Entrevista com Daniel Radcliffe (Harry Potter)
Daniel
Radcliffe é um anjo. Bonitinho, olhos azuis (esverdeados
por lentes de contato no filme, para ficar como os de Harry Potter),
bom aluno, inteligente, educadíssimo. No dia em que recebeu
Hermione, no Grande Salão de Hogwarts recriado nos estúdios
de Leavesden, em Londres, enfrentou uma jornada de oito horas
falando para jornalistas de todo o mundo. Em nenhum momento reclamou
de cansaço. Ao ser informado de que chegara a vez da entrevista
com uma repórter do Brasil, lembrou-se de uma passagem
de A Pedra Filosofal: "Quando Harry vai ao zoológico,
ele conversa com uma jibóia brasileira", disse. "A
cena está no filme."
Houve dois obstáculos que ele teve de vencer para interpretar
o jovem mago: a própria timidez e a resistência dos
pais. Alan e Marcia recordavam-se de casos de crianças
famosas e problemáticas, envolvidas na adolescência
com drogas e álcool: Macaulay Culkin, o garoto de Esqueceram
de Mim, e Drew Barrymore, a menina de E.T. Por isso, relutaram
em autorizar o trabalho.
Hermione - Qual foi sua reação ao saber que tinha
sido escolhido para o papel?
Daniel
Radcliffe - Chorei à beça. Tinha passado por algumas
entrevistas, mas fiz apenas dois testes. E meus pais estavam pensando
que talvez não fosse bom para mim fazer esse filme. Achei
que Chris Columbus tinha desistido de mim.
Hermione - Você ficou nervoso nas filmagens?
Daniel - Muito. No começo eu estava despreparado, porque
tinha ensaiado apenas com o diretor, sem o resto do elenco. Quando
cheguei ao estúdio e vi aquele monte de gente olhando,
atores muito mais experientes que eu, tive medo. Estou em quase
todas as cenas, sabia que muita gente ficaria esperando um erro
meu a qualquer hora. Depois relaxei, e acabei me divertindo muito.
Hermione - Você já tinha lido algum livro da série
antes de ser chamado para o filme?
Daniel - Só o primeiro. Mas confesso que não era
muito amigo dos livros... Aí me chamaram para o papel e
eu li A Pedra Filosofal quatro vezes. Descobri que era muito legal.
Hermione - Por que você acha que esses livros fazem tanto
sucesso?
Daniel - Porque têm todas as coisas mais divertidas de magia,
como vassouras voadoras, pessoas que desaparecem, animais fantásticos,
varinhas de condão. E são mais inteligentes que
muitos outros. Tem também o lado sombrio, o mistério.
Isso dá um molho especial.
Hermione - O que mudou em sua vida por causa do filme?
Daniel - Parei de ir à escola. Tinha um professor particular
que me dava quatro horas de aula por dia, nos intervalos das filmagens.
Tinha também mais quatro horas de trabalho, o tempo permitido
pela lei. No começo era difícil. Eu não conseguia
me concentrar nos estudos. Depois me acostumei e acabei tirando
as melhores notas de toda a minha vida. Fora isso, pouca coisa
mudou. Meus pais fizeram um esforço enorme para que eu
continuasse com uma vida normal, convivendo com os amigos da escola
o máximo possível.
Hermione
- O que você faz com o dinheiro que ganha?
Daniel - Guardo tudo. Meus pais me ajudam, põem na poupança.
Quero guardar para comprar uma casa quando eu tiver 21 anos. Nem
sei se é suficiente para comprar uma casa, mas se precisar
eu trabalho um pouco mais e completo. (Estima-se que ele tenha
recebido US$ 1,4 milhão pelo primeiro filme.)
Hermione - Você conversou com J.K.Rowling sobre Harry?
Daniel - Sim, umas três vezes. Ela me deu algumas dicas
sobre Harry, elogiou meu teste, disse que estava feliz de eu ter
sido escolhido. Mas, na verdade, a descrição que
ela faz no livro é tão precisa que ficou bem mais
fácil. Tudo o que eu tinha de saber está lá.
Hermione - Você se acha parecido com Harry?
Daniel - Talvez. Como ele, eu também sou curioso e fiel
a meus amigos. Ao mesmo tempo, ele tem uma coragem que eu não
teria em determinadas situações. Uma pessoa corajosa
é aquela que escolhe um caminho que outras não escolheriam
porque têm medo. E Harry faz isso várias vezes ao
longo da história.
Hermione - Qual é seu poder mágico preferido? Voar,
desaparecer, mover objetos com a varinha?
Daniel - A capa da invisibilidade. Se pudesse escolher apenas
um poder, seria esse.
