LIVRO DA VIDA

 

CAPITULOS 46 a 55

 

por Joanus + Frater

 

 

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46

 

XLVI

 

Sobre o mundo, distante e absoluto, o Senhor ora. Que vê Ele? Vaidade e ilusão e cobiça, eis o que vê! E escondida e oculta uma pequena chama, nalguns ainda acesa, noutros apagada já. E no meio dos homens, vivendo entre eles, as sombras e os anjos: a luz e as trevas, para que o homem possa escolher. Pois não seria bom que só houvesse luz ou só houvesse trevas.46/1

Assim o Senhor consentiu nas trevas e consentiu na luz. E para as trevas criou as sombras e para a luz criou os anjos. E uns e outros consentiu no Seu mundo, para que fizessem o trabalho da sua natureza.46/2

Isto tem sido feito desde que o homem foi criado e posto no mundo para realização da Obra. E assim será, enquanto a Obra não tiver sido consumada.46/3

Só então o Senhor descerá ao Seu mundo e unirá os opostos e juntará a sombra e a luz numa só coisa e anjos e sombras estarão realizados no homem e tudo estará realizado no Senhor.46/4

 

A Obra é um ovo. O ovo tem três partes. No meio o sol que é o Senhor e a Sua mão aberta. A seguir a luz que é branca e cristalina e tem os olhos do Senhor nela. E por último a matéria que é negra e dura, onde o Senhor tem o Seu altar e onde o sacrifício se consuma.46/5

Nos três centros três classes de criaturas. Primeiro os deuses que são transparentes e puros, como a luz o é. Depois os anjos e os sacerdotes e os servos, que são a palavra do Senhor e os Seus olhos sobre o mundo. E por fim as sombras, que são pedaços de trevas e pedaços de luz misturados e com as sombras os homens e todas as criaturas.46/6

 

O Senhor é como um alquimista supremo que tendo criado a Obra e o mundo que é a génese da Obra, vela agora pela sua consumação. Atento ao mundo, do infinito Ele vigia e ora.46/7

De ciclo em ciclo, Ele envia o Seu dragão e a Sua serpente. A serpente para fecundar a terra e o dragão para a incendiar.46/8

E a serpente penetra na caverna do mundo como o homem penetra na mulher e deixa sobre o altar da terra os seus ovos: três ovos ela deixa ali. E depois adormece enrolada sobre si e aos pés de Mãe ela fica à espera.46/9

E feito isto o dragão ergue-se sobre a terra, como um sol de destruição e o seu bafo ardente cai sobre os homens e sobre as criaturas, para as incendiar e transformar em archotes do Pai.46/10

Então a terra inteira é transformada num rubi, ardente e transparente, no meio do qual arde um fogo muito suave e vivo. E a Mãe, recebendo em si esse fogo, toma nas mãos os três ovos da serpente e sopra-lhes em cima para que eles se abram. E eles abrem-se para Ela e três seres nascem assim.46/11

O primeiro é da cor do fogo e é vermelho, o segundo é da cor do leite e é branco, o terceiro é da cor do abismo e é negro.46/12

Esses são os filhos de serpente e são aqueles que têm em si a semente dos três mundos e das três raças que reinam sobre a terra e sobre todas as coisas.46/13

O dragão e a serpente, eis a mão do Senhor - e os Seus animais sagrados. Pois quando o Senhor se ergue sobre o altar do mundo e ergue ao alto o cálice do sangue que também é o Graal, os Seus animais estão com Ele. A serpente sob os Seus pés, formando a espiral que é a realização da matéria; o dragão sobre a Sua cabeça, formando a cruz e a rosa que é a realização do espírito. Estes são os animais sagrados do Senhor, e são as Suas mãos sobre o Seu mundo e são também os caminhos para Ele.46/14

Por isso o homem pode escolher a via da carne, se transcender a carne e o abismo da carne; ou o espírito, se transcender o espírito e o sonho do espírito. Pois o Senhor está para lá da carne e também do espírito. E na carne Ele assenta os pés que são o firmamento do espaço e do tempo e no espírito Ele assenta a cabeça que é o firmamento de todas as coisas vivas.46/15

Mas o Senhor realiza a Obra e está na Obra e não é a Obra, antes o sopro que a faz viver e existir. E realiza o mundo e ama o mundo e não é o mundo, antes o fogo que o alimenta desde o centro. Por isso importa amar o mundo e amar a Obra, mas não se deter neles. E amar e realizar a vontade do Senhor, que é a realização do espírito, mas, não se deter nele. Pois o Senhor é a Obra e a transcendência da Obra, o espírito e a transcendência do espírito.46/16

E se amamos a Obra e ficamos nela, não amamos o Senhor. E se o espírito nos realiza, não nos realiza o seu Senhor. Assim, interessa amar a Obra para realizar o mundo, mas interessa mil vezes mais amar o Senhor da Obra, para realizar a Obra no Senhor. Pois que será da Obra se não houver Senhor e que será do homem se, realizado o mundo, pelo mundo ficar retido? Amai a Obra, diz o Senhor, mas realizada esta deixai-a para mim, que só eu a posso tomar.46/17

 

O mundo é a Obra. Em redor do mundo, guardando-o, o dragão vela e espera. No centro dele, adormecida, a serpente está onde a Mãe vela também. Sobre o altar da terra três ovos repousam há muito. A Mãe os tem sobre o Seu ventre e os acaricia. Ao alto, no Seu trono que são os mundos e os sóis dos mundos, o Senhor olha e vê. Em redor do trono, formando círculos sem fim, aqueles que O servem esperam.46/18

O Senhor ergue então a Sua mão esquerda e no centro dela um olho de luz e fogo se abre. Os servos curvam-se. Os sóis empalidecem e perdem o brilho. Os mundos detêm-se nas suas órbitas. O dragão detem-se sobre a terra. A Mãe cessa o Seu gesto.46/19

Então o Senhor ordena que a trompa soe, a anunciar o fim do ciclo. E enquanto o espaço e o tempo estremecem, o dragão larga o seu fogo sobre a terra, consumindo tudo, devorando tudo.46/20

E há aqueles que são feitos de carne e trevas e onde o fogo há muito se apagou e estes são transformados em cinza. E há aqueles outros onde a chama ainda brilha, quase mortiça, e esses são transformados em archotes vivos e se elevarem os seus olhos e tiverem fé, serão salvos. E há ainda os que são mais chama do que carne, mais luz do que trevas, e esses recebem o bafo do dragão como uma bênção, e transformam-se em luz e ascendem directamente ao Pai e ao Seu trono e tomam lugar entre aqueles que O servem.46/21

Tudo isto o bafo do dragão fará, quando chegar a hora do mundo e da realização do mundo e o Senhor o quiser. E ai daquele que não o entender ou se quiser opor ao dragão, esse será transformado em cinzas que o vento espalhará sobre a terra, para que não volte a nascer. Mas bendito será aquele que tiver fé no Senhor e que ame o mundo e realize a Obra, pois o Senhor o tomará nos braços e o receberá no seio. Esse viverá e será coluna do templo do Senhor e verá a Obra e a sua realização e tudo entenderá.46/22

 

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47

 

 

XLVII

 

A palavra do Senhor: eis o dragão. E se o profeta se levanta sobre a terra, o dragão levanta-se com ele e vai onde ele for, para abençoar ou para amaldiçoar, pois o dragão serve o profeta e serve a palavra.47/1

E que é o profeta, senão uma palavra do Senhor? Palavra e fogo da palavra. Espírito e visão do espírito. Assim o profeta se realiza na palavra e se realiza no Senhor e o Senhor se realiza nele realizando a Obra, que é o mundo.47/2

 

O profeta é uma semente de redenção. Semente que o Senhor lança no mundo quando o Seu dia vem próximo, pois não é bom que o homem se perca na sua procura.47/3

Assim o profeta vem ao mundo para anunciar a nova era e falar da nova aliança entre o Pai e os filhos e indicar-lhes o caminho do regresso.47/4

E o dragão vem com ele, para fazer o milagre da transformação da palavra em fogo e este em espírito e também para que aqueles que duvidam do Senhor e da Sua palavra possam ver por si que o Senhor está presente na palavra e que o profeta é um sinal Dele.47/5

É por isso que o profeta abençoa no fogo e no fogo amaldiçoa, pois verdadeiramente não é um corpo de carne que fala, mas um espírito de fogo que vive.47/6

 

A palavra do Senhor: eis todo o milagre, que o profeta serve e o dragão serve e, todo aquele que procura o caminho do retorno, serve também. Pois, na verdade não há profeta e sim palavra; nem palavra, mas antes o Senhor. E Ele reveste-se da palavra e do profeta unicamente para chegar ao entendimento do homem e para que o homem O veja como um deles.47/7

Então o homem deixa-se seduzir pela palavra e pelo fogo da palavra e pelo milagre que há nela e o profeta envia-o ao Senhor. E quando ele chega perante o trono do Altíssimo e olha o Eterno face a face, ele vê o profeta e a palavra e o fogo. E é consumido nessa sabedoria.47/8

Pois aquele que vai perante o trono já não vive na carne nem no sangue, mas no espírito. Por isso o Pai se desvela perante ele, para que haja entendimento e união. E para que haja fusão.47/9

 

O profeta é uma mascara que o Senhor põe no dragão, pois a visão do fogo sem máscara seria terrível.47/10

Assim, aquele que procura o Senhor, procura-0 primeiro na palavra e depois no servo da palavra, só depois no fogo. Pois três são os estágios da Grande Obra e de toda a obra por menor que seja.47/11

Assim o homem realiza a Obra em si, realizando os três estágios dela; amando a palavra e a génese da palavra e o espírito que a alimenta e cria. E, amando a palavra e o seu espírito, ele ama também aquele que criou tudo isso e que os enviou como sinal Seu. E a Obra realiza-se.47/12

 

E que é o dragão, senão o espírito do Senhor, um espírito inflamado; nascido da luz que antecedeu a luz e do caos que é anterior ao caos; nascido daquilo que não é forma, nem conceito da forma, nem pensamento dela, e todavia nascido. Os mundo, dele se alimentam como as árvores se alimentam do céu e da terra, recebendo e transformando as energias.47/13

Do mesmo modo o dragão os alimenta, no centro e na periferia, lançando no meio um coração de fogo e na periferia um manto verde. E povoando o mundo de criaturas, feitas desse fogo interno e desse manto verde.47/14

E as criaturas misturam os dois fogos, dentro de si e ao seu redor e mantêm a chama viva. Porque uns cedem-lhe a carne e o desejo da carne, e assim alimentam o coração do mundo; outros cedem-lhe o espírito e o desejo e ideal do espírito, e assim alimentam o seu manto verde.47/15

Duas alquimias, portanto, mas uma só coisa na verdade, pois só há um dragão e só há um fogo e é o fogo que alimenta tudo.47/16

 

O Filho do Homem: eis o Grande Dragão, que o Senhor tem à Sua direita e à Sua esquerda, para O guardar e servir na revelação. A Sua direita, com a aparência de homem; à Sua esquerda, com a de mulher. Duas aparências para a suprema máscara, para o supremo espírito.47/17

E o Senhor toma-os pela mão, ora um ora o outro, consoante os ciclos se iniciam ou terminam. Assim Ele os toma em si, para darem corpo à Sua gestação e os lança nos mundos para darem testemunho da Palavra. E eles vão a Seu mando: o dragão macho, para lançar a semente da palavra e do fogo e do espírito; o dragão fêmea, para lançar a da carne e do sangue e do desejo. E as sementes misturam-se no coração do homem e no coração dos mundos e dão o seu fruto.47/18

Assim o Senhor se realiza e realiza a Obra dos mundos através do dragão que é o fogo do Seu espírito. E quando a Obra está realizada e a criação consumada, Ele a chama a si e dela se alimenta durante o Seu sono que dura mais um ciclo sem tempo.47/19

 

Que será do mundo sem o fogo? E que será do fogo sem a serpente? Em tudo há mistério e o mistério é só um: daquilo que começando por ser caos se fez luz e esta se tornou carne e sangue e este por sua vez fogo e este mais longe em espírito.47/20

Assim tudo começou pela serpente e há-de terminar pelo dragão. Serpente que ganha asas no coração do homem, que se ergue sobre o mundo e se une a Deus, já que a Obra é sempre a mesma e o salto vai sempre da carne ao espírito, passando o abismo da escuridão, que também são os sentidos.47/21

Um ovo de carne: eis a Obra do Homem, onde o Pai pôs a semente da luz. Um vaso de matéria: eis a Obra do Senhor, onde o homem lançou esperanças e ideais, para realização da luz. Assim o homem se une ao seu Senhor, na mesma realização e na mesma procura.47/22

Pois que é o homem, senão o futuro por realizar? e que é o Senhor, senão o passado já realizado? duas partes que formam um todo. E o dragão e a serpente unem essas partes, fazendo a ponte viva entre carne e espírito e assumindo-se sangue da terra, que o cálice sagrado colhe sem cessar, pois as eras começam e findam no mesmo ponto e só no cálice, que é a vontade do Senhor, se unem. Tal é a palavra e a sua realização.47/23

 

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48

 

XLVIII

 

E no terceiro dia e na terceira hora o Senhor visitou o Seu mundo. E com Ele foram os Seus anjos e todos os que O servem. E chegados ao centro da terra, ali edificaram um templo que era uma montanha de luz e a assinalaram segundo a geometria e as leis que regem as coisas.48/1

E este templo tinha quatro portas e doze janelas. E a cada porta foi dado um anjo, que também é um Senhor do Fogo, para que a guardasse. E a cada janela foi dado um servo, para que a guardasse também. E eles assim o fizeram segundo as suas forças próprias e a sua missão.48/2

E quando tudo isto estava feito, reuniram-se todos aqueles que serviam o Senhor e puseram-se em círculos uns em redor dos outros, segundo a sua categoria e luz. E quando todos os círculos estavam acabados e o Senhor repousava no centro, imponderável e etéreo, um trono de luz e pedras foi criado. E nele o Senhor tomou lugar e colocou ao Seu lado direito o Seu dragão e ao Seu lado esquerdo a Sua serpente e aos Seus pés os Seus animais sagrados: o cordeiro, a águia e o leão.48/3

Então as portas do templo foram abertas e as janelas foram abertas também, e por elas saiu uma luz muito intensa, para que aqueles que demandassem a terra sagrada a pudessem encontrar.48/4

 

Muitos foram os que vieram para adorar e para servir, e todos foram recebidos e participarem do banquete nupcial. E a cada um foi dado segundo o seu mérito e a sua verdade e nenhum foi desprezado nem repelido. Assim os servos do Senhor cresceram em número e verdade e isso agradou muito.48/5

Houve também aqueles que vieram para escarnecer, e esses também foram recebidos. Mas uma vez levados perante o trono, o Senhor olhou-os nos olhos e confundiu-os. E tendo vindo para escarnecer foram escarnecidos, e tendo vindo para semear a confusão foram confundidos. E esses não participaram no banquete nupcial, antes foram arremessados ao limbo e nele permanecerão até que os tempos findem.48/6

E outros vieram que duvidavam e que usavam o pensamento como crítica. Esses também foram recebidos e levados perante o trono. E chegados perante ele, o Senhor lhes abriu os corações e os olhos e eles viram a verdade da revelação e souberam no coração o que era falso e o que não era. E esses ficaram para o banquete nupcial, tornaram-se servos também e não voltaram a duvidar.48/7

Assim o Senhor recebeu os homens e os seus emissários e a cada um foi dado de acordo com o seu merecimento e nenhum recebeu mais ou menos do que o devido.48/8

 

E feito isto o Senhor mandou selar o templo e reuniu os servos ao Seu redor e oraram juntos. E feita a oração e guardado o silêncio, o Senhor abriu os braços e invocou as forças da criação e aqueles que são os deuses construtores e destruidores e eles vieram perante Ele e juntos fecharam o ciclo. E no próprio templo só ficaram os animais sagrados, o dragão a serpente e um homem, este como testemunho de todos os outros. E o Senhor, por ser a síntese de tudo o que existe.48/9

 

Então o templo como que se fechou sobre si e tomou a forma de uma semente, em parte luz e em parte caos: luz no centro e caos no exterior. E a luz era O Senhor e era o Seu espírito; e o caos era a Mãe e eram os que ficarem como testemunho do que tinha havido.48/10

E esta semente ficou a pairar sobre o abismo do infinito, tendo de um lado o tempo e do outro o espaço. E assim permanecerá, como a semente permanece suspensa sobre o abismo da terra, à espera que as energias fundamentais a façam florir e dar fruto.48/11

E que é o abismo do incriado e o instante em que coisa alguma existe, senão esse adormecimento da semente mergulhada na terra semente que espera a Primavera e o sol que a há-de vitalizar e o ceifeiro que a há-de colher e dar-lhe continuação e destino.48/12

Assim a Obra do Senhor espera também, encerrada sobre si e incerta quanto ao futuro, pois a menos que sobre a terra brilhe a luz, não haverá renovação. E se o espírito do Senhor não acordar do Seu sono e erguer de novo o facho da nova era, como haverá novo ciclo? mas o Senhor vela e ora e os Seus animais velam também.48/13

Cumprido que seja o instante em que nada é o que era nem o que será, a Mãe será fertilizada na Sua matéria prima pelo fogo que é raiar da aurora, o Seu ventre será aquecido pelo sol que se ergue no horizonte e uma nova raça nascerá para herdar o mundo. Então o Senhor acordará do Seu sono sem sonhos e os Seus animais acordarão também e o templo será reconstruído.48/14

 

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49

 

XLIX

 

O reino do Pai é como uma rosa, onde o perfume inebria a alma e chama aqueles que com ela estão em sintonia.49/1

E só os chama a eles, pois cego surdo e mudo é aquele que não está em relação com o Pai, antes o está com as trevas que há no mundo.49/2

Esse não será chamado pela rosa, nem a verá, antes será chamado pela sombra e por aqueles que habitam a sombra, e será devorado por ela.49/3

 

O caminho da rosa é o caminho do Senhor. Caminho estreito e difícil. Caminho vertical sobre o plano horizontal da matéria. Que terá de ser percorrido dum só salto, dum só voo, para o que será necessário que as asas do espírito tenham nascido e que a alma se tenha realizado, ou não haverá ascensão, mas queda; nem encontro, mas perda; nem realização, mas aniquilamento.49/4

Assim é a rosa: um sol repleto de espinhos, pois não seria bom que a culminância de Obra se pudesse alcançar sem ultrapassar a dor da matéria e a da alma.49/5

Que aquele que quiser realizar a Obra do Pai, medite no enigma! Toda a realização é tripla: primeiro no caos, que é a matéria instintiva e que é os sentidos; depois na alma, que é a matéria anímica e que é os ideais e os sonhos e, por fim, na matéria espiritual, que é a aspiração da consciência e a sua realização.49/6

 

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50

 

L

 

Sete anjos o Senhor enviou diante de si ao mundo: sete anjos e sete trombetas, sete selos também.50/1

Pois sete são os mistérios fundamentais que há entre o Senhor e as criaturas; sete mistérios que o Livro revela.50/2

Que aqueles que podem ouvir, oiçam. Que aqueles que podem ver, vejam. Pois sete são os anjos do Senhor e cada anjo quebrará um selo do Livro. E a Obra será consumada.50/3

 

Enviei-vos o meu Livro e enviei-vos a minha Palavra. E a minha Palavra está no meio de vós para que haja testemunho de mim. Quem poderá agora negar-se e negar-me a mim?50/4

Para vos conduzir ao altar da vossa e minha consumação, enviei-vos um consolador, aquele onde a Palavra está escrita. Quem se poderá agora negar a mim, sem se trair e trair o destino?50/5

Fiz-me homem para estar no meio de vós. Dei corpo aos meus anjos e mandei-os perante vós, para vos falarem de mim. Quem se poderá negar a ouvir? E se o fizerdes, que amor vos poderá consolar? Nem a minha sombra irá perante vós, quanto mais eu.50/6

Cuidado, porque a primeira trombeta já soou e o primeiro selo já se partiu. E aqueles que virem, viram e aqueles que escutarem, escutaram: mas o tempo termina.50/7

 

Enviei-vos sete anjos: enviei-vos sete consoladores. Deuses de justiça e de amor, onde a espada e a taça se unem para formar a unidade que sou.50/8

Pois eu sou o Deus de uma eucaristia nova e o pacto de uma nova aliança a celebrar entre mim e os homens, para que haja uma nova Jerusalém e os justos tenham uma pátria entre vós.50/9

Assim eu o quis, assim os meus anjos o fizeram, para que haja paz onde agora só há guerra e amor onde agora só há ódio e esperança onde só existe desespero.50/10

 

Sete anjos, sete selos, sete letras. Dos sete vereis cinco, pois dois estão perante mim como as colunas do meu templo, aquelas que unem o firmamento ao mundo e que são a base de sustentação de tudo. Essas não as vereis. As outras haveis de vê-las.50/11

A primeira como uma coluna de fogo: essa escreverá o Livro e o seu nome será como uma espada de luz; a segunda como a luz suave do poente: essa será a minha porta e o meu véu e o seu nome será de serpente; a terceira como um sol irradiante, um sol de justiça e o seu nome como um grito de ave; a quarta como a água fria: límpida e transparente é a sua luz e o seu nome será como uma casa térrea; a quinta e última que vereis, como a escuridão da morte: como uma noite sem estrelas vos há-de parecer, e o seu nome será como um lamento.50/12

Cinco consoladores vos enviei. Cinco selos serão quebrados, outras tantas promessas serão cumpridas. Assim eu me revelo no meio de vós, para que não andeis perdidos, antes encontreis o caminho do retorno.50/13

 

Sete selos tem o Livro. Cinco serão quebrados por vós e pelos meus anjos. Os dois últimos sê-lo-ão por mim.50/14

 

E ai de vós quando tal momento chegar. De luz e fogo tereis de ser, ou não resistireis à minha ira. Pois eu tenho muitos rostos e o primeiro é de justiça e perdão, mas o último é de ira.50/15

E quando a minha ira cair sobre vós e sobre as vossas obras, onde vos haveis de esconder? nem sob a terra nem sobre ela: até aí me vereis, pois a minha ira é como um espírito de fogo e não há rocha ou carne que o possa deter.50/16

Não vos escondais de mim quando a minha ira tombar sobre vós, recebei-a antes de braços abertos, como os filhos recebem os pais que há muito não vêem, pois aquele que se esconder de mim será consumido e aquele que me temer será possuído pelo seu temor e só aquele que me amar me terá. Não vos escondais, pois, porque a minha mão irá até onde fordes e o meu olhar há-de perseguir-vos até em sonhos, quanto mais no despertar.50/17

Recebei-me antes como os amigos se recebem entre si, com saudade e esperança. E preparai para mim um banquete na terra, para que eu prepare outro nos ceús. Eu estarei à vossa mesa e vós estareis à minha.50/18

E cuidai para que eu seja bem recebido, pois a mesma medida que usardes para mim será usada para vós.50/19

Não cuideis que o meu amor perdoe o que não tem perdão e esqueça o que não deve ser esquecido. Pois o meu amor só ama aquele que lhe é grato e aquele que vai junto dele para ser possuído. Esse eu amo e recebo, não aquele que vem a mim com falsas promessas e falsas esperanças. Pois o meu amor é justo e serve a Lei e nela eu tenho a minha Vontade.50/20

 

Um consolador vos enviei já. Os outros vos enviarei a seguir. Cada consolador quebrará um selo. Sete selos tem o Livro, e, quando o último selo se quebrar, eu enviarei o meu Filho perante vós e Ele vos fará compreender.50/21

O meu Filho é doce e suave. Os seus olhos são de ouro e o seu coração de mel. Ouro para vos transformar e mel para vos saciar a fome. Pois ele é a porta que vos há-de conduzir a mim e se ele não vos transformar,como passareis? amai-o a ele primeiro e amai-me a mim depois. E se quereis vir a mim, ide primeiro a ele e escutai a sua mensagem, que é de justiça e perdão, pois se não o ouvirdes a ele, como me ouvireis a mim? E se não tiverdes amor por ele, como haveis de tê-lo por mim? Ide então primeiro perante ele, para que através dele possais chegar até mim. Ide e amai-o bem, pois nele eu estou e não há dois de mim, mas um só.50/22

 

Se me quereis para vós, querei-o a ele antes. E querei também cada um dos meus anjos e dos meus servos e dos meus profetas, pois a minha voz está com eles e a minha Palavra ressoa no seu íntimo. Por ela sereis salvos ou condenados. Salvos se ela der fruto e sementeira do fruto; condenados se a semente cair em terra dura e não houver fruto nem sementeira, antes cardos.50/23

Escutai bem os meus anjos. Escutai-os com o coração aberto, pois a minha Palavra é dirigida ao vosso coração e não à vossa mente, já que a vossa mente confunde e estraga. Recebei a minha Palavra com o coração e entendereis. É tudo o que vos peço.50/24

 

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51

 

LI

 

Eis o Livro do Senhor, eis a Sua génese. Este Livro tem nome de homem e este homem tem nome de profeta. Quem puder entender que entenda.51/1

O Senhor o escreveu para glória do homem e o homem o trouxe à manifestação para glória do Senhor. Assim as profecias se cumpriram e a Obra se realizou.51/2

E realizada a Obra e cumprida a profecia, realizou-se o homem e realizou-se o seu Senhor e realizou-se também o mundo, pois o mundo é a matéria da Obra, mas não é a Obra; o homem é a alma da Obra e a alma do mundo, mas não é a Obra nem é o mundo; o Senhor é o espírito da Obra e é o espírito do mundo, mas não é a Obra nem é o mundo.51/3

O Senhor a realizou através do homem e a entregou ao homem, para sua mútua glória. E realizada a Obra, realizou-se tudo: a carne da Obra e a alma da Obra e o seu espírito.51/4

Assim o mundo se cumpre e o homem se cumpre e o Senhor se cumpre pela realização da Obra. Pois só há uma coisa que é todas as coisas juntas e só há um mundo que são todos os mundos num só, e só há um homem que são todos os homens nele, e só há um Senhor porque só há uma Lei e uma Vontade e um Amor. E tudo isso é Ele.51/5

 

No Seu templo de luz o Senhor governa absoluto no Seu trono de ouro e pedras. Aos Seus pés um anjo lê o Livro. Neste, está tudo o que houve, há ou haverá. O nome de todas as coisas e elas mesmas. A génese de todos os deuses e eles também. Os arquétipos dos seres e os próprios seres. E a suprema Lei, base e cúpula de tudo quanto é vivo.51/6

O anjo lê perante o Senhor e o Senhor sonha e cria segundo a Palavra. Assim o mundo existe e existe o profeta e existe todo aquele que serve na consciência e também aquele que não serve nela e apesar disso serve também. Pois o Senhor criou uma só medida para todas as coisas e uma só Lei para as governar. E a balança tem dois pratos mas é só uma.51/7

Assim todos serão medidos e julgados de igual modo, mas aqueles que forem perante Ele em amor e verdade serão juntados numa beira e aqueles outros que forem em falsidade e despeito, serão apartados noutra beira. E o Senhor porá o Seu anjo entre eles, e a uns será dado o domínio do céu, e aos outros o domínio do inferno, que também é o mundo, e já não se juntarão mais.51/8

O Livro e a Obra: as duas armas do Senhor. Os Seus dois animais também. O Livro que é a Palavra, a Obra que é tudo. E para realizar o Livro, o homem que é a carne e a alma e o espírito da Palavra. E para realizar a Obra, o mundo que é a base e o céu que é a cúpula. E realizado o Livro e realizada a Obra, realiza-se o Senhor do Livro e o Senhor da Obra e realize-se o próprio mundo.51/9

Assim a serpente que é a matéria, se transforma no dragão que é o espírito. E o dragão vai perante o trono e lança o seu fogo, que é a luz primeira, na taça que está no altar do mundo e perante o Senhor. E o Senhor anuncia a realização da Obra e a realização do mundo. E fecha-se sobre si e é a noite das coisas. E passa-se um ciclo mais.51/10

O Livro é fechado nos seus selos e os nomes e as coisas e os símbolos são fechados nele. E aqueles que estão perante o Senhor caem no sono e dormem também. Então as portas do templo fecham-se e o próprio templo fecha-se também e toma a forma de um ovo. Como uma flor que se encerrasse para o mundo ou como uma semente que se unisse a si. E tudo cessa.51/11

Não há estrelas no céu nem mundos sob as estrelas. Nem deuses nem nada. Apenas o caos que é a matéria sem divisão nem luz e, no centro do caos, a semente que é o Senhor e o Seu templo e os arquétipos de tudo.51/12

Assim a Obra se transforma na semente. E a semente brilha no seio do caos, pronta a despertar o caos quando o dia do Senhor vier. Então o caos abrir-se-à para a fecundação e a sua matéria se tornará sensível sob a mão do Senhor. Este a moldará de novo e dela fará, sair os seres e as coisas e os mundos. E tudo terá novo início.51/13

 

O caos e a semente: eis tudo. O Senhor a sonhou e o caos a concebeu. E para a fazer viver deu-lhe o fogo que é a luz. E a luz penetrou no caos e este transformou-se na matéria e no sangue que é o seu espírito. E o fogo devorou a terra e separou os elementos em coisas distintas. E de um lado ficaram as forças da construção e do outro as da dissolução e no meio de ambas ficou o dragão, que é o espírito da terra e que é o anjo do Senhor.51/14

O Senhor soprou sobre a terra e esta cobriu-se de vida: seres rastejantes e seres com asas. E o Senhor soprou novamente sobre ela e fez o homem e fez a mulher. Ao homem deu a Palavra e à mulher deu o Sangue. E o anjo do Senhor veio perante o homem e a mulher e deu-lhes o Fogo, que é a inteligência e o raciocínio. Então eles puseram nome em todas as coisas e as coisas ficaram sob o seu domínio.51/15

O Senhor lhes entregou a terra e as coisas da terra, para que eles as vigiassem em Seu nome e as fizessem dar fruto e progredir. E para o ajudar deixou o Seu anjo e a este deu a memória de todas as coisas e a guarda do Livro. E foi-se embora do mundo, para o Seu templo no firmamento, para que a Obra se pudesse realizar por si.51/16

Durante muitos ciclos o anjo instruiu o homem nos mistérios do Livro e no uso da Palavra (que também é o Verbo) e o mundo prosperou perante o olhar do Senhor. E três ciclos se passaram. Mas no quarto ciclo o homem achou-se senhor da terra e esqueceu o anjo e esqueceu o Livro e toda a sabedoria do Livro e fez deuses à sua imagem e semelhança e desafiou o Senhor. Então o Senhor voltou-lhe a face e ficou sombrio o mundo.51/17

 

O anjo foi perante o Senhor e deu-lhe conta das ambições do homem e dos seus medos e fracassos e o Senhor apiedou-se do mundo e do homem. Por isso o Senhor enviou o Seu Filho, que também é filho do homem, e enviou o Seu profeta, que é aquele que resuma o Livro pois ele próprio é o Livro vivo e enviou os Seus servos, que são aqueles que servem a verdade e o amor.E tudo foi feito para glória do homem e glória do Senhor.51/18

O homem reparou nos servos, escutou o profeta, viu os milagres do Filho e olhando fundo no seu coração só viu escárnio, confusão e trevas, então teve medo dos frutos de sua obra e recebeu a Palavra do Senhor e seguiu-a. Mas passado o tempo dos milagres e esquecido o profeta, de novo a Palavra foi esquecida e a verdade perdeu-se.51/19

Por isso o Senhor largou o Seu dragão sobre a face do mundo, e lhe ordenou que lançasse o fogo sobre as nações, para que o homem seja confundido e possa saber o que é falso e o que é verdade. E para que aqueles que amam o Senhor possam despertar, e aqueles que não O amam, possam ser precipitados no abismo. E o abismo os receberá e se fechará sobre eles e sobre as suas gerações.51/20

Então o dragão será posto na terra do fogo, a meio dela, para guardar a sua porta e o seu centro, e aos pés do dragão será posto o Livro, e ele o guardará também. E o mundo conhecerá a realização da Obra por mais três ciclos.51/21

 

ao INDICE do LIVRO

           

           

 

 

52

 

LII

 

O Senhor é como um jardineiro que tivesse em sua casa mil flores. Cada flor é um mundo de brilho único. O Senhor cuida de todas e de cada uma com igual desvelo e amor. Lança as suas sementes na terra da eternidade e entrega-as aos cuidados da Grande Mãe. Esta, recebe essas sementes no Seu útero e transforma-as em mundos, em homens e em deuses. Assim a cadeia da criação se cumpre e os ciclos se unem formando o tempo do Senhor.52/1

 

O Senhor é um jardineiro e o mundo é o Seu jardim. Cada ser é uma flor que Ele cuida, desde o instante do nascimento até ao instante da morte. Quando a flor nasce o Senhor ora por ela. Quando a flor deixa a carne e penetra no espírito o Senhor ora também. E entre a carne e o espírito o Senhor vela e cuida, para que a carne se transforme em ponte e para que a alma possa ir do lugar da noite ao raiar do dia.52/2

Isto tudo o Senhor faz pelo Seu jardim e por cada flor que o habita, pois o Senhor é justo e ama a vida de cada ser e tem para ele um propósito sagrado. E se o ser cumpre o propósito, o Senhor cumpre a promessa que lhe fez: de o receber em si no instante supremo em que os seus olhos vêem e a sua alma sabe e ele é. Então o Senhor o toma para si e o retira das trevas e esse não nascerá mais, antes viverá eternamente no Pai.52/3

Assim se realiza a Obra do ser e se realiza a Obra que o Senhor quis para ele. E o Senhor alegra-se disso e com Ele se alegram os Seus anjos e os Seus servos e todos os que O amam.52/4

 

O jardim do Senhor tem as dimensões do Universo. No meio do jardim o Senhor ora e vigia. E junto a Ele vigiam e oram os Seus animais sagrados: a serpente e o dragão. A serpente que é sinal do caos e da matéria. O dragão que é sinal do espírito e da transformação da matéria em espírito.52/5

O Senhor está no centro erecto e absoluto, qual coluna de luz. Os Seus animais estão a Seu lado, um à direita e outro à esquerda. Suportando o trono do Senhor, está a Grande Mãe, Aquela que é origem e fundamento de toda a existência: Ela é a base de que o Senhor é a cúpula.52/6

O universo e todas as coisas criadas habitam no meio, entre o céu e a terra. Assim o universo é como uma esfera de um só lado, pois do lado de dentro habita a vida e os seres e o Senhor também, e do lado de fora habita o nada e a negação da vida e aquilo que nunca foi coisa alguma.52/7

 

Um jardim sem fim, eis o universo do Senhor. E para cuidar do jardim mil anjos que são mil sóis. E para ajudarem os anjos mil servos que são mil planetas. E para ajudarem os servos mil criaturas e espécies de criaturas, que são aqueles que realizam toda a Obra e todo o pormenor da Obra. E entre o Senhor e todos aqueles que servem o propósito, os Seus sacerdotes e profetas e colunas. Esses que são dois e quatro e sete e nove e finalmente doze ou setenta e dois.52/8

Eles são a cadeia entre o firmamento e a base do firmamento, e são também a árvore sagrada que existe no centro do universo, a árvore que é a cruz e a alma da cruz, essa sob a qual o Senhor governa e ora.52/9

 

Que jóia se poderá comparar ao jardim do Senhor? Mil jóias que são luz e mil luzes que são jóias. E dentro de cada luz um ser que é essa luz e que é essa jóia. Mil jóias que são uma só coisa: o Senhor e a Senhora, dobrados um sobre o outro, formando as duas metades da esfera. E no meio de ambos, no centro oco dessa esfera, os mundos e os homens e os deuses.52/10

Nada se compara a esta visão, nada se lhe assemelha. A alma que vê detem-se sobre o abismo da luz. O espírito que sabe pára extático. Só o Absoluto do homem o salva perante o Senhor, pois perante a imensidão e o infinito tudo se cala e tudo se transforma em quê? Silêncio, apenas o silêncio testemunha. E o homem que sabe recolhe-se sobre o seu íntimo, que é o íntimo do Absoluto, e fica em oração, assim permanecendo até ao instante supremo em que é recebido e se transforma em luz e Palavra nos lábios do Senhor.52/11

 

Realização suprema e fim derradeiro para aquele que tendo feito tudo o que é permitido à criatura, abriu as asas do espírito e subiu verticalmente sobre a face do mundo direito à taça que sobre o altar está. Que mais poderá o homem amar que não isto e tendo amado isto que mais poderá ele amar? Assim o amor se transforma no seu objecto e o transforma a ele também.52/12

 

O jardim do Senhor é uma jóia única. A sua geometria tudo contém e representa. A chave dos números estão ali. A das letras também. E a de todas as figuras e a de todos os seres ainda.52/13

Partindo do centro a luz do Senhor banha todas as coisas. Luz que não é luz, antes um fogo branco e cristalino, antes uma poalha de cristal ou diamante, muito suave e transparente. Quase uma cortina que separasse sem separar, antes envolvendo, a realidade da ilusão ou a eternidade do tempo. Assim é o Senhor no centro do mundo e entre eles: uma luz que é mais do que a luz pode ser, uma realidade que é transcendência de toda a realidade possível e impossível.52/14

 

A luz do Senhor parte dele e vai animar tudo no Seu jardim. As flores banham-se nessa luz como os corpos se banham nas águas dos rios. E a luz penetre-as e transforma-as em luz também.52/15

Por isso a necessidade da alquimia: que manda acender o fogo da terra no centro dos seres e com muita persistência e sabedoria, elevar o seu grau até que o ser se transforme na Obra e esta se transforme nessa pedra ígnea que é a Obra no seu estágio supremo. Então o ser se torna transparente perante o Senhor e a Sua luz banha-o por fora e por dentro, sem carne para o impedir. É isto que o Senhor quer para cada criatura e é o Seu mandamento para ela.52/16

Aquele que cumprir com a Lei, esse há-de realizar a Obra e há-de tornar-se um só com o Altíssimo. E o Senhor estará nele como uma semente de realização e esse há-de dar fruto mil vezes multiplicado e esse fruto será como um fogo devorador, capaz de transformar corpos em sangue e este em espírito - espírito realizado.52/17

 

Só há um mistério perante a face do Senhor: aquele que realiza o ser e o leva do caos à luz, passando pela taça que é o Graal. E só há um caminho de realização do Supremo: o cumprimento integral da Lei.52/18

Aquele que cumpre a Lei realiza a Obra e realiza-se na Obra. Esse passará pela terra da escuridão e pela morte da carne. E passará pela terra do poente e pela morte do desejo e do ideal do desejo e da aspiração do desejo. E passará pela terra da luz e pela morte e entrega do espírito nas mãos do Senhor.52/19

E o Senhor o tomará à carne e ao sangue e o elevará perante o firmamento, para que a luz o purifique dos resíduos da pedra ígnea, e depois de purificado o tomará em si e nele ficará a habitar para sempre.52/20

 

ao INDICE do LIVRO

           

           

 

 

53

 

LIII

 

Três fogos há no homem: um no ventre que é o Santo Espírito, outro no coração que é a Mãe ou o Filho, e outro na cabeça que é o Senhor. Três fogos que são taças contendo o sangue a alma e o espírito. E alimentando as taças aqueles que servem o homem e que servem a Obra, pois a alquimia do homem é tripla e tripla é a sua realização. Embora, quando triplamente realizado, essas três taças se façam uma e essa seja a síntese de tudo quanto o homem foi, será, ou já é.53/1

Três fogos há no homem. Três espíritos dormem nele. O primeiro vigia silencioso: é o Pai. O segundo ora: é a Mãe. O terceiro opera: É o Santo Espírito. Três fogos que formam entre si o triângulo sagrado, pois tudo é triplo seja na terra ou no céu.53/2

E os três que são um, fazendo aquilo que a Lei quer, fazem ao mesmo tempo a Obra que é invisível mas real no homem: o seu centro imóvel e Absoluto.53/3

Aí, situada num nível distinto do real, está a quarta taça, aquela que é o Homem em si. Não é feita de matéria, nem de alma nem de espírito, mas, da síntese e ultrapassagem de tudo isto, como se fosse uma semente de um futuro por existir. Aí reside definitivamente o homem, nos seus três estágios ou níveis, e aí ele é Rei e Sacerdote do Altíssimo.53/4

 

O homem é um templo por acabar. O Senhor o esboçou ou sonhou, a Mãe o criou ou concebeu, o Santo Espírito o realizou ou manteve. E feito isto, os três espíritos se retiraram para os seus centros e se encerraram nas suas taças, e as chaves da Obra foram dadas ao Homem.53/5

Por isso a vida do homem é luta e dor e transcendência da dor. E assim será sempre, enquanto o homem não crescer sobre si e for mais longe. Já que o seu destino é a realização da Obra e não a sua manutenção, pois mantendo aquilo que é vai-se perdendo, e só realizando e crescendo pode alcançar a totalidade.53/6

 

Qual é o primeiro dever do homem? Despertar! O sono das trevas o tomou para si e ele realiza as trevas julgando realizar a Obra. E enquanto dormir nada poderá fazer. Terá de acordar. E tendo acordado para a verdade daquilo que é, terá de realizar o sacrifício. Pois terá de morrer três vezes, em três mundos, antes que a Obra esteja terminada.53/7

O homem é uma cruz erguida na maior deserto do mundo. Julga caminhar sobre a face da terra, mas na verdade está preso e crucificado.53/8

Sobre essa cruz dois triângulos existem: um visível que é o de existência, outro invisível que é o da essência. E realizado o primeiro manifesta-se o segundo. Mas sem a realização de um o outro é mera possibilidade sem existência.53/9

No meio dos dois triângulos, o centro imóvel pulsa e brilha: é aí que está o segredo.53/10

Seis rostos tem o enigma no homem, mas todos fitam o centro. Seis cores também, três que são obra dele e três que não são. Três que são arquétipos e três que são símbolos. Mas só o centro conta, porque só o centro é a Lei.53/11

E a roda do homem gira mas está parada. E que vive o homem: a ilusão de haver roda e rostos que fitam. Quando só ele fita.53/12

 

No centro da cruz está a rosa. Que é a rosa senão o fogo que arde sem calor, nem chama, mas de brilho intenso? Assim é o absoluto no homem, sem calor mas brilhante como mil sóis juntos.53/13

Que o homem realize a Obra realizando a rosa e tudo estará feito. E que aprenda na rosa a geometria e a lei que regem tudo, pois a rosa é o sinal oculto que o Senhor pôs no mundo, para guiar o discípulo na caminhada rumo à Iniciação Suprema ou o sacerdote na sua transformação em Cristo.53/14

E realizada a rosa está realizada a taça oculta e os dois triângulos brilham sobre a cruz da matéria rude e o homem renasce e vê. E que vê ele? Os três espíritos cindirem-se num só espírito. Os dois triângulos cindirem-se num só ponto. A rosa abrir as suas mil pétalas e no centro dela florir o homem que havia nele, a Criança que também é o Cristo. Isto ele vê e sabe.53/15

Só então o terceiro vaso se torna visível, por tudo conter, e a mão sem corpo vem buscá-lo e erguê-lo sobre e face da terra no momento em que o sol raia sobre o mundo. Então, como um eco longínquo, ouve-se o som sagrado, o som primeiro, e a natureza cala e ora por mais um filho.53/16

 

Instante glorioso, o do homem transformado em deus, cujos olhos já não são de matéria, mas de luz. E ele volta os olhos para o firmamento e vê o infinito. E volta-os para o mundo e vê o caos que o espírito organizou em vida. E volta-os para si mesmo e vê o Absoluto em toda a Sua glória.53/17

Neste instante crucial a consciência dilata-se, torna-se una e múltipla, abarca tudo. E homem realizado, semente agora de algo maior do que ele, como que explode, de dentro para fora, e se transforma em luz.53/18

Assim nascem os sóis, quando os homens se tornam deuses. É por isso que cada sol é um deus, no centro do qual o ser que o habita e faz existir, realiza a Obra do Senhor e perpetua a criação, perpetuando a continuidade.53/19

 

É isto a alquimia: transformação inteira do homem carnal em espiritual; despertar da consciência una e infinita e celebração do triplo casamento: com o Santo Espírito primeiro, com a Mãe a seguir e finalmente com o Pai, que é a cúspide do triangulo sagrado.53/20

Então a Obra está realizada e o homem transformou-se em semente de luz, em sol de glória perante o trono do Senhor. E o Senhor toma-o nas mãos e abençoa-o e dá-o à vida.53/21

Só há uma alquimia para o homem: a do Senhor. E só há uma Lei: a da Vida. E só há um propósito digno de ser servido: o Amor que une todos os seres e todas as coisas.53/22

Para realizar isto deve o homem tudo fazer, tudo tentar, tudo conceber. Pois se isto não realizar, que importa a vida tida? Carvão a que o fogo não chegou é pó e mais nada. Nem o Senhor o ama nem para nada serve. Antes a luz e o sofrimento da luz, por amor ao homem e à realização do homem e por amor ao Senhor, que concebeu e criou tudo isto.53/23

É este o propósito que os deuses e os seres e todas as coisas servem, pois só há um destino e é no amor que ele se realiza. No amor e na luz.53/24

 

ao INDICE do LIVRO

           

           

 

 

54

 

LIV

 

O caminho do homem é o caminho da dúvida. E forte é aquele que transforma a dúvida em certeza. A esse o Senhor se há-de revelar como um sol imenso, uma luz resplandecente, onde toda a dúvida e toda a certeza cessam. Pois a luz do Senhor é a génese de todas as coisas e no Seu seio só ela existe.54/1

 

Penetrar na esfera do Senhor: eis a façanha para o homem. E o cumprimento do seu destino também, pois que é o homem senão um destino? E que destino haverá que não o cumprimento integral da Lei? Assim, o homem cresce cumprindo e realiza-se na realização do que lhe é maior. E só na medida em que o fizer na consciência plena, a realização será posse sua.54/2

Por isso o Senhor o enviou à carne, para que realizasse o destino da carne e se realizasse nela. E lhe deu uma sombra de alma, para que ele a realizasse também. E ainda um fogo subtil, génese de um espírito, para que ele o realizasse e através dele se realizasse.54/3

E tudo isto o homem tem feito, às vezes na consciência e outras sem a saber. Quando o homem alcança a consciência, o Senhor alegra-se nele; quando o homem a não alcança, o Senhor espera um pouco mais.54/4

 

ao INDICE do LIVRO

           

           

 

 

55

 

 

LV

 

Perante o Senhor três símbolos brilham na noite do mundo: um cordeiro branco, um livro negro com letras de ouro e uma cruz da qual pende uma divisa. A divisa é: "O amor da Lei".55/1

Três símbolos que resumem tudo. O livro que é a sabedoria e a tradição oculta, a cruz que é o mundo e a transformação do mundo, e o cordeiro que é a rosa oculta, a pedra filosofal a realizar pela iniciação.55/2

Assim o Senhor fala ao homem pela mão do símbolo e a ele se revela. Quem puder entender que entenda e se entender que silencie, pois o momento da revelação ainda não chegou.55/3

 

O livro tem sete selos que o guardam. Cada selo é um Senhor Oculto.55/4

Sobre o livro repousa o cordeiro. O cordeiro é uma coluna de luz e é também o Cristo, aquele que será sacrificado no altar do mundo. Pois só através do cordeiro o Senhor fará a nova aliança entre o céu e a terra.55/5

Assim o cordeiro sela o último selo do livro e profere a última profecia, antes que o Senhor venha ao mundo através do Seu Filho, e sela a cruz, antes que a rosa se transforme em luz e sinal do Senhor.55/6

 

Três símbolos o Senhor tem perante si. Três espíritos Ele tem: o espírito do Livro, que é velho como o tempo; o espírito do Cordeiro, que é jovem como uma criança e o espírito da Cruz, que não tem idade. Três rostos fitam o Senhor, três rostos que são um só. E o Senhor os fita também.55/7

E o Senhor ergue a mão direita e os rostos ficam de pedra. E o Senhor ergue a mão esquerda e os rostos ficam de fogo e luz. Então o Senhor os envia ao Seu mundo, para que realizem a Sua Obra. E eles nascem no meio dos homens: o primeiro para escrever o Livro, o segundo para ser a Criança, que será o Cristo também e o terceiro para transformar a cruz na rosa. Assim se cumprem os três espíritos e se realizam os três mundos, que são a Obra toda.55/8

 

 

 

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INDICE   DO LIVRO DA VIDA

 

 ao PROLOGO 

CAPITULOS:

I-  El Libro de la Vida es

II-  Este es el Libro de IOAN 

III-   He aquí el Libro de la Generación de los Seres

IV-  La Vida de los Seres es el Dolor del Alma

V-  La Gran Madre es el Alma   

VI-  El Libro de la Vida

VII-  Cuando la Palabra Suene 

VIII-  En el Huevo Está el Germen

IX-  He aquí la Génesis de los Mundos

X-  Las Huestes del Señor

XI-  El Espíritu del Señor Vigila

XII-  La Verdad del Señor

XIII-   He Aquí el Libro Hace Mucho Esperado

XIV-   Este es el Libro del Señor

XV-   La Palabra del Señor

XVI-   En el Corazón del Mundo

XVII-  El Señor es Fuego

XVIII-  La Palabra del Señor Quema en los Labios

XIX-  La Mano del Señor está Suspendida

XX-  En Tu Generación Escribiré un Libro

XXI-   Este es el Libro que ya Era

XXII-   Que Aquel que Camina

XXIII-   La Vida de los Seres es la Gloria del Señor

XXIV-   La Sangre es el Espíritu Crucificado

XXV-    El Fuego del Señor Cae Sobre el Alma

XXVI-  La Palabra del Señor es Como una Nuez

XXVII-  La Carne del Hombre es Como un Campo

XXVIII-  El Génesis de los Seres Comienza en Adan

XXIX-  Y en el Tercer Día

XXX-   En el Principio Era el Verbo

XXXI-  Y en el Séptimo Día

XXXII-  El Verbo es la Carne

XXXIII-   Veo una Rosa

XXXIV-    Veo un Dragón Alado

XXXV-    Y en el Tercer Día

XXXVI-   El Ángel del Señor

XXXVII I-  El Señor es un Guerrero

XXXVIIII-  En las Entrañas del Mundo

XXXIXI-  Hay Siete Naciones Sagradas

XL-  En el Centro del Mundo

XLI-  Sobre el Promontorio Sacro

XLII-  Un Dragón de Fuego

XLIII-   En el Principio Era el Caos

XLIV-   Todo Parte del Padre

XLV-    Un Gran Atanor

XLVI-  Sobre el Mundo

XLVII -    La Palabra del Señor

XLVIII-  Y en el Tercer Día

XLIX-  El Reino del Padre

L-  Siete Ángeles el Señor Envió

 

 

 

LII-  He aquí el Libro del Señor

LIII-  El Señor es Como un Jardinero

LIII-   Tres Fuegos hay en el Hombre

LIV- El Camino del Hombre

LV-  Ante el Señor Tres Símbolos

LVI-   Una Cruz de Fuego

LVII-  El Espíritu de Dios Habló

LVIIII-  Una Columna Ardiente

LIXI-  Cuando el Libro Estuviera Escrito

LXXI-  En Un Templo Ignorado y Oculto

LXI-  Lo Que es el Mundo

 LXIII-  Exultad, oh Hijos de la Lusitania

LXIIII-  Exulta, oh Lusitania

LXIV-  Alégrate, oh Lusitania

LXV-    Un Libro Sellado

LXVI-   Tres Medicinas hay en la Rosa

LXVII-   Un Consolador yo os Envié

LXVIII-  La Palabra del Señor

LXIX-  El Señor lo Concibió

LXX-  Sólo hay un Señor y un Siervo

LXXI-  Sobre el Borde del Abismo

LXXII-  Sobre un Libro Cerrado

LXXIII-  El Mundo es Como Una Torre

LXXIV-  El Espíritu del Señor

LXXV-    Una Vara Bajo el Firmamento

LXXVI-   Entre el Cielo y la Tierra

LXXVII-  El Conocimiento de las Cosas de Cielo

LXXVIII-  He Aquí el Gran Vacío

LXXIX-   Todo el Comienzo es Involuntario

LXXX-  Una Llama en el Medio de un Círculo

LXXXI-    El Espíritu del Señor

LXXXII-   El Alma es como una Perla

LXXXIII-   Hay la Obra y hay el Hacedor de la Obra

LXXXIV-   Y en el Tercer Día

LXXXV-   Toda la Obra es Incierta

LXXXVI-  En la Sombra se Agacha

LXXXVIII-  Hay la Obra y hay el Señor de la Obra

LXXXVIIII-  A Qué se Ha de Comparar la Obra

LXXXIX-   Es el Mundo Como una Esfera

XC-   No hay Mayor Alquimia

XCI-  El Libro no es la Obra

XCII-  En el Medio de una Esfera de Negrura

XCIII-  El Espíritu del Señor

XCIV-  Del Limbo el Señor Llamó

XCV-   El Espíritu de la Obra

XCVI-   Una Mano Ardiente en El Cielo

XCVII-  Sólo Hay un Secreto bajo el Cielo

XCVIII-  El Espíritu del Señor es Como una Luz

XCIX-   La Palabra es Vida

C-  Sangre y Lágrimas

CI-   El Espíritu de las Tinieblas

CII-   El Hombre es como una Cáscara Vacía

CIII-  Una Zarza Ardiente

CIV-   Una Vara de Fuego contra el Firmamento

 

 

   A UNHA AMOSTRA  EXTRACTADA DOS TEXTOS

 

EN ESPAÑOL

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   ao PROLOGO 

  

 

 

 

 

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