| - Beleza, Potter – cumprimentou Draco sem graça. Harry não saberia definir se estava mais perplexo ou irritado pelo fato de Draco e Tathy terem simplesmente caído do teto, os dois embolados um no outro. Meio ofegantes e com expressões culpadas, Harry não gostava daquelas expressões, sugeriam que eles estavam fazendo alguma coisa que não deveriam. Harry também não gostava de Draco aparentemente encabulado, como se alguém tivesse interrompendo o quê ele e Tathy estavam fazendo há segundos atrás. Era óbvio que eles haviam caído sem querer, porque senão não estariam descabelados. Talvez o motivo de eles terem ficado assim que perturbava Harry, porque ele não confiava em Draco, não sozinho com uma menina... ele sabia que era muito fácil de acabar acontecendo algo de que ela se arrependesse depois, exatamente como tinha acabado de acontecer com Harry e Gina. Porém Gina estava apenas completamente confusa, sem saber o quê dizer. - Eu sei que deve ser um tremendo choque nos ver inesperadamente – falou Draco – Mas não precisam ficam tão aterrorizados... - Malfoy – sibilou Harry recuperando os sentidos – O quê você está fazendo aqui? - Como assim? O quê eu estou fazendo aqui? – replicou incrédulo – Você se esqueceu que essa é a minha casa e que nós estávamos em algum lugar por aí. - Eu quis dizer o quê aconteceu para vocês dois aparecerem do nada, você com os braços em volta dela? – perguntou Harry soando extremamente aborrecido. - Definitivamente nada comparado ao que você estava fazendo com a Gina – respondeu Draco secamente. - Do quê você está falando? – disse Harry seriamente. - Você sabe muito bem – murmurou Draco, e lançou um olhar frio a ele, Harry não entendeu como, porém talvez Draco soubesse que ele e Gina haviam se beijado. Ele preferiu não prolongar o assunto. - Não seja idiota, Malfoy! – Harry disse com o tom de voz controlado – Eu pensei que você fosse covarde, mas nem tanto para fugir das suas responsabilidades. - O quê você está pensando, Potter? – disse Draco jogando os braços para cima – Nós estávamos preocupados com o que estava acontecendo com vocês, nós estávamos desesperados tentando encontrar vocês. - Eu sei muito bem me cuidar sozinho – disse Harry num tom magoado – Eu não preciso da proteção de ninguém. - Harry, eu estava morrendo de medo... – Tathy se apoiou na parede para levantar e foi dar um abraço no garoto que desviou. Ele a encarava com desprezo – O quê foi? – perguntou confusa. - Eu não sei se devo confiar em você – Harry disse duramente – Todos nós estamos com medo, você não é a única. - O quê eu fiz para você me tratar assim? – disse Tathy totalmente triste, ela se sentiu da pior maneira que alguém poderia ser rejeitada – Você não tem motivos para fazer isso comigo. - Quem decide isso sou eu, e eu acho que você já deu motivo suficiente para eu achar que você está tendo um caso com o Malfoy – disse Harry olhando fixamente dentro dos olhos dela. Gina e Draco estavam meio afastados de Harry e Tathy, apesar de estarem irritados eles falavam baixo, tendo uma conversa a sós, sem que os outros dois pudessem ouvir. - Eu não acredito, isso é um absurdo! – Tathy soou indignada, no entanto não interrompeu o contato visual – Você está com ciúmes do Malfoy? - Eu não acho certo você ficar se agarrando com ele – falou Harry – E não seja pretensiosa. - Eu não devo nada pra você, Harry – Tathy apontou o dedo indicador para ele – Você não pode exigir de mim o quê você não pode me dar. - Eu não estou entendendo – Harry teve a coragem de dizer. - Eu sei que você beijou a Gina – Tathy confirmou numa voz reprimida – Não queira saber como, porque isto te faria ficar mais ridículo. Eu não sei se você percebeu, só que eu esperava mais de você... - Não está sendo fácil pra mim – replicou insanamente – Você não está no meu lugar para saber como eu estou me sentindo. - Dane-se Harry Potter! – ela berrou. Tathy estava muito nervosa – Pra mim já CHEGA! Os olhos de Tathy ficaram vermelhos de lágrimas, ela estava muito abalada, porém Harry parecia idêntico a ela. Ele estava pálido, e perdendo definitivamente o controle. - Calma – Gina resolveu intervir – Vocês estão com os ânimos muito exaltados, talvez seja melhor vocês conversarem depois. - Nós temos que ir – falou Draco terminantemente puxando Tathy pelo braço – Por favor, não se matem no caminho. ** ** Durante a caminhada deles, o clima não continuou bom, se duvidassem teria até piorado mil vezes mais. Harry e Tathy não se falavam, ela sentia que havia algo do tamanho de uma maça entalado na sua garganta. Ela queria dizer umas boas verdades para Harry, mas não sabia quais seriam as piores palavras para dizer a ele, para feri-lo e deixa-lo magoado profundamente. Tathy nem sequer olhava para o garoto. Ele ainda quer cobrar algo de mim? pensava irritada Quem ele pensa que é? Só porque ele é o famoso Harry Potter acha que pode sair beijando quem ele quiser sem se importar se está magoando ninguém. Eu devia ter ficado com o Malfoy, pra mostrar para ele... Agora a raiva tomava conta dos pensamentos de Tathy, neste momento ela seria capaz de fazer qualquer coisa para se vingar de Harry. - Você acha que pode me controlar não é mesmo? – ela gritou desesperada. - Você sabe muito bem como deve agir, eu não preciso te mandar em nada! – Harry disse resumidamente evitando olhar para ela. - Então, controle isto! – replicou com vigor agarrando Draco pela camisa, e o beijando fortemente na boca. Harry não conseguiu ignorar isto, ele parou totalmente despreparado para uma atitude dessas, talvez isso era se sentir chocado. Não, Harry estava um degrau acima disso. Draco emitia alguns gemidos, mas Tathy não pretendia soltá-lo, foi um beijo extremamente selvagem. Tathy largou um Draco incrivelmente abismado, seus olhos cinzas estavam arregalados. - Viu? Ninguém controla o quê eu faço! – Tathy estava determinada e muito zangada – Agora você tem uma desculpa para ficar longe de mim, se é isso que você queria fazer. Vai em frente, Harry, me odeie pelo resto da sua vida... eu dei um motivo real! Como um furacão ela saiu correndo, deixando os três para trás. - Potter, você viu que eu não tive culpa. Ela que me agarrou! – falou Draco hesitante esperando levar um soco na cara, porque a expressão de Harry era terrivelmente assustadora. - Cala a boca, Malfoy! – mandou Harry rispidamente. - Uau! – exclamou Gina atônita – Ela realmente estava furiosa. Ela fica perigosa quando revoltada. Era difícil descrever como Gina estava se sentindo, afinal Tathy havia acabado de beijar Draco na sua frente, ela sabia que não existia nenhum sentimento da parte dos dois. No entanto isso foi estranho, Gina sentiu uma pontinha de ciúme, como se ninguém além dela pudesse tocar em Draco. O pior era em relação a Harry, ele disse que não queria machuca-la e também não era sua intenção brincar com o coração dela. Só que tudo ficava cada vez mais confuso, há pouco eles estavam se beijando somente com as paredes geladas fazendo companhia, e quando Tathy chegou parece que tudo mudou de repente, ela não era inocente para não perceber que Harry ficou bravo pelo fato de Tathy estar junto com Draco. Gina deu de ombros mentalmente, as coisas estavam complexas, ela não poderia prever o quê aconteceria a partir dali. - Ela está ficando maluca... – argumentou Harry com sarcasmo e ainda meio perdido – Mas mesmo assim eu acho que devemos ir atrás de Tathy, do jeito que ela está é capaz de fazer alguma coisa impensada que coloque a segurança dela em risco... - É vamos procura-la sim – Draco soou forte – Mas de todo o modo eu acho que a Tathy entendeu melhor do quê você... ou talvez você não queira entender – estas últimas palavras soaram com um pouco de ressentimento. Desta vez Draco não sentiu medo de Harry, só porque os punhos dele estavam fechados e ele tinha a familiar expressão de fúria determinada igual aquela que ele ficava quando jogava Quadribol. Harry estava errado, alguém precisava dizer isso a ele, e Draco também estava magoado, então não foi muito difícil fazer isso. Pareciam que os olhos verdes de Harry estavam fuzilando mortalmente Draco, mas Draco ainda não havia esquecido o quê Harry havia feito com Gina, não seria tão fácil de esquecer. Não seria tão simples perdoar, então ele estava pouco se lixando para a raiva de Harry, por mais que ela fosse tão intensa capaz de ser lida nos olhos dele. - Acorde, Potter! – ele recomendou num tom de aviso – Esse sofrimento é desnecessário, mas você insiste em causa-lo. Está na hora de você escolher o que vai fazer... Harry continuou com seus lábios cerrados, ele sentia sua saliva espessa e difícil de engolir. Ele não sabia distinguir se Draco o estava provocando ou se estava tentando ajuda-lo, porém o quê o Malfoy havia dito era verdade. Agora, ou ele fingia que nada aconteceu e perdia Tathy para sempre ou ele precisava resolver isto logo. Harry já estava decidido. - Eu não vou esquecer isto Malfoy! – disse amigavelmente e depois empurrou Draco e saiu correndo desesperadamente. Draco estava caído no chão, completamente atordoado, com as mãos no joelho. Observando Harry sumir pelo mesmo lado que Tathy. - De nada, Potter! Não precisa agradecer... – ele sorriu. ** ** Harry se lembrou de poucas vezes ter corrido tanto em sua vida. Sempre quando ele virava um novo corredor, ele tinha esperança de encontra-la, mas ela nunca estava lá. Até que ele viu alguém encolhido num canto que por pouco não passou batido, ela parecia não notar que Harry estava se aproximando e soluçava muito. Harry foi até o lado dela, e se inclinou para ver o seu rosto. Tathy continuava a ignorar a presença dele. - Tathy... – Harry chamou pegando de leve no queixo dela para que ela olhasse para ele. Havia uma lágrima escorrendo em seu olho, Harry conseguia ler nos olhos de Tathy que ela sentia muita mágoa. - Você não precisa fazer isso – as lágrimas dela contrastavam com seu tom de voz – Eu sei quando eu perco, eu perdi você. Eu perdi a sua amizade. - Você só perdeu se você quiser – Harry disse docemente – Eu estou aqui, eu sei que fui egoísta demais com você. Eu estava errado e quero consertar isso. Tathy abaixou a cabeça, ela enxugou sua última lágrima e respirou fundo. - Não chore... – sussurrou Harry preocupado. - Você me machuca, você me feriu Harry – Tathy disse num tom triste – Eu não pensei que fosse assim, no entanto eu sei que não vou suportar viver sem você, e não tem mais jeito... - Eu sei que você está arrependida. Que você não queria ter beijado o Malfoy – ele parou hesitante – Não é mesmo? - Ahã – Tathy confirmou fracamente. - Então a culpa é minha por ter sido tão imaturo e não acreditado em você – ele estava sendo muito honesto, como só Harry Potter obstinado poderia ser – Você me perdoa? Tathy abriu a boca para responder, mas ela não conseguiu dizer nada. Harry percebeu o quanto ela estava aflita. - Eu imagino o quê você deve pensar de mim --- o tom de voz de Tathy estava determinado, embora irremediavelmente desanimado. - Não, você não sabe – Harry interrompeu antes que ela tirasse suas próprias conclusões – O Malfoy me perguntou o quê eu mais gostava em você. Quer saber o quê eu respondi? - Ahã – Tathy respondeu novamente. - Que tudo em você é perfeito, que quando eu chego perto de você, eu sinto porque vale a pena lutar. Eu sei porque sobreviver, quando a gente enfrentou todas as dificuldades pra chegar até aqui, e provavelmente quando eu enfrentar Voldemort eu vou querer viver, só pra ter a chance de te ver de novo. Que inesperadamente eu me surpreendo pensando em você, não importa a hora e aonde. E quando eu olho pra você e você olha pra mim, no fundo dos meus olhos, é como se nada existisse a minha volta, como se tudo tivesse acabado. É como atingir o inatingível, e sair vivo de uma batalha mortal. Tathy sorriu emocionada, havia uma confusão de sentimentos fazendo seu coração disparar. Ela abraçou Harry fortemente. - Você é tão bobo! – murmurou aliviada. Harry sentiu uma ligeira tontura e uma dor repentina passar por sua cicatriz. Ele soltou a garota e fechou os olhos colocando a mão sobre a marca em sua testa. - Harry, você está bem? – perguntou Tathy com os olhos arregalados. - Sim, eu estou – Harry abriu os olhos e disse seriamente – Acho que foi uma dor passageira, isso é normal não precisa se preocupar. Tathy pareceu estar mais assustada do que o necessário, na opinião de Harry, mas ele levou em conta que ele próprio já havia se acostumado com isso e talvez Tathy ainda não. Ainda levemente perturbada ela levantou, e parecendo se lembrar repentinamente dos outros, com uma segunda intenção de mudar o rumo da conversa, Tathy perguntou: - Cadê a Gina e o Draco? Eu pensei que eles estivessem atrás de você – ela disse com interesse. - Acho que eles ainda estão, mas eles sabiam que eu precisava conversar com você. A sós. – Harry enfatizou essa última parte. Draco e Gina finalmente os haviam alcançado, no entanto Harry supôs que eles não tivessem feito um esforço tão grande para alcança-los e muito menos interagido durante o caminho. Se bem que Gina tentou, assim que Harry saiu correndo e Draco voltou a atenção para ela, ela tentou começar: - Você tem alguma coisa pra me dizer? – Gina falou com insegurança e não se atreveu a lançar um olhar para Draco. - Não – respondeu friamente – Eu não quero dizer nada agora, porque eu posso dizer coisas que eu vá me arrepender depois... este não é o momento certo pra conversar com você. - Você tem todo o direito de estar assim, mas eu não queria que você ficasse pensando que---. - Eu não quero que você se defenda – Draco interrompeu bruscamente – Apenas finja que você está sozinha, ou me deixe sozinho com meus pensamentos. Depois passa... - Ok – assentiu Gina. Ela sabia que Draco estava com a completa razão, e ninguém disse mais nada até encontrarem Harry e Tathy. Ninguém parecia entender mais se estavam brigados ou se ainda havia esperança de tudo voltar a ser como antes, exatamente como antes talvez fosse impossível. Porque cada um tinha seu motivo especifico para não estar tudo bem, e até agora nenhum deles tinha conseguido resolver totalmente. O clima de união esfriou um pouco, de Draco para Gina, de Gina para Harry, de Tathy para Harry. O próprio Harry estava diferente, mais cauteloso, mais distante. Contudo, todos tinham o mesmo objetivo, sair do labirinto o mais rápido que eles conseguissem. A pequena luz da varinha iluminava o caminho guiado por Draco, será que desta vez eles teriam sorte como quando ficaram presos na passagem de Hogwarts? Seria a segunda vez que eles escapariam de ficar vagando sem rumo para sempre num mesmo lugar, definitivamente seria como acertar duas vezes na loteria e foi mesmo... - Bingo! – exclamou Draco – Sigam-me. Os quatro foram parar em frente a uma escada que levava diretamente ao teto do calabouço, era a reta final da passagem, junto com a parede os degraus que levavam a uma espécie de alçapão. Aonde isso iria levar? Harry não fazia a menor idéia. Draco o abriu e cada um foi subindo, Harry por último. Era uma sala extensa, com um tapete cor de vinho que ocupava metade do seu espaço, as figuras do tapete participavam de uma Guerra Medieval, Harry observou que os homenzinhos lançavam tochas de fogo, catapultas e decepavam as cabeças. Na parede Lucio Malfoy, era um típico colecionador de chifres de unicórnio, Harry achou que havia tantas amostras que aquilo valeu por mais de dez aulas de Trato das Criaturas Mágicas, mas era crime. Isso deveria ser divertido para os pais de Draco. Sofás no canto e uma mesa cheia de papéis amassados e charutos esparramados por cima. - Seus pais não são nada organizados! – comentou Gina. A lareira crepitando com o fogo e o alçapão ficava ao lado dela, meio que escondido. E seria impossível alguém perceber a diferença entre o piso comum e aquela porta que levava aos calabouços. Uma foto de Draco, em cima da mesa, ficou os observando desconfiadamente enquanto eles passavam por ela e atravessavam a porta. Isso deu acesso a um corredor de 20 metros de comprimento, apenas tochas colocadas nos dois lados da parede iluminavam o lugar estreito, várias portas ao longo do corredor, e muitos quadros na parede, a maioria de bruxas sendo queimadas em fogueiras ou caras tenebrosas e cheias de maldade, que Harry não sabia se a qualquer momento poderiam saltar daquelas molduras e lançar um feitiço paralisante neles, Draco parecia tranqüilo em relação a isso, as meninas estavam juntas. - Ei, jovens! – chamou um bruxo asqueroso. Tathy e Gina tremeram de medo – Andem depressa, senão eles vão pegar vocês. - Eles quem? – gaguejou Tathy cheia de medo. - Os bruxos dos quadros, eles se libertam a cada semana, meia-noite em ponto e aprisionam aventureiros como vocês! – ele deu uma gargalhada sonora que mostrou todos os seus dentes amarelados – A propósito, eu adoraria ter novas companhias. Horrorizada Gina puxou Tathy para longe do quadro, as duas estavam à beira de um colapso nervoso. - Não dêem atenção ao que nenhum deles diz – recomendou Draco com desdém – Todos estão blefando, só querem assustar vocês. - Seus pais não poderiam escolher uma decoração menos aterrorizante pra variar? – replicou Harry demasiadamente cansado. - Relíquias de família, objetos que eles foram herdando de seus ancestrais – falou Draco – Você está vendo aquele ali? – ele apontou para o quadro de uma gorda sendo arremessada para um grupo de barretes vermelhos enfurecidos, que a espancavam – É engraçado, esse eu comprei na Travessa do Tranco. - Que senso de humor mais grotesco! – falou Tathy ainda abalada – Mas por via das dúvidas, você sabe que horas são? - Não, eu presumo que ficamos presos três horas no labirinto subterrâneo, mas não há como saber exatamente – Draco virou incrédulo para as duas atrás – Eu já disse que nenhuma pintura salta do quadro, isto é mentira, não escutem as brincadeirinhas deles. - Essas brincadeirinhas não têm nenhuma graça – reclamou Gina. - Para onde estamos indo, Malfoy? – indagou Harry entediado, ele odiava ser guiado pelo outros sem saber aonde isso iria parar, pelo pouco que ele havia reparado, era uma Mansão monstruosa, deveria ter no mínimo 50 quartos. - Estamos indo para o lugar mais seguro da casa – Draco respondeu – O meu quarto. - Espera aí – disse Tathy num tom agudo e parou de andar, o que fez todos pararem também e encararem a menina com uma expressão peculiar – O seu quarto não é meio, óbvio? Quer dizer, qual seria o primeiro lugar que os seus pais te procurariam? No seu próprio quarto! - A casa está cheia de Comensais da Morte, você quer correr o risco de entrar em um quarto e dar de cara com um? Eu tenho certeza que ninguém estará hospedado no meu quarto. - Por quantos lugares teremos que passar até chegar lá? – disse Harry num tom meticuloso. - Quando sairmos daqui podemos subir a escadaria, e na biblioteca tem um atalho que dá direto onde queremos ir – informou Draco com eficiência – Detalhe, só eu conheço o lugar, meus pais não fazem idéia de que ele existe. - Você tem certeza? – perguntou Gina hesitante – Não é mais uma passagem perdida no tempo? Eu não quero passar por isso de novo. - Não – respondeu Draco num tom ofendido – Confiem em mim. De repente, um fantasma cortou as paredes cinzentas do corredor, por um instante, Harry pensou que ele iria passar direto, sem nem ao menos notar a presença de quatro estranhos, mas então... O fantasma parou bruscamente, Gina e Tathy deram um pulo para trás com os olhos arregalados, será que tudo estava perdido? A expressão no rosto do fantasma não era nada amigável, ele os fitava com desconfiança, com certeza ele contaria tudo a Lúcio, quem sabe até lançasse um feitiço para estupora-los. No entanto, Harry tinha a pessoa certa na hora certa para resolver este problema. - Olá, Simon – cumprimentou Draco com uma incrível calma. - Mestre, Malfoy – o mordomo se espantou ao ver Draco – O quê o senhor está fazendo aqui? - Não é da sua conta – respondeu mal-educado – Preste atenção, eu não quero que ninguém fique sabendo que eu estou aqui. Principalmente os meus pais. - Certo – ele respondeu com vigor. James tinha uma aparência revigoraste, como se estivesse absolutamente satisfeito com o fato de Draco estar tramando algo escondido de seus pais. Como se isso fosse extraordinário, uma grande vitória – Eu nunca vi o senhor aqui. - Ótimo, é bom que você cumpra o que diz, senão o Lord das Trevas em pessoa acaba com você, eu tenho meios de conseguir isto – falou Draco ameaçadoramente. - Isto não vai acontecer – disse o fantasma se acovardando – Mas, quem são estes que estão com o senhor? Aquele não é Harry Potter? Harry colocou o cabelo rapidamente na frente de sua cicatriz, e fez o possível para não parecer culpado. - Além de impertinente está ficando burro – ralhou Draco com rispidez – É óbvio que ele não é Harry Potter, e desde quando eu lhe devo satisfações? Você está muito intrometido, chega de perguntas e faça o quê eu mando! - Sim, senhor – concordou o fantasma abaixando a cabeça. - Os amigos do meu pai já chegaram? - Avery, Crabbe, Goyle, Nott e Rowseng já chegaram – disse prestativamente – Em breve Macnair e Netwander devem aparatar próximo a colina e se reunir para a festa que acontecerá daqui a pouco, em comemoração da volta de serviços para o Lord das Trevas. - Mais uma festa patética e chata? – exclamou Draco sádico – Onde eles estão hospedados? - No quarto andar – Harry entendeu a tática de Draco, então significava que como eles estavam no primeiro andar, seria provavelmente fácil chegar até o quarto – Eu acho que seu pai e sua mãe gostariam da sua presença... - Eu não pedi sua opinião! – disse Draco rispidamente – Você NÃO pode contar a eles que me viu, entendeu? Agora vá! - Com licença, senhor – o fantasma fez uma reverência exagerada e com velocidade desapareceu. - Você acha que ele não vai contar nada? – perguntou Harry desconfiado. - Eu conheço os criados daqui – falou Draco com os olhos cinzas reluzindo – Eles são leais quando precisam, mão importa a quem. ** ** Sirius seguiu o rastro do cheiro de Draco, ele estava na sua forma de animago. O cão preto passava sorrateiramente pelo jardim, e sempre seguindo a trilha deixada pelos meninos, Sirius chegou ao tijolo que abria para a passagem secreta. Ele se embriagou na escuridão, apenas confiando em seus olhos de cães e corria ligeiramente, passando pelos lugares sem ter tempo de observar como a paisagem era grotesca. As quatro patas de Sirius o impulsionavam, ele sentia um vento gelado bater em seu rosto por causa da velocidade, os pêlos pretos se arrepiando. Almofadinhas não estava seguro de onde deveria ir, ele estava consciente que precisava seguir as marcas de Harry e os outros, mas como agora elas começavam a se separar, ele resolveu optar por Harry. Ele havia prometido a Dumbledore, e acima disso Sirius sentia a obrigação de cuidar de Harry. Almofadinhas estava ali para isso, nem que custasse sua vida, nem que ele precisasse se sacrificar, ele não deixaria o último dos Potter morrer, ele não fingiria que acreditava que Harry estava bem na companhia dos seus amigos. Até porque ele não confiava em Draco, e nem no poder do talismã, que poderia se virar contra Harry a qualquer momento. Sirius tomou ciência que estava num labirinto, mas ele não se deixou abalar por isso, sua vontade de achar Harry era maior. Sirius não pretendia interferir até quando fosse possível, talvez fosse bom para Harry resolver seus problemas sozinhos, será que ele conseguiria? Seu padrinho não tinha dúvidas disso, e ficava muito orgulhoso toda vez que ouvia o nome de Harry ser citado, porque sabia que o prestígio era merecido, ele havia sido a única coisa boa que sobrou de Tiago e Lílian Potter. Alguém fazia Sirius lembrar dos seus amigos, que por culpa dele estavam mortos, Sirius nunca tirou esse fardo das suas costas, e talvez ele nunca pensasse de outra maneira, na opinião de Almofadinhas, ele era o maior responsável por tudo, por sua ingenuidade. Desta vez, Almofadinhas não permitiria que Voldemort fizesse o mesmo mal, isso também era uma tentativa de compensar todo o descuidado que ele teve, sua imprudência, e Sirius gostava muito de Harry, em muitas características ele lembrava Tiago, ele não permitiria eu isso fosse tirado dele mais uma vez. Sirius parou de correr por um momento, e voltou a ser um homem. Ele se encostou a uma parede fria, ofegante decidiu que precisava descansar, para voltar a correr novamente. Quando Sirius se transformava em um cão preto, alguns o confundiam com um agouro de morte, isto às vezes facilitava para expulsar olhares curiosos. Porém, até Harry se enganou antes. O caso era, ele faria tudo para ser realmente o agouro de morte para Voldemort e os Comensais, transformando-se novamente Sirius voltou a correr pela passagem. ** ** Draco apontou sua varinha para a porta: - Kadherow! – e a porta fez um estralo quando a fechadura virou. Harry, Tathy e Gina apareceram debaixo da Capa da Invisibilidade, que era consideravelmente pequena para os três. Foi um esforço chegar até lá espremidos, e por ora levando um pisão no pé, um empurrão. Harry jogou a capa em cima da cama de Draco Malfoy, que era muito espaçosa e ficava de frente para a janela, que tinha vista para o quintal de trás da Mansão. Draco permaneceu de pé enquanto Gina e Harry sentaram na cama, e Tathy num canto mais adiante. - Malfoy, nós precisamos saber o quê eles estão tramando – disse Harry – Eu acho que seria melhor você aparecer nesse jantar. - Você se esquece que o meu pai pensa que eu estou estudando em Hogwarts neste momento? – replicou Draco relutante – Ele pode ser um crápula, mas vai estranhar se eu aparecer do nada. - Pense – mandou Harry – Apenas pense numa desculpa, você deve ter feito isso tantas vezes na sua vida. - Não é tão simples assim – disse Draco num tom meio irritado – Eu sou o cara que vou conseguir as informações, eu estou abrindo os caminhos pra vocês e, além disso, eu tenho que ser o cérebro também. - Ok, se pra vocês falta cérebro pra mim não – disse Tathy e os dois olharam seriamente para ela – E não me olhem assim! Eu posso arranjar um pretexto bem legal pra você, Malfoy... - Por que eu tenho a impressão de que isso não será nada bom pra mim? – perguntou Draco indignado. - Por que você está paranóico – respondeu Tathy num tom definitivo – Diga ao seu pai que as aulas terminaram mais cedo este ano porque o Dumbledore tinha compromissos e teve que se afastar de Hogwarts. - E você acha que ele vai acreditar nisso? No mínimo ele vai mandar uma coruja e pedir explicações? – disse Draco como se aquilo fosse besteira. - Você é ou não é convincente? – disse provocante – Vamos lá, cadê o seu jogo de cintura? Acho que eu estava enganada quando pensei que você conseguisse manipular qualquer um. - Meu pai é experiente no ramo, mas... – ele se corrigiu – Eu posso dar um jeito nisso, deixem comigo. - Ótimo – concluiu Harry – Então, o Malfoy se infiltra na festa e depois nos conta tudo que ouviu. Mas, preste atenção – falou com veemência – Não vá ficar comendo e esquecer de escutar as conversas. - Que tipo de babaca você acha que eu sou, Potter? – revoltou-se – Eu não preciso dos seus sermões idiotas. - Que bom que você pensa que não precisa... – disse Harry no mesmo tom – Eu espero que você não esqueça disso enquanto estiver lá. - Tudo bem – Tathy interrompeu antes que eles continuassem. Ela ficou parada na frente de Harry e mexeu a boca de modo que somente ele pudesse ouvir – Você precisa aprender a ficar quieto às vezes. Então, Harry ficou emburrado na cama descontando os olhares severos em Tathy, enquanto Draco pegou uma pena e um pergaminho e começou a desenhar. - O que é isso? – falou Gina curiosa. - É um rascunho das propriedades da Mansão – Draco terminou e entregou a menina que ficou observando o mapa – Caso vocês precisem sair, assim será mais fácil de se localizar. Guardem com vocês. - Obrigada – Gina sorriu. - É melhor você ir logo, você não quer chegar no meio da festa enquanto meia dúzia de Comensais da Morte te encaram surpresos – recomendou Harry – Se você quer mesmo conseguir alguma coisa vá agora! - Está certo – Draco lançou um olhar determinado a Harry – Tomem cuidado, eu não quero saber que vocês foram capturados antes de eu voltar. - Espere aí! – gritou Gina com energia na voz – Eu vou junto com o Draco. - O quê? – falou Harry escandalizado – Você está maluca? Na mesma hora o Lúcio vai te reconhecer, se lembra quando ele jogou o diário de Riddle na sua mala? - Harry, o Draco não pode ir sozinho – Gina disse com mais calma tentando persuadi-lo – Vai ser melhor se tiver dois espiões, eu posso procurar a espada... - Não! – falou Harry – Eu vou ser o culpado se acontecer alguma coisa com você... eles são perigosos... - Você sabe muito bem que eu posso fazer isso. Eu mudei muito nesses três anos que se passaram, eu acho que você não notou, mas com certeza alguém que não me vê a tanto tempo não vai me reconhecer tão facilmente. - Você é ruiva – falou Harry secamente. - Minha família não é a única que tem cabelos ruivos, isto não é uma marca registrada – disse – Eu não vou ficar aqui! - Se você quer se arriscar, o problema não é meu – Harry disse jogando as mãos para o alto. - Você tem certeza que quer fazer isso? – perguntou Draco confuso e fitou a garota. - Tenho, eu quero ir com você – confirmou Gina. - Mas... – disse pensativo – Quem você é? – um minuto depois ele se sentiu meio idiota com a pergunta. - Quem mais eu poderia ser? – Gina deu de ombros – A sua namorada! Parecia que tinham batido com alguma coisa pesada na cabeça de Draco, primeiro ele ficou em choque depois ele parecia achar o que Gina havia acabado de dizer inacreditável. - Você tem certeza? – ele repetiu. - É perfeito: você aproveitou e trouxe sua namorada para conhecer a sua família, ninguém vai desconfiar! Antes que Draco e Gina pudessem fechar a porta, Harry disse: - Tragam comida! Nós estamos morrendo de fome... ** ** Eles ouviram o barulho da porta se fechar atrás, e Draco se voltou para Gina: - Eu sei que você está tramando algo... – ele falou num tom suspeito – Porquê você fez questão de deixar os dois sozinhos? - Porque eu acho que eles têm alguns assuntos para resolver – disse Gina meio cabisbaixa. - Mas isso não é ruim pra você? – indagou perplexo. - Eu não quero que o Harry fique comigo pensando que podia estar com ela, eu acho que ele ainda está confuso... se ele se arrepender agora eu não vou sofrer tanto se ele vier a descobrir isto depois – Gina deu de ombros – É melhor que o Harry me desiluda logo no começo, porque se ele escolher outra menina depois que eu já tiver trocado tudo por ele será bem pior... - O quê você poderia perder se ficasse com ele? – Draco falou num tom melancólico. - Você – Gina afirmou olhando profundamente nos olhos dele – Seria loucura da minha parte trocar um amor verdadeiro por um simples sonho impossível com o Harry. Você me faz sentir coisas estranhas quando eu olho pra você, eu sentiria falta disso... e se eu decidir pelo Harry, isso também seria ruim pra você. - Você tem razão – Draco sorriu felinamente – Então esqueça o babaca do Potter e fique comigo! - Você não perde uma chance, não é mesmo? – Gina respondeu com um sorriso. Eles pararam em frente uma porta dupla, de uma madeira escura, uma das mais bonitas que Gina já havia visto em toda sua vida. A maçaneta, os detalhes eram tão precisos... ela constatou que ali deveria ser o escritório principal. - Meus pais estão ali dentro, provavelmente discutindo os últimos preparativos para a festa – Draco disse – Eu entro primeiro e aí respondo todas as perguntas iniciais, quando eles estiverem cansados de fazer um interrogatório sobre a minha chegada, eu apresento você. - Ok – Gina concordou atentamente. - Fique aí... e qualquer coisa grite! Draco chegou bem perto de Gina, os dois olhando um nos olhos do outro, ela estava tão envolvida que nem percebeu como ele estava próximo de beija-la. Então, Gina conseguiu desviar seus pensamentos dos olhos de Draco e sentiu que ele estava sendo muito verdadeiro em tudo que os olhos dele diziam, e ela tomou consciência que Draco iria realmente beija-la. Gina virou o rosto, intimamente desapontado ele se afastou e girou a maçaneta: - Eu já volto! – sussurrou e Gina deu um sorriso nervoso. Draco abriu a porta e os olhos igualmente cinzas de Narcisa e Lucio Malfoy subiram em escala até chegar no garoto, vestindo suas calças todas sujas e sua camiseta manchada de sangue que ele havia estancado da sua mão, seus trajes totalmente irreconhecíveis das caras peças de roupa e refinadas que ele estava acostumado a usar. Lucio Malfoy ergueu sua cabeça, com um olhar arrogante e atônito, parecia que ele havia acabado de ver um espírito agourento. - Draco? – ele soou estupefato – O quê você está fazendo aqui? - Eu também estou muito feliz em revê-los, mamãe e papai – respondeu cinicamente andando até uma cadeira e sentando com seu corpo todo largado – Ainda mais em dias de festa! - Você foi expulso de Hogwarts? – os olhos de Narcisa se arregalaram, ela falava rispidamente – Nós já dissemos para você não se meter com aqueles sangues-ruins e nem ficar se gabando por seu conhecimento de Artes das Trevas... algum dia isso ainda lhe traria problemas. - Moleque, o quê você aprontou desta vez? – os lábios de Lucio se encresparam, ele usava seu tom de voz mais ameaçador – Estou vendo a hora que o Ministério começar a me investigar por sua culpa... - Calma! – disse Draco com a voz esganiçada – De qualquer forma o Ministério vai duvidar de todos quando o Lord das Trevas voltar, e não serei eu que vai deixar pistas que levem até nós, francamente pai! Eu pensei que você não se preocupasse com isso nessa altura do campeonato... - Então explique, Draco – Narcisa o encarou decidida – Você fugiu de Hogwarts? - Não – falou – Dumbledore provavelmente previu a volta de Voldemort e resolveu terminar as aulas antes do previsto, acho que ele está tentando impedir isso. Então, eu resolvi voltar e não esperava que vocês fizessem tantas acusações. - Dumbledore é um tolo! – desdenhou Narcisa – Ele pensa que é o bruxo mais poderoso do mundo, ele pensa que poderá salvar os mais fracos da ira de nosso Mestre, no entanto ele vai morrer assim como todos que cruzaram o caminho do Lord das Trevas. - Filho, você chegou em boa hora – um sorriso meio torto estava no rosto de Lúcio Malfoy – Estamos nos preparando para comemorar a volta definitiva do nosso Mestre, Dumbledore estava certo em duvidar disso. - O quê está acontecendo? – Draco fingiu interesse – Porque há dias não vejo o Potter nos corredores de Hogwarts. - Harry Potter está tentando fugir do seu destino – falou Narcisa, praticamente sem emoção alguma, e se houvesse sentimentos no que ela dizia seriam de ódio – Soubemos que existe a Quarta Maldição Imperdoável, aquele bruxinho metido a corajoso já pode ser considerado morto. - Ainda faltam algumas horas para a festa começar – os olhos desdenhosos de Lúcio fitaram Draco da cabeça aos pés – Você está imundo, precisa se arrumar para ajudar a receber os convidados. - Convidados? – exclamou – Você dá tantas festas e jantares que isso já virou rotina, e eles nem olham para mim como se eu fosse transparente. - Faça o que o seu pai manda – crepitou Narcisa enquanto Lucio lançava um olhar maldoso a ele. - Tudo bem, vai ser como vocês querem – Draco se levantou e disse – Só que eu também trouxe uma convidada. - Ah, é? – perguntou Narcisa meio interessada e meio debochada – Quem? - A minha namorada... – Draco caminhou elegante mente até a porta, pensando em algum nome. Não poderia ser da Sonserina porque a maioria seus pais já conheciam, nem algum nome que eles já tivessem ouvido Draco citar, geralmente xingando. Alguém que ele já tivesse ouvido falar nos corredores, qualquer nome – Susana Bones – disse finalmente e olhou para Gina. - Draco... – ela murmurou aflita. - Vai dar tudo certo – ele disse decidido e os dois entraram na sala. Draco e Gina pararam de mãos dadas assim que entraram. Narcisa e Lucio a estavam analisando, Gina sentia isso, sentia cada parte dela sendo observada cuidadosamente. Os pais de Draco não faziam o menor esforço para serem simpáticos, será que eles sabiam o quê era isso? Muito pelo contrário Narcisa tanto quanto Lucio pareciam estar se lixando para formalidades. - Olá – falou Narcisa com uma nota de decepção – Nós nunca ouvimos falar de você, foi uma surpresa quando Draco nos contou. - Bom – Gina deu um passo à frente tentando encarar os dois e parecer convincente. Ela pigarreou – Faz pouco tempo que nós nos conhecemos, e tudo aconteceu inesperadamente. - Nós esperávamos que Draco namorasse alguém da Sonserina, ele sempre falava muito das meninas de lá – mentiu Narcisa, os ossos da face de Draco ficaram rígidos ao ouvir aquelas bobagens. Gina percebeu que a conversa estava ficando desagradável. - Realmente eu também não pensava em me envolver com meninos de Hogwarts – Gina disse vagamente – Só que eu não esperava encontrar alguém tão encantador como o Draco. Foi como se nos conhecêssemos há muito tempo, uma sintonia perfeita. E eu acho que por ter sido surpresa que deu certo, às vezes nós planejamos muito e acaba dando tudo errado. - Essa loucura deve ser boa para os adolescentes, nunca sabendo o quê fazem – Narcisa comentou terminantemente e indicou a cadeira – Sente-se. Draco levou Gina até uma das cadeiras, foi estranho para ele ouvir a garota dizendo o quanto ela havia gostado dele. Draco tentou pensar por alguns instantes que isso não era mentira. - Em que casa você está? – foram as primeiras palavras que Lucio dirigiu a ela. - Lufa-lufa – respondeu, e Draco a abraçou. - Hum... – Lucio pareceu particularmente interessado – Lufa-lufa é a casa daqueles que não tem medo da dor e são leais com seus propósitos. Então, a quem você é leal? Gina revirou sua cabeça atônita, essa foi a pergunta mais indiscreta. É óbvio que ele queria saber se ela estava do lado de Harry ou do lado de Voldemort. Mas Gina não cairia nesse joguinho. - Eu sou leal a mim mesma – disse firmemente. - Sério? – Narcisa ficou ligeiramente admirada – Isto mostra que você é uma mulher de fibra, melhor para seus interesses e pior para os que dependem de você. Não se preocupe querida, eu apoio isso. Mas Lucio Malfoy não ficou totalmente contente com essa resposta, e seus olhos cinzas olhavam cada vez mais atentos, como se estivessem passando um raio-x na menina, isso fazia Gina sentir calafrios de insegurança. - Você é muito bonita... quando você entrou eu quase lhe confundi com... – Lucio estava prestes a dizer “uma Weasley”, mas parou. Porque sem pensar duas vezes, Draco pegou Gina que estava deitada em seu colo e a beijou. Foi um beijo meio apressado e descontrolado, quando Gina se deu conta Lucio parara de falar e Draco já havia a soltado. - Pai – Draco disse num tom apaixonado que deixou Gina envergonhada – Ela é incomparável, não existe ninguém igual a ela... Ele sorriu e Gina retribuiu. - Então vamos oficializar esse namoro – disse Narcisa num tom de alguém que ensinava uma receita – Podemos apresentar sua namorada para nossos amigos esta noite... hum... você trouxe alguma roupa? - Não – respondeu Gina num tom baixo. - Então venha comigo – Narcisa atravessou a mesa e puxou Gina pelo braço – Tenho vários vestidos para hospedes, garanto que você vai gostar de um... Draco percebeu o olhar desesperado que ela lançou a ele: - Nos encontramos daqui a pouco! – ele gritou com bastante ênfase, e viu as duas desaparecerem. Obviamente Draco sabia o quê fazer agora, se vestir rapidamente e ir correndo atrás de Gina. Ele nunca havia apresentado uma namorada antes, ele não confiava em seus pais. Nesse momento Draco estava mais preocupado com Gina do que com o brilho maquiavélico nos olhos de Lucio. - Você esta levando esta garota a sério? – perguntou num tom divertido. - Eu gosto dela – respondeu Draco com toda a sua força – E acho que vocês não devem se intrometer nisso. - Eu esperava mais de você... – Lucio desaprovou balançando a cabeça – Mulheres são traiçoeiras, não é conveniente você ficar cego de amor... - Eu vou me trocar – disse Draco revoltado – E quando eu voltar é bom que ela esteja viva ainda, eu não quero que ninguém faça mal a ela ou eu vou proteger com o meu próprio sangue... - Que desnecessário – falou friamente – Aposto que ela não te defenderia com tanto entusiasmo... Draco bateu a porta. ** ** Harry estava encostado na cama de Draco olhando para Tathy que estava muito interessada em algum ponto do chão. - Você não quer vir se sentar comigo? – ele ofereceu gentilmente – Aí deve estar muito frio e este cama é a melhor coisa que já inventaram. - Você quer que eu experimente o quanto ela é macia? – Tathy replicou. - Eu não quero que você fique isolada – Harry disse – Parece que você está com medo de mim, eu não vou fazer nada que você não queira, você devia me conhecer o suficiente para saber como eu sou. - Eu tenho medo do que eu possa fazer – Tathy disse sinceramente. - Então, porquê essa cara emburrada pra mim? - Eu não estou braba com você e desculpe, mas você vai ter que me aceitar do jeito que eu sou... - Você não é assim... – Harry se levantou e puxou ela – Vamos, confie em mim. - Como você é persistente! – ela disse sentando ao lado dele. - Você não acreditou em tudo o quê eu te disse lá embaixo? – Harry perguntou desapontado. - Eu não sei se você mesmo acreditou – Tathy deu de ombros. - Porque você sempre duvida do quê eu falo? – ele disse num tom trivial. - Porque eu acho que você deve se decidir primeiro, Harry – ela disse seriamente – Você não sabe se me quer ou quer a Gina, você tem que escolher, e eu sei que você está indeciso. - Estar indeciso significa que eu esteja mentindo pra você? – Harry olhou profundamente nos olhos verdes dela, que traduziam infelicidade e amor, talvez o amor trouxesse como conseqüência a infelicidade. - Eu vou anotar isso, depois eu te respondo – Tathy continuou encarando-o – Você está se enganando, não é? – ela disse definitivamente. - Eu estou? – perguntou vacilante. - Não sei... você está? – replicou Tathy. - Sei lá... porque eu estaria? - Não sei... – disse num tom reflexivo – Por quê você estaria? Harry sorriu, ele não tinha muita certeza do quê responder. - Você me odeia? – ele disse tristemente. - É claro que não, eu te amo – Tathy murmurou – Mas eu não devia te amar... - Por quê você não devia? – Harry replicou frustrado. - Porque eu sou muito complicada, eu posso te trazer problemas. - NÃO, você está errada – afirmou com veemência – EU posso te trazer grandes problemas... você tem medo de tudo que eu posso atrair para você? Porque infelizmente todas as pessoas que eu me envolva correm perigo, eu tenho consciência disso, Voldemort pode querer me chantagear com qualquer um de vocês. - Você não está entendendo – os olhos dela estavam cheios de aflição – Eu e você nunca vai dar certo, Harry. Eu achei que tinha a obrigação de te ajudar, só que eu acabei me apaixonando, e foi uma burrice. Você tem que ficar longe de mim. - Eu não vou ficar longe de você – ele exclamou num tom perplexo e teimoso – E por quê era sua obrigação me ajudar? - Um dia você ainda vai saber e quando você souber você vai se arrepender de ter sido meu amigo. – ela disse depressiva. - Você acha? – Tathy confirmou com a cabeça – Eu acho que nada vai me separar de você. - Harry, há tantas coisas que você ainda tem que descobrir. Coisas que você nem imagina, coisas tenebrosas. - Mas nenhuma delas vai fazer eu me arrepender de estar com você – afirmou Harry – Confie em mim, eu nunca vou te odiar. Tathy olhou intensamente nos olhos dele e pensou como ela iria sofrer quando isto acabasse. - Repete? – falou Harry. - O quê? - Que você me ama. - Eu te amo, mais do quê tudo. - Eu já decidi – falou sinceramente – Eu quero ficar com você. Eu amo você. - Não fale isso... – parecia que cada palavra que Tathy falava lhe causava uma dor profunda – Eu fui egoísta e precipitada, você tem que esquecer tudo que sente por mim... – ela passou a mão delicadamente no rosto dele – Meu único amor, eu sou a fonte de todo o seu ódio... Harry franziu as sobrancelhas, ele não estava entendendo o quê Tathy queria dizer. Mas era alguma coisa grave, ele sabia disso e não estava gostando nada. Harry ficou encarando apreensivo os olhos da garota, tinha muito sofrimento lá. Instintamente, Harry a abraçou: - Porquê o quê você diz é tão indecifrável? – ele disse perto do ouvido dela – Não me importa o quê você fez antes de me conhecer, eu não quero saber! - Só porque eu sei que é errado o quê eu sinto, isto não quer dizer que eu deixei de sentir – Tathy respondeu. - E o quê exatamente você está sentindo? – os dois ainda estavam abraçados com as cabeças encostadas uma no ombro do outro. - Não importa mais o quê eu sinto, eu só quero que você fique bem. Harry, quanto mais você se aproximar de mim, pior vai ser quando a gente tiver que se separar. - A gente não vai precisar se separar – ele disse firmemente como se pudesse prever o futuro. - Acredite em mim... – falou Tathy com paciência – Eu não quero ser a sua ruína, eu não quero destruir você. E eu posso, eu vou mesmo sem querer. Então, depois que você destruir o talismã você tem que continuar sem mim, entendeu? Harry a soltou e olhou furiosamente indignado para Tathy, enquanto ele devia sentir pena dela, ele estava brabo porque Tathy queria vê-lo longe dela. - Eu não acredito e não entendo você! – exclamou com raiva – Eu duvido que você não queira ficar comigo e que tudo o quê você está dizendo seja o melhor pra você mesma. - Pra mim não é, mas pra você sim – Tathy disse. - Deixe que eu decida as coisas por mim... – Harry disse num tom revoltado – Me prova, me convença que você quer que eu desista de você! Fale olhando dentro dos meus olhos. - Eu. Não. Gosto. De. Você. – ela falou fortemente. - Você é uma mentirosa... – Harry disse com perseverança – E as suas mentiras acabam prejudicando você mesma... Harry estava tão perto dela, que Tathy conseguiu sentir o movimento da boca dele. Harry estava determinado, e isto era assustador, porque mesmo sabendo que ela poderia virar para os lados e fugir, existia uma força maior que a impedia de fazer isto, talvez ela mesma. Porque Tathy se sentiu tão fraca sob o olhar de Harry, deste jeito ela não conseguiria mentir pra si mesma, ela estava com medo, porque sabia que não iria conseguir fugir e o que não poderia acontecer, aconteceria. - Harry... – Tathy murmurou fracamente – Não... Mas tudo que aconteceu a partir dali, mostrou totalmente o contrário do que tinha acabado de dizer, as suas palavras foram incoerentes ao que ela fez. Tudo o quê Tathy havia explicado para Harry antes, e tudo aquilo de que ela tinha tentado se convencer ficou na contra-mão. Porque Tathy estava virada na direção de Harry e as mãos dele seguraram a cintura dela, e ainda mantendo um olhar fixo os dois inclinaram a cabeça. Ela estava tão perto da boca dele, que mal podia acreditar que isto estava acontecendo, que nada naquele momento a faria desviar sua atenção. Harry ouvia a respiração acelerada de Tathy, mas ninguém se importava com isso, porque cada segundo passou rápido e devagar ao mesmo tempo, como a embriaguez da realidade, e pouco depois os lábios de Harry encostaram os de Tathy pela primeira vez. Beijar Harry foi mais incrível do que ela tinha pensado que poderia ser, porque aquilo refletiu em tudo que podia ser considerado parte dela, em seu arrepio na espinha, em suas mãos desnorteadas que ficaram irregularmente sobre as costas dele, nos lábios dela e no íntimo mais profundo da emoção dela, onde moravam os sentimentos. Harry estava na frente de Tathy, beijando-a com o entusiasmo de alguém que não tinha certeza de que estava certo, e no entanto todo o seu receio foi desnecessário, ele sentia que Tathy gostava dele e que ela queria isso tanto quanto ele. Harry a segurou bem firme, apertando com a ponta dos dedos a cintura dela, que ele subia e descia irregularmente com suas mãos. Tathy sentia que Harry a estava segurando com uma força exagerada, que ele estava apertando seu corpo e lhe causava algumas dores, só que isto não prevalecia comparado ao sentir o coração dele batendo fortemente contra ao dela, e os seus lábios se encontrando ao mesmo tempo delicada e furiosamente. De repente Harry foi tomado por uma onda intensa de dor que o atingiu na cicatriz, poucas vezes na vida sua cicatriz havia ardido tanto, e a dor foi se espalhando por sua mente. Ele sentiu-se fraco e perdeu completamente os sentidos. Draco entrou no quarto, e viu Tathy desesperada segurando Harry em seus braços. Ela tentava faze-lo acordar balançando os ombros dele, porém Harry não respondia a nada. - Quê diabos aconteceu aqui? – disse Draco olhando perplexo para Tathy. - Eu não sei... – ela gaguejou com seus olhos cheios de lágrimas – Ele sentiu uma dor na cicatriz e simplesmente desmaiou... eu não sei o quê fazer... Draco surpreso viu Tathy deitar o corpo de Harry na cama, ele se aproximou: - O Harry vai ficar bem, não é? – perguntou Tathy implorando. Draco franziu as sobrancelhas: - Eu acredito que uma tontura não seja eficiente a ponto de acabar com o Potter – ele observou – Não, ele sempre escapa! Tathy não soube se isto soou mais como otimismo ou como um pouco de rancor. Eu não devia ter beijado ele, pensou Tathy olhando para Harry com aflição e sentindo a culpa afundar em seu peito Eu sabia que iria causar mal a ele e mesmo assim não controlei meus impulsos. Harry acorde, por favor. Eu não vou conseguir ficar em paz se você não melhorar... Draco e Tathy ficaram em silencio por alguns minutos, esperando para ver se Harry acordava e foi um alívio quando isto aconteceu. Meio gemendo de dor, ele colocou sua mão sobre a cabeça, parecia que alguém havia lhe dado um soco e lhe levado a nocaute. Simultaneamente Tathy e Draco viraram assustados, encarando Harry. - Você... você está bem? – disse a garota hesitante. - O quê aconteceu? – Harry disse atordoado e sentou na cama. - Você não se lembra de nada? – falou Tathy. - Hum... de algumas coisas sim – Harry e ela se entreolharam envergonhados porque ele mal havia se tocado que antes de desmaiar os dois estavam se beijando – Eu sei que de repente a minha cicatriz começou a arder e daí eu perdi os sentidos, mas foi muito estranho. - Realmente foi... – concordou Tathy – Harry você me deixou apavorada, você simplesmente caiu desacordado e ficou assim até agora, eu pensei que você estava... – a voz dela foi morrendo e sua expressão de preocupação aumentando. - Potter – Draco soou sério – Eu sei não exatamente o quê essas coisas significam pra você, mas eu sei que sempre que isto acontece é por causa de Voldemort, então eu acho que nada de bom está para acontecer. - A cicatriz é uma ligação com Voldemort, só que ela nunca dá alarmes falsos – Harry franziu as sobrancelhas – Voldemort pode estar aqui? - Definitivamente não – disse Draco com convicção – Meu pai prevê que ele não venha tão cedo, porque ele e Rabicho ainda estão procurando por você em algum lugar distante daqui, sem imaginar que o alvo está bem debaixo do nariz de todo mundo. - Você pode ter sentido a dor porque Voldemort deve ter se irritado, talvez os sentimentos dele transpareceram em você mais uma vez – sugeriu Tathy receosa. - Pode ser – disse, porém Harry sabia que foi forte demais para a dor ter sido provocada de tão longe, ele sentia a presença invisível de Voldemort, mas não faria bem ficar discutindo isso, e nem sentido. Finalmente ele olhou para Draco e procurou por Gina, só que a menina não estava ali. Harry levantou-se apressado – Malfoy, onde está a Gina? - Ela ficou com a minha mãe escolhendo o traje para a festa – respondeu alarmado pelo tom de voz de Harry. - O quê? – Harry gritou – Onde você está com a cabeça? Como você pode confiar que ela está realmente escolhendo vestidos com a sua mãe psicopata? E se ela estiver sendo torturada por uma legião de Comensais da Morte? - Ei! – reclamou Draco – Ela pode ser minha namorada, mas aqui em casa nós não costumamos fazer esses rituais estranhos! - Você é um irresponsável – Harry pegou furiosamente na gola de Draco – Eu juro que acabo com você se... - Espere aí! – replicou Draco no mesmo tom se afastando de Harry e pegando a primeira roupa que apareceu na sua frente de dentro do armário – Se você não deixar eu não posso salvar ela, se você ficar me segurando igual a um idiota... - O quê? – exclamou Harry, mas Draco já havia batido a porta. Ele bufou e virou indignado para a Tathy. Pouco depois Draco reapareceu com uma expressão divertida no rosto: - É péssimo você ter que admitir... – ele sorriu maliciosamente – Mas eu sou o único que posso ir atrás dela, nada mal para um irresponsável e arrogante, não é mesmo? Draco fechou a porta com uma expressão triunfante, e Harry partiu com toda vontade de sair do quarto e procurar Gina. Porém Tathy o deteve. - Harry, você não pode... – ela começou a dizer. - Eu sei – ele disse exasperado – Mas ele é tão insuportável! - Nesse caso... ele tem toda razão. O máximo que você pode fazer é sentar e torcer por ele! - Eu odeio fazer isso – disse mal-humorado, mas Harry sentou-se em desistência na cama novamente. ** ** Hermione estava sentada no degrau da porta dos Weasleys, ela ao mesmo tempo entediada e impaciente atirava pedrinhas na grama, como uma forma de descontar a raiva que ela estava sentindo de Voldemort, daquela situação. E Hermione sabia que a angústia que ela sentia em relação aos sentimentos dela por Rony também tinha uma parcela de culpa em seu atual estado de humor. Fazia algum tempo, Hermione não fazia noção do quanto, de que ela estava pensativa e a noite caía sobre o céu o cobrindo de preto. Rony abriu a porta: - Eu pensei que você ainda estivesse no quarto – ele disse ainda com o corpo para dentro da casa, num tom inseguro. - Você não quer vir sentar comigo? – Hermione falou docemente – Vamos lá, eu não vou transfigurar seu braço e muito menos te lançar o feitiço do corpo preso e ver você se debater até amanhã de manhã. Rony sorriu: - Você não está braba comigo? – ele perguntou. - Não, eu pensei que você estivesse zangado porque eu sou uma garota que tira minhas próprias conclusões e não fui legal quando eu saí da cozinha te deixando sozinho – ela falou seriamente. - Realmente você não estava nada simpática, e extremamente furiosa eu devo acrescentar... – Rony viu a expressão ameaçadora dela – Mas eu não fiquei magoado com você... - Então eu acho que nós não temos motivos para agir como se fossemos estranhos. Rony sentou do lado dela: - É tranqüilizante saber que você não vai me transformar num sapo comedor de moscas num impulso de raiva! – Rony disse brincando. - Seu bobo! – Hermione sorriu e deu tapinhas no ombro dele – Você não merece isso... Hermione jogou mais uma pedrinha e olhou desanimada para o chão, Rony percebeu a tristeza dela. - No quê você está pensando? – ele disse carinhosamente. - Em ir visitar o Lupin – ela respondeu simplesmente. - Hermione? – a expressão de Rony ficou séria – Você tem certeza? - Tenho, eu não vou mais suportar ficar parada como se o Harry estivesse bem, como se a Gina e a Tathy não corressem perigo algum! – ela afirmava decidida – E até o Draco está se sacrificando, e se você não quiser vir comigo, eu vou sozinha. - Você acha mesmo que você conseguiria chegar lá sozinha? – disse num tom meio irônico. - Sem você vai ser mais difícil, eu vou demorar mais – Hermione disse – Só que de qualquer forma eu vou procurar o Lupin e ninguém vai tirar isso da minha cabeça... - Não se preocupe, eu nunca iria deixar você ir sozinha – disse Rony terminantemente – Por dois motivos, um: eu seria irresponsável se deixasse você sair correndo desprotegida para um lugar que talvez você nem conseguisse chegar. Dois: você não pode ficar se arriscando numa hora dessas. - Porque não? – replicou com vigor – Qual o problema se eu decidir realmente fazer alguma coisa pelo Harry? - Você é indefesa demais – disse Rony. - Você acha? – Hermione indagou num tom suspeito – Você acha que eu não sei me cuidar sozinha? - Você é delicada demais... e também boazinha demais... Imagine se fosse um elfo doméstico assassino, você nunca desconfiaria dele, mesmo se ele te ameaçasse com uma faca na mão – argumentou Rony num tom divertido. - Não fale besteiras, Rony – disse Hermione sorrindo. - Sobre o quê? - Sobre um elfo doméstico assassino, isso é ridículo! – Hermione falou decidida – Eles não seriam capazes de fazer mal a nem uma mosca. - As moscas que eu comeria no início da conversa se você me transformasse num sapo! – falou Rony – Falando sério, você nunca foi boa para se arriscar. - Você acha que eu não seria capaz de agir assim? – falou Hermione num tom desafiador. - Hermione você pode fazer o tipo durona, que sabe o quê está fazendo e não tem medo de nada – replicou Rony – Só que o quê está dentro de você é totalmente o contrário. - Como o quê? – ela disse. - Como uma menina insegura que morre de medo de prejudicar os outros... – Rony olhou significantemente para ela – Se alguém tinha que estar lá era mesmo o arrogante do Malfoy que se considera melhor que todo mundo, quando o orgulho lhe sobe a cabeça. E principalmente o Harry, que tem sangue-frio e coragem para enfrentar perigos que até grandes bruxos temeriam só de imaginar, se o Harry foi escolhido para passar tudo isto é porque ele é a pessoa certa para enfrentar e vencer o mal. - E a Gina e a Tathy, elas não têm grandes poderes para se equivalerem a tudo isso – lembrou num tom preocupado. - Quando a gente precisa cria forças do inimaginável para superar as dificuldades, eu e você sabemos muito bem do quê eu estou falando – havia certeza nos olhos de Rony e isso confortou Hermione de uma forma muito segura – Nós sabemos que nasce uma força que vem de dentro, que é muito verdadeira e que nos faz enfrentar tudo com ousadia. - Como você acha que eles estão agora? – disse Hermione soturna. - Pra ser sincero, eu acho que quando tiver ação de verdade o Harry vai trancar as duas num armário e só abrir depois que a confusão acabar! – respondeu com ironia. - Rony, como você é machista! – Hermione exclamou incrédula. - Pelo menos as duas vão ficar em segurança – argumentou. - A força cresce com o número, sabia? – falou perplexa. - Não em todos os casos... só se os gritinhos histéricos delas deixarem Voldemort tonto... É, isso é uma hipótese! - Ok, mas saiba que eu vou me juntar à massa feminina naquela Mansão dos Horrores – falou Hermione num tom sério e decidido. Rony não disse nada, apenas ficou fitando-a intrigado. - Você não acredita em mim? – ameaçou Hermione cada vez mais desafiadora. - Eu sempre acredito em mulheres revoltadas... – afirmou Rony – Eu já te disse hoje o quão estúpido eu me senti por não ter me declarado antes? - Não, – o sorriso desapareceu na expressão de Hermione e Rony sentiu que ela ficou meio tensa – eu acho que você não deveria brincar com isso. - Hermione, o quê te impede de acreditar em mim? – ele se aproximou dela. - A razão. – Hermione fresou – Você pode me achar indefesa, só que apostar na minha ingenuidade não foi a melhor coisa. Você esperava que eu retribuísse, como se nada tivesse acontecido antes disso. Como se o Vítor não existisse e... - Eu sei que coisas acontecerão – replicou Rony firmemente – E não fale do quê você não sabe. - Eu tenho absoluta certeza de tudo que eu estou dizendo, Rony – ela murmurou. - Você não sabe se eu gostava de você – ele garantiu determinado – E há quanto tempo eu já não sentia isto por você. - E como você explica o fato de você ficar babando por Fleur Delacor e depois namorar com a Padma? – teimou Hermione. - Hormônios adolescentes – Rony deu de ombros. - E talvez estes mesmos hormônios tenham feito você me beijar – concluiu decidida. - Não, quando eu te beijo são mais do que hormônios. Você não percebe? Rony pegou no queixo de Hermione e beijou os lábios dela brevemente: - Pare! – ela mandou angustiada. Rony olhou desconfortável para ela: - Você disse que eu estraguei tudo quando você pensou que já tinha me esquecido – ele falou calmamente – Você ainda gosta de mim? Eu preciso saber. Hermione hesitou: - Eu não quero discutir esse assunto com você – ela disse. - Eu não quero ser chato, mas também não quero ficar tentando adivinhar o quê você está sentindo – Rony insistiu – Por quê você não me fala? - Porque eu não sei exatamente o quê eu estou sentindo por você... – Hermione desviou o olhar – Então, me dá um tempo. - Tudo bem.Tempo. – ele falou parecendo satisfeito. - Agora, esqueça isso um pouco – disse em reflexão desviando o assunto – Eu quero saber se você vai me acompanhar? - É claro que vou – respondeu com vigor – Eu jamais te abandonaria. - Ótimo, eu não queria ir sem você – admitiu aliviada. - Só que não pense que eu irei fazer loucuras de sair à noite com você – disse – Vamos incluir o bom senso nos nossos planos desta vez, para variar. - E a moral de indefesa não conta nada? – replicou Hermione. - Muito engraçado, ultimamente eu esqueço que você é a mais cuidadosa entre nós dois. Rony ficou em silêncio olhando para o chão, mas como uma tentativa de esconder seu rosto de Hermione. - O quê houve? – ela sussurrou preocupada. - Hermione, você é linda! – Rony disse sinceramente – E neste momento você deve estar pensando que eu sou um cretino. - Não – Hermione afirmou, e abraçou Rony carinhosamente, encostando a sua cabeça no ombro dele – Eu não sinto nada parecido com raiva por você, isto eu posso garantir. - E a noite vai ser longa, até que o Sol possa aparecer amanhã – comentou Rony fora de órbita. - E se você deixar eu queria ficar mais um pouco olhando as estrelas com você? – Hermione pediu. - Claro – Rony a beijou no rosto – O quê será que eles estão fazendo agora? - Eu não sei, mas logo eu acho que nós podemos encontra-los lá, não é? – falou vacilante. - Logo... – concordou Rony, e ninguém fez idéia de quanto tempo mais eles ficaram abraçados. Pareceu muito tempo até que o sono venceu e relutantes os dois tiveram que ir dormir em seus quartos separados, com a expectativa de se reunir a Harry e aos outros, em breve. Muitas coisas foram deixadas no ar, como a possibilidade de Hermione dizer que ama Rony, será que ela teria coragem suficiente pra isso? Lupin permitiria que os dois fossem atrás de seus amigos? Porque já tinham quatro pessoas mais Sirius correndo perigo, perto dos olhos dos Comensais da Morte, cada segundo lá era um mistério e uma chance a mais de fracassar. Ninguém sozinho seria capaz de vencer, todos se tornam indefesos se decidirem seguir por si próprio e enfrentar as forças do mal, porém o destino pode se encarregar de coloca-los numa armadilha... e somente com sua vontade terão de vencer porque isto é uma luta mortal. Mais uma guerra: talvez não definitiva para acabar com o mal, no entanto letal se o bem for destruído. Todos sabem disso, é por este motivo que cada um está se esforçando, para continuar a sobreviver, e apesar de tudo, Rony e Hermione têm consciência de que não podem abandonar a luta, eles querem ajudar Harry a destruir o talismã, a passar pelos Comensais e por Voldemort. Eles vão... em breve. ** ** |
| Capítulo 9 – Entre cômodos e fantasmas |