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Competitividade na Argentina: o novo desafio

autor Jorge Cerrigone
instituição

Universidad Nacional de Quilmes

carreira Comércio Internacional
professora

Silvina González

nível Básico

 

 

O ministro da Fazenda Domingo Cavallo chegou ao governo com uma bagagem de objetivos. O central era incrementar a competitividade.

Os estudos sobre competitividade ressentem-se da ausência de consenso quanto à definição do conceito e, conseqüentemente, quanto às metodologias mais adequadas de avaliação.

Muitos estudos costumam tratar a competitividade como aumento nacional das características de desempenho ou de eficiência técnica apresentadas por empresas e produtos. Assim, quanto maior o volume das exportações, maior é a competitividade. De fato, é uma visão muito limitada quanto ao fenômeno mesmo, pois precisa-se enfatizar as insuficiências apresentadas em capturar a essência da competitividade. Desempenho e eficiencia são visões estáticas, não se elucidam as relações causais que mantêm com a evolução da competitividade.

Imagina-se que a taxa de câmbio melhora favoravelmente para a Argentina (uma devaluação). Simplesmente, o volume das exportações tem que aumentar mais que as importações. Agora, é mais custoso o produto estrangeiro e mais barata nossa produção para o resto do mundo. Melhorou nossa competitividade!

Não, melhorou a relação dos preços relativos dos produtos nacionais e estrangeiros.

A análise da competitividade tem que ter uma qualidade dinâmica e social, só assim a Argentina poderá fazer uma mudança verdadeiramente revolucionária e não só uma miragem.

O novo ponto de vista terá que considerar as atividades de gestão, de inovação, de produção das empresas, além do mais importante, os recursos humanos. Nesse último ponto, deverão ser contempladas condiçoes que caracterizam as relações de trabalho, qualificação e flexibilidade de mão-de-obra. São aspectos que influenciam a produtividade.

No plano social, não é certo que uma queda nos salários melhore os custos da produção, acrescentando a competitividade. Certo é que os custos se vêem melhorados, mas a capacidade de compra do mercado interno tem que involuir, além do malestar social.

Redução da demanda e malestar social não é o melhor cenário para aumentar a competitividade, nem a redução dos custos da produção através dos salários. 

A Argentina e seus "brilhantes" ministros tem muita afinidade pelos mecanismos de ajuste dos custos da produção. Cavallo não é a exceção. Ele é o principal responsável da atualidade argentina e da recessão aguda, da desocupação e da delinqüência.

Agora, ele tem a última oportunidade para a mudança. Mas, não vire seu olhar, senhor Cavallo! É agora ou nunca, não faça mais uma análise estática, tem que olhar a realidade. Competitividade? Certo! Mas não acrescentando a desocupação. Só um planejamento estratégico-social faz uma competitividade genuína. Na Argentina precisa-se disso, senhor Cavallo, não esqueça.

 

"Português na Argentina" foi atualizado em 15/10/01.

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