tempo que ela sabia disso.
Talvez desde do final do primeiro ano Hermione tivesse percebido o seu amor por ele, quando Rony se sacrificou no jogo de xadrez para que eles pudessem chegar até a Pedra Filosofal, nessa hora ela sentiu muito medo de perde-lo. No começo ela tentou ignorar todo o nervosismo que ela sentia quando Rony se aproximava, ou como as brigas eram um artifício para chegar mais perto dele, quem sabe até a melhor parte era quando eles faziam as pazes e Hermione podia desabar num abraço carinhoso com o amigo. Durante muito tempo Hermione havia desprezado como todas essas pequenas coisas a faziam feliz.
Embora no quarto ano ela já estivesse convencida de que poderiam passar milhões de anos com esse sentimento oprimido, que não adiantaria, a qualquer momento ele explodiria incondicionalmente em seu peito.
Então Hermione se preparou para contar tudo a Rony, ela estava decidida a acabar com aquela aflição. Porém eles sempre estavam brigando quando ela tomava coragem e nunca Hermione conseguia ter uma conversa com ele. Quando ela se deu conta, Rony estava encantado por Fleur e literalmente não parava de babar toda vez que via ou falava nela. Isso foi como um choque para Hermione, talvez um sinal de que o quê ela pensou em fazer fosse uma grande bobagem e que aquilo deveria ser esquecido.
De repente, aparece Vítor Krum, um jogador de quadribol internacionalmente famoso. É claro que Hermione estava carente, e Vítor ofereceu todo o carinho que ela precisava. Hermione se sentiu protegida por ele, e de certa forma segura.
Não foi fácil tirar Rony da sua cabeça, depois de meses de sofrimento, finalmente Hermione pensou que havia conseguido. Mas ela estava errada. O destino provou isto para ela, tudo voltou dez vezes mais forte do que antes.
Hermione estava sentada em frente à cama, com os braços abraçando suas pernas. Ela olhava desanimada para o chão, e se sentia tão sozinha. De novo outra lágrima caiu, ela colocou sua mão sobre a boca. Era inacreditável que Rony a tivesse beijado, Hermione pensava nisso como se fosse um sonho, ou quem sabe um delírio. Um delírio absurdo, exageradamente fantástico. Parecia que fazia tanto tempo que eles haviam se beijado, embora isso tivesse acontecido há alguns minutos atrás. Hermione ainda estava em choque, ela não havia absorvido tudo aquilo, suas idéias ficaram tão confusas.
Ela deitou em seus próprios braços, e sentiu saudades daquele momento, mas também sentiu que seria muito ingrato da sua parte esquecer Vítor Krum. Hermione estava absolutamente dividida, ela achou melhor dormir porque tão cedo isto não se apagaria da sua memória. E como Hermione não queria pensar nisso, a única solução era fechar os olhos e esperar que o sono a confortasse.


                                               **  **


- Você se machucou? – perguntou Harry.
- Não, mas eu estou com uma dor horrível no meu braço – Gina disse com uma careta, massageando o braço direito – Eu acho que eu apoiei o meu peso nele na queda.
Os dois estavam parados na parede que acabara de se constituir na frente deles. Ninguém havia ousado olhar para trás, eles não saberiam quais caminhos tinham se formado, que passagens complexas os dois tentariam desvendar.
Harry e Gina reuniam coragem para enfrentar o labirinto que poderia ser mortal. Gina estava com a manga de sua blusa rasgada e alguns arranhões vermelhos enfeitavam sua pele. Seu cabelo estava pouco espesso, os fios ruivos escorrendo pelas orelhas e caindo sobre o ombro. Ela estava extremamente cansada da viagem e a passagem secreta era fria demais para suas roupas finas. Harry estava totalmente sujo, a blusa molhada em alguns pontos por causa das goteiras, o cabelo dele ficou mais desajeitado do que nunca, só os óculos permaneceram posicionados corretamente. Ele não sentia frio porque usava um sweater verde que ganhara de presente dos Weasleys, porém ele estava coberto de sujeira.
- Qual corredor você acha melhor? O da direita ou o da esquerda? – disse Harry apontando para dois caminhos diferentes que se cruzavam.
- Tanto faz – Gina deu de ombros – Eu estou com o famoso Harry Potter, certo? Nada vai me pegar.
- Não é bem assim... – replicou Harry decidido – Se a gente ficar o bicho come, se a gente correr o bicho pega.
- Você está cometendo um erro – ela sorriu e deu um tapinha de leve no ombro dele – Eu confio em você, nós vamos sair daqui.
- Ok, você me convenceu – Harry retribuiu o sorriso – Mas talvez você não devesse ter se separado do Draco e da Tathy para entrar nessa bela fria comigo.
- E eu deixaria você sozinho? – Gina soou indignada – Você nunca me deixou sozinha, e eu seria incapaz de virar as costas pra você.
- Eu sei – Harry estava agradecido, no entanto ele nunca gostou que as pessoas ficassem em perigo por ele – Porém eu acho que essa não era a hora certa pra você---.
- E quando seria a hora? – Gina falou – Quando você percebesse que seria impossível sair daí vivo e nós estivéssemos mortos por Voldemort?
Harry estava muito surpreso. Gina havia falado pela primeira vez o nome de Voldemort, ela estava totalmente o contrário daquela garotinha da Câmara Secreta que estremecia só de ouvir os outros pronunciarem o nome dele. Harry já estava acostumado a dizer Voldemort, mas não pensou que algum dia Gina tivesse coragem para fazer o mesmo. Ele estava impressionado com a atitude dela.
- Você disse o nome dele? – Harry indagou hesitante.
- É óbvio, você mesmo me ensinou que eu não poderia ter medo de falar Voldemort – Gina explicou incrédula – É apenas um nome, não é? Então não precisa agir como se estivesse profundamente chocado por isso. Acho que finalmente eu superei o meu trauma, e acho que você acabou de criar um.
- Deixe isso pra lá... – falou Harry frustrado tentando desviar seus pensamentos olhando para os lados – Não era tão importante assim que você me seguisse, foi loucura!
- Loucura seria fingir que não estava acontecendo nada – nessa hora os olhos de Gina refletiram a luz dourada que vinha das varinhas, como duas luzinhas brilhantes – Eu estou sendo sincera quando eu digo que você é importante para mim, você é tudo pra mim!
Harry sentiu o rosto de Gina corar levemente, não como antes quando ela não podia controlar. Agora Harry sentia que Gina estava envergonhada, porém isto não a impedia de continuar olhando dentro dos olhos verdes dele. Harry também ficou vermelho com tanta sinceridade.
- Eu sei – Harry gaguejou – Você também é especial pra mim, eu nunca deixaria você e nenhum dos meus amigos precisando da minha ajuda. Eu morreria por todos, mas no meu caso é diferente.
- Por quê? – ela replicou seriamente.
- Porque agora você está perdida comigo, você não tem noção dos perigos que me rodeiam? – Harry disse com uma nota de aflição – Voldemort vai matar qualquer pessoa que esteja do meu lado. Eu herdei essa cicatriz, portanto eu também devo ficar com as conseqüências.
- Você está muito irritado e não está raciocinando direito – disse Gina num tom amigável – Somos amigos, ok? Eu acho que você não deveria esperar o bicho te comer e nem sair correndo inutilmente dele. Porque você não fica e tenta enfrenta-lo junto comigo?
- Gina me prometa, – Harry pegou nas mãos dela, ele estava muito firme no que havia decidido – que você nunca iria sofrer para tentar me proteger, que mesmo que você tivesse a chance de se jogar na frente do
Avada Kedavra, você não faria isso por mim.
- Eu não posso – ela negou terminantemente – Porque eu simplesmente não suportaria---
- Não – Harry interrompeu com veemência – Nem pense nessa hipótese, você jamais daria a sua vida por mim. Você não seria tão inocente a esse ponto, não seja previsível não faça o que eles esperam, Gina.
- Harry, eu não me arrependo de ter atravessado aquelas paredes e de estar aqui – ela olhou severamente para ele – E se fosse para poupar o mundo inteiro de uma catástrofe maior eu não hesitaria em dar a minha vida em troca da sua.
- Por quê você não entende que isso é extremamente estúpido? – Harry dizia ferozmente – Dentro dessa casa eles vão fazer tudo para me pegar, e seria idiotice morrer no meu lugar. Eles querem a mim, vocês devem tentar se salvar.
- Eu sei o quê pode acontecer a partir de agora – disse Gina num tom que revelava que ela não queria ser tratada como criancinha para Harry – E eu vou fazer o que eu acho certo quando as coisas acontecerem, está bem?
- Eu só quero que você esteja preparada – aconselhou Harry em tom de alerta – Às vezes é preciso fechar os olhos para não sofrer.
Harry virou-se e sem esperar que Gina dissesse mais nada, ele voltou a andar. Ninguém fazia a menor idéia da onde eles estavam indo, mas os dois tinham certeza de que não iriam chegar em lugar nenhum se continuassem parados. Talvez estivessem indo para um lugar melhor do que ali, ou nada naquela Mansão assombrosa pudesse ser melhor.
Gina imediatamente foi atrás dele, ficando cada vez mais fria por causa do frio. Suas roupas não eram suficientes para mantê-la aquecida por muito mais tempo, porém Gina achou que essa não era a hora apropriada para contar a Harry que ela estava congelando. Eles tinham coisas muito importantes a pensar, e ela faria o possível para tentar evitar de incomodar Harry com mais isso, como se ela devesse contar tudo a ele e dependesse de Harry para resolver mais esse problema. Harry já se sentia responsável por várias coisas das quais todos podiam dividir o peso, só que ele era um teimoso que não aceitava a ajuda dela.
- Eu definitivamente não vou fechar os olhos para nada que possa ameaçar qualquer um de nós aqui, Harry – disse Gina numa voz decidida – Eu só não estou preparada pra fechar os olhos e ver eles acabando com você.
Gina se preparou para que Harry brigasse com ela, ela esperava isso. Que os olhos de Harry a proibissem terminantemente de pensar nele em primeiro plano, ao invés de pensar nela própria. Talvez desde da Câmara Secreta que Gina havia notado aquele brilho no olhar de Harry, uma força estranha que o impelia a salvar a todos e não deixava que ninguém o salvasse. Harry gostava de se aventurar, na verdade ele era obrigado quando isto envolvia Voldemort, e se pudesse ele iria sozinho, sem ninguém para correr riscos junto com ele.
Mas Harry teve uma reação à contrária do que ela imaginava. Ele parou de andar novamente, e Gina olhou para ele sem saber o quê esperar mais. Com certeza isto não estava incluído no que ela geralmente contava que Harry fizesse, Gina estava levemente vacilante.
- Você está realmente determinada – falou Harry e seus olhos iam dos olhos castanhos de Gina, para o seu cabelo ruivo – Isso me surpreende, eu não sabia que você tinha tanta coragem. Mesmo sabendo que tudo isso aqui pode ser perigosamente fatal você ainda quer continuar se esforçando o máximo.
- Isso pode ser uma luz no fim do túnel, ou mais uma chance de machucar o meu braço – falou Gina com sarcasmo.
- Não foi nada encorajador – disse Harry no mesmo tom.
- Nós não vamos continuar? – perguntou Gina num tom sugestivo indicando com a cabeça para frente.
- Ah, não. – lamentou Harry – Porquê você tem que me lembrar que eu tenho que andar nesse labirinto repugnante no meio da escuridão?
- Eu sinto muito – Gina deu de ombros – Mas acho que esse é o meu papel!
Harry apenas olhou desanimado para ela, o verde dos olhos dele eram ludibriadores. Havia alguma coisinha que não estava certa, Gina sabia disso. Mas ela resolveu não perguntar, apenas ficou encarando Harry fixamente e muito tempo depois Harry se rendeu.
- Eu posso te perguntar alguma coisa? – Harry disse meio intrigado.
- Perguntar é claro que você pode – falou Gina num tom suspeito – Só não sei se eu vou poder responder, mas... vamos lá, tente!
- Quantas vezes você já ficou sem responder uma perguntar? – Harry estava perplexo e ao mesmo tempo curioso.
- Você fez tanta expectativa para me perguntar isto? – rejeitou Gina com desprezo.
- Não, de fato isso não era o quê eu pensei em te perguntar...
- Bom – interrompeu Gina – Quando o Colin pediu para namorar comigo eu perdi a fala.
- Você ficou... hum... emocionada com a proposta dele? – indagou Harry quase conclusão.
- Não – corrigiu Gina imediatamente – Eu tive ataque de nojo e senti vontade de vomitar.
- Mas o Colin não é tão ruim assim – afirmou Harry, porém ao ver a expressão perigosa de Gina ele acrescentou hesitante – Quero dizer, ele é um cara legal, não é?
- Caía na real, Harry – disse Gina firmemente – Quem gostaria de alguém que fica tirando fotos de você toda hora? Eu seria obrigada a me acostumar a ser seguida por ele em todos os corredores com uma luz piscando e aquele barulhinho chato.
- Talvez Lilá Brown e Parvati Patil fossem boas candidatas – lembrou Harry – Faz o estilo delas gostar de pessoas que fiquem admirando-as vinte e quatro horas por dia.
- Pode ser, mas o Colin é esquisito – Gina franziu as sobrancelhas estupefata. Depois ela fez uma imitação cruel, no entanto perfeita do garoto – Hã... Gina você é muito bonita! Posso... eu posso tirar uma foto sua?
Harry riu.
- Eu nunca imaginei que a meiga e delicada Gina fosse se rebelar desse jeito contra um menino – ele falou num tom desconfiado – Você é sempre assim?
- Harry! – Gina ralhou com a voz esganiçada – Nem todos os meninos são iguais ao Colin...
- Ainda bem – disse – Só espero que ele nunca chegue, a saber, que você fez essa imitação dele...
- Ele ficaria furioso – Gina riu dela própria – Harry, o quê você queria me perguntar?
- É sobre o Malfoy – Harry respondeu.
- Você acha que podemos confiar nele mesmo sabendo que agora ele está vulnerável a todas as influências dos pais dele?
- Eu confio nele – disse Gina com toda a força de sua honestidade – Eu não sei o quê o Draco vai fazer, ele é extremamente temperamental. Eu posso garantir que o Draco é aquele tipo de pessoa que faz o que acha certo, mas eu nunca sei o quê ele está sentindo.
- Você ficaria sozinha com ele? – Harry soou intrigado, porém ele percebeu que Gina ficou confusa com a pergunta – Deixe-me reformular, você ficaria sozinha com o Malfoy, por exemplo, na noite da Final do Campeonato Mundial de Quadribol?
- Em que parte? – Gina disse – Quando o jogo acabasse e a Irlanda ganhasse a Taça? Ou na caça aos trouxas?
- Na caça aos trouxas – confirmou Harry firmemente – Se você o encontrasse na floresta, o quê você faria?
- Depende, se eu tivesse como sair dali depois eu daria um belo chute na canela dele!
- Mas e se fosse agora? – Harry não parecia satisfeito com a resposta da amiga – Se neste instante você estivesse no meio da floresta somente com o Malfoy na sua frente, você ficaria sozinha com ele?
- É claro que eu ficaria – Gina respondeu com a maior naturalidade, e depois percebeu que não tinha conseguido disfarçar a nota de empolgação na voz – Quero dizer, eu estaria morrendo de medo e o Draco na minha frente, eu não vejo motivos para fugir dele.
- Você gosta dele, não é? – o tom de Harry era indefinido.
- O quê? – murmurou Gina abismada.
- Srta. Weasley, esta não é uma das perguntas que você não vai responder – disse Harry obstinado – E não adianta fingir que perdeu a voz ou teve um ataque.
- Eu estou chocada – Gina fazia algum esforço para pronunciar estas palavras – Sua determinação me surpreende.
- Você ama o Malfoy? – Harry disse outra vez, porém agora havia soado mais evocativo.
- Harry, eu sei que você me ouviu na primeira passagem secreta. Olha, você não devia levar tão à sério, eu posso ter falado algumas coisas sem nexo – as palavras se atropelaram antes de sair da boca de Gina. Ela estava muito atrapalhada – O Draco faz o estilo galã, e realmente ele é muito bonito, mas isto não impede que eu enxergue todos os defeitos dele, que são vários.
- Mesmo que você saiba o quanto ele não presta isto não importa pra você – falou Harry – Pelo menos é o que você demonstra.
- E importa pra você saber de tudo que ele já fez contra você? – replicou Gina em tom de superioridade – Ao que eu saiba você não deixou de ser amigo dele por isso, então por quê eu deveria discrimina-lo?
- Porque existe uma sutil diferença entre ser amigo e ficar beijando ele – Harry falou tão convicto, e depois percebeu que Gina estava sem graça – Assim ele pode te machucar mais do que qualquer jeito.
- Eu sei – ela murmurou tristemente – Eu não queria gostar de Draco Malfoy, se eu pudesse eu não sentiria nada por ele.
- Mas você o ama? – disse Harry hesitante.
- Eu não sei – Gina disse com cada nota mais infeliz – Eu me sinto feliz quando ele me beija, mas depois vem um sentimento de culpa que é horrível.
- Isso não é nada bom – desaprovou Harry num tom preocupado.
- O quê não é bom? – Gina olhou desconfiada para ele.
- Você se sentir horrível depois que beija ele e o beijo em si – explicou Harry – Rony odiaria saber disso.
- Harry, por favor você não vai contar a ele que eu beijei o Draco – pediu Gina assustada – Você não irá... você não iria fazer isto?
- Eu estou me sentindo cúmplice de você dois – disse Harry irritado – Eu acho que o Rony deveria saber, se eu estivesse no lugar dele eu faria questão de saber.
- Mas só foram dois beijos, que não significaram nada pra mim – mentiu Gina quase implorando.
- Não parece – disse Harry secamente.
- Vocês dois resolveram se unir pra incomodar a minha vida? – ela disse indignada – Já bastava o Rony controlando tudo o que eu faço, agora até você resolveu se tornar um capanga dele? Um ditador opressor, você não gostaria nada se eu ficasse controlando a sua vida amorosa, Harry.
-  Gina, eu não estou querendo deixar você trancada dentro de um quarto com os punhos amarrados na cama – disse calmamente – Eu também não quero ditar ordens para a sua vida...
- Ótimo – Gina disse brevemente – Então, por favor, entenda que eu tenho o direito de beijar quem eu quiser e o Rony não pode ficar se intrometendo nisso.
- Mas não é justo eu trair ele! Porque esconder que você está se apaixonando por um Malfoy é o mesmo que encravar um punhal pelas costas dele...
- Então você vai ter que contar a ele que me beijou em Hogwarts também – replicou com vigor – Senão eu mesma conto.
Harry ficou sem palavras. Rony não poderia saber que ele havia beijado Gina. Ele jamais conquistaria a amizade do amigo novamente, imagine se com o Malfoy que ele mal conhecia Rony já se sentia ameaçado, quanto ao Harry, seu melhor amigo saber que ele estava beijando a irmã caçula seria a pior espécie de traição.
- Eu acho que não estamos nos entendendo muito bem – disse Harry com azedume.
- Não – Gina sorriu maliciosamente – Agora começamos a nos entender perfeitamente. O que há de errado com você?
- Nada – Harry deu de ombros – Vamos esquecer esse assunto, talvez o Rony tenha que descobrir por si próprio o quê está acontecendo debaixo do nariz dele.
- Não está acontecendo absolutamente nada de mais – garantiu – Eu e o Draco não estamos namorando, e eu queria que você entendesse isso.
- Eu entendo que você não está namorando com ele – disse seriamente – Mas o Malfoy fará de tudo pra isso acontecer.
- Eu sei me cuidar sozinha, não se preocupe eu sei como lidar com isso – Gina olhou para Harry – O Draco não quer magoar ninguém, ele gosta de todos, da maneira dele, mas eu já percebi que ele se importa. Harry, ele precisa de você.
- Não, ele não precisa de mim – disse num tom firme – Eu tenho medo de depender mais dele do que ele de mim.
- Eu sei que tudo está tão difícil para todos nós, precisamos lutar juntos contra isso – os olhos de Gina brilharam de novo com a pequena luz das varinhas, ela estava determinada – E nós vamos.
- Sim – respondeu no mesmo tom – Eu sinto muito por ter te chateado, acho que este labirinto reverte a minha mente.
- Estamos falando de tantas coisas ao mesmo tempo, não sabemos se daqui a pouco você ou eu vamos estar vivos. Se encontraremos eles de novo ou se eu irei beijar o Draco – disse Gina.
- Quem sabe... – Harry ergueu as sobrancelhas e voltou a andar apressadamente – Faça um pedido aos esqueletos talvez ele se realize.

                                      **                                                **

- Não teria um jeito mais fácil de encontrar os dois? – perguntou Tathy entediada.
- Talvez tivesse... – concordou Draco pensativo – Nós poderíamos lançar feitiços para destruir as paredes, mas isto seria muito complicado e meus pais perceberiam a nossa presença.
- Legal, agora vamos falar das hipóteses possíveis – refletiu Tathy mordendo o lábio – Essa paredes são inquebráveis, e há uma máquina que faz elas mudarem de rumo embaralhando todas as passagens que a gente já tiver decifrado?
- Ótima descrição – falou Draco – Agora qual você acha que são nossas chances?
- Por quê mesmo sabendo de tudo isso você fez a gente entrar aqui? – perguntou desconfiada.
- Porque não tínhamos muitas opções e eu não contava que o Potter se separasse da gente – falou enquanto eles viravam mais um corredor.
- Deve existir algum jeito de encontrar os dois... Sempre existe um jeito – ela segurou seu talismã distraidamente e sem querer descobriu que esta era a chave do problema – Ah, é óbvio. O talismã.
- Dá pra você falar a minha língua? – pediu Draco confuso.
- Se lembra: O talismã chama Voldemort, mas a magia dele leva até o Harry! Eu só preciso seguir o poder do talismã e nós vamos acha-lo.
- A sua lógica ficou bem melhor sem livre-associação – disse determinado – Então, põe esse negócio pra funcionar.
- Não é tão simples assim – lembrou tirando o talismã do pescoço – A alma do Harry é algo eficiente para nos levar até ele, mas para conseguir entender o caminho direito eu preciso me concentrar.
- Então, se concentre – replicou Draco como se isso fosse óbvio – Logo.
Ela lançou um olhar impaciente a Draco, que estava a sua frente com os olhos acinzentados como olhos de gato, porém nada superaria o mistério que envolvia os puros olhos verdes de Tathy. Ela se sentou em um canto e ajeitou seus cabelos presos colocando-os atrás da orelha. Com um suspiro ela começou a examinar o talismã com profunda atenção.
Repentinamente Draco sentou-se ao lado dela, com suas roupas que antes deveriam ser caras e bem ajeitadas, agora totalmente sujas e irreconhecíveis.
- Talvez você não devesse se afastar de mim, porque eu dependo de você mais do que você de mim, neste momento – ele disse.
- Não – ela negou com razão – Eu preciso de você, apesar desse lugar ser inconstante você é o único que pode me tirar daqui com vida.
- Isso é verdade – Draco disse e depois de um rápido silêncio – Por favor, consiga encontrar o Potter.
Tathy percebeu como ele havia falado sério, e realmente era importante achar o Harry. De nada valeria eles terão chegado até ali, se Harry ficasse perdido para sempre. Draco procurou não fazer muitos barulhos e nem comentários para não tirar Tathy de sua intensa concentração, aqueles minutos fizeram de certa forma bem para Draco, assim ele teve tempo de pensar um pouco. Pensar em Gina, no quê ela estaria fazendo exatamente neste instante. Será que ela estava bem?
Quando o sentimento de ansiedade voltou a tomar conta de Draco, Tathy sorriu triunfante e levantou-se animada.
- Draco... – ela sorriu radiante – Fique de pé.
- Você sabe que só tem uma opção – disse determinado – Conseguiu?
- É óbvio que eu consegui – disse satisfeita, ela pegou na mão dele e o empurrou virando o primeiro corredor à direita – Está na hora de irmos!
Eles caminharam um pouco, não houveram mais mudanças do labirinto, por sorte. Tathy estava muito decidida de quais caminhos deveria seguir, disto ela não demonstrava dúvidas.
- O quê você sente quando pega nesse talismã? – perguntou Draco.
- Eu sinto uma dor fina fatiando o meu corpo, como a dor da morte definitiva – Tathy disse num tom fúnebre – Eu sinto a alma do Harry aprisionada aqui, e sinto que cada vez que ele fica mais fraco ela pode desaparecer para sempre.
- Uau! Isto não é muito agradável... – disse surpreso – Você não sente nada mais?
-  A maior parte é dor, mais o talismã também tem muitos poderes. Eu sinto isso, e acho que você também sente – disse honestamente – Muita energia concentrada, que você pode controlar ou que pode controlar você.
- Então a Espada Bélica deve ser muito pior do que isso? E esteve na minha casa durante anos! – comentou entretido.
- Essa é a nossa única chance de mudar as coisas, eu realmente não quero pensar que teremos que usar uma arma tão maligna a nosso favor – ela disse.
- Você que o Potter vai conseguir segura-la por tempo suficiente? Quero dizer, você ouviu o quê o Lupin disse, nenhum humano consegue segura-la por muito tempo.
- E se Harry não for humano? – replicou Tathy num tom suspeito.
- Ele é humano – confirmou Draco – Ele vai precisar de ajuda, Voldemort não é humano e ele pode roubar a Espada.
- Você tem razão, Tom Riddle era uma pessoa de verdade, Voldemort é apenas um espectro do mal – disse enquanto passavam por paredes úmidas – A nossa vantagem é que a Espada controla Voldemort, e não ao contrário.
- Voldemort tem poderes suficientes para competir com a Espada, ele não é tão facilmente manipulado – disse Draco com vigor.
- Ele tem uma mente cheia de ambição, ele quer dominar o mundo – Tathy estava convicta – Pessoas com o mal são mais fáceis de serem enganadas por ele, porque já acreditam que este é o único meio de vencer.
- Como se Voldemort fosse uma criancinha idiota influenciada por uma Espada com cérebro?
- Voldemort não se considera bobo, ele pode ser muito perigoso quando controlado e furioso – alertou.
- Estamos lidando com uma criança muito cruel e maligna – disse Draco.
- Draco, você poderia parar de pisar no meu pé? – perguntou Tathy seriamente – Está começando a latejar...
- Oh! – ele exclamou envergonhado. E só agora se deu conta que por pouco ele não estava em cima de Tathy – Desculpe.
- Às vezes eu tenho a impressão de que isso é intencional – afirmou – Você adora me machucar, não é?
- Não tanto quanto eu gosto de discutir com você – respondeu – Eu pensei que você já soubesse disso.
- Não se preocupe, eu sinto o mesmo por você – replicou Tathy num tom divertido – Mas quando sairmos daqui eu tenho certeza que pelo menos você vai sentir falta de poder pisar em mim!
- E eu vou sentir falta dos seus comentários sarcásticos – Draco disse decidido.
- Eu não sou sarcástica – reclamou indignada.
- Você é sim – falou com insistência – E, além disso, é muito segura de si e é extremamente mentirosa.
- Por quê eu sou mentirosa? – disse perplexa.
- Porque você finge que sabe aonde estamos indo e no entanto nós já passamos três vezes por aqui.
Tathy o encarou desconcertada, porém junto com isso ela também demonstrava um pouco de determinação. Ela odiava quando Draco ficava com aquele sorriso triunfante.
- Sabia que eu estou com vontade de te bater? – disse Tathy com a voz esganiçada.
- Não faça isso – disse num sussurro – Vai estragar o meu desempenho!
- Você é incrivelmente convencido – desdenhou irritada.
- E o Potter deveria te ver com raiva – ele sorriu receoso – Você fica ameaçadora, mas é um risco que vale a pena.
- Você é um cretino sem escrúpulos! – Tathy brigou gentilmente com ele.
- OK – disse hesitante – Você é bonitinha quando fica zangada, as eu não vou te dizer mais isso.
- Você já está dizendo... – Tathy lembrou sem graça – E você está fazendo isso de propósito para me provocar!
- Senhora-Eu-Vou-Explodir-De-Raiva, não exploda! – pediu Draco com cautela – Eu não estou preparado para um impacto tão grande!
Tathy apertou a mão de Draco que ela segurava, ela estava ligeiramente irritada por Draco não a levar a sério.
- Ai! – ele gemeu puxando sua mão – Tudo bem, eu acredito em você.
- É bom que acredite mesmo – disse Tathy firmemente – Porque o nosso destino está em minhas mãos.
- Então me leve para o lugar certo – retrucou Draco empolgado – Porque eu confio nas suas mãos.
Tathy sabia que ele estava sendo irônico, ela sabia que Draco esperava que ela ficasse braba e saísse fora de si, mas Tathy não iria fazer o que ele queria.
A garota olhou fundo nos olhos cinzentos dele, tão obscuros e repletos de malícia. Um sorriso travesso estava estampado em sua boca fina.
Tathy estava com uma vontade imensa de tentar fazer aquele sorriso desaparecer do rosto dele, mas ela sabia que isso seria em vão.
Então, seus olhos se contraíram numa linha fina, e ela sorriu junto com Draco do mesmo jeito que ele. Tathy estava com uma expressão imparcial.
Os dois ficaram por algum tempo se analisando e...
- O quê você está fazendo? – perguntou Draco indeciso.
- Eu estou salvando você – respondeu prontamente e mais uma vez Draco e Tathy estavam andando o mais perto possível, com cuidado para não se perderem.
- Voldemort pode morrer, ele não é imortal – falou Draco inesperadamente.
- Agora de certa forma ele é – confirmou Tathy soando horrorizada – A alma dele também está aprisionada no talismã, se ele morrer e se os Comensais da Morte fizerem tudo direito, Voldemort pode reviver porque a alma dele não estará totalmente destruída.
- Maldições são sempre uma boa saída para não acabar morrendo de vez – disse Draco – Mas ele também já usou sangue de unicórnio, e aquela poção nojenta do osso, carne e sangue. Matar Voldemort não é tão simples assim!
- A Espada poderia mata-lo também, dizem que é tão carregada de magia negra... – propôs Tathy.
- Um simples Avada Kedrava poderia mata-lo – Draco num tom definitivo de melhor decisão – O Avada Kedrava é irreversível e nós sabemos como usa-lo.
- Eu não sei se podemos tentar acabar com ele... – ela parou extasiada e olhou para Draco – Mas nós finalmente achamos o Harry!
Quando Draco ouviu estas últimas palavras e olhou para frente. Tathy tinha razão, Harry e Gina estavam parados a poucos passos, pareciam que estavam conversando. O estranho é que nenhum percebeu a presença dos dois, como se estivessem alheios a tudo isso.
Tathy foi correndo ao encontro deles, mas no meio do caminho ela parou. Como se uma parede invisível a impedisse de passar. Tathy foi jogada para trás com o baque.
- Droga! – ela praguejou com raiva com a mão sobre o tornozelo.
Draco assustado correu até ela.
- Você está bem? – perguntou preocupado – Parece que você foi enganada por uma parede invisível.
- Ótimo – replicou num tom cínico – Era tudo o que eu precisava... será que não existe nada na sua casa que não seja traiçoeiro. Que merda, eu virei o meu pé... Esse muro transparente do inferno, que c...
- Ei, olha os palavrões! – censurou Draco como se ele fosse o maior anjinho – Você consegue andar?
- Eu já estou bem – respondeu Tathy com teimosia e para o espanto de Draco ela se levantou e caminhou até onde ela achava seguro na direção do Harry – Você fica péssimo de queixo caído.
- E você não deveria ter um gênio tão forte – disse Draco – Mulheres mandonas sempre acabam sozinhas no final da história.
- Não enche! – replicou irritada e começou a bater contra a parede. Pequenos raios prateados apareciam no lugar em que ela encostava fazendo um estrondo –
Harry! Harry, estamos aqui... olha pra cá...
- Quando você vai me ouvir? – ele agarrou os punhos dela para que ela prestasse atenção nele – Eu sei que geralmente você é quem manda, mas é totalmente inútil você continuar fazendo isso. É mais um feitiço, e nada que a gente faça vai reverter.
- Por que tudo é irreversível? – exclamou indignada – Chega! Eu não vou desistir, não podemos ficar presos aqui para sempre.
- Nós não vamos ficar – garantiu Draco secamente – Só que neste momento o Harry não pode te ver e nem te ouvir. Eu sei que isso é muito frustrante pra você, mas você vai ter que se acostumar com a idéia de estar comigo.
Tathy ignorou a pequena nota melancólica na voz de Draco, porque ela havia feito um grande esforço para se levantar e agora as conseqüências começavam a aparecer na dor ressequida que latejava no seu tornozelo.
- Ai! – ela disse fracamente sentando-se – Talvez eu não devesse ter me levantado... – admitiu com uma expressão de dor.
- Eu sabia que você iria acabar descobrindo por si própria – falou Draco lançando um olhar repressor e nervoso ao mesmo tempo.
- Eu não quero que você banque o papai comigo! – disse de mau-humor, mas provavelmente isto era devido ao que ela sentia – Vamos lá, eu sei que você pode fazer alguma coisa para me ajudar...
- Você está pedindo a minha ajuda? Acho que isso já é alguma evolução, você não parece tão independente e dominante como antes – disse Draco com veemência.
- Por favor,... – Tathy pareceu ter muita dificuldade para sorrir.
- Você sempre consegue o quê quer, não é? – perguntou Draco inconformado.
- Eu tento, na maioria das vezes dá certo... – admitiu.
-
Cicatriserros! – ele disse apontando para o tornozelo.
Um jorro de luz prateada ficou em volta da pele dela, e depois se dissipou como se fosse absorvida. Tathy o encarou alegremente.
- Obrigada! – disse docemente – Você entende... eu só queria poder falar com eles!
- Eu sei – Draco murmurou abaixando a cabeça – Quando você está procurando alguém, a imagem dessa pessoa fica apenas na sua imaginação. Mas quando você consegue vê-la, mas não pode nem falar e nem tocar nela é uma tortura muito pior.
- Eu só queria que eles soubessem que nós estamos aqui, tão próximos – Tathy lamentou.
- De certa forma eles sabem – consolou Draco no lado dela, lançando um olhar carinhoso.
- Você gosta
muito dela, não é? – sussurrou e Draco confirmou com a cabeça – E está sofrendo com isso... tanto quanto eu...
- Eu queria ouvir o quê eles estão dizendo agora... – disse Draco curioso observando o casal pela parede invisível.

                                                   **                                             **

- Suas mãos estão congeladas – disse Harry perplexo pegando nas duas mãos de Gina – E você está tremendo de frio...
- Harry, eu estou bem – garantiu – Acredite em mim.
- Você não vai me convencer – disse Harry terminantemente. Agora ele estava extremamente como em Hogwarts, com o familiar olhar determinado, Gina sabia que não adiantaria discutir – Eu vou te dar o meu sweater...
- Não – disse Gina, mas não houve jeito. Harry imediatamente o tirou e entregou a ela.
- Tome, ponha isto eu tenho certeza de que você irá ficar mais quente – recomendou.
Gina o encarou, ela estava grata pelo gesto. Mas também seus olhos eram relutantes e com um pouco de desgosto ela pegou o sweater das mãos de Harry e vestiu, ainda estava quente com a temperatura do corpo de Harry, isto a fez sentir mais confortável do que uma blusa qualquer.
- Eu não quero que você morra de frio por minha causa... – reclamou sinceramente.
- Eu ainda não estou com frio – falou Harry firmemente – E não se preocupe, quando eu estiver eu peço o sweater de novo pra você. A gente pode revezar...
- Eu te conheço o suficiente, Harry Potter – ela ergueu as sobrancelhas – Pra dizer que você irá preferir congelar lentamente a dividir o sweater comigo, eu sei que você é um teimoso...
Harry não respondeu. Apenas ficou fitando-a.
- Por quê você está me olhando desse jeito? – gaguejou vacilante. Ela poderia suportar qualquer coisa, menos o olhar fixo de Harry. Quando ele fazia isso, ela se perdia. Gina sentia que não tinha mais controle sobre o que deveria fazer, ela ficava frágil. Imune a tudo que acontecesse ao seu redor, ela lembrava do passado. Os olhos verdes de Harry a hipnotizavam, dominavam todas as ações dela.
- Eu não consigo parar de olhar pra você... – as palavras de Harry fizeram Gina sentir um arrepio por toda a sua espinha – Eu quero desviar, mas eu não posso. Você me prendeu aqui pra sempre...
- Harry... – murmurou Gina desesperada.
- Shhii! – ele a impediu de falar – Não vá embora de novo.
Havia mãos na cintura dela, e ela chegou mais perto de Harry. As mãos dele estavam trêmulas, porém estavam ali em volta dela. Os dois estavam se beijando.
Ela colocou suas mãos sobre os ombros largos de Harry, Gina não tinha mais poder para decidir fazer o quê deveria ser feito ou o quê ela achava certo. Harry a deixava incapaz de escolher, Harry a envolvia de tal forma que era impossível fugir. Mesmo assim seu coração estava apertado dentro do seu peito, beija-lo era melhor ou tão bom quanto olhar dentro dos olhos dele, mas isto a fazia sofrer, como o motivo de tantos anos de amor não correspondido.
Harry sentia que os lábios de Gina estavam muito frios, sua pele também estava gelada. No entanto quando eles se tocavam tudo ficava estranhamente quente, como um calor que invadia seu corpo e tomava conta de tudo. Ele sentia o quão delicada ela era, beijar Gina pela segunda vez foi fantástico, foi melhor que a primeira. Agora ele sentia cada centímetro dela naquele beijo.

                                                        **                                           **

- O quê? – gritou Draco atordoado.
- Eu não quero ver isso – disse Tathy desanimada olhando para um lado oposto.
- Eu não acredito que eles estão se beijando – uma raiva incontrolável nascia em cada palavra que Draco pronunciava – Como o Potter pode fazer isso, esse patife... ele vai me pagar.
- Não queira colocar toda a culpa em cima dele – replicou Tathy igualmente irritada – Para quem estava se fazendo de difícil pra você, Malfoy, até que o Harry não precisou fazer muito esforço.
- Eu não quero discutir isso com você – rangeu friamente.
- Você não percebe o quanto isso é... catastrófico! – Tathy estava com uma expressão nada feliz.
- Ah, eu sei – disse Draco soturno – Acho que isto nos faz ser Os Babacas Que Assistiram de Camarote o Grande Amor da Nossa Vida Ficar com Outro.
- Isto não me faz ser nada – falou com vigor, porém o desgosto prevalecendo na voz.
- A quem você quer enganar? – replicou cinicamente – Eu vi com meus próprios olhos você e o Harry no quarto aquela noite, eu sei que você gosta dele. E eu sei que vocês também devem ter se beijado.
- O quê? – ela falou meio histérica – Eu não estou apaixonada pelo Harry, e você nem sabe se nos beijamos. Porque não aconteceu nada.
- Vocês não se beijaram? – indagou Draco decepcionado.
- Não – Tathy respondeu com um sorriso amarelo – E pare de encarar isso como se fosse a pior coisa do mundo, não aconteceu e pronto.
- Então você deveria tomar providências logo... – falou Draco com seu antigo olhar desdenhoso – Por que senão você vai acabar perdendo o Potter...
- E você a Gina – retorquiu sem piedade.
- É, eu não vou ficar aqui parado de braços cruzados feito um mongolóide, só vendo ela ficar com ele – disse decidido e se levantou.
- Ótimo, vai em frente – concordou se levantando – E se mesmo com toda essa coragem ela decidir ficar com o Harry?
- Aí nós dois estamos ferrados – disse Draco fortemente.
- Você tem razão – Tathy olhou ansiosa para os lados e começou a encostar em cada pedaço da passagem – Está aí um bom motivo para ficar loucamente alucinada e quebrar tudo, até encontrar um jeito de chegar onde eles estão.
Draco também achou uma boa idéia.

                                                            **                                       **

- Gina, você está chorando – disse Harry lentamente.
- Eu sinto muito – ela disse – Eu estou meio confusa...
- Não se desculpe – Harry compreendeu carinhosamente – Eu não quero que você se sinta ruim por minha causa, eu sei que não deveria ter feito isso.
- Mas você queria? – perguntou atentamente.
- É claro que eu queria – falou arrasado – Mas eu sei que ninguém ter certeza de nada do que sente...
- Ninguém tem – Gina confirmou com uma voz rouca – Por isso está tudo muito errado. Eu gosto de você, Harry. Mas eu nunca sei se você está inteiramente comigo, eu não sei se enquanto você olha pra mim você está pensando em outra pessoa.
- Você tem razão – ele tirou uma pequena mecha de cabelo do olho dela – Eu não quero te ferir, eu não quero brincar com você...

                                                         **                                 **

Draco pisava fortemente no chão de pedra, talvez na tentativa de quebrá-lo.
- Você vai ver... – ele garantiu – Existe alguma coisa perto daqui...
Até que ele pisou novamente, e o chão falso desapareceu. Draco caiu num buraco, e Tathy instantaneamente se jogou junto com o garoto.
Harry dizia algo para Gina, no momento em que Tathy e Draco caíram embolados um pouco mais adiante. Os dois se viraram assustados. E viram Draco engatinhado por cima de Tathy, que estava com uma expressão dolorida.
Harry e Gina, arregalaram os olhos atônitos sem conseguir dizer nada.
- Beleza, Potter – cumprimentou Draco sem graça.

                                                      **                                    **
<<Capítulo Anterior>>
<<Próximo Capítulo>>
<<Fazer Comentário no Guestbook>>
<<Voltar ao Menu Principal de Capítulos>>