ELEIÇÃO DIVINA E PROVIDÊNCIA
Deus revelou na Bíblia Seu
insuperável amor pelo nosso mundo, pela raça humana como um todo, e por cada pessoa
individualmente. Ninguém a não ser Jesus Cristo disse acerca de Seu Pai celestial:
"Porque Deus amou o mundo de tal maneira que deu o Seu Filho unigênito, parq que
todo o que nEle crê não pereça, mas tenha a vida eterna." S. João 3:16. E Paulo,
um dos principais perseguidores dos primeiros cristâos, confessou em um momento de
emoção, depois de ter encontrado pessoalmente com Jesus, que Cristo "me amou e a Si
mesmo Se entregou por mim." Gál. 2:20. O amor de Cristo era tao real para Paulo que
mudou seu coração e vida.
Na epístola aosHebreus, lemos que Cristo Se ofereceu a Deus como um sacrifício perfeito
"pelo Espirito eterno". Heb. 9:14. Assim, a Bíblia nos apresenta a inesperada
boa-nova de que os três maiores poderes do Universo - O Pai, o Filho e o Espirito Santo -
uniram-Se em um concerto para redimir a desobediente humanidade, nao importando quão
enorme fosse o preço a pagar.
O Pacto da Salvação
A Bíblia não fala muito deste
concerto interdivino e eterno selado antes da fundação do mundo. Contudo, várias
passagens bíblicas se referem à realidade de tal concerto.
O Próprio testemunho de Jesus é eloquente em relação à Sua missão predeterminada:
" A Minha comida consiste em fazer a vontade dAquele que Me enviou, e realizar a Sua
obra." S. João 4"34.
"Eu nada posso fazer de Mim mesmo; na forma por que ouço, julgo. O Meu juízo é
justo porque não procuro a Minha própria vontade, e sim, a dAquele que Me enviou."
S. João 5:30. "Porque Eu desci do Céu não para fazer a Minha própria vontade; e ,
sim, a vontade dAquele que Me enviou. E a vontade de quem Me enviou é esta: Que nenhum Eu
perca de dodos os que Me deu; pelo contrário, Eu o ressucitarei no último dia. De fato a
vontade de Meu Pai é que todo homem que vir o Filho e nEle crer, tenha a vida eterna; e
Eu o ressucitarei no último dia." S. João 6:38-40. " Porque Eu não tenho
falado por Mim mesmo, mas o Pai que Me enviou, esse Me tem prescrito o que dizer e o que
anunciar. E sei que o Seu mandamento é a vida eterna. As coisas, pois, que Eu falo, como
o Pai Mo Tem dido, assim falo." S.João 12:49 e 50.
Ao divisar a conclusão de Sua missão, Jesus orou no Getsêmani: "Eu Te glorificarei
na Terra, consumando a obra que Me confiaste para fazer; e agora, glorifica-Me, ó Pai,
contigo mesmo, com a glória que Eu tive junto de Ti, antes que houvesse mundo." S.
João 17:4 e 5.
Dirigindo-Se ao Pai, Jesus clamou em Seus últimos momentos na cruz:"Está
consumado." S. João 19:20.
Por Sua própria vontade, Jesus Se submeteu à vontade redentora do Pai, tornando-Se o
resgate do homem caído, tomando sobre Si a culpa da raça humana, morrendo como
Substituto divino do homem e ressucitando como seu divino Fiador. "Ninguém a tira
[Minha vida] de Mim; pelo contrário, Eu espontaneamente a dou. Tenho autoridade para a
entregar e também para reavê-la. Este mandamento recebi de Meu Pai." S. João
10:18.
Os sofrimentos e morte expiatória de Jesus estavam incluídos no eterno concerto divino
para a salvação do homem. O Apóstolo Pedro ressalta esta profunda dimensão quando
proclamou: "Sendo este entregue pelo determinado desígnio e presciência de Deus,
vós o Matastes, crucificando-O por mãos de iníquos." Atos 2:23.
Este plano de redenção já tinha sido revelado ao antigo Israel no ritual simbólico dos
serviços do snatuário, especialmente no sacrifício do cordeiro pascal e na sapersão de
seu sangue. Esse cordeiro particularmente prefigurava o sacrifíficio do Filho de Deus,
como Paulo confirmou depois: " Pois também Cristo, nosso Cordeiro pascal, foi
imolado." II Cor. 5:7.
As profecias de Isaías(cerca de 700 AC) relacionadas com a vinda do Servo de Deus cuja
missão principal seria sofrer pelos pecados de Israel e morrer debaixo da culpa universal
(capítulo 53) eram a reflexão de um plano pré-estabelecido por Deus para salvar o
mundo.
O que Cristo padeceu às mãos dos pecadores, as Escrituras atribuem, em última análise,
ao que a mão e o conselho de Deus predeterminaram. Atos 4:28. Esse plano divino não
anula a responsabilidade nem a culpabilidade humana, mas as inclui e lhes provê o único
meio de perdão, o sangue do Cordeiro de Deus. S. João 1:29. Cristo Se comprometeu a ser
o Cordeiro de Deus "desde a fundação do mundo". Apoc. 13:8. O Pai O escolheu
como Cordeiro "antes da fundação do mundo". I S. Ped. 1:20.
A origem de nossa salvação está no pacto redentor, descrito mais completamente por
Ellen G. White:
"Antes que os fundamentos da Terra fossem lançados, o Pai e o Filho Se havia unido
num concerto para redimir o homem, se ele fosse vencido por Satanás. Haviam-Se dado as
mãos, num solene compromisso de que Cristo Se tornaria o fiador da raça humana. Esse
compromisso comprira Cristo. Quando, sobre a cruz soltara o brado: " Está consumado
", dirigira-Se ao Pai. O pacto fora plenamente satisfeito. Agora Ele declara:
"Pai, está consumado." Fiz, ó Meu Deus, a Tua vontade. Concluí a obra da
redenção." _ O Desejado de Todas as Nações, págs. 797 e 798.
Esse eterno concerto entre o Pai e o Filho é o fundamento inexpugnável de nossa
redenção. A salvação nos é oferecida pelo insondável amor salvífico do Pai e do
Filho.S. João 3:16.
Salvação Assegurada em Cristo
A Bíblia dá
ênfase à inabalável segurança do amor eletivo de Deus, especialmente na Epístola de
Paulo aos Efésios. Por divina inspiração, o Apóstolo declara aos crentes cristãos que
Deus "nos escolheu nEle [Cristo] antes da fundação do mundo, para sermos santos e
irrepreensíveis perante Ele; e em amor nos predestinou para Ele, para a adoção de
filhos, por meio de Jesus Cristo, segundo o beneplácito de Sua vontade, para louvor da
glória de Sua graça, que Ele nos concedeu gratuitamente no Amado, no qual temos a
redenção, pelo Seu sangue, a remissão dos pecados, segunda a riqueza da Sua graça, que
Deus derramou abundantemente sobre nós em toda a sabedoria e prudência, desvendando-nos
o mistério de Sua vontade, segundo o Seu benepácito que propusera em Cristo, de fazer
convergir nEle, na dispensação da plenitude dos tempos, todas as coisas, tanto as do
Céu como as da Terra." Efés. 1:4-10 (grifos supridos).
Com essas magníficas palavras, misturadas com expressões de louvor a Deus, o Apóstolo
Paulo dá enfase à profunda dimensão, a origem divina de nossa eterna redenção. A
salvação não é um ato nosso, mas obra e dom de Deus, oferecidos absolutamente grátis
em Cristo a seres humanos indignos. Deus ofereceu a Cristo "de
presente" como sacrifício expiatório antes de crermos nEle. Rom. 3:25. "Vindo,
porém, a plenitude do tempo, Deus enviou Seu Filho, nascido de mulher, sob a lei, a fim
de que recebêssemos a adoção de filhos." Gál. 4:4 3 5. A iniciativa de nossa
salvação, portanto, não está com o homem, mas com Deus. O propósito divino,
entretanto, vai além da cruz e de nossa adoção como filhos de Deus. Seu eterno
propósito é restaurar novamente o Céu e a Terra sob uma cabeça, sob o governo de
Cristo Jesus, Seu Filho. Efés. 1:9 e 10.
A origem e o propósito de nossa salvação estão intimamente relacionados um com o
outro. Segundo Paulo, a raça eletiva de Deus se estende de eternidade a eternidade, e se
tornou realidade histórica na vida de Cristo e no chamado de Seus embaixadores. Rom. 8:29
e 30. À luz desta inegável realidade, elel pergunta:"Quem nos separará do amor de
Cristo?" Rom. 8:25. Sua resposta ressoa com absoluta confiança:"Porque eu estou
bem certo de que nem a morte, nem vida, nem anjos, nem principados, nem coisas do
presente, nem do porvir, nem poderes, nem altura, nem profundidade, nem qualquer outra
criatura poderá separar-nos do amor de Deus, que está em Cristo Jesus nosso
Senhor." Rom. 8:38 e 39.
Essa certeza apostólica nos revela quão absolutamente salvos somos em Cristo,
mesmo em face da morte. Os crentes em Cristo recebem o dom da vida eterna agora
no Espírito Santo. Cristo prometeu:"Eu lhes dou a vida eterna; jamais perecerão,
eternamente, e ninguém as arrebatará da Minha mão." João 10:28. No momento solene
de Sua oração final, Cristo reafirmou diante de Deus:" E a vida eterna é esta: que
Te conheçam a Ti, o único Deus verdadeiro, e a Jesus Cristo, a quem enviaste." S.
João 17:3.
Aqui, entra a responsabilidade humana. Quando Deus toma a iniciativa, chamando o homem ao
conhecimento da salvação em Cristo, ele deve responder, aproximando-se de Deus através
de Jesus Cristo, o qual declara solenemente: "Eu sou o caminho, e a verdade, e a
vida; ninguém vem ao Pai senão por Mim." S. João 14:6. E Pedro confirma isso
diante do povo judeu: "E não há salvação em nenhum outro; porque abaixo do Céu
não existe nenhum outro nome, dado entre os homens, pelo qual importa que sejamos
salvos." Atos 4:12. Com que apaixonado interesse deveríamos então procurar conhecer
a Cristo como nosso Salvador pessoal! Temos a Sua promessa: "O que vem a Mim, de modo
nenhum o lançarei fora." S. João 6:37. Que maior garantia pode alguém desejar? A
real questão é, antes de tudo: "Como escaparemos nós, se negligenciarmos tão
grande salvação?" Heb. 2:3.
Não há Dupla Predestinação
Não existe
fundamento escriturístico para idéia que Deus escolheu ao acaso apenas umas poucas almas
da espécie humana para se salvarem e predestinou o restante da humanidade para ser
condenada. A Bíblia ignora completamente uma "dupla" predestinação. Deus
"deseja que todos os homens sejam salvos e cheguem ao pleno conhecimento da
verdade". I Tim 2:4. Portanto, Deus não mostra parcialidade na concessão do Seu
amor remidor. Atos 10:24; Rom. 2:11. "Porquanto a graça de Deus se manifestou
salvadora a todos os homens." Tito 2:11. Cristo morreu "pelos pecados do mundo
inteiro". I S. João 2:2. Comparar com S. João 1:29.
A descrição feita por Jesus do Juizo final é esclarecedora, com grandes surpresas para
todos. Cristo, o Rei Juiz, dirá então aos redimidos:"Vinde, benditos de Meu Pai!
entrai na posse do reino que vos está preparado desde a fundação do mundo." S.Mat.
25:34. Essa é a eleição bíblica ou predestinação. Em absoluto contraste, Cristo
dirá aos outros:"Apartai-vos de Mim, malditos, para o fogo eterno, preparado para o
diabo e seus anjos." S. Mat. 25:41. Em oposição ao "Vinde, benditos"
está o "Apartai-vos malditos". Em oposição ao reino esta o fogo eterno.
Todavia o contraste cesa quando observamos que esse fogo não está preparado desde a
fundação do mundo para os amaldiçoados como o reino está preparado para
os benditos.
Os fogos do inferno foram preparados somente "para o diabo e seus
anjos". Jesus declara que o homem participará do destino dos demônios apenas se
recusar escolhê-Lo como seu Senhor e Salvador pessoal. Essa decisão é responsabilidade
humana.
Deus chamou tantos judeus como os gentios, através do evangelho de Cristo, para se
tornarem "vasos de misericórdia, que para glória preparou de antemão". Rom.
9:23. Por outro lado, Deus mostrará Sua santa ira contra Satanás e contra todos os que
persistentemente se recusaram a arrepender-se de seus pecados, destinando-os finalmente
"para a perdição". Rom. 9:22.
Destinados à Salvação
Como diz
Paulo, a bondade e paciência de Deus "deveriam levar-nos" ao arrependimento.
Áqueles a quem foram confiadas as palavras de Deus, Paulo escreveu: "Mas, segundo a
tua dureza e coração impenitente acumulas contra ti mesmo ira para o dia da ira da
revelação do justo juízo de Deus, que retribuirá a cada um segundo o seu
procedimento." Rom. 2:5,6. "Porque para com Deus não há acepção de
pessoas." Rom. 2:11. A destruição final é chamada de "obra estranha" de
Deus (Isa. 28:21), porque Deus não nos destinou para sermos receptáculos de Sua ira,
mas, pelo contrário, de Sua salvação pela fé no Senhor Jesus Cristo. I Tess. 5:9. Isso
explica por que Jesus, vendo a reaççao dos judeus à Sua missão, "admirou-Se da
incredulidade deles".S. Mar. 6:6. É responsabilidade e privilégio do ser humano
não somente crer na voz do Bom Pastor, mas receber libertação para seguir o Grande
Pastor em uma vida e experiência mas elevadas.
As Escrituras nos asseguram que Deus, em Sua direção providencial, garante o resultado
final da história do mundo de acordo com o Seu eterno plano de redenção. Por mais
confusas que sejam as circunstâncias, por mais hostis que sejam as forção que se opôem
ao povo do concerto de Deus, não importa quão desanimadoras sejam as deficiências do
povo escolhido, nosso Criador fará triunfar o Seu plano e Seus desígnios divinos.
A Confiança nos eternos propósitos divinos era o centro do culto de Israel ao
Todo-poderoso: "O Senhor frusta os desígnios do Seu coração por todas as
gerações. Feliz a nação cujo Deus é o Senhor, e o povo que Ele escolheu para Sua
herança." Sal. 33:10-12.
Somente ao povo do concerto de Deus é dado conhecer, crer e ser guiado pelo plano divino
para todas as gerações. As nações gentílicas "não sabem os pensamentos do
Senhor, nem Lhe entendem o plano". Miq. 4:12. Conquanto a presciência de Deus O
habilite a predizer o futuro, Sua providência supre o poder dominante para criar o futuro
de acordo com a Sua vontade soberana. O Deus de Israel não somente anuncia " o fim
desde o princípio", mas também ordenou: " O Meu conselho permancerá de pé,
farei toda a Minha vontade." Isa. 46:10.
Esse desígnio da vontade divina se aplica tanto ao bem-estar presente como ao futuro do
povo de Deus dentro dos movimentos complexos da história do mundo. Deus revela mistérios
e torna conhecido " o que há de ser nos últimos dias". Dan. 2:28. Contudo, Ele
também efetivamente "muda o tempo e as estações, remove reis e estabelece
reis". Dan. 2:21. Deus não é meramente um expectador dos eventos terrestres ou um
vaticinador do que a humanidade fará.
Sua providência, de um modo misterioso, porém efetivo, leva avante o que o eterno
conselho de Deus determinou e prometeu que deveria ocorrer no planeta Terra. "Porque
o Senhor dos Exércitos o determinou; quem, pois, o invalidará? A Sua mão está
estendida; quem, pois, a fará voltar atrás?" Isa. 14:27.Israel acreditava que a
providência divina tinha se manifestado repetidamente durante sua memorável história em
poderosos atos de livramento e juízo, mas especialmente no fato de haver preservado, por
Sua benevolência, em cada crise nacional, um remanescente fiel.Com o passar do tempo, os
profetas de Israel se fixaram cada vez mais na promessa divina de um Rei-Salvador
vindouro, o Messias, que restauraria toda a humanidade e toda a Natureza à sua original
beleza paradisíaca e pacífica ordem. Isa. 11, 35, 65; Dan. 2:44; 7:27.0 Novo Testamento
especialmente insiste no inevitável irrompimento dos "últimos dias", ou tempo
escatológico, por ocasião da primeira vinda de Jesus como o longamente esperado Messias.
Lucas usou o termo especifico "era necessário" (em grego dei) quarenta e quatro
vezes para indicar que a vida e obra de Jesus não eram o resultado do acaso ou acidente,
mas que Ele cumpria deliberadamente a vontade salvadora de Seu Pai celestial, esboçada
nas Escrituras hebraicas. Referindo-Se ao que os profetas haviam predito, Jesus disse:
"Porventura não convinha que o Cristo padecesse e entrasse na Sua glória?" S.
Luc. 24:26. Tudo o que estava escrito acerca do Messias nos livros de Moisés, nos Sal mos
e nos profetas, "importava se cumpnsse S. Luc. 24:44.
Em outras palavras, a morte de Jesus não foi o fracasso tragico de um profeta, mas o
resultado necessário da divina providencia. Comparar S. Mat. 26:54 com S. Luc. 9:22. A
vontade de Deus tal como é revelada nas Santas Escrituras foi visivelmente expressa em
Jesus como o Messias de Israel. Paulo, outrossim, reconheceu a necessidade escatológica
do jugo final quando "importa que todos nós compareçamos perante o tribunal de
Cristo" (II Cor. 5:10), do reinado de Cristo (1 Cor. 15:25, "Porque convém que
Ele reine") e da glorificação dos santos, quando "este corpo corruptível se
revestir de incorruptibilidade, e o que ímortal se revestir de imortalidade" (1 Cor.
15:54). Não é surpreendente que o livro do Apocalipse ponha todos os eventos futuros do
drama cósmico, inclusive a vitória final do Cordeiro de Deus sob o prometedor arco-íris
das "coisas que em breve devem acontecer". Apoc. 1:1; comparar com 4:1 e 22:6.
Do próprio trono de Deus foram pronunciadas estas fidedignas palavras: "eis que
faço novas todas as coisas. Apoc. 21:5.
Enquanto aguardamos esse grandioso futuro elaborado por Deus, o Senhor tem estado ativo em
tornar realidade os sinais visíveis desse futuro. Na fraternidade da raça restaurada, na
comunhão espiritual do Seu povo escolhido, no renascimento dos pecadores, no surgimento
de todos os verdadeiros reformadores e defensores da justiça, podemos, mesmo agora
discernir que "acima, para tras e pelos lados, as partidas e contrapartidas do
interesse, poder e paixões humanos - as instrumentalidades do Todo-misericordioso -
[estão] executando paciente e silenciosamente os conselhos de Sua própria vontade".
- Profetas e Reis, pg. 479.
A mais elevada vocação do ser humano é conhecer o plano e a vontade de Deus em Sua
Sagrada Palavra e cooperar voluntariamente na realização dos propósitos da divina
providência: "Muitos propósitos há no coração do homem, mas o desígnio do
Senhor permanecer." Prov. 19:21. "O coração do homem traça o seu caminho, mas
o Senhor lhe dirige os passos." Prov. 16:9.
Paulo descobriu quão funesto era "recalcitrar contra os aguilhôes". Atos
26:14. Essa grande lição de sabedoria Jó também aprendeu finalmente, porque confessou
a Deus: "Bem sei que tudo podes, e nenhum dos Teus planos pode ser frustrado."
Jó 42:2.
Seu Terno Respeito
Quão persistente e ativa é a providência de
Deus! O mundo sera restaurado sob Seu domínio. Comparar Miquéias 4:8 com Zacarias 9:10.
Nenhum poder antagônico no Universo é capaz de frustrar o propósito divino. Seu
conselho permanecerá. Porém o mais surpreendente é o terno respeito de Deus por nossa
livre decisão de escolhermos a quem servir. Jamais compele nossa vontade para que O
adoremos. Somente nos atrai "com amor eterno". Jer. 31:3. As mais poderosas
correntes da compaixão divina procuram atrair o coração egoista do ser humano quando a
mensagem dos sofrimentos de Jesus por nós na cruz é apresentada à alma enferma pelo
pecado. Então Satanas e seus propósitos São julgados e desmascarados. Mas Cristo,
levantado na cruz, como nosso Sacerdote e o único Sacrifício, "atrairá todos"
a Si mesmo.S..Jão 12:32. Não há nEle maior interesse do que atrair, convidar
e chamar a todos e a cada um que ainda não respondeu.
Ouvi a Sua voz: "Eis que estou à porta, e bato; se alguém ouvir a Minha voz, e
abrir a porta, entrarei em sua casa, e cearei com ele e ele comigo. Ao vencedor, dar-lhe
ei sentar-se comigo no Meu trono, assim como também Eu venci, e Me sentei com Meu Pai no
Seu trono." Apoc. 3:20 e 21.
Que Deus é benevolente e misericordioso foi revelado desde o princípio quando Ele pôs
á prova Adão e Eva no Jardim do Eden. Tão logo nossos primeiros pais pecaram, Ele
prometeu um Redentor. Gên. 3:15. Depois da apostasia de Israel e sua adoração do
bezerro de ouro, foi dada a Moisés uma revelação mais profunda do caráter de Deus. Em
uma auto-revelação Ímpar, o Senhor falou explicitamente a Moisés que Ele era o
"Senhor Deus compassivo, clemente e longânimo, e grande em misericórdia e
fidelidade, que perdoa a iniquidade, a transgressão e o pecado, ainda que não inocenta o
culpado". Exo. 34:6 e 7.
Vemos aqui o mistério da santidade de Deus. Por um lado, está disposto a perdoar o
pecado; todavia, por outro lado não está disposto a inocentar o culpado. Aqui graça e
justiça estão combinadas; nem um atributo se opõe ao outro. A chave para compreender
como podem existir juntos é Cristo. Sua vida revelou que Ele "amou a justiça e
odiou a iniquidade". Heb. 1:9. Deus espera que homens e mulheres revelem a mesma
atitude, que se manifesta no espírito de verdadeiro arrependimento sob a operação
convincente do Espírito Santo em seu coração.
Diz o Salmista: "Se o homem não se converter, afiar Deus a Sua espada." Sal.
7:12. Deus pleiteou por longo tempo com o antigo Israel: "Convertei-vos, ó filhos
rebeldes. ... Tão-somente reconhece a tua iniquidade, reconhece que transgrediste contra
o Senhor teu Deus." Jer. 3:14 e 13. Mas a nação persistentemente se recusou a
arrepender-se. Jer. 5:3. Então Deus implorou ao Seu povo obstinado com esta pergunta
final: "Como... te perdoaria?" Jer. 5:7.
Essa pergunta divina ensina-nos que Deus não perdoa o pecado automática ou
incondicionalmente. Deus é um Deus moral e Seu propósito é salvar o pecador de uma
atitude pecaminosa em face do pecado e da justiça para uma "atitude de crente."
E o propósito da graça divina separar o pecador do pecado, o rebelde da rebelião
contra o governo de Deus, e unir Seus filhos e filhas através da confiança e harmonia
com seu Criador. Jer. 50:20 e Isa. 55:7. Para esse propósito o Espírito da graça é
enviado do Céu a todos os povos e a luz da salvação a todas as nações: "Olhai
para Mim, e sede salvos, vós, todos os termos da Terra; porque Eu sou Deus, e não há
outro." Isa. 45:22; comparar com 49:6.
Embora a graça nos alcance onde quer que estejamos, ela não é concedida em sua
plenitude contra a nossa vontade. A graça apela ao coração e à vontade de homens e
mulheres a fim de que passem a apreciar a santidade do caráter de Deus e venham a se
render ao Seu soberano amor.
Talvez nenhuma outra parabola desdobra mais claramente esse aspecto do caráter de Deus do
que a história do filho pródigo. Ausente de casa e em miséria total, o filho
desobediente afinal caiu em si. Arrependeu-se sinceramente da errônea concepção de seu
amoroso pai a quem julgara rígido e severo.
Ele se levantou, disposto a confessar. Com uma nova atitude para consigo mesmo e com pai,
voltou para seu pai exatamente como estava, sem fazer nenhum esforço para mostrar-se
melhor. Veio então a surpresa. Quando o pai o viu à distãncia, correu, movido de
compaixão, para seu filho afligido, abraçou-o e o beijou, e novamente o restaurou com
todos os direitos de filho.
Devemos concluir que a graça do pai foi eficaz somente depois que o filho decidiu voltar
para casa? Não! O que realmente levou o rebelde a cair em si e regressar para o lar? Não
foi uma nova visão de seu pai? Em outras palavras, foi a atração da bondade de seu pai
que trouxe ao filho errante a convicção de que podia voltar para casa.
Assim acontece dentro do drama mais amplo entre a humanidade e nosso Pai celestial. A
graça divina sempre procura trazer à nossa mente uma melhor visão da bondade de Deus. O
gracioso poder da bondade divina leva a alma ao arrependimento. Rom. 2:4. A primeira
reação de uma alma contrita não deixa de ser reconhecida por Deus: "Jamais é
proferida uma oração, por vacilante que seja, jamais uma lagrima vertida, por mais
secreta, e jamais alimentado um sincero anelo de Deus, embora débil, que o Espírito de
Deus não saia a satisfazê-lo. Antes mesmo de ser pronunciada a oração, ou expresso o
desejo do coração, sai a graça de Cristo para juntar-se à graça que opera na alma
humana." - Parábolas de Jesus, pág. 206.
Paulo jamais esqueceu sua experiência com a graça de Deus quando repentinamente se
encontrou face a face com o Cristo vivo perto de Damasco. Desde então, sempre acreditou
que a fé em Cristo origina-se por iniciativa do próprio Cristo. E Ele que da início ao
encontro salvador. Compete-nos unicamente responder a Cristo. "E assim, a fé vem
pela pregação e a pregação pela palavra de Cristo." Rom. 10:17. Até mesmo nosso
amor a Deus manifesta as características de resposta e reação. O amor a Deus, de origem
celestial, não é outra coisa senão o amor do próprio Deus concedido ao crente e que
ele se apodera do mesmo em seu coração. Tal amor torna-se uma realidade em nós quando
verdadeiramente experimentamos o amor de Deus por nós. "Nós amamos porque Ele
[Deus] nos amou primeiro", escreve o Apóstolo João. 1 5. João 4:19.
Consequentemente, a fonte de nossa salvação eterna não é nossa fé, nosso amor,
nossas orações, nossas lágrimas, ou nossa própria dignidade moral. Jamais nos podemos
salvar a nós mesmos de Satanás, do pecado e da morte. E nem necessitamos fazer isso.
Somos salvos por Cristo mediante a fé nEle. Portanto, Paulo pode escrever a todos os
crentes batizados: "Porque pela graça sois salvos, mediante a fé; e isto
não vem de vós, é dom de Deus; não de obras, para que ninguém se glorie." Efés.
2:8 e 9. (Grifos acrescentados.)
Pela graça. Nestas palavras o Apóstolo resume as inexauríveis riquezas de
Cristo, a natureza do amor divino, a amorável vontade do Deus triúno. Quem poderã dar
uma definição abarcante da graça de Deus em Cristo? O próprio Deus tem mostrado em
todas as eras "a suprema riqueza da Sua graça, em bondade para conosco, em Cristo
Jesus." Efés. 2:7. Aqueles que conheceram a Jesus pessoalmente, dEle. testificaram:
"E vimos a Sua glória, glória como do unigênito do Pai, cheio de graça e de
verdade." S. João 1:14.
Paulo proclamou que Cristo Jesus "Se nos tornou da parte de Deus sabedoria, e
justiça, e santificação, e redenção, para que, como estã escrito: Aquele que se
glorie, glorie-se no Senhor". 1 Cor. 1:30 e 31.
Em Cristo temos tudo o que necessitamos. Nossas riquezas em Cristo foram admiravelmente
resumidas por E. G. White: "Tudo devemos à graça, livre e soberana. A graça no
pacto ordenou nossa adoção. A graça no Salvador efetuou nossa redenção, regeneração
e adoção para sermos herdeiros com Cristo." - Testimonies for the Church, vol.
6, pág. 268.