Estava eu, dia desses, caminhando por uma estrada
que parecia nunca terminar. Caminhava, caminhava e caminhava. Por mais
que tentava não conseguia chegar aonde eu imaginava.
Por onde eu passava parecia que todos me observavam
e sabiam quem eu era. E eles cochichavam entre si.... Eu os observava e
pelas expressões deles podia imaginar o que poderiam estar pensando
de mim. Mas nada tinha importância, pois eu pensava saber exatamente
para onde tudo aquilo poderia me levar.
Então, de repente, olhei para o céu
e pude ver uma gaivota. Pela primeira vez fixei os olhos nela e comecei
a observá-la. Ela voava, voava e voava.... e eu a observava. Que
vôo maravilhoso, repousante, delicioso. Parei, sentado na orla marítima
e fiquei a admirá-la. Parecia que ela deslizava na imensidão
sem fim. Quanto mais ela fugia, mais intrigantes ficavam os meus pensamentos.
Olhando aquela gaivota, como que num sonho, lembrei-me
de você, do seu sorriso, do seu olhar. E comecei a compará-las.
Percebi as semelhanças entre a sua doçura e o suave vôo
dela, entre a calmaria dela e a tua doce presença, entre o seu meigo
movimento e o calmo deslizar dela por entre as nuvens. Como que num passe
de mágica pude como que ouvir uma canção de anunciação,
que me dizia que algo ainda poderia estar por vir.
Os dias foram passando e dentro de mim nascia
uma vontade cada vez maior de estar ao seu lado. Saia por aí e por
mais que procurava, não conseguia encontrar novamente o seu doce
olhar. Ficava parado por horas e horas, mas você nunca aparecia.
E os dias foram passando.....
No desespero tentei te encontrar nos caminhos
obscuros, na solidão da escuridão, nas noites sem luar.
Sentia-me como num barco à deriva, balançando de um lado
para o outro, sem direção.
E assim, no desespero, através de caminhos
tortuosos, fui a cada dia te perdendo mais e mais. Perguntava para uns
e outros, e também para os meus pensamentos, quem afinal era você.
E a resposta nunca chegava....
Porém, eu mal sabia que você não
passava de um sonho, de uma doce ilusão.
03/09/2000