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Silves constitui um excelente caso de estudo em termos urbanísticos. A profusão de casos existente no seu perímetro urbano é bem demonstrativo de como a ausência de uma política coerente de desenvolvimento urbano e do território, associada aos interesses económicos dos privados, pode levar à existência de uma cidade com alguns rostos diferentes.Fortemente condicionada em termos de construção pela ausência da indústria corticeira, a cidade assistiu a um crescimento urbano não só extra muros, mas também fora do perímetro urbano (veja-se os casos do Bairro da Caixa D'Água, Enxerim, Pinheiro, Estação de Silves, Cerro de S. Miguel, etc.). Ou seja, as zonas limítrofes da cidade adquiriram uma dinâmica de crescimento, enquanto o centro registou uma estagnação. Assim, problemas de vária ordem surgiram, não só em termos de dotação de infraestruturas destes espaços, mas também devido ao surgimento de uma certa identidade sócio-cultural, que parece acentuar uma certa guetização de alguns destes locais. E se em alguns dos casos referidos o crescimento parece também ter estagnado, outros como no caso do Enxerim e da Estação de Silves, parecem ainda apresentar uma dinâmica de crescimento. E eis que rebenta a bomba da chegada do Instituto Piaget, e as questões ligadas ao urbanismo voltam a estar na ordem do dia. Actualmente, na cidade decorrem obras de construção/preparação em quatro ou cinco locais diferentes, e mais urbanizações se anunciam. A dúvida coloca-se? Existirá necessidade de tanta habitação na cidade? Serão os estudantes do Piaget suficientes para responder à oferta de casas para alugar que irá surgir? Até quando se irão manter os preços praticados na venda de lotes, que tornam, neste momento, as habitações à venda na cidade nas mais caras do barlavento algarvio? E se as taxas de juro se mantiverem, será que existirá procura para tanta habitação? Basta vermos o caso dos terrenos junto ao estádio Dr. Francisco Vieira, para onde estão programados a construção de cinco blocos de habitação, numa área onde o estacionamento se revela problemático, e onde o espaço parece ser exíguo para tanta habitação. Mas se atentarmos bem no tipo de construção que se pratica hoje em dia, não só no Algarve mas também no país inteiro, esta parece atentar mais às necessidades dos diferentes promotores imobiliários, do que à necessidade não só das cidades em si, mas também dos seus futuros moradores, que se vêem confrontados com a oferta de autênticas "caixas de fósforos", exclusivamente dedicadas à habitação, e onde a inclusão no edifício de um café ou uma papelaria parece ser um sacrilégio em termos de arquitectura. As nossas cidades estão progressivamente a desumanizar-se e seria bom que em Silves as novas construções não obedecessem a este princípio. Mas para além das novas construções, outros problemas subsistem ainda por resolver, estando alguns deles dependentes do poder local, e outros da iniciativa privada. Assim, temos:
- A profusão por toda a cidade de edifícios abandonados/degradados de habitação própria, que confere a Silves, um ar de cidade fantasma, e onde só o tempo parece ser capaz de resolver esta questão; Nuno Ferreira
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