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O pequeno Henrique olhou triste para o tio: “Não
me disseste que era impossível alguém chegar a velocidade da luz?”
“Era meu pequeno, era...” Pinepol sustentou o giz
e desenhou com precisão um arco de noventa graus, do centro deste arco
traçou duas retas, uma horizontal, outra vertical interceptando o arco do
primeiro quadrante, então se virou para seu sobrinho, ajeitou os óculos
de aro tartaruga e falou apontando para a intersecção da reta vertical
com o arco: “Imagine um ponto aqui em uma determinada unidade de
tempo”.
Falando
isto escreveu t0. logo depois dividiu a reta horizontal que a partir do
centro até o ponto que interceptava o arco em quatro partes. Traçou uma
reta vertical a partir da primeira divisão até encontrar-se com outro
ponto do arco escrevendo t1: “Temos a reta horizontal como a reta do
tempo, e a curva como a deformação do espaço tempo. Se eu continuar
dividindo em tempos constantes perceberás que o ponto correspondente na
reta vertical se deslocará exponencialmente. Tu estás cansado de ouvir
que esta é idéia básica da aceleração. Pois imagine o percurso de um
corpo percorrendo o universo representado por uma linha reta, e cada curva
representada por alguma alteração gravitacional como um planeta, um sol,
um buraco negro ou uma distorção implosiva.”
Rapidamente escreveu algumas fórmulas referentes à mecânica
celeste, desenvolveu integrais desprezando as distorções relativísticas.
Fez demonstrações da aceleração obtidas e delimitou o curso. Depois
traçou uma reta, em determinado ponto desta reta traçou uma vertical e a
graduou com os pontos da distorção implosiva que obteu com os cálculos:
“Percebes?! Milhares de quilômetros em segundos.”
“Mas a
esta velocidade um corpo se transforma em energia”
“Certo, mas se ver no gráfico, a projeção da
velocidade do corpo é normal, relativamente ao corpo ele não passou de
alguns milhares de quilômetros por hora”.
“E a aceleração tio, isso não esmagaria um
astronauta?”
“Não, pois o efeito da aceleração seria o mesmo
do sofrido no interior de um elevador em queda, ou seja, enquanto o
elevador não chegar no fim a sensação será de velocidade constante.”
“Então é só colocar uma nave na frente de uma
distorção implosiva, deve ser difícil encontrar uma”
“Não é mais Henrique, aprendemos a anular os grávitons
por alguns instantes. Se nós colocamos os anuladores em pontos específicos
podemos derrubar qualquer estrutura molecular sobre si mesmo, ou seja,
criamos nossa distorção implosiva. Basta implodir um asteróide de
grandes dimensões e temos uma viajem para Alpha Centaurus em segundos.”
“Ë por isso que não temos mais lua tio?”
Pinepol abaixa a cabeça: “É...”
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