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A Caminho da Luz
VI A família indo-européia
AS MIGRAÇÕES SUCESSIVAS
Se as civilizações hindu e egípcia definiram-se
no mundo em breves séculos, o mesmo não aconteceu com
a civilização ariana, que ia iniciar na Europa os seus
movimentos evolutivos.
Somente com o escoar de muitos séculos regularizaram-se as suas
migrações sucessivas, através dos planaltos da
Pérsia. Do Irá procederam quase todas as correntes da
raça branca, que representariam mais tarde os troncos genealógicos
da família indo-européia.
Conforme afirmávamos, os arianos que procuravam as novas emoções
de uma terra
desconhecida eram, na sua maioria, os espíritos revoltados com
as condições do seu degredo; pouco afeitos aos misteres
religiosos que, pela força das circunstâncias, impunham
uma disciplina de resignação e humildade, não cuidaram
da conservação do seu tradicionalismo, na ânsia
de conquistar um novo paraíso e serenarem, assim, as suas inquietações
angustiosas.
A AUSÊNCIA DE NOTÍCIAS HISTÓRICAS
Aí reside a razão do escasso conhecimento dos historiadores,
acerca dos árias primitivos que lançaram os marcos da
civilização européia.
Caminheiros do desconhecido, erraram pelas planícies e montanhas
desertas, não como o povo hebreu, que guardava a palavra divina
com a sua fé, mas desarvorados e sem esperança, contando
apenas com as próprias forças, em virtude do seu caráter
livre e insubmisso.
Suas incursões, entre as tribos selvagens da Europa, datam de
mais ou menos dez milênios antes da vinda do Cristo, não
obstante a humanidade localizar-lhe a marcha apenas quatro mil anos
antes do grande acontecimento da Judéia. É que, em vista
de sua situação psicológica, os primitivos árias
do Velho Mundo não deixaram vestígios nos domínios
da fé, único caminho, daqueles tempos, através
do qual poderia uma raça assinalar sua passagem pela Terra. Não
guardavam a história verbal de uma religião que não
possuíam.
Mais revoltados e enrijecidos que todos os demais companheiros exilados
no orbe terrestre, suas reminiscências da vida pregressa nos planos
mais elevados, qual a que haviam experimentado no sistema da Capela,
traduziam-se numa revolta íntima, amargurada e dolorosa, contra
as determinações de ordem divina. Apenas, muito mais tarde,
com a contribuição dos milênios, os celtas retornaram
ao culto divino, venerando as forças da Natureza, junto dos carvalhos
sagrados, e os germanos iniciaram a sua devoção ao fogo,
que personificava, a seus olhos, a potência criadora dos seres
e das coisas, enquanto outros povos começaram a sacrificar vítimas
e objetos aos seus numerosos deuses.
A GRANDE VIRTUDE DOS ÁRIAS EUROPEUS
A misericórdia do Cristo, porém, jamais deixou de acompanhar
esse grande povo no seu atribulado desterro. Ao influxo dos seus emissários,
as massas migratórias da Ásia se dividiram cm grupos diversos,
que penetraram na Europa, desde o Peloponeso até as vastas regiões
da Rússia, onde se encontram os antepassados dos gregos, latinos,
samnitas, úmbrios, gauleses, citas, iberos, romanos, saxônios,
germanos, eslavos. Essas tribos assimilaram todos os elementos encontrados
em seus caminhos, impulsionando-lhes os passos nas sendas do progresso
e do aperfeiçoamento. Enquanto os semitas e hindus se perderam
na cristalização do orgulho religioso, as famílias
arianas da Europa, embora revoltadas e endurecidas, confraternizaram
com o selvagem e nisso reside a sua maior virtude. Assimilando os aborígenes,
engendraram as premissas de todos os surtos das civilizações
futuras.
Nessa movimentação para o estabelecimento de novo "habitat",
organizaram as primeiras noções políticas da vida
coletiva, elegendo cada tribo um chefe para a direção
de sua vida em comum. A agricultura, as indústrias pastoris,
com elas encontraram os primeiros impulsos nas estradas incertas dos
que descendiam do "primata" europeu. Com as organizações
econômicas, oriundas do trato direto com o solo, deixaram perceber
a lembrança de suas lutas no antigo mundo que haviam deixado.
Bastou que inaugurassem na Terra o senso da propriedade, para que o
germe da separatividade e do ciúme, da ambição
e do egoísmo lhes destruísse os esforços benfazejos...
As rivalidades entre as tribos, na vida comum, induziram-nas aos primeiros
embates fratricidas.
O MEDITERRÂNEO E O MAR DO NORTE
Por essa época, novos fenômenos geológicos abalam
a vida do globo.
Precisava Jesus estabelecer as linhas definitivas da grande civilização,
cujos primórdios se levantavam; e dessas convulsões físicas
do orbe surgem renovações que definem o Mediterrâneo
e o Mar do Norte, fixando-se os limites da ação daqueles
núcleos de operários da evolução coletiva.
O Cristo sabia valorizar a atividade da família indo-européia,
que, se era a mais revoltada contra os desígnios do Alto, era
também a única que confraternizava com o selvagem, aperfeiçoando-lhe
os caracteres raciais, sem esmorecer na ação construtiva
das oficinas do porvir. Através dos milênios, aliviou-lhe
os pesares no caminho sobrecarregado de lutas e dores tenazes. Assim,
enviou-lhe emissários em todas as circunstâncias, atendendo-lhe
os secretos apelos do coração, no labor educativo das
tribos primitivas do continente.
Suavizou-lhe a revolta e a amargura, ajudando a reconstruir o templo
da fé, na esteira das gerações. Nos bosques da
Armórica, os celtas antigos levantaram os altares da crença
entre as árvores sagradas da Natureza. Doces revelações
espirituais caem na alma desse povo místico e operoso, que, muito
antes dos saxões, povoou as terras da Grã-Bretanha.
A reencarnação de numerosos auxiliares do Mestre, em seus
labores divinos, opera uma nova fase de evolução no seio
da família indo-européia, já caracterizada pelas
mais diversas expressões raciais. Enquanto os germanos criam
novas modalidades de progresso, o Lácio se ergue na Itália
Central, entre a Etrúria e a Campânia; a Grécia
se povoa de mestres e cantores, e todo o Mediterrâneo oriental
evolve com o uso da escrita, adquirido na convizinhança das civilizações
mais avançadas.
OS NÓRDICOS E OS MEDITERRÂNICOS
O fenômeno das trocas e os primeiros impulsos comerciais levantam,
todavia, longa série de barreiras entre as relações
desses povos.
De um lado, estavam os nórdicos e de outro permaneciam os mediterrânicos,
em luta acérrima e constante. A rivalidade acende nessas duas
facções os fogos da guerra, sob os céus tranqüilos
do Velho Mundo. Uns e outros empunham as armas primitivas para as lutas
de extermínio e destruição das hostes inimigas,
e a linha divisória dos litigantes se alonga justamente no local
onde hoje se traçam os limites da França e da Alemanha
contemporâneas.
É como se explica essa intensidade de aversão racial entre
as duas nações, contadas entre as mais progressistas e
operosas do planeta. Tal situação psicológica entre
ambas haveria de tornar-se em fatalidade histórica, oriunda dos
atritos entre o Germanismo e a Latinidade, nas épocas primitivas.
O que se não justifica, porém, é a perpetuação
dessas animosidades no curso do tempo, pelo que se impõe, como
imperativo constante, a concentração de todos os pensamentos
no objetivo da
fraternidade geral.
ORIGEM DO RACIONALISMO
Os arianos da Europa, como ficou esclarecido, não possuíram
grandes ascendentes religiosos na sua formação primitiva,
em vista do senso prático que os caracterizou nos primeiros tempos
de sua organização.
O racionalismo de suas concepções, a tendência para
as ciências positivas e o amor pela hegemonia e liberdade são,
dessa maneira, elucidados dentro da análise dos seus primórdios.
Em matéria de religião, quase todos os seus passos foram
orientados pelos povos semitas e hindus, mas, pelo cultivo da razão,
puderam aperfeiçoar a Ciência até às culminâncias
das conquistas modernas.
O mundo, se muitas vezes perdeu com as suas inquietações
e com as suas lutas renovadoras, muito lhes deve pela colaboração
decidida e sincera no labor do pensamento, em todas as épocas
e períodos evolutivos.
AS ADVERTÊNCIAS DO CRISTO
A sua confraternização com os terrícolas primários,
encontrados no seu caminho, constitui uma divida sagrada da Humanidade
para com os seus labores planetários.
O Senhor da semeadura e da seara não lhes desconhece essa grande
virtude e é por isso que as exortações de toda
natureza são por ele enviadas do Alto, nos tempos que correm,
às nações européias, a fim de que se preservem
do extermínio e da destruição terrestre, arrancando-as
do primitivismo para um elevado nível de aperfeiçoamento
nos grandes trabalhos construtivos da evolução global;
se erraram muito, foram igualmente muito sinceras, porque a sua inquietação
era por levantar um novo paraíso para si mesmas e para os homens
terrestres, com cujas famílias fraternizaram-se desde o princípio.
Faltaram-lhes os valores espirituais de uma perfeita base religiosa,
situação essa para a qual concorreram, inegavelmente,
na utilização do livre-arbítrio; mas o Cristo,
nas dolorosas transições deste século, há
de amparar-lhes as expressões mais dignas e mais puras, espiritualmente
falando, e, no momento psicológico das grandes transformações,
o fruto de suas atividades fecundas há de ser aproveitado, como
a semente nova, para a civilização do porvir.
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