O que de realmente importante se deu no extremo oeste da Península Ibérica
no século XII não foi o aparecimento de Portugal, mas sim a fundação do futuro,
com a descoberta de uma cais donde se podia partir para todo o mundo, levando
consigo a filosofia e geometria dos gregos, o direito, a estrada e a ponte
dos romanos, a devoção prática de judeus e de cristãos e aquele anseio de
lugares outros com capacidade de bolinar que tinham os portugueses, já anteriores
ao Estado que fizeram no terreno que haviam conquistado.
Cais que ficou marcado por três promontórios, o da Roca, ponto último da Europa,
geográfico este, o além do real da Senhora do Cabo no Espichel, o de Sagres,
onde felizmente nunca houve a escola que tanto se sonhou, quer para o porvir
quer para o passado.
Mal chegados ao Algarve, fronteiro de África, marcaram os ditos portugueses,
e ainda pela acção, que o tal por diante teria em seu final, como características,
o reconhecimento de que todas as religiões e metafísicas são inspiradas pelo
mesmo pleno e não personalizado Divino, o qual, por seu turno, se revela em cada
criança que nasce e que a vida, tal como ainda é, faz soldado produtor em vez
de o deixar ir ser Imperador do universo, e ainda o verificar-se de, sendo o
existir gratuito, não haverá mais crimes e serão as prisões apenas uma triste
lembrança; tudo ardendo e iluminado na chama de amor que uniu Isabel e Dinis,
ambos poetas, e decerto destinados a serem, no eterno, Reis Universais e não
apenas regionais como foram os Católicos de Espanha.
O Ocidente, largando de Atenas e chegado a uma Europa recém nascida dos mosteiros,
ia ser, pelas navegações de Portugal, a inteira criadora da ciência moderna
e, mais tarde, de sua tecnologia, com base na experiência e no experimento,
tendo como linguagem a matemática, como força motora a audácia de perguntar
e duvidar.
Bem munido de tudo, e ainda sabedor, pela mística, que reside no calar-se o
verdadeiro e definitivo falar, ia o Ocidente, com um Deus agindo, ao encontro
do Oriente para ver o Sol a surgir, nas madrugadas de Macau, dos horizontes
do Mar e para um dia o ver declinando dos picos dos Andes, para o mesmo Pacífico.
Para que, por um lado ou outro, descobrisse, com os sufistas de Alah, com os
indianos de Buda, com os chineses do Tao, com os japoneses do Zen, que esse
seu Deus agindo, fonte de poder, era, por lá, o Deus sendo, a solicitar o nada.
Ambos se fundindo, quando livres formos, na humildade e silêncio do Não-Ser,
fonte de todo o Ser.
Agostinho
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Compilado e transcrito por José Eduardo Moura Neves
Esta página foi criada com o WebEdit, Segunda-feira, 7 de Maio de 1996