Português na Argentina

  Bem-vindos!   E-mail  
Quem somos? Oferecem-se vagas Exercícios O baú do professor Cursos
Agenda Músicas Professores Publicações Links

 

 

É possível o crescimento na Argentina?

autor Pablo Pitino
instituição Universidade de Quilmes 
carreira Comércio Internacional
professora Silvina González
nível Básico

 

 

Na Argentina, que a economia não cresça já não é nenhuma novidade, e muito mais se temos em conta que há mais de três anos que o país está parado.

Ademais, desde a chegada do governo atual, somam-se muitas instabilidades tanto políticas como econômicas que agravam o quadro da situação. Em menos de dois anos, foram trocados muitos funcionários do gabinete, demitiu o vice-presicente Carlos Álvarez e passaram dois ministros da Fazenda pela carteira econômica —primeiro José Luis Machinea e logo depois Ricardo López Murphy— que não melhoraram a situação.

Hoje, outra vez temos Domingo Cavallo na frente do Ministério da Fazenda, quem foi funcionário da gestão anterior e que paradoxalmente fora repudiado pelo atual oficialismo durante a campanha presidencial de 1999. Pode-se observar o grau de desesperação em que se encontra submerso o governo.

Apesar dos dois anos de mandato do governo e de um terceiro ministro da Fazenda, a situação não melhora: o Produto Interno Bruto (PIB) segue parado e com cifras negativas, projetam-se cifras de crescimento inverossímeis, que de cumprir-se, são muito pequenas e não alcançariam para gerar alguma descida da alta taxa de desemprego, que segundo os valores oficiais é de 18%, mas que são mais elevadas segundo os valores não oficiais.

Além do mais, as exportações não crescem, o déficit fiscal é insustentável e cada vez é mais incontrolável. Também são maiores as pressões dos organismos internacionais —como o FMI— para que se cumpram as metas fiscais se se desejar obter a quota da blindagem negociada pelo ex-ministro José Luis Machinea.

O único claro é que o risco país argentino piora dia a dia, os preços dos títulos argentinos da dívida seguem caindo e o financiamento externo é cada vez mais limitado. O panorama para os próximos meses é pouco claro e esperam-se momentos mais tormentosos. A este crítico cenário local acrescenta-se mais uma instabilidade (não menor) devido à proposta de Cavallo de extender a conversibilidade ao euro, moeda em estado de transição e muito debilitada no setor financeiro europeu com um instável e débil comportamento econômico a respeito da supremacia e da estabilidade do dólar.

Esta absurda proposta não fez mais que gerar incerteza nos poucos audazes e potenciais possuidores de dinheiro com possibilidade de investir no país.

Enquanto crescem os pseudo-debates entre quem sustentam que há que desvalorizar e dolarizar a economia quebrando a esclerose da conversibilidade contra os defensores desta última respeito do dólar mas agora com sua nova variante com o euro, a economia segue detida e o leve otimismo gerado com a chegada de Cavallo sumiu tão rápido como chegou.

Estamos cada vez mais longe de um futuro próspero, mas ainda é possível pôr o país no caminho do crescimento. Só faz falta que os políticos concordem, que se elimine a corrupção definitivamente e que o atual Ministro da Fazenda pare de fazer campanha política e faça o que melhor sabe fazer.

Conseguir isto não é tarefa menor, mas de consegui-lo, estaríamos dando um primeiro e fundamental passo para sair da recessão e o resto chegará aos poucos e lentamente, já que é rápido o passo do apogeu à depressão econômica, mas lento e difícil percorrer o caminho inverso.

Para consegui-lo, faz falta poder de governabilidade e idéias novas, mas sem gerar mais instabilidade da que já temos.

 

"Português na Argentina" foi atualizado em 15/10/01.

Este site está na Internet desde 24 de março de 2001.

Copyright © 2001. Todos os direitos reservados.