ABORTO  

A liberação do aborto:  embora reconheça ser questão  polêmica , nego  como opinião pessoal.

Carlos Alberto de Araújo Gomes
Turma 2000/II

É  certo que o aborto, sob qualquer prisma que se analise,  suscita questões polêmicas porque lida com a vida, com a morte premeditada, com a religião, com a moral social e, principalmente,  com o instinto mais gregário que é o  instinto materno.  Por tais razões, se de um lado concorrem, com cada vez mais  pressão social, as  teses feministas pela sua liberação, de outro lado  avolumam-se, a cada dia,  toda sorte de restrições que a sociedade é capaz de reunir contra tal  medida.

Não se pode negar a força de um movimento a nível mundial que, há décadas, pugna, com cada vez mais veemência, pela liberdade de escolha que se deve dar à mulher gestante de levar ou não a termo a gravidez. O principal argumento que esse movimento  adota é de que a mulher é dona absoluta do seu próprio corpo e, nesse sentido,  o mais correto é remeter-se à sua consciência,  o ato de aceitar ou não a gravidez.

No entanto, paralelamente, têm surgido questões que merecem uma análise mais profunda.

A primeira e mais importante é precisar o momento  da existência do ser vivo porque esse é, exatamente, o momento a partir do qual  se pode  falar em pôr fim a uma vida.  Embora existam, ainda,  opiniões que advogam ser  aquele em que o feto adquire feições humanas, parece que não há mais dúvida  em apontar-se o da concepção, isto é, da entrada do espermatozóide no óvulo feminino, como o momento do sopro da vida.

A segunda questão diz respeito aos princípios transcendentais, trazidos pela nossa  cultura religiosa, que perquire sobre o momento em que a pessoa passa  a ter alma.   É  dogmático o entendimento de que o feto tem alma desde a concepção, o que fundamenta  o convencimento de que o aborto é uma agressão à lei divina  da vida.

A terceira,  é de  fundo ético que traz à tona  indagações a respeito dos princípios   axiológicos da  cultura  ocidental.  Verificam-se, então,  argüições em nome do  sentido da vida, desde o  nascer,  como uma caminhada  de evolução da espécie, para a qual o ser humano se prepara,  já, na vida uterina  e, em relação a qual,  o ato de abortar agride a consciência da nossa cultura.

A quarta questão é a social que traz à lume a reprovação categórica do aborto, por injustificável, na medida em que se torna, cada vez mais  simples e acessível, a utilização dos métodos contraceptivos.

A quinta, e não menos importante, é a do aborto eugênico e  humanitário. O primeiro, cada vez mais viabilizado pelas tecnologias médicas, serve para pôr termo ao desenvolvimento de fetos com defeitos somáticos, enquanto o segundo diz do  risco à  saúde da gestante. Quanto ao  primeiro,  o que se discute é a  serventia como instrumento de depuração da raça e, quanto ao segundo, apontam, os críticos,  o erro substancial em  considerar a prevalência de uma vida sobre a outra.

Reconheço, assim,  analisados os  diversos prismas abordados, que a questão é   complexa para ser decidida em uma fórmula simplista do tipo : permitir ou não permitir .

No entanto,  tenho,  para mim,  que,  destarte a inegável  aceitabilidade dos argumentos dos que o defendem, é de reconhecer que são demasiadamente fortes e convincentes os fundamentos éticos, morais, religiosos e sociais,  para negá-lo,  razão porque sou de opinião contrária  à sua liberação.


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