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Uso de animais como cobaias Cobaias
(sécs. XIX-XX)

Durante muito tempo, e ainda hoje, a dissecação de cadáveres foi vista como um mal necessário para o desenvolvimento da anatomia, medicina e biologia. A partir do século XIX, tornou-se mais frequente o uso de animais como cobaias de experiências científicas, graças ao avanço da anatomia comparada, embora se reconhecesse as limitações do conhecimento obtido. A Segunda Guerra Mundial incrementou o uso de cobaias humanas, tendo horrorizado a todos as pesquisas dos médicos alemães feitas nos campos de concentração nazistas, apesar dos dados dessas experiências, recolhidos pelos aliados, terem sido amplamente utilizados depois do fim da guerra, quando os animais voltaram a ser vítimas da curiosidade humana. Somente após as denúncias de maus tratos e sofrimento inútil causados aos animais, feita por filósofos como Richard Ryder e Peter Singer, em meados dos anos 70 é que esse tipo de prática científica foi posta em xeque. Atualmente, apesar do uso de animais como cobaias ainda ser permitido, procura-se alternativas para o emprego de seres vivos em laboratórios, seja com o uso de inteligência artificial, seja com a apresentação de voluntários, “preferencialmente” mulheres e homens de países subdesenvolvidos.

Discursus

“(...) Numa famosa série de experiências feitas durante mais de 15 anos, H.F.Harlow, do Centro de Pesquisas com Primatas de Madison, Wisconsin, criou macacos em condições de privação materna e total isolamento. Descobriu que, assim, podia reduzir os macacos a um estado em que, ao serem colocados entre macacos normais ficavam agachados num canto, em condições de depressão e medo contínuos. Harlow também produziu, entre macacas, mães tão neuróticas que esmagavam o rosto de seus filhos no chão, e depois os esfregavam para frente e para trás(...).
“Nesses casos, e em muitos outros parecidos, os benefícios para os seres humanos são inexistentes ou muito incertos; ao mesmo tempo, porém, as perdas para membros de outras espécies são concretas e inequívocas. Consequentemente, as experiências indicam uma falha na atribuição de igual consideração aos interesses de todos os seres, a despeito da espécie a que pertençam.”
(SINGER, Peter. “Igualdade Para os Animais?”, in Ética Prática, p.76/77).

Direito Autoral

Foto: Um macaco sendo submetido a uma experiência neurológica, fonte: Salvat Editora do Brasil.


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