Uma legião de fãs invadem os cinemas
Nada mais usual do que a inevitável fila no cinema, principalmente em dia de estréia. E pior ainda quando o filme é nada mais do que o último capítulo de Star Wars. A fantasia espacial de George Lucas chegou ao seu derradeiro episódio colecionando recordes. Logo de cara, "A Vingança dos Sith" alcançou a maior bilheteria em um dia de estréia com $50 milhões de dólares em caixa (feito batido recentemente por "Piratas do Caribe: A Maldição do Pérola Negra"). Tudo graças a acachapante campanha de marketing e, principalmente, pela resposta efusiva do séqüito grupo de amantes da saga.
Acumulando fãs desde que debutou em 1977, Star Wars é tão apaixonante para seus admiradores que eles “passam meses confeccionando fantasias, gastam o salário do mês em bonecos e modelos das naves, assistem aos filmes uma dúzia de vezes e decoram todas as falas”, como exemplifica Silvia Helena Penhalbel, empresária e cronista da revista "Sci-Fi News", especializada em fantasia e ficção-científica (leia a entrevista completa aqui).
Paixão que muitas vezes é confundida com puro fanatismo. “Infelizmente o brasileiro, em geral, vê o fã como alguém anormal, somente por gostar de algo que a maioria desconhece”, diz Silvia que ainda dispara: “O sujeito assiste futebol o domingo inteiro, novelas a semana toda e critica os fãs de Star Wars”.
Apesar das críticas, nada impediu os mais “fanáticos” de irem ver seu filme predileto com a roupa de seu personagem preferido. “Tinha até um cara com a roupa do Darth Vader na Fila”, diz Jayce “O cavaleiro do espaço”, responsável por reunir, através do Orkut, os fãs joseenses que foram à pré-estréia do Episódio III no Cinemark do Shopping Colinas. Um “sacrifício” a mais para quem se considera “o mais fanático dos fãs de Star Wars”, como Jayce se vangloria, com relativa justiça, pois também já realizou dois fã-filmes sobre a saga (inspirados nas batalhas de sabres de luz) e construiu no quintal de sua casa uma miniatura de uma das cidades do filme.
É lógico que com toda essa movimentação de fãs muitos problemas aconteceram. “O pessoal que marcou para se reunir no cinema se desencontrou porque a fila começou muito cedo e todo mundo ficou guardando seu lugar em vez de se encontrar com os amigos”, comenta Jayce. Mas nada se comparou ao inusitado assalto ocorrido na cidade americana de Springfield, onde um homem fantasiado de Vader roubou todo o dinheiro da bilheteria e aproveitou a turva de pessoas na estréia (muitas igualmente fantasiadas) para fugir na multidão sem ser pego (ou identificado) pela polícia local.
“Os fãs conseguirão superar a má impressão que este infeliz causou”, diz Silvia Helena que complementa: “Eles sempre demonstraram seu amor por Star Wars de forma pacífica e saudável e, aos poucos, as pessoas estão aprendendo a aceitar esta paixão”. Apesar disso, muitos ainda ficam ressabiados em sair fantasiados pela rua. “É normal não quererem ‘pagar mico’ diante de desconhecidos, os fãs se sentem mais confortáveis em se fantasiar em convenções e encontros, onde serão compreendidos e até aplaudidos”, completa Silvia. Assim, fica fácil supor que os adeptos de Star Wars preferem se confraternizar lotando as sala de cinema.