O DESENVOLVIMENTO DE UMA CONSCIÊNCIA SUPERIOR SOBRE O ACTO EDUCATIVO ATRAVÉS DA MEDITAÇÃO TAOISTA Como já foi referido, as condições actuais existentes nas nossas escolas e na nossa sociedade civilizada, não fomentam a autocultura mística. Privilegia-se desmesuradamente a autocultura intelectual. Não "existe" tempo ou mesmo disponibilidade, para nos afastarmos um pouco diariamente, dos pequenos problemas mundanos que continuamente nos afectam como professores, e, logicamente, como seres humanos sujeitos às pressões contínuas da vida moderna. Encontramo-nos quase sempre totalmente absortos pela acção, pela elaboração ou participação em mil e um projectos e actividades escolares. Poucos são os professores que reservam alguns minutos do seu dia para o recolhimento e reflexão interior ou que param para pensar sobre a importância do seu papel educativo . Poucos procuram dentro de si a serenidade e a paz, que os ajudem a reequilibrar-se emocionalmente para os confrontos inevitáveis ( e por vezes necessários) que têm de travar na sua profissão. E depois, como consequência, chegam ao fim do dia, completamente exaustos e desanimados na sua realização profissional. E em casos extremos, ter de enfrentar os seus alunos, torna-se um verdadeiro pesadelo. Os taoistas compreenderam como ninguém da importância e necessidade de se fazer silêncio depois do barulho, da importância e necessidade de se regressar à calma depois de grande agitação, da necessidade de tempo para reflexão depois da actividade contínua. Desenvolveram ao longo de séculos vários exercícios físicos respiratórios e técnicas de meditação simples para que a mente se torne mais consciente de si própria, libertando-se, ainda que por alguns breves momentos, dos pensamentos que continuamente a afligem sem lhe dar tréguas nem descanso. Esses exercícios e técnicas de meditação são actualmente utilizados diariamente na China por mais de 100 milhões de pessoas de todas as idades e meio social, e já um pouco por todo o planeta com um carácter meramente profilático na prevenção da "ausência de saúde", no desenvolvimento da energia interior, fortalecimento corporal e aumento da longevidade. Às práticas psicofísicas com origem à mais de 5000 anos, baseadas nos princípios do taoismo, os chineses chamam de Qigong ( Chi Kung ) , ou o cultivo da energia interior, sendo actualmente um dos ramos da Medicina Tradicional Chinesa ( complementando-se com a acupunctura, a massagem dos meridianos, a dietética, a herbologia e a moxabustão).
É precisamente a consciência, ou melhor ainda, autoconsciência, que deverá ser talvez das primeiras conquistas de todo o professor que se encontre verdadeiramente empenhado no seu crescimento e amadurecimento interior. Por vezes, essa autoconsciência vai-se desenvolvendo progressivamente com a idade e à medida que os anos de experiência no ensino vão aumentando. Provavelmente, tu próprio já te apercebeste, de como numa situação semelhante, reages de uma maneira diferente e mais calma, mais aberta e menos ríspida do que à dois ou três anos atrás. És tu que crias a tua própria realidade de professor a cada instante. Se não estiveres consciente disso, essa realidade poderá basear-se apenas em modelos e hábitos antigos. Eu sei que te sentes sempre um pouco mais confortado em pensar que são as circunstâncias que te limitam a tua capacidade de acção. Dessa maneira desculpas os teus fracassos com um determinado número de causas exteriores. Mas uma real transformação da profissão de professor tem de passar inevitavelmente a partir do teu interior. A transformação para um ensino mais eficaz e gratificante terá de passar obrigatoriamente por uma revolução da tua consciência. Lembras-te dos teu primeiro ano de ensino e de como sentias necessidade de te impores e levantares frequentemente a voz. sendo menos tolerante com os teus alunos do que és agora? Quanta insegurança, quanta inexperiência e medo de fracassares... ou pior ainda, que os alunos e os teus colegas professores, descobrissem a tua insegurança, a tua inexperiência e os teus medos. Adoptaste uma postura rígida porque foi a que te melhor te pareceu proteger dos teus receios mais profundos, dando-te a impressão de exerceres uma falsa autoridade. A cada aula que dás, a cada ano que passa, a tua consciência vai atingindo níveis superiores de compreensão de realidade devido à sabedoria acumulada nas experiências dos anos anteriores. Mas para isso acontecer precisas de estar atento! Quantas situações escolares que consideramos problemáticas poderiam ser facilmente ultrapassadas se nos lembrássemos das nossas próprias experiências do passado. A experiência é uma mestra bastante severa que se pode transformar numa nossa grande aliada se a soubermos aproveitar. Ela é a alavanca para o nosso crescimento interior, possibilitando uma transformação tanto pessoal como profissional bem sucedida. O desenvolvimento da consciência é um processo contínuo que decorre durante toda a vida mas que pode ser bastante acelerada através do exercício milenar da meditação taoista. E isto porque meditar é estar consciente! E estar consciente é dares conta do que te está a acontecer neste preciso momento, tanto interior como exteriormente, permitindo-te um melhor conhecimento das situações e uma forma de actuar mais eficaz. Com a prática meditativa taoista, a tua mente progressivamente atingirá um nível subtil muito elevado, contribuindo para um grande aumento da tua sensibilidade a lidar com os conflitos que tens de enfrentar no dia a dia escolar. O seu objectivo é obter a paz da mente e a serenidade do espírito, ajudando-te a entrar em sintonia com o Tao. Dessa forma ficarás liberto da monotonia, da rotina ou mesmo saturação que possas sentir no teu trabalho. Adoptarás uma atitude mais serena e positiva em todas as situações escolares. Dominarás os teus medos e preocupações. O teu autocontrole e autoconfiança serão reforçados. Compreenderás o essencial porque a tua consciência mais objectiva vai-te permitir ver as coisas como elas realmente são, liberta de velhos apegos, preconceitos ou experiências negativas. No plano físico, a meditação taoista contribui ainda para reforçar o teu sistema imunológico, harmonizando e sincronizando todas as tuas funções orgânicas. De imediato sentirás um aumento de vitalidade. Dessa forma resistirás mais facilmente às situações stressantes que tens de enfrentar na actividade de professor. Lembra-te que sozinho não podes mudar o mundo, a única coisa ao teu alcance é mudar-te aos poucos a ti próprio e à maneira como encaras as situações. Se um aluno te provoca, não encares isso como provocação mas como um desafio. Se um aluno está distraído é porque a tua própria motivação é pequena. Se um aluno tem dificuldades na aprendizagem de qualquer matéria, analisa e modifica a tua forma de ensino. Se a turma não colabora, tenta colaborar tu em primeiro lugar com a turma. Estamos a entrar numa era nova do ensino onde cada vez mais deixa de existir lugar para a propotência do professor e para a tentativa de manipular os outros através de imposições ou ameaças de reprovação. Agora é necessário acima de tudo que o professor consiga inspirar os seus alunos através de bons exemplos sendo um verdadeiro líder, se considerarmos o significado da palavra liderar como "dar um rumo". E a sabedoria taoista diz-nos que o primeiro passo para se ser um verdadeiro líder, terá de começar por aprender a liderarmo-nos a nós próprios. A experiência da meditação ajuda-nos a procurar o Tao no nosso interior e a encontrar o nosso "próprio rumo". O princípio taoista wu-wei ou " acção na imobilidade" é uma fonte de inspiração para o professor. Ensinar sem nada dizer, permanecendo em actividade apesar de aparentemente nada estar a fazer. Mais do que as palavras ou acções o fundamental é a sua presença harmoniosa que estimula o trabalho cooperativo em função de um objectivo comum a toda a turma. "se você for pessoalmente correcto, as coisas serão feitas sem que se dêem ordens. Se você não for pessoalmente correcto, ninguém obedecerá, mesmo que você dê ordens." disse Confúcio. A prática sistemática da meditação taoista vai-te desenvolver a compreensão da unicidade existente entre professor/aluno e ensino/aprendizagem ...
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