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O sol está forte,
rasteja até a sombra. A nave passa rasante.
Está ventando, poeira vai encobri-lo enquanto descansa. Quando para de
ventar ele está coberto, consegue respirar mas está oculto.
Vaporizadores procuram, a terra treme, nada há fazer senão esperar.
Quando os sons dos motores estão distantes volta a rastejar. Sensores o máximo,
preenchendo toda a capacidade de raciocínio.
Auto-estrada, família cruza o deserto, passará as férias na praia. O
menino quer urinar. O carro para, ótima oportunidade para o motorista
esticar a perna, ótima oportunidade para ele rastejar até o veículo e
se comunicar com os humanos. Sabe que a parada da família será rápida,
os vaporizadores devem estar a centenas de quilômetros dali. O menino tem
vergonha de urinar próximo a sua família, se distancia até uma rocha. O
ser não rasteja, permanece na pedra. Centralizando sua atenção no
pequeno humano que se aproxima.
O menino se posiciona quando pensa que está seguro, se prepara. Então o
ser se comunica: - Olá pequeno, vi me comunicar com a sua ra...
O menino nem sequer fecha o zíper, corre assustado gritando – Uma
cobra, uma cobra.
O pai resmunga irritado, vai até o carro, pega um guarda-sol, e armado
com a lança improvisada pergunta ao filho onde está a cobra. Diz alguns
palavrões antes que este responda.
- Não fala assim querido. – Reclama a mãe furiosa com as reclamações
do marido.
O filho aponta para trás da pedra, avisa para tomar cuidado com as
antenas.
- Sim pai, ele me chamou de pequeno e disse que veio me comer.
O ser já está impaciente com a demora, decide esperar mais um pouco, é
perigoso ficar ali. Se os vaporizadores retornarem podem achar que a família
também é um alvo. Tem que se comunicar rápido. É quando ouve a marcha,
eles estão em terra, fazendo a varredura por cada canto. O ser não tem
alternativa, justo quando iria se comunicar com o patriarca.
Rasteja rápido para o deserto, novamente visível, mas sabe que quando os
varredores estão próximos os vaporizadores não sobrevoam.
- Pai, olha, soldados.
- Batalhão, alto. – O capitão se distância do pelotão e aproxima do
patriarca.
- Olá oficial, com apareceram rápidos. Nem vi se aproximarem.
- Senhor, estamos em treinamento, este não é um local seguro.
O ser aproveita a distração e entra no carro. Esconde-se embaixo do
assento, quando for o momento adequado se comunicará.
- Tudo bem, meu filho estava apertado, mas vamos agora, desculpe-nos o
incomodo.
Falando isto a família embarca no carro. A família parte com o quarto
passageiro.
Quando estão atravessando as montanhas é que o ser se comunica com o
menino:
- Não tenha medo, sou amigo.
O menino fica surpreso quando percebe que o corpo cheio de antenas não é
uma cobra. – Pai, tem um bicho esquisito aqui atrás conversando comigo.
- “Táaaa” filho, conversa com ele.
- Se tu conversasses mais com teu filho ele não conversava com bichos –
reclama a mãe.
- Vim avisar que os batedores estão invadindo o perímetro – avisa o
ser enquanto o menino o coloca no colo.
Quando a mãe se vira para ver o filho ela grita – AIIII , uma cobra.
O marido se descontrola no volante, freia repentinamente projetando a
todos para frente. Quando se vira vê o que pensa ser um brinquedo.
- Onde conseguiu isto Guigo?
- Não é uma cobra, é um brinquedo, e fala.
Antes que a família se pronuncie o carro é cercado por helicópteros, veículos
militares chegam logo a seguir. O ser salta do colo do menino pela janela
como se fosse uma mola, redes são jogadas em cima do ser. Um soldado cata
a rede e corre para um helicóptero.
- Um militar se aproxima do patriarca e pergunta: - Está tudo bem?
- O que está acontecendo – pergunta a mãe, pois o pai e o filho estão
assustados demais para perguntar qualquer coisa.
- Gostaríamos que seguissem viagem, não comentem o que aconteceu aqui. Não
podemos informar nada.
O patriarca obedece prontamente.
Quando a família está longe suficiente um militar pergunta.
- Será que vão contar para alguém?
- Tanto faz, ninguém vai acreditar, e o I.A. 003, sofreu algum dano?
- Nada além do surto paranóico, mas os gramáticos já estão
trabalhando nisto.
O capitão sorri satisfeito, surto paranóico, era muito mais do que
esperava. Os I.A’s prometiam, e muito.
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