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“Português na Argentina” – Uma proposta didática no ensino de PLE
Introdução A virtualidade está se constituindo no signo dominante desta nova sociedade. Ela nos proporciona acesso a informação ilimitada em qualquer momento e lugar. É deste ponto de vista que ingressar na tecnologia é o desafio do mundo contemporâneo. É inegável que hoje em dia as Novas Tecnologias estão presentes em muitos âmbitos da vida quotidiana e tudo indica que vão estar cada vez mais. Isto parece apresentar uma única opção: aprender a utilizá-las com o propósito de aproveitar os recursos que nos oferecem. É evidente que são uma ferramenta cada vez mais útil e ampla, que podem ajudar a fazer muitas coisas e que, aos poucos, estão entrando em nossas vidas. Então, vai depender de cada um poder encontrar a utilidade das Novas Tecnologias e dar-lhes o uso que convier. A sociedade mediada pela Tecnologia da Informação e da Comunicação tem, na atualidade, acesso à informação sem precedentes. Porém, esta aparente facilidade vai acompanhada de algumas contradições. Alcançar a informação é fácil, mas até que ponto se pode acreditar nela? Chegar à informação significa obrigatoriamente poder manifestar-se sobre seu valor e seu sentido? Portanto, um dos aspectos considerados mais perigosos ao julgar o valor da tecnologia é tirá-la do contexto, não considerando o impacto individual e social producido por ela. Não esqueçamos que cada geração de indivíduos herda os produtos da história cultural, incluindo as tecnologias, que se constituem em instrumentos para lidar com a informação e, assim, chegar a resolver problemas. Uma visão parcial sobre a tecnologia nos levará, então, a não considerar que serão as decisões que tomemos a respeito dela as que trarão conseqüências para os indivíduos. Toda tecnologia cria um novo ambiente humano (McLuhan, 1964) e a sociedade experimentará, independentemente do sentido em que seja utilizada, uma mudança. No campo da educação, a Tecnologia Educativa é, segundo a UNESCO, o uso dos meios de comunicação para fins educativos e o modo de gerar, aplicar e avaliar o conjunto do processo de ensino-aprendizagem levando em consideração os recursos técnicos e humanos e a interação entre eles com a finalidade de obter uma educação mais efetiva. Defrontados com esta realidade e percorrendo a história e a prática da educação, encontramos duas posições extremas nas quais se situam alguns professores na hora de considerar o conhecimento tecnológico no processo de ensino-aprendizagem. Num extremo, estão os que Sancho Gil designa tecnófilos, ou seja, aqueles que pensam que qualquer nova tecnologia é a resposta para os problemas do ensino escolar. Dão ao computador um poder transformador para enfrentar os problemas da educação. Encontram as tecnologias capazes de solucionar os problemas do ensino, de absolver o professor dos aspectos transmissivos e repetitivos do seu trabalho e de dar ao aluno a capacidade de livrar, acumular e estender o conhecimento sem ajuda externa. No outro extremo, situam-se os que a autora denomina tecnófobos, isto é, os que acham que o uso de qualquer tecnologia com a qual eles não estiverem familiarizados representa um perigo para os valores estabelecidos. Pensam que a tecnologia deshumaniza e que a melhor forma de lutar contra ela é não utilizando computadores ou outras novidades, como se só as máquinas e os aparelhos inventados recentemente fossem tecnologia. Os primeiros esquecem que a educação escolar não vai mudar por causa da utilização de certos aparelhos, ainda que sejam os mais modernos ou complexos, e que a proposta pedagógica não se baseia na fascinação pelas Novas Tecnologias, mas na existência de problemas a serem resolvidos, na busca de relações, na estimulação de diferentes estratégias de resolução e na seleção do instrumento adequado para sua execução (Muraro, 1995). Os segundos argumentam sobre os perigos da informática. Na educação, existem muitos professores para os quais estão fora de consideração aquelas ferramentas que não tenham formado parte do próprio processo de socialização e de aprendizagem, considerando as Novas Tecnologias, como já foi dito, deshumanizadoras (Sancho, 1994). Para eles, parece óbvio que a escrita, os livros e o conjunto de recursos e técnicas usados na escola no processo de ensino-aprendizagem não são tecnologias, mas “coisas” que sempre existiram. Não consideram que mesmo a escola é uma tecnologia da educação (Mecklenburger, 1990:106), que os espaços que a escola não ocupar vão ser ocupados por outros agentes da comunicação e que esta posição impede que o aluno desenvolva seu ponto de vista sobre a tecnologia, embora ela não seja a única fonte de aprendizagem. A partir do que já foi dito, é nossa intenção apresentar o site “Português na Argentina” como um novo instrumento para o ensino-aprendizagem de PLE, considerando que as Novas Tecnologias estão sendo incorporadas cada vez mais na prática educativa. Pensamos que para os professores, a Internet é uma poderosa fonte que lhes permite obter informação, atualizar-se, estar em contato com outros colegas e trocar experiências. E para os alunos, os recursos informáticos possibilitam um diferente desenvolvimento na aprendizagem.
Desenvolvimento A causa dos pedidos dos nossos alunos, surgiu a necessidade cada vez mais urgente de utilizarmos as Novas Tecnologias em nossas aulas. Eles solicitavam recursos informáticos como complemento da aprendizagem. Este site nasceu por essa causa: não achávamos na rede nenhuma proposta que nos satisfizesse para trabalhar com nossos alunos na sala de computação dos estabelecimentos onde lecionamos ou para recomendar que usassem nas casas deles. O primeiro objetivo foi, então, que o site fosse uma ferramenta para o aluno. Assim, começamos a publicar exercícios. No início, só incluímos os relacionados com a gramática, porque é o que os alunos, em geral, querem praticar em casa e não podiam achar em outros sites. Depois, foram surgindo outras idéias relacionadas com a exercitação, como a prática de situações comunicativas, compreensão de textos e uso de vocabulário. A partir desta experiência, percebemos que os alunos fazem a maior parte dos exercícios por própria iniciativa. Muitos deles chegam mesmo a fazer aqueles exercícios cujos temas ainda não foram tratados nas aulas. Portanto, chegamos à conclusão de que esta seção não só serve para exercitar os temas vistos, mas também para motivar a autonomia na aprendizagem. Uma vez que começamos a trabalhar com este recurso, informamos aos nossos colegas da sua existência e pedimos que nos enviassem opiniões e sugestões, pois não tínhamos, até aquele momento, experiência no uso das NT nas aulas de português. A resposta foi imediata e vários começaram a usar o site com seus alunos. E também começamos a receber propostas dos professores para desenvolver novas seções. Assim aconteceu com “O baú do professor”. Já que o site não só era acessado pelos alunos, mas também pelos docentes, a professora Patricia Altamiranda pensou em criar um espaço de intercâmbio de experiências para enriquecer o trabalho do professor de PLE e aproveitar as possibilidades que proporcionam as NT. No “Baú” são incluídas propostas pedagógicas baseadas em material existente na Internet. Existe também um tipo de material autêntico que vários de nós usamos com frequência: as canções. Por essa razão, decidimos elaborar um banco de dados que chamanos de “Músicas”, onde podem ser achadas, por enquanto, as que vamos usando com nossos alunos. A partir desta idéia, surgiram outras propostas para auxiliar o professor, como foi o caso da “Agenda” e da seção “Oferecem-se vagas”. A primeira, desenvolvida pelo professor Adén Peluffo, está dedicada a informar sobre acontecimentos relacionados com a divulgação da língua e cultura lusófonas. A segunda, apresenta oportunidades de trabalho para professores que estiverem procurando emprego. Quisemos incluir também uma relação dos professores formados que lecionam na Argentina com o objetivo de que possamos conhecer-nos e também para que as pessoas que estiverem com vontade de aprender português possam se comunicar com eles. A rede informática fornece todo tipo de informação, permitindo que tanto professores quanto alunos tenham acesso a uma fonte ilimitada de dados. Por isso criamos a seção “Links”. Eles foram escolhidos com o objetivo de que as pessoas fossem conhecendo, de acordo com seus interesses, a cultura lusófona, sendo também uma importante ferramenta de trabalho para o professor. A seção “Publicações” pretende funcionar como incentivo para o trabalho de produção escrita dos alunos e para que os professores possam publicar seus trabalhos. Finalmente, há uma seção chamada de “Cursos”, onde pode ser achada informação sobre datas de inscrição em cursos de português. Por enquanto, só incluímos os cursos onde nós estamos trabalhando.
Considerações finais Chegamos à conclusão que as novas tecnologias oferecem uma importante possibilidade de expressão criativa e de comunicação e os professores de línguas estrangeiras não podemos ignorar seu verdadeiro potencial. Um dos desafios na educação atual se relaciona com saber escolher a maneira em que o aluno vai aprender utilizando as novas tecnologias. Achamos que sem uma perspectiva histórico-social, cultural e política da tecnologia, parece difícil que os formadores de começos de século entendam a sociedade na qual vivem e possam tomas decisões sobre sua atuação profissional e sobre os recursos dos que vão precisar para levá-la à prática. Nas palavras de Burga Jung e de Robert Alley, na sua obra Preparando Professores para o século XXI: “O futuro é determinado pelas escolhas do presente. Os professores têm a opção de se recostar e deixar as mudanças invadirem seu mundo e, só então, reagir; ou de participar ativamente na modelagem do futuro”.
Bibliografia CARBONE, Graciela, “El impacto de la tecnologia en la cultura y el conocimiento”, in Educación, crisis y utopías. Las propuestas de la Didáctica y la Pedagogía. GARCIA, Edson Gabriel, “As Negociações de Sentido e os Peixes Podres: os sujeitos, os cidadãos e uma longa conversa”, in http://sites.uol.com.br/cdchaves LITWIN, Edith, “La tecnología y el conocimiento a finales de siglo”, in Educación, crisis y utopías. Las propuestas de la Didáctica y la Pedagogía. ____________, “La tecnología y sus desafios en las nuevas propuestas para el aula”, in LITWIN, Edith (Coord.) Enseñanza e innovaciones en las aulas para el nuevo siglo, Bs. As, El Ateneo, 1997. SANCHO GIL, Juana, “La tecnología educativa en la escuela del futuro”, in Educación, crisis y utopías. Las propuestas de la Didáctica y la Pedagogía. ________________, “La tecnología: un modo de transformar el mundo cargado de ambivalencia”, In SEGÚ, Francesc (dir.) Para una tecnología educativa, s/l, Horsori, 1998. |
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"Português na Argentina" foi atualizado em 26/10/01. Este site está na Internet desde 24 de março de 2001. Copyright © 2001. Todos os direitos reservados. |