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Conteúdo do 1º Bimestre
O
PODER
É impossível estudar uma sociedade sem
fazer referência a política que a organizou e a manteve. Da
mesma forma, não existe a possibilidade de discorrer a respeito
de política sem esbarrar no conceito de poder.
Ter o poder é dispor de autoridade para
governar. O poder supõe, conseqüentemente, a existência de
dois elementos: de quem tem a autoridade para exercer o poder
e daquele sobre o qual se exerce o poder; do governante e
do governado; de quem manda e de quem é mandado; de quem dá
as ordens e de quem as cumpre. Assim, quem detém o poder político
decide, em última instância, a vida da coletividade, a nossa
vida, a sua vida.
Qual a estrutura do poder? Dada a importância
do assunto, reflexões, como as que seguem, deveriam
ser realizadas por todo “zoon politikón”:
- qual a origem do poder?
- de que maneiras o poder é conquistado?
- como se pode manter o poder?
- como se pode expandir o poder?

Quem detém o poder político decide,
em última instância, a vida da coletividade
A
CONQUISTA DO PODER
Segundo o filósofo Georg Wilhelm Friedrich
Hegel (1 770-1831), o que leva o ser humano a desejar o poder
não é apenas a vontade de dominar os outros homens, mas também
a vontade de ser amado e reconhecido. Hegel, em seu livro
Fenomenologia do Espírito, nos ensina que o
homem só se torna realmente humano quando, além de satisfazer
os desejos puramente animalescos — como comer e beber —, lança-se
à luta pela conquista do poder. O animal tem por preocupação
máxima a sobrevivência biológica; o homem, para conquistar
a liberdade (para não viver escravizado) luta pelo poder e
coloca a sua vida biológica em risco. A condição humana pressupõe
dominar e ser reconhecido como dominador.
A teoria de Hegel é, no mínimo, interessante.
Você, guardando as devidas proporções, já não tentou colocá-la
em prática no relacionamento com seus colegas ou, talvez,
com seus familiares?
A luta pelo poder tem sido, de uma forma
ou de outra, a mola propulsora da história das civilizações.
A história dos povos é determinada pelos grupos, pelas classes,
pelos partidos, pelas personalidades que exerceram o poder.
Importante dizer aqui que o poder não nos
é dado gratuitamente: ele tem de ser conquistado. E após a
sua conquista, a luta continua para que ele seja mantido.
Toda sociedade abriga interesses diversos e nela há governantes
(que jamais renunciam ao poder espontaneamente) e governados
(entre eles, muitos lutam para assumir o poder). Por decorrência,
a luta pelo poder sempre existirá.
A luta pela conquista do poder nos tem revelado,
ao longo da história, as duas dimensões básicas do ser humano:
a animalidade (quando há violência) e a racionalidade continuar
sobrevivendo. Os assassinatos, as revoluções, os golpes de
estado, as guerras (internas e externas) têm constantemente
manchado de sangue as páginas da história da humanidade.
KENNEDY
John Fitzgerald Kennedy, primeiro presidente
católico dos Estados Unidos da América. Assassinado em Dalías,
Texas, no dia 22 de novembro de 1963.
KING
Martin Luther King, um dos principais dirigentes
da campanha a favor do reconhecimento dos legítimos direitos
dos negros nos Estados Unidos, aconselhou a luta dentro da
dignidade e da disciplina. Prêmio Nobel da Paz em 1964. Assassinado
em 1968.
GANDHI
Mahatma Gandhi, a alma do movimento da
independência da Índia, pregando a ação baseada no princípio
da não-violência. Assassinado em 1948.
CESAR
Júlio César, célebre general romano, foi
um dos mais ilustres homens de guerra da Antiguidade. Assassinado
por seu filho Brutus nos idos de março de 44 a.C.
A dimensão racional do ser humano se coloca
em evidência nos processos pacíficos da luta pelo poder. Se
até se pode justificar a necessidade de exercer a autoridade,
colocando as tropas nas ruas para que se mantenha a ordem
social, não é essa a condição para que o poder seja duradouro.
Muito mais importante que a força física e violenta, para
haver poder - poder legítimo — há necessidade de consentimento.
A luta sem violência para conquista do poder
ocorre nos regimes livres — democráticos —, em que todos os
homens, em principio, são considerados iguais e, portanto,
todos têm condições de participar do exercício do poder.
“A política é uma tensão entre dois pólos:
a violência possível e a livre coexistência. Contra a força,
faz-se necessária a resistência pela força, a menos que se
esteja disposto a admitir a própria escravização ou a própria
destruição. A livre coexistência cria uma comunidade por meio
de instituições e de leis. A política da força e a política
da parlamentação opõem-se por natureza: a combinação de uma
e outra tem constituído a prática política até os dias de
hoje, e, talvez, por tempo indeterminado.”
JASPERS, Karl. Introdução ao pensamento
filosófico. 2. ed. São Paulo: Culturall, 1973. p. 66.

O Brasil hoje possui eleições informatizadas
que
são exemplo para o mundo inteiro
A
IMPORTÂNCIA DAS ELEIÇÕES
Apesar das deficiências que possam apresentar~
as eleições são o processo mais racional de luta pacifica
pela conquista do poder. Pressupondo a liberdade da defesa
de ideais, do debate, da critica, da oposição... as eleições
excluem a violência. Pela manifestação livre da vontade do
povo, o voto assegura a legitimidade do poder.
Pelas eleições, num regime democrático,
o poder político:
- não é usurpado, mas consentido;
- não é herdado nem vitalício, pois
é exercido por representantes da maioria por um tempo determinado;
- por emanar do povo em geral, não
é privilégio de poucas pessoas (de um grupo ou de uma classe),
pois todos os setores da sociedade têm o direito de candidatar-se
a ele;
- é transparente, porque as informações
sobre as decisões governamentais devem circular livremente;
- é legitimo, pois existem leis
que o asseguram.
ATIVIDADES
1. Faça um comentário a respeito desta nota:
Nada pacífica a campanha do delegado Moroni Torgan, candidato
à Câmara dos Deputados pelo PSDB do Ceará: “Meu número você
não esquece, é 4512. A pistola 45 e a escopeta calibre 12”,
diz ele na TV. (Gazeta da Povo, 1998, p. 34)
2. Redija um texto, de no máximo 15 linhas,
sobre a “conquista do poder”.
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