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atualizado 25/12/2004

 

Índice

 

 

A Grande Célula

Annnire já estava no limite do seu pulmão, silencioso, pensativo. Sua amada não agüentava, circulou Annnire suavemente e o perturbou com seu canto. – O que tu queres amada.
- Precisas respirar Anniremunneri.
O ser aquático nada tristemente para a superfície da grande célula, está cansado deste planeta, quando a noite chega inclina seu corpo e olha as estrelas, lá estão seus antepassados. Fugiram da Célula há milhares de ciclos. Desde que tinha 5 ciclos Annnire sonha com as estrelas, com vida em outros planetas. As fêmeas o consideram um poeta quando canta para as estrelas.
Seus pais se preocupam, seu canto é triste, distante. Ele não está feliz.
Em breve migrarão, ele retornará para as águas revoltas onde nasceu. Haverá novas fêmeas que poderão alegrá-lo, existe mais comida no sul. Os anciões têm esperança que a viagem o torne mais ativo. Os amiurecennnens que antes que contaram em milhões agora são pequenos grupos. A comida é mais abundante, mas se não tomarem cuidado, chegará o dia que na existirão mais.
São os "duas pernas", eles evoluíram e alguns deles estão matando. Começou no último milênio, Zannzar avisou que chegaria o dia da escolha. Se Annnire ainda estiver vivo escolherá as estrelas, ninguém tem dúvida.
Pobres duas pernas, há tanto tempo já foram avisados em suas línguas primitivas. Avisados que o final chegaria. Pobre Annnire, ronda no mar solitário como rumou seu avô, o Moliliiiiiiiic em busca de um sinal. A fauna e a flora da célula é rica e bela, existem muitos mistérios para ocupar a grande mente de qualquer um amiurecennnens.
E lembranças de jogos, namoros e uma vida cheia de aventuras para se lembrar durante a migração.
Mesmo assim, mesmo tendo toda a atenção de sua amada, Anniremunneri fez a viagem calado. Afundando no interior de seu enorme cérebro.
Há duzentos anos existiam duas pernas que possuíam o cérebro danificado e viagem no interior de uma grande nave. Assassinavam muitos amiurecennnens.
Contra toda a lei da não violência de seu povo, o avô de Annire se tornou um proscrito para enfrentar o capitão desta nave. Foram anos de lutas, mas ele conseguiu.
Moliliiiiiic havia matado um grupo de duas pernas, diziam que ele era louco, ou diziam que era assassino. Seu avô nunca mais poderia viver em grupo. Viveu sua vida como um solitário, um herói distante que com seu ataque salvou muitas famílias da morte.
Mesmo sendo proscrito sua história foi e será lembrada enquanto houver amiurecennens.
Hoje os inimigos são outros, vivem nas zonas dos vulcões, mais velozes. Mas os "duas pernas" tem leis, talvez esses inimigos sejam pegos pelos seus antes que matem todos os gigantes da grande célula.
O grupo está cansado, o mar possui muitos kiris, mais do que o suficiente para todo o grupo durante o meio ciclo que passarão.
- Aonde tu vais, Annnire?
Passear um pouco, eu vi alguns irmãos pequenos nadando perto do recife.
- Posso ir junto?
- Pode, mas não fale nada, eles não conhecem a língua mãe. Depois eu te ensino.
Annnire nadou suavemente deixando parte do seu corpo na superfície noturna.
A amada não se aproximou, manteve a distância de 500 metros, o suficiente para ouvi-lo respirar e sentir seu coração. Não havia irmãos menores, apenas uma pequena nave com um "duas pernas" sentado. A amada ficou com medo que este lhe fizesse mal, nunca tinha visto um "duas pernas", ela ficou surpresa quando descobriu que ele tinha o tamanho de um irmão menor. O ser estranho esticou as nadadeiras compridas e as encostou em Annnire., ele não recuou, o pequeno ser tinha o tamanho do olho de Annnire. Parecia estranho considerar os duas pernas como parentes, tão frágeis, com pouca capacidade mental. A amada compreendeu que aquele "duas pernas" era amigo de Annnire. Uma amigo diferente que o acompanhou do norte da Célula ao sul. Quando Annnire voltou para próximo da amada comentou que ele sabia cantar também.
Na noite seguinte a amada viu acontecer a mesma coisa. O Annnire e o "duas pernas", então ela ouviu a pequena criatura cantar para seu companheiro.
Um dia Annniremunneri lhe contou. Contou o que o "duas pernas" também sabia cantar.
O "duas pernas" tinha vindo das estrelas, de uma outra célula, para onde tinham ido há milhares de anos seus parentes para semear a galáxia.
Quando as baleias ainda conversavam com os homens.

    copyright wilton pacheco 2003