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A Caminho da Luz
V A Índia
A ORGANIZAÇÃO HINDU
Dos Espíritos degredados no ambiente da Terra, os que se gruparam
nas margens do Ganges foram os primeiros a formar os pródromos
de uma sociedade organizada, cujos núcleos representariam a grande
percentagem de ascendentes das coletividades do porvir.
As organizações hindus são de origem anterior à
própria civilização egípcia e antecederam
de muito os agrupamentos israelitas, de onde sairiam mais tarde personalidades
notáveis, como as de Abraão e Moisés.
As almas exiladas naquela parte do Oriente muito haviam recebido da
misericórdia do
Cristo, de cuja palavra de amor e de cuja figura luminosa guardaram
as mais comovedoras recordações, traduzidas na beleza
dos Vedas e dos Upanishads. Foram elas as primeiras vozes da filosofia
e da religião no mundo terrestre, como provindo de uma raça
de profetas, de mestres e iniciados, em cujas tradições
iam beber a verdade os homens e os povos do porvir, salientando-se que
também as suas escolas de pensamento guardavam os mistérios
iniciáticos, com as mais sagradas tradições de
respeito.
OS ARIANOS PUROS
Era na Índia de então que se reuniam os arianos puros,
entre os quais cultivavam-se igualmente as lendas de um mundo perdido,
no qual o povo hindu colocava as fontes de sua nobre origem. Alguns
acreditavam se tratasse do antigo continente da Lemúria, arrasado
em parte pelas águas dos Oceanos Pacífico e Indico, e
de cujas terras ainda existem porções remanescentes, como
a Austrália.
A realidade, porém, qual já vimos, é que, como
os egípcios, os hindus eram um dos ramos da massa de proscritos
da Capela, exilados no planeta. Deles descendem todos os povos arianos,
que floresceram na Europa e hoje atingem um dos mais agudos períodos
de transição na sua marcha evolutiva. O pensamento moderno
é o descendente legitimo daquela grande raça de pensadores,
que se organizou nas margens do Ganges, desde a aurora dos tempos terrestres,
tanto que todas as línguas das raças brancas guardam as
mais estreitas afinidades com o sânscrito, originário de
sua formação e que constituía uma reminiscência
da sua existência pregressa, em outros planos.
O EXPANSIONISMO DOS ÁRIAS
Muitos séculos antes de qualquer prenúncio de civilização
terrestre, os árias espalharam-se pelas planícies hindus,
dominando os autóctones, descendentes dos "primatas",
que possuíam uma pele escura e deles se distanciavam pelos mais
destacados caracteres físicos e psíquicos. Mais tarde,
essa onda expansionista procurou localizar-se ao longo das terras da
futura Europa, estabelecendo os primeiros fundamentos da civilização
ocidental nos bosques da Grécia, nas costas da Itália
e da França, bem como do outro lado do Reno, onde iam ensaiar
seus primeiros passos as forças da sabedoria germânica.
As balizas da sociedade dos gregos, dos latinos, dos celtas e dos germanos
estavam lançadas.
Cada corrente da raça ariana assimilou os elementos encontrados,
edificando-se os primórdios da civilização européia;
cada qual se baseou no princípio da força para o necessário
estabelecimento, e, muito cedo, começaram no Velho Mundo os choques
de suas famílias e tribos.
OS MAHATMAS
Da região sagrada do Ganges partiram todos os elementos irresignados
com a situação
humilhante que o degredo da Terra lhes infligia. As arriscadas aventuras
forneceriam uma noção de vida nova e aqueles seres revoltados
supunham encontrar o esquecimento de sua posição nas paisagens
renovadas dos caminhos; lá ficaram, apenas, as almas resignadas
e crentes nos poderes espirituais que as conduziriam de novo às
magnificências dos seus paraísos perdidos e distantes.
Os cânticos dos Vedas são bem uma glorificação
da fé e da esperança, em face da Majestade Suprema do
Senhor do Universo. A faculdade de tolerar, e esperar, aflorou no sentimento
coletivo das multidões, que suportaram heroicamente todas as
dores e aguardaram o momento sublime da redenção. Os "mahatmas"
criaram um ambiente de
tamanha grandeza espiritual para o seu povo, que, ainda hoje, nenhum
estrangeiro visita a terra sagrada da Índia sem de lá
trazer as mais profundas impressões acerca de sua atmosfera psíquica.
Eles deixaram também, ao mundo, as suas mensagens de amor, de
esperança e de estoicismo resignado, salientando-se que quase
todos os grandes vultos do passado humano, progenitores do pensamento
contemporâneo, deles aprenderam as lições mais sublimes.
AS CASTAS
O povo hindu, não obstante o seu elevado grau de desenvolvimento
nas ciências do Espírito, não aproveitou de modo
geral, como devia, o seu acervo de experiências sagradas.
Seus condutores conheciam as elevadas finalidades da vida.
Lembravam-se vagamente das promessas do Senhor, anteriores à
sua reencarnação para os trabalhos do penoso degredo.
A prova disso é que eles abraçaram todos os grandes missionários
do pretérito, vendo neles os avatares do seu Redentor. Viasa
foi instrumento das lições do Cristo, seis mil anos antes
do Evangelho, cuja epopéia, em seus mínimos detalhes,
foi prevista pelos iniciados hindus, alguns milênios antes da
organização da Palestina. Krishna, Buda e outros grandes
enviados de Jesus ao plano material, para exposição de
suas verdades salvadoras, foram compreendidos pelo grande povo sobre
cuja fronte derramou o Senhor, em todos os tempos, as claridades divinas
do seu amor desvelado e compassivo. Mas, como se a questão fosse
determinada por um doloroso atavismo psíquico, o povo hindu,
embora as suas tradições de espiritualidade, deixou crescer
no coração o espinho do orgulho que, aliás, dera
motivo ao seu exílio na Terra.
Em breve, a organização das castas separava as suas coletividades
para sempre. Essas castas não se constituíam num sentido
apenas hierárquico, mas com a significação de uma
superioridade orgulhosa e absoluta. As fortes raízes de uma vaidade
poderosa dividem os espíritos no campo social e religioso. Os
filhos legítimos do país dão-se o nome de árias,
designação original de sua raça primitiva, e o
seu sistema religioso, de modo geral, chama-se "Ária-Darma",
que eles afirmam trazer de sua longínqua origem, e em cujo seio
não existem comunidades especiais ou autoridade centralizadora,
senão profunda e maravilhosa liberdade de sentimento.
OS RAJÁS E OS PÁRIAS
Na verdade, esses sistemas avançados de religião e filosofia
evocam o fastígio da raça no seu mundo de origem, de onde
foi precipitada ao orbe terreno pelo seu orgulho desmedido e infeliz.
Os arianos da Índia, porém, não se compadeceram
das raças atrasadas que encontraram em seu caminho e cuja evolução
devia representar para eles um imperativo de trabalho regenerador na
face da Terra; os aborígenes foram considerados como os párias
da sociedade, de cujos membros não podiam aproximar-se sem graves
punições e severos castigos.
Ainda hoje, o espírito iluminado de Gandhi, que é obrigado
a agir na esfera da mais atenciosa psicologia dos seus irmãos
de raca não conseguiu eliminar esses absurdos sociais do seio
do grande povo de iniciados e profetas. Os párias são
a ralé de todos os seres e são obrigados a dar um sinal
de alarme quando passam por qualquer caminho, a fim de que os venturosos
se afastem do seu contágio maléfico.
A realidade, contudo, é que os rajás soberanos, ao influxo
da misericórdia do Cristo, voltam às mesmas estradas que
transitaram sobre o dorso dos elefantes ajaezados de pedrarias, como
mendigos desventurados, resgatando o pretérito em avatares de
amargas provações expiatórias. Os que humilharam
os infortunados, do alto de seus palácios resplandecentes, volvem
aos mesmos caminhos, cheios de chagas cancerosas, exibindo a sua miséria
e a sua indigência.
E o que é de admirar-se é que nenhum povo da Terra tem
mais conhecimentos, acerca da reencarnação, do que o hindu,
ciente dessa verdade sagrada desde os primórdios da sua organização
neste mundo.
EM FACE DE JESUS
Nos bastidores da civilização, somos compelidos a reconhecer
que a Índia foi a matriz de todas as filosofias e religiões
da Humanidade, inclusive do materialismo, que lá nasceu na escola
dos charvacas.
Um pensamento de gratidão nos toma o íntimo, examinando
a sua grandeza espiritual e as suas belezas misteriosas, mas, acima
dos seus iogues e de seus "mahatmas", temos de colocar a figura
luminosa dAquele que é a luz do mundo, e cuja vinda à
Terra se verificaria para trazer a palma da concórdia e da fraternidade,
para todos os corações e para todos os povos, arrasando
as fronteiras que separam os espíritos e eliminando os laços
ferrenhos das castas sociais, para que o amor das almas substituísse
o preconceito de raça no seu reinado sem-fim.
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