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1997
Interferência
na Fotografia
Chamamos
de fotografia ou registro gráfico da luz quando a luz emitida, refletida
ou refratada descreve alguma imagem ou manchas sobre algum papel
fotosensibilizado quimicamente. A imagem é convencionalmente obtida através
de uma caixa preta que com um
pequeno orifício (com ou sem lente) permite captar a luz do meio através
de um processo físico conhecido como difração. a luz queima (modifica)
quimicamente um filme sensibilizado que passa por banhos que revelam a
imagem e a fixam para a ampliação no papel fotográfico.
Este
é o método usual, porém, se utilizando do papel fotográfico ainda não
exposto a luz podemos criar a imagem de forma direta. É um processo
conhecido por:
FOTOGRAMA
O
papel em questão deverá ter alguma substância que reaja a luz, de forma
que possa diferenciar a parte exposta da parte não exposta. O elemento
normalmente utilizado é o nitrato de prata que após a exposição a luz
é passado por um líquido revelador. O revelador escurecerá as áreas
que foram protegida da ação da luz, ou seja, tudo aquilo que ficou as
sombras não sofrerá o efeito do revelador. O nitrato que não foi
exposto se dissolve no revelador e o exposto escurece. Com a água é
interrompido o processo e com o fixador impossibilita a luz de continuar
escurecendo a imagem.
A
imagem, fator relevante, é tudo aquilo que interfere na luz de alguma
forma, enfraquecendo a luz do ampliador (acetatos foscos, plásticos com
relevos, etc.), concentrando a luz nalgum ponto (com a utilização de
lentes ou espelhos), com o posicionamento temporário o total do tempo de
exposição da luz do ampliador (de acordo com o efeito desejado, movendo
um objeto ou posicionando-o em pontos diferentes do papel em parcelas
diferentes do tempo total de exposição), fazendo várias exposições do
ampliador respeitando o tempo limite deste.
A
luz pode receber um interferência por reflexão. Levando em conta que ela
é mais absorvida por área escuras do que pelas áreas claras, é possível
interferir na intensidade da luz através da utilização de outra imagem
plana. Como o papel fotográfico possui uma certa transparência, podemos
colocar a imagem por baixo deste (o contraste será obtido se o papel
fotográfico for invertido e aumentado o tempo de exposição). Nas área
brancas da imagem a luz será refletida dobrando a intensidade deste no
papel sensibilizado, já nas áreas escuras a luz fará o percurso de
atravessar o papel fotográfico sem se refletir, sendo absorvido de acordo
com o tom da imagem.
É
um processo simples e lúdico, está amarrado à origem da fotografia,
tanto nas experiências de Talbot
quanto nos rótulos farmacêuticos de Florence.
Colocar
rendas, clipes, e botões para obter sombras é uma ação registrada
fotograficamente, o número de cópia é limitada pela maneira que é
disposto estes objetos.
Se
colocarmos aleatoriamente lantejoulas sobre o papel fotográfica e depois
expô-lo à luz será impossível repetir o mesmo padrão caótico obtido.
Porém, se fizermos montagem sobre um acrílico (ou outro material translúcido)
do qual possamos sobrepor ao papel sem modificar a forma criada com
lantejoulas ou papel recortado poderemos obter um número maior de cópias.
A partir desta ação a matriz pode ser comparada à um negativo ( matriz
a partir da qual se faz a ampliação ). Claro que neste caso ocorrerá
uma ampliação se o acrílico for colocado mais próximo do ponto focal
do ampliador. Se esta matriz pode ser considerado como negativo
construído é uma questão de semântica.
O
NEGATIVO CONSTRUÍDO a princípio é a
montagem de um negativo a partir de outros já existentes, recortando
imagens de negativos e remontando para se obter a
imagem desejada, é uma trabalho minucioso que invariavelmente pode
ser identificado pela ampliação, seja pelo registro da fita adesiva,
seja pela junção do corte de um negativo ao outro. Tal método foi muito
utilizado pelo russo Alexander Rodshenko.
Para
os mais puristas, o fato do negativo construído passar pelo ampliador de
maneira convencional, pode parecer que é o item que o difere de uma
matriz de fotograma montada sobre um chapa transparente rígida como
descrito no parágrafo anterior. Porém
devemos nos lembrar que um negativo não está amarrado aos 36mm
convencionais, podendo existir no formato 120 mm ou maior de acordo com a
necessidade e as possibilidades técnicas do fotógrafo. O fato de não
existir câmara na dimensão requerida não significa que não possa ser
montada, caixas escuras que possibilitavam a obtenção de imagem em
negativos de dimensões consideráveis já era usado antes da existência
da fotografia por Jan Van Eicke
. A partir da imagem projetada ele obtinha o desenho para as suas pinturas
hiperealistas. A reprodução a partir de negativo acima do tamanho
convencional não é feito necessariamente de um ampliador, sendo que a
imagem obtida no tamanho do negativo pode ser satisfatória. Neste caso, não
é nem a reprodutibilidade, nem o fato de ser usado o ampliador que difere
a matriz do fotograma ao do negativo montado, mas a natureza do negativo
de registrar a imagem pela luz recebida.
Deixemos
claro que não estamos falando da cópia (ou das cópias, ampliadas ou não).
O
fato de, ao montarmos o negativo, deixarmos marca de corte e colagem,
deixamos uma alteração a mais no resultado que não confere à uma
simples montagem. Isto, a princípio parece contar pouco, porém estas
marcas tem peso estético e devem ser manipuladas para que este peso não
seja destrutivo, mas corrobore com o efeito desejado, neste caso podemos
dizer que todo o Negativo Construído também sofre interferência em suas
partes em prol do todo.
A
INTERFERÊNCIA pode ser tanto no NEGATIVO
quanto na AMPLIAÇÃO.
No caso do negativo não apenas um corte bolhas de uma fita adesiva
transparente modificam a imagem, o uso de raspagem, o risco com ponta
seca, tinta esmalte, acrílica ou nanquim, ou qualquer outra coisa que
modifique a transparência do negativo (deixando-o transparente ao retirar
a emulsão ou opaco acrescentando material).
O
negativo possui dois lados, uma mais fosco e outro mais liso, ao passarmos
o uma gilete do lado fosco retiraremos um resíduo que se refere a
gelatina protetora e a emulsão fotográfica. Neste caso é mais
apropriado trabalharmos do lado fosco, pois assim obtemos a superfície
mais adequada para a recepção de tinta e podemos retirar o material
fotográfico através de raspagem ou solventes químicos, de acordo como o
resultado que queremos.
A
diferença entre o negativo montado e o interferido reside no fato que o
negativo interferido possui sua modificação superficial, chegando até
ser perfurado.
Ao
pintarmos com errorex, caneta de transparência ou outras tintas mais frágeis
o negativos estamos, de certa forma colocando um determinado tipo de
material sobre o negativo, assim como aplicarmos algum tipo de fita
adesiva, dessa forma podemos dizer que ao sobrepormos um negativo à outro
estamos interferindo com o negativo, e não construindo um negativo com
parte de outros.
A
montagem de um fotograma a partir de um negativo pode ser chamado de Interferência
na ampliação. Todos os truques que podem
ser aplicados no papel sensibilizado no caso de um simples fotograma podem
ser realizados com o negativo no ampliador. Neste caso não haverá
somente a criação de uma imagem, mas a modificação de uma imagem já
existente.
A
imagem do negativo pode complementar, participar ou dominar o resultado
final.
O
uso de efeitos caóticos pode
ser complementado com fotografias de gravetos dispersos.
A
foto de um navio pode participar do efeito estrelado de pó de giz lançado
sobre o papel de ampliação.
Um
retrato pode ser dominante ao ser envelhecido com banho em café após a
obtenção da imagem ou reticulado com uma tela de serigrafia sobre o
papel sensibilizado durante o processo de ampliação.
Através
do uso de infinitos materiais e de infinitas formas podemos interferir em
todo o processo fotográfico obtendo resultados que condizem com a
necessidade do momento. O conhecimento dos químicos ou filtros utilizados
podem direcionar na obtenção de cores durante a ampliação. Este método
específico chamasse VIRAGEM.
Fotos coloridas podem se tornar monocromática
(amarelo,
magenta ou
ciano) assim
como fotos pretos e branco podem ser revelados com sulfato de prato (tom sépia)
ou com químicos utilizados nas revelações coloridas. As variações
podem ser repetidas com uso de filtros coloridos na máquina com filme
colorido ou com o uso de luz artificial como a luz da televisão para
conseguir um tom azulado.
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