ELEIÇÃO DIVINA E PROVIDÊNCIA


Deus revelou na Bíblia Seu insuperável amor pelo nosso mundo, pela raça humana como um todo, e por cada pessoa individualmente. Ninguém a não ser Jesus Cristo disse acerca de Seu Pai celestial: "Porque Deus amou o mundo de tal maneira que deu o Seu Filho unigênito, parq que todo o que nEle crê não pereça, mas tenha a vida eterna." S. João 3:16. E Paulo, um dos principais perseguidores dos primeiros cristâos, confessou em um momento de emoção, depois de ter encontrado pessoalmente com Jesus, que Cristo "me amou e a Si mesmo Se entregou por mim." Gál. 2:20. O amor de Cristo era tao real para Paulo que mudou seu coração e vida.
Na epístola aosHebreus, lemos que Cristo Se ofereceu a Deus como um sacrifício perfeito "pelo Espirito eterno". Heb. 9:14. Assim, a Bíblia nos apresenta a inesperada boa-nova de que os três maiores poderes do Universo - O Pai, o Filho e o Espirito Santo - uniram-Se em um concerto para redimir a desobediente humanidade, nao importando quão enorme fosse o preço a pagar.

O Pacto da Salvação

A Bíblia não fala muito deste concerto interdivino e eterno selado antes da fundação do mundo. Contudo, várias passagens bíblicas se referem à realidade de tal concerto.
O Próprio testemunho de Jesus é eloquente em relação à Sua missão predeterminada: " A Minha comida consiste em fazer a vontade dAquele que Me enviou, e realizar a Sua obra." S. João 4"34.
"Eu nada posso fazer de Mim mesmo; na forma por que ouço, julgo. O Meu juízo é justo porque não procuro a Minha própria vontade, e sim, a dAquele que Me enviou." S. João 5:30. "Porque Eu desci do Céu não para fazer a Minha própria vontade; e , sim, a vontade dAquele que Me enviou. E a vontade de quem Me enviou é esta: Que nenhum Eu perca de dodos os que Me deu; pelo contrário, Eu o ressucitarei no último dia. De fato a vontade de Meu Pai é que todo homem que vir o Filho e nEle crer, tenha a vida eterna; e Eu o ressucitarei no último dia." S. João 6:38-40. " Porque Eu não tenho falado por Mim mesmo, mas o Pai que Me enviou, esse Me tem prescrito o que dizer e o que anunciar. E sei que o Seu mandamento é a vida eterna. As coisas, pois, que Eu falo, como o Pai Mo Tem dido, assim falo." S.João 12:49 e 50.
Ao divisar a conclusão de Sua missão, Jesus orou no Getsêmani: "Eu Te glorificarei na Terra, consumando a obra que Me confiaste para fazer; e agora, glorifica-Me, ó Pai, contigo mesmo, com a glória que Eu tive junto de Ti, antes que houvesse mundo." S. João 17:4 e 5.
Dirigindo-Se ao Pai, Jesus clamou em Seus últimos momentos na cruz:"Está consumado." S. João 19:20.
Por Sua própria vontade, Jesus Se submeteu à vontade redentora do Pai, tornando-Se o resgate do homem caído, tomando sobre Si a culpa da raça humana, morrendo como Substituto divino do homem e ressucitando como seu divino Fiador. "Ninguém a tira [Minha vida] de Mim; pelo contrário, Eu espontaneamente a dou. Tenho autoridade para a entregar e também para reavê-la. Este mandamento recebi de Meu Pai." S. João 10:18.
Os sofrimentos e morte expiatória de Jesus estavam incluídos no eterno concerto divino para a salvação do homem. O Apóstolo Pedro ressalta esta profunda dimensão quando proclamou: "Sendo este entregue pelo determinado desígnio e presciência de Deus, vós o Matastes, crucificando-O por mãos de iníquos." Atos 2:23.
Este plano de redenção já tinha sido revelado ao antigo Israel no ritual simbólico dos serviços do snatuário, especialmente no sacrifício do cordeiro pascal e na sapersão de seu sangue. Esse cordeiro particularmente prefigurava o sacrifíficio do Filho de Deus, como Paulo confirmou depois: " Pois também Cristo, nosso Cordeiro pascal, foi imolado." II Cor. 5:7.
As profecias de Isaías(cerca de 700 AC) relacionadas com a vinda do Servo de Deus cuja missão principal seria sofrer pelos pecados de Israel e morrer debaixo da culpa universal (capítulo 53) eram a reflexão de um plano pré-estabelecido por Deus para salvar o mundo.
O que Cristo padeceu às mãos dos pecadores, as Escrituras atribuem, em última análise, ao que a mão e o conselho de Deus predeterminaram. Atos 4:28. Esse plano divino não anula a responsabilidade nem a culpabilidade humana, mas as inclui e lhes provê o único meio de perdão, o sangue do Cordeiro de Deus. S. João 1:29. Cristo Se comprometeu a ser o Cordeiro de Deus "desde a fundação do mundo". Apoc. 13:8. O Pai O escolheu como Cordeiro "antes da fundação do mundo". I S. Ped. 1:20.
A origem de nossa salvação está no pacto redentor, descrito mais completamente por Ellen G. White:
"Antes que os fundamentos da Terra fossem lançados, o Pai e o Filho Se havia unido num concerto para redimir o homem, se ele fosse vencido por Satanás. Haviam-Se dado as mãos, num solene compromisso de que Cristo Se tornaria o fiador da raça humana. Esse compromisso comprira Cristo. Quando, sobre a cruz soltara o brado: " Está consumado ", dirigira-Se ao Pai. O pacto fora plenamente satisfeito. Agora Ele declara: "Pai, está consumado." Fiz, ó Meu Deus, a Tua vontade. Concluí a obra da redenção." _ O Desejado de Todas as Nações, págs. 797 e 798.
Esse eterno concerto entre o Pai e o Filho é o fundamento inexpugnável de nossa redenção. A salvação nos é oferecida pelo insondável amor salvífico do Pai e do Filho.S. João 3:16.

Salvação Assegurada em Cristo

A Bíblia dá ênfase à inabalável segurança do amor eletivo de Deus, especialmente na Epístola de Paulo aos Efésios. Por divina inspiração, o Apóstolo declara aos crentes cristãos que Deus "nos escolheu nEle [Cristo] antes da fundação do mundo, para sermos santos e irrepreensíveis perante Ele; e em amor nos predestinou para Ele, para a adoção de filhos, por meio de Jesus Cristo, segundo o beneplácito de Sua vontade, para louvor da glória de Sua graça, que Ele nos concedeu gratuitamente no Amado, no qual temos a redenção, pelo Seu sangue, a remissão dos pecados, segunda a riqueza da Sua graça, que Deus derramou abundantemente sobre nós em toda a sabedoria e prudência, desvendando-nos o mistério de Sua vontade, segundo o Seu benepácito que propusera em Cristo, de fazer convergir nEle, na dispensação da plenitude dos tempos, todas as coisas, tanto as do Céu como as da Terra." Efés. 1:4-10 (grifos supridos).
Com essas magníficas palavras, misturadas com expressões de louvor a Deus, o Apóstolo Paulo dá enfase à profunda dimensão, a origem divina de nossa eterna redenção. A salvação não é um ato nosso, mas obra e dom de Deus, oferecidos absolutamente grátis em Cristo a seres humanos indignos. Deus ofereceu a Cristo "de presente" como sacrifício expiatório antes de crermos nEle. Rom. 3:25. "Vindo, porém, a plenitude do tempo, Deus enviou Seu Filho, nascido de mulher, sob a lei, a fim de que recebêssemos a adoção de filhos." Gál. 4:4 3 5. A iniciativa de nossa salvação, portanto, não está com o homem, mas com Deus. O propósito divino, entretanto, vai além da cruz e de nossa adoção como filhos de Deus. Seu eterno propósito é restaurar novamente o Céu e a Terra sob uma cabeça, sob o governo de Cristo Jesus, Seu Filho. Efés. 1:9 e 10.
A origem e o propósito de nossa salvação estão intimamente relacionados um com o outro. Segundo Paulo, a raça eletiva de Deus se estende de eternidade a eternidade, e se tornou realidade histórica na vida de Cristo e no chamado de Seus embaixadores. Rom. 8:29 e 30. À luz desta inegável realidade, elel pergunta:"Quem nos separará do amor de Cristo?" Rom. 8:25. Sua resposta ressoa com absoluta confiança:"Porque eu estou bem certo de que nem a morte, nem vida, nem anjos, nem principados, nem coisas do presente, nem do porvir, nem poderes, nem altura, nem profundidade, nem qualquer outra criatura poderá separar-nos do amor de Deus, que está em Cristo Jesus nosso Senhor." Rom. 8:38 e 39.
Essa certeza apostólica nos revela quão absolutamente salvos somos em Cristo, mesmo em face da morte. Os crentes em Cristo recebem o dom da vida eterna agora no Espírito Santo. Cristo prometeu:"Eu lhes dou a vida eterna; jamais perecerão, eternamente, e ninguém as arrebatará da Minha mão." João 10:28. No momento solene de Sua oração final, Cristo reafirmou diante de Deus:" E a vida eterna é esta: que Te conheçam a Ti, o único Deus verdadeiro, e a Jesus Cristo, a quem enviaste." S. João 17:3.
Aqui, entra a responsabilidade humana. Quando Deus toma a iniciativa, chamando o homem ao conhecimento da salvação em Cristo, ele deve responder, aproximando-se de Deus através de Jesus Cristo, o qual declara solenemente: "Eu sou o caminho, e a verdade, e a vida; ninguém vem ao Pai senão por Mim." S. João 14:6. E Pedro confirma isso diante do povo judeu: "E não há salvação em nenhum outro; porque abaixo do Céu não existe nenhum outro nome, dado entre os homens, pelo qual importa que sejamos salvos." Atos 4:12. Com que apaixonado interesse deveríamos então procurar conhecer a Cristo como nosso Salvador pessoal! Temos a Sua promessa: "O que vem a Mim, de modo nenhum o lançarei fora." S. João 6:37. Que maior garantia pode alguém desejar? A real questão é, antes de tudo: "Como escaparemos nós, se negligenciarmos tão grande salvação?" Heb. 2:3.

Não há Dupla Predestinação

Não existe fundamento escriturístico para idéia que Deus escolheu ao acaso apenas umas poucas almas da espécie humana para se salvarem e predestinou o restante da humanidade para ser condenada. A Bíblia ignora completamente uma "dupla" predestinação. Deus "deseja que todos os homens sejam salvos e cheguem ao pleno conhecimento da verdade". I Tim 2:4. Portanto, Deus não mostra parcialidade na concessão do Seu amor remidor. Atos 10:24; Rom. 2:11. "Porquanto a graça de Deus se manifestou salvadora a todos os homens." Tito 2:11. Cristo morreu "pelos pecados do mundo inteiro". I S. João 2:2. Comparar com S. João 1:29.
A descrição feita por Jesus do Juizo final é esclarecedora, com grandes surpresas para todos. Cristo, o Rei Juiz, dirá então aos redimidos:"Vinde, benditos de Meu Pai! entrai na posse do reino que vos está preparado desde a fundação do mundo." S.Mat. 25:34. Essa é a eleição bíblica ou predestinação. Em absoluto contraste, Cristo dirá aos outros:"Apartai-vos de Mim, malditos, para o fogo eterno, preparado para o diabo e seus anjos." S. Mat. 25:41. Em oposição ao "Vinde, benditos" está o "Apartai-vos malditos". Em oposição ao reino esta o fogo eterno. Todavia o contraste cesa quando observamos que esse fogo não está preparado desde a fundação do mundo para os amaldiçoados como o reino está preparado para os benditos.
Os fogos do inferno foram preparados somente "para o diabo e seus anjos". Jesus declara que o homem participará do destino dos demônios apenas se recusar escolhê-Lo como seu Senhor e Salvador pessoal. Essa decisão é responsabilidade humana.
Deus chamou tantos judeus como os gentios, através do evangelho de Cristo, para se tornarem "vasos de misericórdia, que para glória preparou de antemão". Rom. 9:23. Por outro lado, Deus mostrará Sua santa ira contra Satanás e contra todos os que persistentemente se recusaram a arrepender-se de seus pecados, destinando-os finalmente "para a perdição". Rom. 9:22.

Destinados à Salvação

Como diz Paulo, a bondade e paciência de Deus "deveriam levar-nos" ao arrependimento. Áqueles a quem foram confiadas as palavras de Deus, Paulo escreveu: "Mas, segundo a tua dureza e coração impenitente acumulas contra ti mesmo ira para o dia da ira da revelação do justo juízo de Deus, que retribuirá a cada um segundo o seu procedimento." Rom. 2:5,6. "Porque para com Deus não há acepção de pessoas." Rom. 2:11. A destruição final é chamada de "obra estranha" de Deus (Isa. 28:21), porque Deus não nos destinou para sermos receptáculos de Sua ira, mas, pelo contrário, de Sua salvação pela fé no Senhor Jesus Cristo. I Tess. 5:9. Isso explica por que Jesus, vendo a reaççao dos judeus à Sua missão, "admirou-Se da incredulidade deles".S. Mar. 6:6. É responsabilidade e privilégio do ser humano não somente crer na voz do Bom Pastor, mas receber libertação para seguir o Grande Pastor em uma vida e experiência mas elevadas.
As Escrituras nos asseguram que Deus, em Sua direção providencial, garante o resultado final da história do mundo de acordo com o Seu eterno plano de redenção. Por mais confusas que sejam as circunstâncias, por mais hostis que sejam as forção que se opôem ao povo do concerto de Deus, não importa quão desanimadoras sejam as deficiências do povo escolhido, nosso
Criador fará triunfar o Seu plano e Seus desígnios divinos. A Confiança nos eternos propósitos divinos era o centro do culto de Israel ao Todo-poderoso: "O Senhor frusta os desígnios do Seu coração por todas as gerações. Feliz a nação cujo Deus é o Senhor, e o povo que Ele escolheu para Sua herança." Sal. 33:10-12.
Somente ao povo do concerto de Deus é dado conhecer, crer e ser guiado pelo plano divino para todas as gerações. As nações gentílicas "não sabem os pensamentos do Senhor, nem Lhe entendem o plano". Miq. 4:12. Conquanto a presciência de Deus O habilite a predizer o futuro, Sua providência supre o poder dominante para criar o futuro de acordo com a Sua vontade soberana. O Deus de Israel não somente anuncia " o fim desde o princípio", mas também ordenou: " O Meu conselho permancerá de pé, farei toda a Minha vontade." Isa. 46:10.
Esse desígnio da vontade divina se aplica tanto ao bem-estar presente como ao futuro do povo de Deus dentro dos movimentos complexos da história do mundo. Deus revela mistérios e torna conhecido " o que há de ser nos últimos dias". Dan. 2:28. Contudo, Ele também efetivamente "muda o tempo e as estações, remove reis e estabelece reis". Dan. 2:21. Deus não é meramente um expectador dos eventos terrestres ou um vaticinador do que a humanidade fará.
Sua providência, de um modo misterioso, porém efetivo, leva avante o que o eterno conselho de Deus determinou e prometeu que deveria ocorrer no planeta Terra. "Porque o Senhor dos Exércitos o determinou; quem, pois, o invalidará? A Sua mão está estendida; quem, pois, a fará voltar atrás?" Isa. 14:27.Israel acreditava que a providência divina tinha se manifestado repetidamente durante sua memorável história em poderosos atos de livramento e juízo, mas especialmente no fato de haver preservado, por Sua benevolência, em cada crise nacional, um remanescente fiel.Com o passar do tempo, os profetas de Israel se fixaram cada vez mais na promessa divina de um Rei-Salvador vindouro, o Messias, que restauraria toda a humanidade e toda a Natureza à sua original beleza paradisíaca e pacífica ordem. Isa. 11, 35, 65; Dan. 2:44; 7:27.0 Novo Testamento especialmente insiste no inevitável irrompimento dos "últimos dias", ou tempo escatológico, por ocasião da primeira vinda de Jesus como o longamente esperado Messias. Lucas usou o termo especifico "era necessário" (em grego dei) quarenta e quatro vezes para indicar que a vida e obra de Jesus não eram o resultado do acaso ou acidente, mas que Ele cumpria deliberadamente a vontade salvadora de Seu Pai celestial, esboçada nas Escrituras hebraicas. Referindo-Se ao que os profetas haviam predito, Jesus disse: "Porventura não convinha que o Cristo padecesse e entrasse na Sua glória?" S. Luc. 24:26. Tudo o que estava escrito acerca do Messias nos livros de Moisés, nos Sal mos e nos profetas, "importava se cumpnsse S. Luc. 24:44.
Em outras palavras, a morte de Jesus não foi o fracasso tragico de um profeta, mas o resultado necessário da divina providencia. Comparar S. Mat. 26:54 com S. Luc. 9:22. A vontade de Deus tal como é revelada nas Santas Escrituras foi visivelmente expressa em Jesus como o Messias de Israel. Paulo, outrossim, reconheceu a necessidade escatológica do jugo final quando "importa que todos nós compareçamos perante o tribunal de Cristo" (II Cor. 5:10), do reinado de Cristo (1 Cor. 15:25, "Porque convém que Ele reine") e da glorificação dos santos, quando "este corpo corruptível se revestir de incorruptibilidade, e o que ímortal se revestir de imortalidade" (1 Cor. 15:54). Não é surpreendente que o livro do Apocalipse ponha todos os eventos futuros do drama cósmico, inclusive a vitória final do Cordeiro de Deus sob o prometedor arco-íris das "coisas que em breve devem acontecer". Apoc. 1:1; comparar com 4:1 e 22:6. Do próprio trono de Deus foram pronunciadas estas fidedignas palavras: "eis que faço novas todas as coisas. Apoc. 21:5.
Enquanto aguardamos esse grandioso futuro elaborado por Deus, o Senhor tem estado ativo em tornar realidade os sinais visíveis desse futuro. Na fraternidade da raça restaurada, na comunhão espiritual do Seu povo escolhido, no renascimento dos pecadores, no surgimento de todos os verdadeiros reformadores e defensores da justiça, podemos, mesmo agora discernir que "acima, para tras e pelos lados, as partidas e contrapartidas do interesse, poder e paixões humanos - as instrumentalidades do Todo-misericordioso - [estão] executando paciente e silenciosamente os conselhos de Sua própria vontade". - Profetas e Reis, pg. 479.
A mais elevada vocação do ser humano é conhecer o plano e a vontade de Deus em Sua Sagrada Palavra e cooperar voluntariamente na realização dos propósitos da divina providência: "Muitos propósitos há no coração do homem, mas o desígnio do Senhor permanecer." Prov. 19:21. "O coração do homem traça o seu caminho, mas o Senhor lhe dirige os passos." Prov. 16:9.
Paulo descobriu quão funesto era "recalcitrar contra os aguilhôes". Atos 26:14. Essa grande lição de sabedoria Jó também aprendeu finalmente, porque confessou a Deus: "Bem sei que tudo podes, e nenhum dos Teus planos pode ser frustrado." Jó 42:2.

Seu Terno Respeito

Quão persistente e ativa é a providência de Deus! O mundo sera restaurado sob Seu domínio. Comparar Miquéias 4:8 com Zacarias 9:10. Nenhum poder antagônico no Universo é capaz de frustrar o propósito divino. Seu conselho permanecerá. Porém o mais surpreendente é o terno respeito de Deus por nossa livre decisão de escolhermos a quem servir. Jamais compele nossa vontade para que O adoremos. Somente nos atrai "com amor eterno". Jer. 31:3. As mais poderosas correntes da compaixão divina procuram atrair o coração egoista do ser humano quando a mensagem dos sofrimentos de Jesus por nós na cruz é apresentada à alma enferma pelo pecado. Então Satanas e seus propósitos São julgados e desmascarados. Mas Cristo, levantado na cruz, como nosso Sacerdote e o único Sacrifício, "atrairá todos" a Si mesmo.S..Jão 12:32. Não há nEle maior interesse do que atrair, convidar e chamar a todos e a cada um que ainda não respondeu.
Ouvi a Sua voz: "Eis que estou à porta, e bato; se alguém ouvir a Minha voz, e abrir a porta, entrarei em sua casa, e cearei com ele e ele comigo. Ao vencedor, dar-lhe ei sentar-se comigo no Meu trono, assim como também Eu venci, e Me sentei com Meu Pai no Seu trono." Apoc. 3:20 e 21.
Que Deus é benevolente e misericordioso foi revelado desde o princípio quando Ele pôs á prova Adão e Eva no Jardim do Eden. Tão logo nossos primeiros pais pecaram, Ele prometeu um Redentor. Gên. 3:15. Depois da apostasia de Israel e sua adoração do bezerro de ouro, foi dada a Moisés uma revelação mais profunda do caráter de Deus. Em uma auto-revelação Ímpar, o Senhor falou explicitamente a Moisés que Ele era o "Senhor Deus compassivo, clemente e longânimo, e grande em misericórdia e fidelidade, que perdoa a iniquidade, a transgressão e o pecado, ainda que não inocenta o culpado". Exo. 34:6 e 7.
Vemos aqui o mistério da santidade de Deus. Por um lado, está disposto a perdoar o pecado; todavia, por outro lado não está disposto a inocentar o culpado. Aqui graça e justiça estão combinadas; nem um atributo se opõe ao outro. A chave para compreender como podem existir juntos é Cristo. Sua vida revelou que Ele "amou a justiça e odiou a iniquidade". Heb. 1:9. Deus espera que homens e mulheres revelem a mesma atitude, que se manifesta no espírito de verdadeiro arrependimento sob a operação convincente do Espírito Santo em seu coração.
Diz o Salmista: "Se o homem não se converter, afiar Deus a Sua espada." Sal. 7:12. Deus pleiteou por longo tempo com o antigo Israel: "Convertei-vos, ó filhos rebeldes. ... Tão-somente reconhece a tua iniquidade, reconhece que transgrediste contra o Senhor teu Deus." Jer. 3:14 e 13. Mas a nação persistentemente se recusou a arrepender-se. Jer. 5:3. Então Deus implorou ao Seu povo obstinado com esta pergunta final: "Como... te perdoaria?" Jer. 5:7.
Essa pergunta divina ensina-nos que Deus não perdoa o pecado automática ou incondicionalmente. Deus é um Deus moral e Seu propósito é salvar o pecador de uma atitude pecaminosa em face do pecado e da justiça para uma "atitude de crente." E o propósito da graça divina separar o pecador do pecado, o rebelde da rebelião contra o governo de Deus, e unir Seus filhos e filhas através da confiança e harmonia com seu Criador. Jer. 50:20 e Isa. 55:7. Para esse propósito o Espírito da graça é enviado do Céu a todos os povos e a luz da salvação a todas as nações: "Olhai para Mim, e sede salvos, vós, todos os termos da Terra; porque Eu sou Deus, e não há outro." Isa. 45:22; comparar com 49:6.
Embora a graça nos alcance onde quer que estejamos, ela não é concedida em sua plenitude contra a nossa vontade. A graça apela ao coração e à vontade de homens e mulheres a fim de que passem a apreciar a santidade do caráter de Deus e venham a se render ao Seu soberano amor.
Talvez nenhuma outra parabola desdobra mais claramente esse aspecto do caráter de Deus do que a história do filho pródigo. Ausente de casa e em miséria total, o filho desobediente afinal caiu em si. Arrependeu-se sinceramente da errônea concepção de seu amoroso pai a quem julgara rígido e severo.
Ele se levantou, disposto a confessar. Com uma nova atitude para consigo mesmo e com pai, voltou para seu pai exatamente como estava, sem fazer nenhum esforço para mostrar-se melhor. Veio então a surpresa. Quando o pai o viu à distãncia, correu, movido de compaixão, para seu filho afligido, abraçou-o e o beijou, e novamente o restaurou com todos os direitos de filho.
Devemos concluir que a graça do pai foi eficaz somente depois que o filho decidiu voltar para casa? Não! O que realmente levou o rebelde a cair em si e regressar para o lar? Não foi uma nova visão de seu pai? Em outras palavras, foi a atração da bondade de seu pai que trouxe ao filho errante a convicção de que podia voltar para casa.
Assim acontece dentro do drama mais amplo entre a humanidade e nosso Pai celestial. A graça divina sempre procura trazer à nossa mente uma melhor visão da bondade de Deus. O gracioso poder da bondade divina leva a alma ao arrependimento. Rom. 2:4. A primeira reação de uma alma contrita não deixa de ser reconhecida por Deus: "Jamais é proferida uma oração, por vacilante que seja, jamais uma lagrima vertida, por mais secreta, e jamais alimentado um sincero anelo de Deus, embora débil, que o Espírito de Deus não saia a satisfazê-lo. Antes mesmo de ser pronunciada a oração, ou expresso o desejo do coração, sai a graça de Cristo para juntar-se à graça que opera na alma humana." - Parábolas de Jesus, pág. 206.
Paulo jamais esqueceu sua experiência com a graça de Deus quando repentinamente se encontrou face a face com o Cristo vivo perto de Damasco. Desde então, sempre acreditou que a fé em Cristo origina-se por iniciativa do próprio Cristo. E Ele que da início ao encontro salvador. Compete-nos unicamente responder a Cristo. "E assim, a fé vem pela pregação e a pregação pela palavra de Cristo." Rom. 10:17. Até mesmo nosso amor a Deus manifesta as características de resposta e reação. O amor a Deus, de origem celestial, não é outra coisa senão o amor do próprio Deus concedido ao crente e que ele se apodera do mesmo em seu coração. Tal amor torna-se uma realidade em nós quando verdadeiramente experimentamos o amor de Deus por nós. "Nós amamos porque Ele [Deus] nos amou primeiro", escreve o Apóstolo João. 1 5. João 4:19. Consequentemente, a fonte de nossa salvação eterna não é nossa fé, nosso amor, nossas orações, nossas lágrimas, ou nossa própria dignidade moral. Jamais nos podemos salvar a nós mesmos de Satanás, do pecado e da morte. E nem necessitamos fazer isso. Somos salvos por Cristo mediante a fé nEle. Portanto, Paulo pode escrever a todos os crentes batizados: "Porque pela graça sois salvos, mediante a fé; e isto não vem de vós, é dom de Deus; não de obras, para que ninguém se glorie." Efés. 2:8 e 9. (Grifos acrescentados.)
Pela graça. Nestas palavras o Apóstolo resume as inexauríveis riquezas de Cristo, a natureza do amor divino, a amorável vontade do Deus triúno. Quem poderã dar uma definição abarcante da graça de Deus em Cristo? O próprio Deus tem mostrado em todas as eras "a suprema riqueza da Sua graça, em bondade para conosco, em Cristo Jesus." Efés. 2:7. Aqueles que conheceram a Jesus pessoalmente, dEle. testificaram: "E vimos a Sua glória, glória como do unigênito do Pai, cheio de graça e de verdade." S. João 1:14.
Paulo proclamou que Cristo Jesus "Se nos tornou da parte de Deus sabedoria, e justiça, e santificação, e redenção, para que, como estã escrito: Aquele que se glorie, glorie-se no Senhor". 1 Cor. 1:30 e 31.
Em Cristo temos tudo o que necessitamos. Nossas riquezas em Cristo foram admiravelmente resumidas por E. G. White: "Tudo devemos à graça, livre e soberana. A graça no pacto ordenou nossa adoção. A graça no Salvador efetuou nossa redenção, regeneração e adoção para sermos herdeiros com Cristo." - Testimonies for the Church, vol. 6, pág. 268.

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