GEOGRAFIA

AQÜÍFERO GUARANI (BOTUCATU) 

Deserto Botucatu -
   
             A milhões de anos atrás, os continentes que hoje encontramos no globo estavam todos unidos e formavam uma única massa continental, a Pangéia. No interior deste megacontinente formou-se um imenso deserto e devido à continental parte deste deserto ficou localizado no que hoje conhecemos como América do Sul. O interessante é que a maior parte deste deserto ficou localizada onde hoje é o Brasil, mais especificamente na Bacia do Rio Paraná, porém, além da parte brasileira incluía trechos do Uruguai, Paraguai e Argentina, na Bacia do Chaco - Paraná. A parte do deserto que ficou localizada no Brasil recebeu o nome de Botucatu e media cerca de 1,2 milhão de Km2, podendo chegar a 1,5 milhão de Km2 se considerarmos alguns depósitos arenosos do mesmo tipo encontrados no Mato Grosso e Rondônia (tamanho equivalente ao Estado do Amazonas).

             Arenito Botucatu -
            No intervalo de 133 e 120 milhões de anos atrás, milhares de fendas abriram-se na crosta terrestre e teve início então o maior processo de vulcanismo rético que a Terra já viu. O grande deserto foi então coberto por “lençóis” de lava de diferentes espessuras. A lava ao sair das fendas estava a uma temperatura de cerca de 1200 Cº e  conseqüentemente muita fluida, assim, se espalharam sobre as dunas do deserto preservando suas formas. A areia que ficou então sob a camada de basalto (rocha originária do resfriamento da lava), sofreu um processo de cimentação e um certo cozimento dando origem a uma rocha sedimentar (origem eólica). Essa rocha possui uma coloração avermelhada devido ao óxido férrico e recebeu o nome de arenito Botucatu. O arenito Botucatu foi muito utilizado nos alicerces de construções antigas e é popularmente conhecido como pedra doce. 

Aqüífero Guarani ou Mercosul (Botucatu) -
   
         A camada de arenito Botucatu, que esta localizada na maior parte sob o basalto é muito permeável e possui excelente condutividade hidráulica, o que facilita a acumulação de água. Na verdade o arenito Botucatu funciona como uma esponja sugando a água e permitiu a formação de uma das maiores reservas subterrânea de água do planeta. Essa reserva se encontra em toda aquela área antes abrangida pelo deserto Botucatu, ou seja, cerca de 1,2 milhões de Km2 com uma reserva permanente de 50 mil Km3 de água doce.O imenso reservatório estende-se pela Bacia do Paraná e parte do Chaco - Paraná - (Brasil 840 mil Km2, Paraguai 58,5 mil Km2, Uruguai 58,5 mil Km2 e Argentina 255 mil Km2)-. No Brasil alcança GO, MS, MG, SP, PR, SC E RS. Estima-se que este oceano subterrâneo-(reserva permanente de 50 mil Km3 de água) - possa abastecer uma população de 150 milhões de pessoas por mais de 2500 anos. Por ano entram nesse reservatório, através de infiltrações da chuva e outras fontes, cerca de 160 Km3 de água. Esta água é a chamada reserva ativa do aqüífero e calcula-se que 25% desta reserva pode ser explorada imediatamente, sem comprometimento às reservas permanentes do manancial. Contudo, devemos tomar muito cuidado para não destruir esse imenso patrimônio natural. Existem indícios de forte poluição em alguns trechos do reservatório, principalmente às margens do rio Paraná, onde a água do aqüífero é quase superficial. Outro problema é sua exploração desordenada e desenfreada em determinados locais, pois como já se sabe, o reservatório se espalha por três países, portanto, é necessário que se façam imediatamente acordos internacionais para que este “oceano” possa ser explorado corretamente. 

Água -
   
         Todos sabem da importância da água para nossa vida e atividades econômicas. Porém, segundo a ONU, em 2005 dois terços da população mundial vai passar sede (mais de 4 bilhões de pessoas). Hoje nós já temos no mundo cerca de 70 regiões em confronto pela posse de fontes de água potável. Para se ter uma idéia da importância do aqüífero Guarani, vejam alguns dados:

           
75% da superfície do globo é líquida
Porém, aproximadamente

           
97%  desta água é salgada;
           
2% desta água está congelada;
           
1% desta água é  doce .
Contudo, de toda água doce do planeta:

            1% doce =  95% é subterrânea e apenas 5% é superficial.

            Pode-se perceber que a saída de hoje e do futuro para a questão da água esta sob nossos pés. Hoje cerca de 72% das cidades do estado de São Paulo são abastecidas com água subterrânea. Assim, se faz necessário e inadiáveis acordos interestaduais (Brasil) e internacionais (Brasil, Paraguai, Uruguai e Argentina) para a exploração do aqüífero Guarani, para que isso não se torne algo predatório, principalmente num período em que possivelmente as guerras começarão a surgir no mundo devido à falta de água.

Professor Danilo Cesar Angelo (Professor de Geografia da E.E. Cardoso de Almeida)

  Ver mais sobre o Aqüífero Guarani


Globalização Econômica

Conceituar globalização é algo muito complexo, pois isto vai depender da área de atuação de cada um, ou seja, cada profissional observará de acordo com seu ponto de vista. Porém, sabe-se que a globalização é um processo que nasceu há muito tempo e com o passar dos anos foi se intensificando devido às revoluções que as indústrias foram sofrendo em conseqüência do surgimento de novas tecnologias. Com o fim da 2a Guerra Mundial a Europa se encontrava toda esfacelada e não tinha mais condições de manter as colônias que possuía espalhadas pelo globo. Assim, tem inicio o processo de descolonização dos países subdesenvolvidos, principalmente os países africanos. É público que os países subdesenvolvidos são por excelência exportadores de matéria-prima e muitos destes países exportam apenas um tipo de matéria -prima em grande quantidade. Com a descolonização, o número de países subdesenvolvidos independentes aumentou e conseqüentemente a oferta de matéria-prima, porém o preço desta despencou. Desta maneira os países subdesenvolvidos passaram a sofrer ainda mais com o desemprego, pois são países populosos e dependem da exploração da matéria - prima para trabalhar e conseqüentemente sobreviver. Além disto, a reconstrução dos países destruídos pela guerra fez com que a industrialização tivesse um novo impulso e as transnacionais, atrás de mão-de-obra barata e abundante, incentivos fiscais, grande quantidade de matéria-prima barata, passassem a se alastrar pelo mundo subdesenvolvido. Os países subdesenvolvidos, que já estavam sofrendo com a queda do preço dos produtos primários que vendiam, passaram a receber estas indústrias e com elas veio o aumento do desemprego, pois além de existir nestes países pouca mão-de-obra qualificada para trabalhar no setor secundário, a tecnologia substituiu o homem e aumentou a propagação da miséria devido a enorme concentração de renda. As indústrias nativas do submundo também passaram a sofrer, pois os produtos das transnacionais são melhores e mais baratos e além disto há nestes países uma grande parcela da população que está desempregada, assim a indústria nacional fica com pouquíssimo mercado consumidor. Além das transnacionais causarem enormes problemas ambientais e sociais, remetem todo seu dinheiro para seu país de origem, que claro é um país desenvolvido. Com toda esta globalização econômica, globalizam -se também os problemas. O 30 mundo se espalhou por todos os outros, através de migrações à procura de trabalho e melhores condições de vida, mas assim mesmo, os países desenvolvidos têm hoje várias regiões onde a pobreza predomina. Um exemplo clássico é a diferença entre o norte e o sul da Itália, que é um dos países integrantes do G-7. Contudo, nos países pobres nunca (?) vai existir um projeto político nacional que faça com que esta posição de submisso mude. Assim surgem discursos dos países desenvolvidos que dizem que os países do 30 mundo nasceram para ser pobres e dificilmente sairão desta posição. Pensar desta maneira é estar retrocedendo ao período determinista e na verdade se os projetos nacionais nunca deram certo, é porque existem “ forças ocultas trabalhando ” neste sentido. O que se pode observar neste processo globalizatório é que o grande beneficiado pela expansão e modernização do capitalismo não foi o povo e sim as grandes empresas transnacionais e conseqüentemente os países desenvolvidos. A globalização é algo planejado pelos ricos para dar ao pobre a impressão de que está ganhando um pedaço do bolo. Aproveitando - se do sonho de consumo da sociedade capitalista, são introduzidos nos países subdesenvolvidos os estoques de produtos que não são mais vendidos nos países ricos, por estarem superados tecnologicamente. Em outras palavras, os produtos encalhados nos países ricos são lançados nos países pobres para fazer a felicidade geral da nação em lojinhas de 1,99 e barraquinhas de camelô. Quem nunca disse para o filho: quando eu era criança não tinha acesso a brinquedos eletrônicos! Hoje todos podem comprar um carrinho (made in China) para o filho numa barraca de camelô e desta maneira o pai fica feliz por ver o filho feliz. A sociedade capitalista é doente (?) por consumir e esta falsa globalização dá as camadas mais humildes a impressão de estarem inseridas no contexto global. O prazer que uma pessoa de classe média - alta tem ao comprar vinhos e charutos, é o mesmo que uma pessoa de classe baixa tem ao comprar um canivete chinês no 1,99. Muitos têm a idéia de que a globalização fez com que o mundo se torna um só conjunto e na verdade foi ela quem proliferou o 30 mundo, fazendo o G-7 cada vez mais rico e o resto, literalmente o resto, cada vez mais pobre. O que pode se sentir dentro do processo de globalização, é que existe um certo imperialismo, onde quem manda mais chora menos, ou seja, se os subordinados não fizerem o que os E.U.A mandarem, estão excluídos das relações globais. Depois de todo esse almejado processo globalizatório, o que se vê no mundo hoje é um processo neocolonizador disfarçado com o nome de regionalização. Um exemplo desta tentativa de neocolonialismo foi a proposta que fez o Sr. BiIl Clinton, presidente do E.U.A, de que o Brasil e a Argentina deveriam priorizar a ALCA ao invés do Mercosul. Sabe - se que o PIB de toda América Latina não chega a metade do PIB dos E.U.A, portanto esta abertura proposta por Clinton é muito perigosa, já que a indústria dos E.U.A possui mais tecnologia e consegue vender produtos melhores e mais baratos, assim todo o pequeno parque industrial latino americano iria falir e os E.U.A se tornariam definitivamente metrópole da continental colônia latino americana. No meu ponto de vista a saída para os países subdesenvolvidos seria em primeiro lugar fazer uma reforma política que desse maior atenção aos projetos políticos nacionais em detrimento aos de projeção pessoal e como sabemos os países subdesenvolvidos são grande maioria no globo. Em segundo lugar, estes países deveriam se unir e formar cartéis, a exemplo dos países desenvolvidos - OPEP -, para promover suas indústrias mundialmente, pois só assim deixariam de fazer parte de uma falsa globalização com tecnologia ultrapassada e passarão a fazer parte da globalização que só os desenvolvido conhecem, além de começar a desenvolver tecnologia própria. Devemos ter em mente então que a globalização não foi responsável pelo aumento do consumo nos países subdesenvolvidos, ela apenas acelerou este processo, porém foi a grande responsável pelas complicações que este causou, como a inadimplência e o abandono dos gastos com a educação e saúde pelas famílias, para que estas pudessem saldar suas dívidas. Temos hoje então, pela primeira vez, um governo que privilegia a classe média - alta fazendo um discurso popular, já que existe um consumo de duas pontas (os vinhos e os canivetes). Contudo este consumo de duas pontas nada tem a ver com globalização nos países subdesenvolvidos, o que tem a ver é o convencimento de que todos podem consumir. Em síntese a globalização serviu, antes de mais nada, para criar o desemprego estrutural, aumentar a concentração de renda e disseminar a miséria.

Professor Danilo Cesar Angelo (Professor de geografia da E.E. Cardoso de Almeida)

MATEMÁTICA | PORTUGUÊS | BIOLOGIA | FÍSICA | QUÍMICA | HISTORIA | EDUCAÇÃO FÍSICA | SOCIOLOGIA | FILOSOFIA CIÊNCIAS | INGLÊS | PSICOLOGIA | EDUCAÇÃO  ARTÍSTICA