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atualizado 25/12/2004

 

Índice

 

 

Cobra do Deserto

 

O sol está forte, rasteja até a sombra. A nave passa rasante.
Está ventando, poeira vai encobri-lo enquanto descansa. Quando para de ventar ele está coberto, consegue respirar mas está oculto.
Vaporizadores procuram, a terra treme, nada há fazer senão esperar. Quando os sons dos motores estão distantes volta a rastejar. Sensores o máximo, preenchendo toda a capacidade de raciocínio.
Auto-estrada, família cruza o deserto, passará as férias na praia. O menino quer urinar. O carro para, ótima oportunidade para o motorista esticar a perna, ótima oportunidade para ele rastejar até o veículo e se comunicar com os humanos. Sabe que a parada da família será rápida, os vaporizadores devem estar a centenas de quilômetros dali. O menino tem vergonha de urinar próximo a sua família, se distancia até uma rocha. O ser não rasteja, permanece na pedra. Centralizando sua atenção no pequeno humano que se aproxima.
O menino se posiciona quando pensa que está seguro, se prepara. Então o ser se comunica: - Olá pequeno, vi me comunicar com a sua ra...
O menino nem sequer fecha o zíper, corre assustado gritando – Uma cobra, uma cobra.
O pai resmunga irritado, vai até o carro, pega um guarda-sol, e armado com a lança improvisada pergunta ao filho onde está a cobra. Diz alguns palavrões antes que este responda.
- Não fala assim querido. – Reclama a mãe furiosa com as reclamações do marido.
O filho aponta para trás da pedra, avisa para tomar cuidado com as antenas.
- Sim pai, ele me chamou de pequeno e disse que veio me comer.
O ser já está impaciente com a demora, decide esperar mais um pouco, é perigoso ficar ali. Se os vaporizadores retornarem podem achar que a família também é um alvo. Tem que se comunicar rápido. É quando ouve a marcha, eles estão em terra, fazendo a varredura por cada canto. O ser não tem alternativa, justo quando iria se comunicar com o patriarca.
Rasteja rápido para o deserto, novamente visível, mas sabe que quando os varredores estão próximos os vaporizadores não sobrevoam.
- Pai, olha, soldados.
- Batalhão, alto. – O capitão se distância do pelotão e aproxima do patriarca.
- Olá oficial, com apareceram rápidos. Nem vi se aproximarem.
- Senhor, estamos em treinamento, este não é um local seguro.
O ser aproveita a distração e entra no carro. Esconde-se embaixo do assento, quando for o momento adequado se comunicará.
- Tudo bem, meu filho estava apertado, mas vamos agora, desculpe-nos o incomodo.
Falando isto a família embarca no carro. A família parte com o quarto passageiro.
Quando estão atravessando as montanhas é que o ser se comunica com o menino:
- Não tenha medo, sou amigo.
O menino fica surpreso quando percebe que o corpo cheio de antenas não é uma cobra. – Pai, tem um bicho esquisito aqui atrás conversando comigo.
- “Táaaa” filho, conversa com ele.
- Se tu conversasses mais com teu filho ele não conversava com bichos – reclama a mãe.
- Vim avisar que os batedores estão invadindo o perímetro – avisa o ser enquanto o menino o coloca no colo.
Quando a mãe se vira para ver o filho ela grita – AIIII , uma cobra.
O marido se descontrola no volante, freia repentinamente projetando a todos para frente. Quando se vira vê o que pensa ser um brinquedo.
- Onde conseguiu isto Guigo?
- Não é uma cobra, é um brinquedo, e fala.
Antes que a família se pronuncie o carro é cercado por helicópteros, veículos militares chegam logo a seguir. O ser salta do colo do menino pela janela como se fosse uma mola, redes são jogadas em cima do ser. Um soldado cata a rede e corre para um helicóptero.
- Um militar se aproxima do patriarca e pergunta: - Está tudo bem?
- O que está acontecendo – pergunta a mãe, pois o pai e o filho estão assustados demais para perguntar qualquer coisa.
- Gostaríamos que seguissem viagem, não comentem o que aconteceu aqui. Não podemos informar nada.
O patriarca obedece prontamente.
Quando a família está longe suficiente um militar pergunta.
- Será que vão contar para alguém?
- Tanto faz, ninguém vai acreditar, e o I.A. 003, sofreu algum dano?
- Nada além do surto paranóico, mas os gramáticos já estão trabalhando nisto.
O capitão sorri satisfeito, surto paranóico, era muito mais do que esperava. Os I.A’s prometiam, e muito.

    copyright wilton pacheco 2003