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Entrevista com Silvia Helena Penhalbel

DivulgaçãoCV: Silvia, como você qualificaria/descreveria o fã de Star Wars?

O fã é alguém que se dedica a uma série ou, no caso específico de Star Wars, a uma Saga, com o amor que somente as mães têm por seus filhos. Os fãs de Star Wars passam meses confeccionando fantasias, gastam o salário do mês em bonecos e modelos de naves, assistem os filmes uma dúzia de vezes e decoram todas as falas e, sobretudo, têm muito orgulho de serem fãs de Star Wars.

CV: Por que muita gente confunde a paixão por Star Wars com puro fanatismo (no sentido mais pejorativo da palavra)?

Paixão e fanatismo são facilmente confundidos porque a pessoas não prestam a devida atenção nas diferenças. O fanatismo existe até mesmo entre fãs de Star Wars mas não é muito diferente de pessoas que se suicidam quando o Brasil é eliminado de uma Copa do Mundo. Todo fanatismo é perigoso, em qualquer situação. A paixão leva o fã a cometer loucuras mas não machuca ninguém no processo.

CV: Recentemente, nos EUA, uma pessoa vestida de Darth Vader assaltou um cinema. Você acredita que esse tipo de ocorrência pode criar situações onde os fãs sejam mal vistos pela opinião pública?

Sempre existe o problema da generalização. Os bons pagam pelos maus. Mas eu acredito que, no caso de Star Wars, os fãs conseguirão superar a má impressão que este infeliz causou.

CV: O brasileiro, de forma geral, tem uma mentalidade cultural que aceita a atitude do fã como algo saudável ou tal comportamento é rejeitado em nossa sociedade?

Infelizmente o brasileiro em geral vê o fã como alguém anormal, somente porque gostamos de algo que eles desconhecem. E, no entanto, ninguém percebe que novelas, reality shows e futebol geram atitudes exatamente iguais às dos fãs, com o agravante de que torcidas organizadas de futebol, geralmente abrigam os piores arruaceiros. Os fãs sempre demonstraram sua paixão por Star Wars de forma pacífica e saudável e, aos poucos, as pessoas estão aprendendo a compreender e aceitar esta paixão.

CV: Muitos fãs dizem que não foram vestidos de acordo com seus personagens prediletos para ver o "Episódio III" porque se sentiram constrangidos com a possível reação adversa das pessoas. Como ser fã e ao mesmo tempo lidar com essas reações negativas?

É normal as pessoas não quererem “pagar mico” diante de pessoas desconhecidas, os fãs se sentem mais confortáveis em se fantasiar em convenções e encontros, onde serão compreendidos e até aplaudidos. Particularmente, eu não me incomodo com as reações das pessoas em volta, uso fantasias, camisetas, bonés, bandanas e qualquer outro acessório que me convenha no momento sem constrangimento nenhum, fui assistir Episódio III com minha camiseta de Darth Vader autografada e muitas pessoas na fila acharam o máximo. Se alguém achou ridículo ou não gostou eu não sei, pois não me preocupa com estas pessoas.

CV: Ainda existe o pensamento de que todo fã é Nerd, ou seja, aquele arquétipo de pessoa bitolada e sem vida social. Como devemos encarar e superar essa forma de visão tão preconceituosa?

É o que eu digo, o sujeito assiste futebol o domingo inteiro, novelas a semana toda e critica os fãs de seriados e de Star Wars por suas paixões. É fácil rotular os fãs sem conhecê-los realmente. Para nós fãs o ideal é ignorar comentários e provocações, diferentemente das outras pessoas, não precisamos nos justificar ou provar nada a ninguém. São eles que não sabem o que estão perdendo.

CV: Dentre as "loucuras" protagonizadas pelos fãs de Star Wars (ou de qualquer outra série), existe uma história interessante que você poderia nos contar?

Usar fantasias nos eventos á algo que admiro muito. Eu uso e incentivo os fãs a usarem. Não considero exatamente uma loucura mas é uma atitude que requer bastante coragem principalmente quando usamos fantasias elaboradas em dias de calor. Algo que eu acho interessante citar é que a Mary, membro da organização do Conselho Jedi, foi a primeira e única brasileira a usar o “metal bikini” da Leia (O Retorno do Jedi), uma atitude muito corajosa na minha opinião. Recentemente ela aposentou a fantasia e minhas filhas a receberam como herança. Em homenagem à Mary, minha filha Bruna (14 anos) usou a fantasia no Memorial do Imigrante na comemoração do Dia do Fã (20/03/2005) e foi um sucesso.

CV: Muito obrigado pela entrevista, Silvia.

Eu que agradeço, é sempre um prazer colaborar para desfazer a imagem negativa que as pessoas têm com relação aos fãs. Espero ter ajudado.

Um beijo, Silvia.

Carlos Campos

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