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                                          SOBRE AS POSIÇÕES POLÍTICAS NA USP

                                                                                                                                                   Por Renato Araújo
 

   É muito triste que nossos professores, a respeito da realidade, somente possam dizer coisas engraçadas( refiro-me ao bom humor dos poucos que se comprometeram dizer algo a respeito das questões atuais nos debates e em seus parênteses nas aulas).
   Não é preciso citar nomes, mas acho que a fantasia tem, neste departamento, tomado o lugar de qualquer análise mais realista ou, se quisermos, menos fantástica do  tratamento do que é  real (dados  imediatos da realidade – os problemas do nosso tempo).
   É com esta luxúria necessária (auto-imposta) que pretendemos lidar com o mundo das idéias, com o reino de Deus, com o espírito absoluto, com a coisa-em-si e com todas as outras fantasias, sem nos desviarmos  sequer um milímetro do rigor e seriedade que são as atitudes  básicas para qualquer filósofo, professor ou aluno de filosofia.
    É exatamente com este rigor que tratamos tudo do quanto é mais fantasticamente belo em nossa profissão de literatos filosóficos – que ninguém tenha a inocência de que o “homo filosoficus” não seja o “homo literatus” pois já desde antes de se encarar contemporâneamente a filosofia já havia um mundo como vontade e representação para senão todos, ao menos, para muitos de nós.   Mas não é isso o que vemos quando tratamos de nossa realidade imediata. Nem objetividade ou volição são ações próprias da humanidade dos humanos  ditos sérios e rigorosos para com a verdade do real (técnicos do saber prático = interpretes de texto). E isso é válido não só aos professores, mas  principalmente aos alunos, pois os que se calaram consentiram.
   O que se vê é, quando na sala de aula ao falarmos da coisa-em-si ou do reino de Deus não há possibilidade nenhuma de nos desviarmos do método próprio da exatidão da ordem das estruturas ou das razões das “fantasias” caso  alguém muito inocentemente  tente desviar-se dessa retidão logo no primeiro  ano receberá uma nota de seu professor para ser prontamente enquadrado no esquema.
   Ora, que nota nós alunos daremos aos professores que tratam da realidade não com rigor, seriedade, estrutura, mas somente com engraçadíssimas piadas?
   Os fatos demonstram que é muito mais fácil falar das “regras para direção do espírito” que propor, partindo do real, uma “espiritualização das regras.”
   Nenhum de nós temerá o futuro. Somos mesmos os construtores dele. A piada, a exposição e  “o quê fazer” filosófico, são todos condições a posteriori da análise imediata da situação.
   Tanto é assim que, quando  os empresários monopolísticamente gerirem também a educação Universitária das Estaduais, não seguiremos o exemplo de nossos professores, mas indisciplinadamente, das nossas piadas faremos muito mais gente rir!

                                                                                                                        FOLHETO PARA CALOUROS DA USP

                                               ALUNO  RENATO ARAÚJO  04/04/2000.

 

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Revista de filosofia e cultura
ALUNOS DA TURMA DE 1997 - UNIVERSIDADE DE SÃO PAULO