Organização Social e Política Brasileira
Colégio Diocesano Seridoense
Professor Gilberd Soares

 
 
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Banco de Questões de História do Brasil

Segundo Reinado

TEXTO PARA A PRÓXIMA QUESTÃO

(Ufrj 2003) "Vizinhos! - É Olécia que está escrevendo
Saúde boa e bem vai se vivendo.
Faz sete meses que silenciamos
No fim de tal destino já acampamos.
Vivemos em florestas, em cabanas,
E imensamente estamos trabalhando.
Vivemos juntos, não nos separaram,
da vila quinze léguas nos distaram.
Na mata, sob montanhas....Não chiamos:
Não há estradas, trilhas palmilhamos.
Brasil! Também se sofre nessa terra:
Pegou-nos logo a febre amarela.
Em três meses na Ilha das Flores
Morreram três mulheres e três homens
(...)
Que mais escrevo? Novas não alardam.
De cobras cinco nossos se finaram.
Aqui anda um povo rude pelo mato
Que mata e come a gente. Fuja deste fato.
Se Deus quiser, e nós nos recompormos.
Quarenta fomos, em dezoito somos.
(...)
(FRANKÓ, Iwan. Carta do Brasil, 1895, in: ANDREAZZA, Maria Luiza. "O Paraíso das Delícias". Curitiba: Aos Quatro Ventos, 1999.)

O poema acima foi composto a partir das notícias que chegavam na Europa Oriental sobre a situação dos imigrantes eslavos que vieram para o Brasil em 1895. Tal movimento demográfico era parte das chamadas "Grandes Migrações", que implicaram a transferência de milhões de europeus para as Américas, sobretudo a partir da segunda metade do século XIX.

  1. Indique dois aspectos presentes no poema que expressam as dificuldades enfrentadas por imigrantes pobres que vieram se estabelecer no Brasil em fins do século XIX.

2. (Fuvest 2003) "RIO JAPURÁ - Neste rio, próximo do Içá, dá-se o mais bárbaro e desumano tráfico de índios.

Ordinariamente, nos meses de janeiro e fevereiro, sobe aquele rio número considerável de canoas com carregamentos de machados, facas, terçados, missangas, espelhos, etc, com o fim especial de trocarem tais mercadorias com índios que passam a servir aos negociantes como escravos. (...) De Tefé, Fonte Boa, Coary e Calderão, território brasileiro, partem as expedições para aquele tráfico: e de volta a esses pontos são novamente vendidos por 100$000 ou mais".

("Correio Paulistano".11/10/1878.)

 

A partir do artigo do jornal, e usando seus conhecimentos de História, identifique:

a) A região onde se realizava esse tipo de comércio escravista e em quais atividades econômicas era utilizada a mão-de-obra indígena;

b) Alguns dos principais conflitos, no Brasil, desde o período colonial, em relação à escravização indígena.

 

 3. (Puc-rio 2001) O trabalho escravo indígena e do negro africano desempenhou papel fundamental na colonização da América Portuguesa.

 

a) Considerando-se que, nos primórdios da colonização, o recurso à escravização dos "negros da terra" - isto é, dos indígenas - foi uma prática recorrente inclusive nas áreas de plantio da cana-de-açúcar, cite 1 (uma) razão que tenha contribuído para a progressiva substituição dos escravos indígenas por escravos de origem africana nessas áreas.

 

b) Caracterize 1 (uma) repercussão econômica, social ou demográfica do fim do tráfico negreiro intercontinental para a sociedade brasileira em meados do século XIX.

 

 4. (Ufrrj 2000)       "Ora, dizei-se: não é isto uma farsa? Não é isto um verdadeiro absolutismo, no estado em que se acham as eleições no nosso país? (...) O poder moderador pode chamar a quem quiser para organizar ministérios; esta pessoa faz a eleição porque há de fazê-la; esta eleição faz a maioria. Eis, aí está o sistema representativo do nosso país!"

                (Nabuco de Araújo, discurso ao Senado (17/07/1868), citado no Manifesto Republicano de 1870.)

 

Tido como ponto de partida para o movimento de 15/11/1889, o Manifesto, em sua crítica ao funcionamento das instituições políticas do Império, questiona o Poder Moderador e o sistema parlamentar vigentes na época.

a) Aponte o responsável pelo exercício do Poder Moderador, segundo a Constituição de 1824.

b) Explique, a partir do texto, o porquê de diversos historiadores considerarem o sistema parlamentar brasileiro, de então, um "parlamentarismo às avessas."

  5. (Fuvest 2004) "Na comunidade doméstica de constituição patriarcal, ainda bem viva durante nosso Império, os escravos constituíam uma simples ampliação do círculo familiar. Por isso e também por motivos compreensíveis de interesse econômico, o bem estar dos escravos devia ser mais caro ao fazendeiro do que o dos colonos."

                Sergio Buarque de Holanda. Introdução da obra Memória de um colono no Brasil de Thomas Davatz.

 

Com base no texto,
a) Indique quais os conflitos decorrentes da tradição escravista dos fazendeiros com relação ao emprego da mão-de-obra livre.

b) Explique o que levou os colonos a deixarem a Europa e virem para o Brasil, apesar dos problemas apontados.

 6. (Fuvest 2004) Canção 1

Suba ao trono o jovem Pedro
Exulte toda a Nação;
Os heróis, os pais da Pátria
Aprovaram com união.

Canção 2

Por subir Pedrinho ao trono,
Não fique o povo contente;
Não pode ser coisa boa
Servindo com a mesma gente.

                Quadrinhas populares cantadas nas ruas do Rio de Janeiro em 1840.

 Compare as quadrinhas populares e responda:

a) Por que D. Pedro II tornou-se imperador, antes dos dezoito anos, como previa a Constituição?

b) Quais as diferentes posições políticas expressas nas duas canções populares?

  7. (Uerj 2001)

 

O Poder Moderador pode chamar a quem quiser para organizar ministérios; esta pessoa faz a eleição, porque há de fazê-la; esta eleição faz a maioria. Eis aí o sistema representativo do nosso país!

                (Adaptado de NABUCO, Joaquim. "Um estadista do Império". Rio de Janeiro: Topbooks, 1997.)

 A caricatura de um jornal de época e o trecho do discurso do senador do Império Nabuco de Araújo retratam as práticas políticas vigentes no Império do Brasil, ao longo do Segundo Reinado.

Considerando os dados acima, cite uma diferença entre o parlamentarismo vigente no Império do Brasil a partir de 1847 e o parlamentarismo praticado na Inglaterra nessa época.

 

 8. (Uerj 2002) Leia o trecho abaixo, extraído das memórias do barão e visconde de Mauá.

 Era já então, como é hoje ainda, minha opinião que o Brasil precisava de alguma indústria (...) para que o mecanismo de sua vida econômica possa funcionar com vantagem; e a indústria que manipula o ferro, sendo a mãe das outras, me parecia o alicerce dessa aspiração.

                (Adaptado de PRIORE, Mary del et alii. "Documentos de História do Brasil: de Cabral aos anos 90". São Paulo: Scipione, 1997.)

 Considerando as ações empreendidas por Mauá, tanto no setor industrial quanto no setor de serviços, exemplifique:

 a) duas condições econômicas que possibilitaram essas ações;

 b) duas melhorias urbanas introduzidas na Era Mauá.

 

 9. (Uerj 2003) A beleza natural da cidade do Rio de Janeiro fascinava os estrangeiros do século XIX que ali paravam em suas viagens pelo mundo. Enquanto seus navios ancoravam ao largo da baía de Guanabara, eles admiravam as casas caiadas de telhas vermelhas à sombra das montanhas recobertas pela floresta tropical. Uma nota destoante, no entanto, era a visão que os visitantes tinham de um navio negreiro que também adentrava o porto, com sua carga humana. Essa cena portuária prenunciava o que esses turistas do século XIX veriam ao desembarcar, mas outros, desprevenidos, ficavam surpresos diante da natureza da população.

                (KARASH, Mary C. "A vida dos escravos no Rio de Janeiro" (1808-1850). São Paulo: Companhia das Letras, 2000.)

 

A partir do texto, identifique a função econômica da cidade do Rio de Janeiro, no período entre 1830 e 1850, e diferencie, quanto ao modo de vida, as escravidões rural e urbana no Brasil, na mesma época.

 

 10. (Ufc 99) "Ceará: Terra da Luz". Esta denominação foi conferida ao Ceará por ter sido a primeira província brasileira a libertar seus escravos.

 a) Quais as principais atividades em que era utilizada a mão-de-obra escrava no Ceará?

 b) Caracterize o contexto sócio-político e econômico em que ocorreu a abolição da escravidão no Ceará.

 

 11. (Ufg 2003) Era um sonho dantesco... O tombadilho

Que das luzernas avermelha o brilho,
Em sangue a se banhar,
Tinir de ferros... estalar de açoite...
Legiões de homens negros como a noite,
Horrendos a dançar...

(ALVES, Castro. O navio negreiro. "Canto da esperança". Rio de Janeiro: Nova Fronteira, 1990. p.127.)

O poema "O navio negreiro" (1868), ao descrever as condições desumanas do tráfico de escravos, transformou-se em símbolo da campanha abolicionista na década de 1870. No entanto, deve-se ressaltar que o marco de mudança das relações escravistas ocorreu em 1850, com a Lei Eusébio de Queiroz. Fazem parte dessas modificações, além da abolição do tráfico de escravos, o impulso à imigração, um incipiente surto industrial, a modernização e o crescimento das cidades. Sobre esse contexto,

a) descreva a atuação da Inglaterra na extinção do tráfico de escravos da África para o Brasil.

b) estabeleça a relação entre a extinção do tráfico de escravos africanos para o Brasil e o início da industrialização brasileira.

 

 12. (Ufrrj 2001) "Enquanto pelo velho e novo mundo vai ressoando o brado

- emancipação da mulher -, nossa débil voz se levanta

na capital do império de Santa Cruz, clamando: educai as mulheres!

Povos do Brasil, que dizeis civilizados! Governo, que vos dizeis liberal!

Onde está a doação mais importante dessa civilização,

desse liberalismo?"

                FLORESTA, Nísia - 1853. In: "História das Mulheres no Brasil". São Paulo, UNESP/Contexto, 1977. p. 443.

Nísia Floresta constituiu uma exceção na sociedade brasileira de sua época. Dedicada ao ensino e à atividade intelectual, sua biografia é um exemplo marcante de atuação da mulher, num período em que o universo feminino dos setores médios estava reduzido ao domínio da casa.

a) Descreva um elemento representativo dos costumes e comportamentos da mulher na sociedade brasileira de meados do século XIX.

b) Indique uma mudança na posição da mulher brasileira no século XX.

 

 13. (Ufrrj 2001)     "Num mundo onde os grande empresários privados costumavam ter uma única empresa, Mauá apostou na diversificação. No país onde agricultura parecia destino manifesto, ele montava uma indústria atrás da outra."

                CALDEIRA, Jorge. "Mauá: empresário do Império". São Paulo, Companhia das Letras, 1996. p. 18.

Na segunda metade do século XIX, o Brasil destaca-se por uma vocação essencialmente agrária. Neste sentido, o texto acima aponta para o exemplo de uma ação individual empreendida em direção à abertura de indústrias durante o Império. Nessa perspectiva,

a) aponte dois aspectos da estrutura econômica brasileira no Segundo Reinado.

b) indique duas características da tentativa de industrialização empreendida por Irineu Evangelista de Sousa, o Visconde de Mauá.

 

 14. (Ufscar 2002) Analise a tabela.

 

 

A partir da análise da tabela, e considerando a lei de 1831 e a Lei Eusébio de Queirós de 1850, responda o que explica o número de cativos entrando no porto da Bahia nos anos de

a) 1840 e

b) 1851.

 

 15. (Ufscar 2003) Analise a tabela a seguir e responda.

 

 

a) Quais as características da economia cafeeira no século XIX no Brasil?

b) Dê os motivos das mudanças ocorridas na quantidade de café produzida no Vale do Paraíba e no Oeste Paulista, entre 1854 e 1888.

16. (Ufscar 2003) Observe os versos da canção.

 (...)

Mesmo depois de abolida a escravidão

Negra é a mão de quem faz a limpeza

Lavando a roupa encardida, esfregando o chão

Negra é a mão, é a mão da pureza

Negra é a vida consumida ao pé do fogão

Negra é a mão nos preparando a mesa

Limpando as manchas do mundo com água e sabão

(...)

Êta branco sujão

(Gilberto Gil, "A mão da limpeza")

 

a) Que origens históricas desencadearam a realidade descrita na letra de música apresentada?

b) Que elementos da atual realidade brasileira estão presentes nessa letra de música?

 

 17. (Unesp 2002) Observe a tabela e responda.

 

 

a) A que acontecimento político-social ocorrido no Brasil deveu-se o aumento significativo da entrada de imigrantes em São Paulo?

 

b) Quais os principais grupos de imigrantes que chegaram a São Paulo no período? Cite um motivo que possa explicar sua saída do país de origem.

 

 18. (Unesp 2003) Em 1871, porém, a Nação Brasileira deu o primeiro aviso à escravidão de que a consciência a vexava, e ela estava ansiosa por liquidar esse triste passado e começar vida nova. Pode alguém que tenha adquirido escravos depois desta data queixar-se de não ter sido informado de que a reação de brio e do pudor começava a tingir a face da Nação? O preço dos escravos subiu depois da lei (...).

(J. Nabuco, "O abolicionismo".)

 

a) Qual a lei que restringiu a instituição da escravidão no Brasil a que se refere Nabuco?

 

b) Explique o conteúdo dessa lei e por que o autor afirma que, após sua promulgação, "o preço dos escravos subiu".

 

 19. (Unesp 2003) Entre 1864 e 1870, a chamada Tríplice Aliança enfrentou o Paraguai em um conflito que ficou conhecido como Grande Guerra ou Guerra do Paraguai.

a) Quais os países que formavam a Tríplice Aliança?

 

b) Como se deu o início do conflito entre o Brasil e o Paraguai?

 

 20. (Unesp 2004) O texto seguinte se refere a um esforço de implantação de fábricas no Brasil em meados do século XIX. Não se pode dizer (...) que tenha havido falta de proteção depois de 1844. Nem é lícito considerar reduzido seu nível (...) Não se está autorizado, portanto, a atribuir o bloqueio da industrialização à carência de proteção. O verdadeiro problema começa aí: há que explicar por que o nível de proteção, que jamais foi baixo, revelou-se insuficiente.

(J. M. Cardoso de Mello. O Capitalismo tardio, 1982.)

 

a) Qual foi a novidade da Tarifa Alves Branco (1844), comparando-a com os tratados assinados com a Inglaterra em 1810?

b) Indique duas razões do "bloqueio da industrialização" ao qual se refere o autor.

 

 21. (Unicamp 2003) Foi tão grande o impacto da publicação e divulgação de "A origem das espécies", de Charles Darwin, em 1859, que sua teoria passou a constituir uma espécie de paradigma de época, diluindo antigas disputas. (Texto adaptado de Lilia M. Schwarcz, "O espetáculo das raças". São Paulo, Cia. das Letras, 1993, p. 54.).

 

a) Qual a tese central da teoria de Charles Darwin?

b) Por que esta teoria significou uma ruptura com as idéias religiosas dominantes na época?

c) No final do século XIX, quais aspectos da política de imigração para o Brasil estavam relacionados às teses darwinistas?

 

 22. (Pucmg 2004) Considerando-se os dados do anúncio, a realidade e a lógica do sistema escravista no Brasil, da segunda metade do século XIX , é correto afirmar que, EXCETO:

a) a recompensa pela recaptura demonstra a valorização da mão-de-obra escrava, haja vista o fim do tráfico em 1850.

b) os escravos de autoridades militares eram mais bem tratados e tinham o reconhecimento de ser bons profissionais.

c) a descrição física detalhada do fujão ajudava na sua captura e demonstrava o processo ideológico de coisificação do escravo.

d) o jornal contribuía para a localização do paradeiro do cativo fugido, facilitando sua captura e, conseqüentemente, sua volta à vida no cativeiro.

 

TEXTO PARA AS PRÓXIMAS 2 QUESTÕES.

(Pucmg 2004) "Fugiu da fazenda do Cruzeiro, distrito da Gloria, termo de Queluz, Joaquim escravo pertencente ao tenente Antonio Lopes de Faria, com os seguintes sinais: crioulo, barbado, alto, cheio de corpo, boa dentadura, sobrancelhas serradas, na mão direita tem o dedo máximo ou 3Ž. aleijado e no cotovelo dum dos braços tem uma cortadura, pés tortos para dentro e nos dedos grandes dos pés não tem unhas, sinais de chicotadas pelo corpo, entende de carpinteiro, é bom tropeiro; dá-se a quantia de 100$000 a quem o trouxer e entregar a seu senhor e pondo em alguma cadeia ou dando notícias certas gratifica-se com 50$000 (...)."

                (Jornal O Constitucional de Ouro Preto, 20 de julho de 1879, p.4)

 

 23. Pelas informações do anúncio, é correto afirmar que fazia parte do cotidiano do escravo, EXCETO:

a) o castigo físico, disciplinador da subordinação ao senhor.

b) o trabalho e, muitas vezes, o exercício de mais de uma atividade.

c) a aceitação social da vontade própria do escravo.

d) a rebeldia, expressa da consumação da fuga.

 

 24. Comparando a atividade cafeeira com a atividade açucareira, no Brasil na primeira metade do século XIX , pode-se afirmar que:

a) as duas atividades, pela sua localização, incrementaram o comércio, as cidades regionais, a indústria nacional e a construção de ferrovias.

b) as duas atividades basearam-se na grande propriedade monocultora, na mão-de-obra escrava e na utilização de recursos técnicos rudimentares.

c) a primeira concentrou-se inicialmente no oeste paulista, apesar de a região não possuir relevo e solos adequados ao cultivo.

d) na segunda, por se tratar de uma cultura temporária, havia um custo menor de instalação desde o plantio até a sua transformação.

e) a primeira usou as colônias de parceria como forma de suprir a escassez de mão-de-obra, desde as primeiras áreas cultivadas no período colonial.

 

 25. (Fuvest 2002) Sobre a condição dos escravos no Brasil monárquico, é possível afirmar que eles

a) foram protagonistas de diversas rebeliões.

b) eram impedidos de constituir família.

c) sofreram a destruição completa de sua cultura.

d) concentravam-se no campo, não trabalhando nas cidades.

e) não tinham possibilidades legais de conseguir alforria.

 

 
 
 
 

 

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