DOGO ARGENTINO



O Dogo Argentino surpreende reunindo todas as características de um guardião completo. Na aparência, seu porte avantajado e musculoso, lhe confere um aspecto de poderio e certamente faz pensar duas vezes, aqueles que querem invadir o seu território. A cor branca, típica da raça, permite sua rápida visualização mesmo no escuro. Isto funciona como fator intimidatório, pois o ladrão que é ladrão prefere uma casa sem cachorro. Mas, se mesmo com o seu tipo imponente, alguém resolver encará-lo que se prepare, há poucas chances de vencê-lo. Destinado originalmente à caça de grandes animais como os pumas e javalis e também muito usado em rinhas, o Dogo é extremamente valente e combativo. Dono de grande agilidade e de uma possante musculatura nos posteriores, tem incrível força de propulsão para atacar, pular e sustentar a luta com o inimigo. Além disso, há dois motivos que tornam a sua mordida arrasadora. Primeiro, o músculo da mandíbula, responsável pela força e rapidez de fechar a boca, é extremamente desenvolvido (é por isso que o Dogo tem as típicas "bochechas" salientes). Segundo, quando abocanha dificilmente solta. Isso se dá porque os lábios, ao contrário de muitas raças, não são pendentes, permitindo que respire pelo canto da boca enquanto morde. Outra característica que o faz um excelente combatente é a pele grossa, que protege a musculatura do impacto de pancadas. Desta forma, ele sente menos dor. Na região do pescoço há uma proteção extra: a pele elástica e com rugas, portanto, se tentarem segurá-lo por ali, a pele estica e ele consegue virar a cabeça e morder.

O Dogo tem o hábito de fazer a ronda, sendo capaz de atuar na guarda cobrindo qualquer território. Não importa o tipo de terreno. Para tanto, conta com almofadas plantares altas, bem carnudas, de sola muito áspera e com calosidades que permitem aliviar o impacto sobre o solo e até correr por locais ásperos e pedregosos, sem ferir-se. É um cão rápido também na localização do inimigo, pois fareja alto pelo ar e com um olfato apuradíssimo, herança do Pointer. Ele usa, portanto, o vento e não o rastro no chão que implica numa maior perda de tempo.

A raça é bastante atenta e silenciosa, já que durante as caçadas não devia alertar a presa. Um Dogo só costuma latir diante de uma agressão ao dono em situações ameaçadoras. A raça não permite que nenhum intruso invada seu território, mas respeita o que estiver devidamente acompanhado do dono e ao contrário de alguns cães de rinha, o Dogo convive bem com outras raças, isto sendo acostumado desde filhote. Por todas estas razões é utilizado pela Polícia Federal da Argentina.


VERSATILIDADE

Ele é mais do que um guarda de primeira. O Dogo herdou as melhores qualidades das raças que o originaram. Superversátil, o próprio padrão comenta a sua utilidade em diversas outras funções, como a caça, rinha, guia de cego e cão de busca e salvamento. Companheiro dedicado e obediente, mostra-se totalmente submisso às vontades do dono e da família com quem convive, além disso, tem uma notável capacidade de aprendizado entendendo tanto ordens verbais quanto gestos.


PADRÃO OFICIAL

CBKC n° 292 de 10/4/1994.
FCI n° 292 de 31/7/1973.
Grupo: 2 (Pinscher, Schnauzer, Molossos e Boiadeiros Suíços).
Seção 2 A: Molossos - Tipo Dogue
País de origem: Argentina
Nome do país de origem: Dogo Argentino.
Nome adotado pela CBKC: Dogue Argentino
Utilização: rinha, guarda, caça, guia de cegos, busca e salvamento.
Prova de trabalho: para o campeonato, independente.
Textos entre parênteses: são explicações aprovadas pelo Club de Criadores de Dogo Argentino, confeccionadas por criadores da raça.
Crânio: massudo, convexo, longitudinal e transversalmente, em razão do relevo muscular dos mastigadores e da nuca.
Focinho: de comprimento igual ao do crânio, assim, o stop está situado na metade da distância do occipital à ponta do focinho(1). (Separamos crânio e focinho, mas é o conjunto de ambos que define a tipicidade da cabeça do Dogue pertencendo ao tipo mesocefálico, devendo delinear um perfil convexo/ côncavo: o crânio convexo pelo relevo da inserção dos músculos mastigadores, clássico do crânio de cão de presa do tipo mastigador e do focinho, ligeiramente côncavo e arrebitado, próprio do cão de excelente olfato, o que, em resumo, significa que o Dogue Argentino tem crânio de mastigador e focinho de farejador, uma integração funcional, reunindo faro alto (ventor) e exímo mordedor. Arcos zigomáticos bem afastados do crânio, formando uma fossa temporal ampla, para a cômoda inserção do músculo temporal, um dos principais mastigadores)
Olhos: escuros ou cor de avelã. Pálpebras com orlas pretas ou claras. Inseridos bem separado, de expressão esperta e inteligente, mas, ao mesmo tempo, com marcante dureza. (Os olhos claros ou pálpebras vermelhas reduzem a pontuação. A desigualdade de cores - sarcos - é falta desqualificante).
Maxilares: bem articulados, sem prognatismo, fortes, com dentes grandes e bem inseridos. (Não importa o número de molares. O mais importante é a homogeneidade das arcadas dentárias, a ausência de cáries e ausência de prognatismo superior ou inferior, e especialmente, os quatro caninos, que são grandes, limpos e perfeitamente articulados, cruzando-se, na mordida, ao fazer a presa)
Trufa: preta e muito bem pigmentada, narinas bem amplas, com um ligeiro Stop(3). (A trufa branca ou muito manchada de branco desconta pontos. Trufa fendida ou lábios leporinos é falta desqualificante).
Orelhas: de inserção alta, portadas eretas ou semi-eretas, de forma triangular, devem apresentar-se sempre cortadas. (O juiz não deve julgar um Dogue Argentino com orelhas inteiras, devendo retirá-lo da pista. Na fêmea pode-se aceitar um corte de orelhas um pouco mais longo, como no Dogue Alemão. No macho é preferível um corte um pouco mais curto. O Dogue Argentino é um cão de presa: durante a luta as orelhas longas permitem uma presa fácil e muito dolorosa. Além disso, razões estéticas tornam necessário o corte das orelhas)
Lábios: bem ajustados, secos, de bordas livres, pigmentados de preto. (Exige-se o lábio curto, para que, quando o cão estiver fazendo a presa, possa respirar também pela comissura labial. Se os lábios fossem pendentes, apesar do maxilar ser bastante longo, fariam o papel de válvula, impedindo a inspiração suplementar pelas comissuras labiais, fechando a comissura e obrigando-o a soltar a presa, por insuficiência respiratória, como acontece nas raças de lábios pendentes).
Occipital: completamente oculto pelos potentes músculos da nuca, não pode ser marcado, sendo a inserção de cabeça e pescoço em forma de arco.(Confunde-se com a curva da linha superior do crânio).
Pescoço: grosso, arqueado, elegante, com a pele da garganta muito grossa, formando rugas como no Mastim, Dogue de Bordeaux, Bulldogue e não esticada como no Bull Terrier.
Peito: amplo, profundo, dando a sensação de possuir pulmões grandes. Visto de frente, o esterno deve atingir um nível abaixo dos cotovelos.
Cernelha: alta, muito forte, de grandes relevos musculares.
Tórax: amplo, visto de perfil, a linha inferior atinge o nível dos cotovelos.
Linha superior: mais alta na cernelha, inclinada em direção à garupa, em suave declive. (nos adultos quando o desenvolvimento muscular do dorso e dos rins é bom, visto de perfil, nota-se relevo dos músculos espinhais, formando um canal mediano ao longo da coluna).
Anteriores: retos, bem aprumados. As patas têm dedos curtos e bem compactos. (O comprimento dos dedos guarda uma proporção com a da pata. Têm almofadas plantares altas, bem carnudas com uma sola muito áspera ao tato, como calosidades que permitam correr muito, por terreno áspero e pedregoso, sem ferir-se).
Lombo: oculto pelos músculos do dorso(2).
Posteriores: coxas muito musculosas, com jarretes curtos e dedos bem fechados, sem ergôs. (Com boa angulação lembrando sempre que são os responsáveis pela propulsão, velocidade e sustentação na luta corpo a corpo, portanto, nunca será demasiado insistir quanto à importância da força na musculatura da coxa. Os dedos de lobo (ergôs) tão fácil de serem suprimidos nos primeiros meses, descontam pontos, como característica recessiva do Dogue dos Pirineus, porém não ocorrendo em desqualificação)
Cauda: grossa e longa, sem ultrapassar as jarretes, portada naturalmente caída. Durante a luta, a mantém levantada, em contínuo movimento lateral, como quando faz festa ao dono. (Deve ter-se presente que a cauda constitui uma grande ajuda, tanto na mudança de direção durante a corrida, atuando como leme, em ação compensatória, como na luta, servindo de sustentação ou ponto de apoio, colaborando no trabalho dos membros posteriores).
Peso: de 40 a 45 quilos.
Altura: de 60 a 65 centímetros. (Tanto na altura como no peso, o juiz deve ser inflexível, pois sendo o Dogue Argentino um cão de luta, entre as raças de caça maior, a redução do tamanho lhe tira eficiência. Entre vários exemplares bons prefere-se o de maior altura. Os criadores da raça ensinaram que o Dogue Argentino é um normotipo e dentro disso um macrotálico, quer dizer, que deve existir uma harmonia na proporção, que sob o ponto de vista funcional, é eurritmia ou seja normal correlação orgânica, que se traduz por uma maior altura e peso, naturalmente, sem chegar ao gigantismo).
Cor: completamente branco. Toda e qualquer mancha de cor deve desqualificar o exemplar por ser uma característica atóvica.
Faltas: qualquer desvio dos termos deste padrão deverá ser considerado como falta e penalizado na exata proporção de sua gravidade.
Nota: os machos devem apresentar dois testículos visivelmente normais, totalmente descidos na bolsa escrotal.