ARQUIVO


(Leia Opiní-o, em Esperanto as palavras são paroxítonas)

Índice

Recomendações de Opinio

O que defende Opinio?

Últimas notícias

Arquivo

Os redatores de Opinio

O POVO - O JORNAL DO CEARÁ
http://www.noolhar.com/opovo/ 

EDITORIAL
Idioma da esperança

Fortaleza reúne discípulos de Zamenhof

[03 Agosto 00h54min]

Começa hoje, prosseguindo até o próximo dia 10, no Centro de Convenções Edson Queiroz, o 87º Congresso Internacional de Esperanto. Está sendo esperada a participação de cerca de 1.500 pessoas no evento, praticamente todas discípulas da proposta de que o idioma sintético, lançado em 1887 pelo médico judaico-polonês Ludwig Lazar Zamenhof (1859-1917), se torne a linguagem universal.

Zamenhof era obcecado pela idéia de que a diversificação de línguas e alfabetos no planeta Terra contribuía para os conflitos internos e externos de cada país. Ele próprio era originário de uma Polônia que tinha perdido a independência no século XVIII e que só seria recuperada em 1918, dividida até a Primeira Guerra Mundial entre os impérios Russo, Austro-Húngaro e Alemão. Era a síndrome poliglota da Torre de Babel, cuja construção foi interrompida pelo castigo do Senhor, quando fez que cada operário falasse uma língua diferente.

Esse problema era vivido simultaneamente pelos conterrâneos e contemporâneos judeus de Zamenhof na Europa do Norte, a ponto de que, no século XIX, terem consolidado a fala em iídiche, uma síntese do hebraico, polonês, russo e alemão antigo. Fenômeno semelhante aconteceu com os hebreus pré-independência de Israel, na Palestina, Turquia, Grécia e Norte da África, quando adotaram o dialeto ladino, mistura, entre outras línguas, do hebraico e do espanhol. Tanto o iídiche quanto o ladino contam até hoje com literaturas próprias.

A própria variação de alfabetos foi motivo de atenção inclusive de governantes para que fossem uniformizados. Quando proclamou a república na Turquia, em 1923, o primeiro presidente e maior reformador do país, Kemal Ataturk, empreendeu entre as mudanças a adoção do alfabeto latino, substituindo o arábico. Foi reformulação equivalente à da União Soviética quando trocou o calendário oficial juliano pelo gregoriano. Embora a URSS tenha mantido, incluindo a Rússia independente pós-1991, o tradicional alfabeto cirílico.

O estudo e o ensino do esperanto é considerado, fora da comunidade dessa linguagem, hobby de um grupo de abnegados. Contudo, classificar o esperanto de opção meramente supérflua se torna precipitado. Uma das vantagens do vocabulário de Zamenhof é que facilita o contato entre pessoas de todo o mundo. Em termos de comunicação audiográfica convencional e planetária, tem importância equivalente ao código Morse na telegrafia e ao radioamadorismo, tecnologias que, ultimamente, vêm sendo substituídas pela Internet.

Leve-se em conta que o esperanto tem como uma das propostas adjacentes a possibilidade de ser utilizado como canal de divulgação para inúmeros temas. Tanto é que, durante o congresso, haverá reuniões abordando medicina, segurança pública, meio ambiente, proteção aos animais, astronomia e outras áreas do conhecimento.

Certamente que o congresso montará estandes para que sejam comercializadas diversas publicações impressas em esperanto e que facilitem para os leigos o acesso à língua artificial. O fato de Zamenhof ter escolhido para o novo idioma o alfabeto latino, decididamente, pode agilizar o aprendizado para os interessados.

Pode-se, portanto, auscultar as discussões e as decisões do 87º Congresso Internacional de Esperanto. Os debates devem ser importantes até para filólogos e especialistas em geral na pesquisa e aprimoramento da linguagem. Afinal, nem todos eles tiveram a ousadia de Zamenhof em criar uma nova língua para o mundo, quando ainda se estudam, até como disciplinas de currículos, as línguas mortas. Assim como no século XX, protagonizou-se e testemunhou-se a introdução de uma língua ressuscitada, o hebraico, no Estado de Israel.

Para os esperantistas, a expectativa é que a linguagem deles um dia se torne a chave da paz. Nesse ponto, é o que nem só eles almejam, sendo uma utopia perseguida pela maioria.

 

Opinio recomenda

Movimento Nacional em Defesa da Língua Portuguesa 

Defendo de Unuopaj Lingvoj

EsperantoBrasil.com

Kurso de Esperanto

Dicionário ALLS

Projeto Nesto


Listas de Discussão
Eki

Esperanto-BR
Bejo

Ĝangalo (em Esperanto)

Radioarkivo.org