Fanfics
Solstícios e Equinócios
Contos de Larissare
I
Phyok e Sindy passeavam pelos bosques de Larissare, de onde sobressaíam verdejantes coxilhas e vales floridos. A paisagem ainda ficava mais bonita em virtude da estação, pois o sol banhava de um jeito ameno o planeta, proporcionando melhores condições para o florescer. Sindy estava ávida para comentar com o híbrido sobre os textos do monge Yeshua Neribadan, que acreditava na existência de uma energia superior, muito maior que a própria FORÇA, a qual o monge denominava de DEUS.
- Sabe, querido. Esses escritos do monge Yeshua são estranhos até para os seguidores de Falenty. Exaltam o amor acima de tudo, colocam os rituais vedhy em segundo plano e são até ousados em afirmar categoricamente que uma pessoa pode se tornar poderosa só praticando o amor. Será que ele está falando a verdade?
- Claro que estava, coração. Ele praticava somente o amor em toda a sua plenitude e conseguia os mesmos prodígios que os outros monges só obtinham às custas de muita resignação e práticas Vedhyeêôguis.
- Será como a prática de amor desse monge?
O híbrido pensou um pouco e teve uma idéia brilhante, ao perceber uma flor de Phlottus destacando-se do lado direito de um pequeno arbusto.
- Bem, vamos fazer uma coisa - disse o alienígena ao se aproximar da flor de formas irretocáveis. - está vendo esta flor aqui?
- Estou, e ela está linda.
- Vamos supor: o quê uma pessoa, digamos eu, faria em sã consciência para mostrar o seu amor à outra, ou seja você?
- Hum, arrancaria essa flor e daria para a pessoa que ama, certo?
- Certíssimo! Só que aí há uma coisa errada.
- Errada?
- É, meu anjo. A pobre flor foi sacrificada apenas para a exaltação de um sentimento e não verificamos o amor em toda a sua plenitude. Agora, veja o que na visão desse monge é a prova de um verdadeiro amor.
Phyok correu até uma fonte de água que se localizava perto e pegou um pouco do líquido com as mãos em forma de concha, e ao voltar despejou a água sobre a flor cuidadosamente.
- Entendeu agora, coração?
- Estou um tanto confusa...
- Eu estou regando esta flor como minha mostra de amor à você. Ela está recebendo a água e por esta prova de carinho recebida continuará a a trazer a sua beleza e o seu perfume, para que o meu amor possa contemplá-la por muitos e muitos ciclos. Cultivei a vida e semeei o amor, não precisei destruir a vida para semear o amor. Clareou?
Sindy exibia nesse instante um sorriso amplo, como se fosse uma criança que recebera um presente esperado há muito tempo. Realmente o amor em toda a sua plenitude: essa era a chave. Phyok a pegou nos braços e a elevou acima de sua cabeça.
- Agora vamos ver esse amor. Pense nisso que você viu e feche os olhos.
Ainda suspensa, a jovem fechou as pálpebras e o híbrido soltou as suas mãos. Seu corpo flutuava serenamente, purificado pela lição que recebera de uma forma tão sublime. Quando seus pés tocaram o chão, abriu os olhos e visualizou o híbrido acenando de longe e gritando: gostei desse vôo! Assimilou bem a lição!
Phyok conhecia mais do ninguém sobre os Jedis, apesar de não dispor da atividade dos Midi-Chlorians e isso às vezes deixava Sindy entristecida. Enquanto voltavam para o Palácio, ela comentou:
- Pôxa, querido. Eu fico triste em ver você me ensinando tanta coisa e me proporcionando tanta purificação mental, a ponto de me fazer flutuar e ao mesmo tempo não posso te ver usufruindo também desse poder. Será que não tem um jeito de te fazer voltar a ser Jedi?
O híbrido elevou e abaixou os ombros, numa dúvida.
- Um dia, quem sabe...
Sindy nesse exato instante olhou para baixo e notou uma coisa que a fez brotar uma lágrima. Viu que a grama não amassava quando o alienígena pisava. Phyok nem percebeu esse detalhe, achando que sua amada apenas chorava de tristeza, mas Sindy estava chorando de alegria, pois chegou à conclusão de que não precisava ser Jedi para fazer maravilhas. Era preciso apenas amor.