Annnire
já estava no limite do seu pulmão, silencioso, pensativo. Sua amada não
agüentava, circulou Annnire suavemente e o perturbou com seu canto. – O
que tu queres amada.
- Precisas respirar Anniremunneri.
O ser aquático nada tristemente para a superfície da grande célula, está
cansado deste planeta, quando a noite chega inclina seu corpo e olha as
estrelas, lá estão seus antepassados. Fugiram da Célula há milhares de
ciclos. Desde que tinha 5 ciclos Annnire sonha com as estrelas, com vida
em outros planetas. As fêmeas o consideram um poeta quando canta para as
estrelas.
Seus pais se preocupam, seu canto é triste, distante. Ele não está
feliz.
Em breve migrarão, ele retornará para as águas revoltas onde nasceu.
Haverá novas fêmeas que poderão alegrá-lo, existe mais comida no sul.
Os anciões têm esperança que a viagem o torne mais ativo. Os
amiurecennnens que antes que contaram em milhões agora são pequenos
grupos. A comida é mais abundante, mas se não tomarem cuidado, chegará
o dia que na existirão mais.
São os "duas pernas", eles evoluíram e alguns deles estão
matando. Começou no último milênio, Zannzar avisou que chegaria o dia
da escolha. Se Annnire ainda estiver vivo escolherá as estrelas, ninguém
tem dúvida.
Pobres duas pernas, há tanto tempo já foram avisados em suas línguas
primitivas. Avisados que o final chegaria. Pobre Annnire, ronda no mar
solitário como rumou seu avô, o Moliliiiiiiiic em busca de um sinal. A
fauna e a flora da célula é rica e bela, existem muitos mistérios para
ocupar a grande mente de qualquer um amiurecennnens.
E lembranças de jogos, namoros e uma vida cheia de aventuras para se
lembrar durante a migração.
Mesmo assim, mesmo tendo toda a atenção de sua amada, Anniremunneri fez
a viagem calado. Afundando no interior de seu enorme cérebro.
Há duzentos anos existiam duas pernas que possuíam o cérebro danificado
e viagem no interior de uma grande nave. Assassinavam muitos
amiurecennnens.
Contra toda a lei da não violência de seu povo, o avô de Annire se
tornou um proscrito para enfrentar o capitão desta nave. Foram anos de
lutas, mas ele conseguiu.
Moliliiiiiic havia matado um grupo de duas pernas, diziam que ele era
louco, ou diziam que era assassino. Seu avô nunca mais poderia viver em
grupo. Viveu sua vida como um solitário, um herói distante que com seu
ataque salvou muitas famílias da morte.
Mesmo sendo proscrito sua história foi e será lembrada enquanto houver
amiurecennens.
Hoje os inimigos são outros, vivem nas zonas dos vulcões, mais velozes.
Mas os "duas pernas" tem leis, talvez esses inimigos sejam pegos
pelos seus antes que matem todos os gigantes da grande célula.
O grupo está cansado, o mar possui muitos kiris, mais do que o suficiente
para todo o grupo durante o meio ciclo que passarão.
- Aonde tu vais, Annnire?
Passear um pouco, eu vi alguns irmãos pequenos nadando perto do recife.
- Posso ir junto?
- Pode, mas não fale nada, eles não conhecem a língua mãe. Depois eu
te ensino.
Annnire nadou suavemente deixando parte do seu corpo na superfície
noturna.
A amada não se aproximou, manteve a distância de 500 metros, o
suficiente para ouvi-lo respirar e sentir seu coração. Não havia irmãos
menores, apenas uma pequena nave com um "duas pernas" sentado. A
amada ficou com medo que este lhe fizesse mal, nunca tinha visto um
"duas pernas", ela ficou surpresa quando descobriu que ele tinha
o tamanho de um irmão menor. O ser estranho esticou as nadadeiras
compridas e as encostou em Annnire., ele não recuou, o pequeno ser tinha
o tamanho do olho de Annnire. Parecia estranho considerar os duas pernas
como parentes, tão frágeis, com pouca capacidade mental. A amada
compreendeu que aquele "duas pernas" era amigo de Annnire. Uma
amigo diferente que o acompanhou do norte da Célula ao sul. Quando
Annnire voltou para próximo da amada comentou que ele sabia cantar também.
Na noite seguinte a amada viu acontecer a mesma coisa. O Annnire e o
"duas pernas", então ela ouviu a pequena criatura cantar para
seu companheiro.
Um dia Annniremunneri lhe contou. Contou o que o "duas pernas"
também sabia cantar.
O "duas pernas" tinha vindo das estrelas, de uma outra célula,
para onde tinham ido há milhares de anos seus parentes para semear a galáxia.
Quando as baleias ainda conversavam com os homens.
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