














Gastronomia
Telefone
Imigração
|
A Caminho da Luz
VII O povo de Israel
ISRAEL
Dos Espíritos degredados na Terra, foram os hebreus que constituíram
a raça mais forte e mais homogênea, mantendo inalterados
os seus caracteres através de todas as mutações.
Examinando esse povo notável no seu passado longínquo,
reconhecemos que, se grande era a sua certeza na existência de
Deus, muito grande também era o seu orgulho, dentro de suas concepções
da verdade e da vida.
Consciente da superioridade de seus valores, nunca perdeu oportunidade
de demonstrar a sua vaidosa aristocracia espiritual, mantendo-se pouco
acessível à comunhão perfeita com as demais raças
do orbe. Entretanto, em honra da verdade, somos obrigados a reconhecer
que Israel, num paradoxo flagrante, antecipandose às conquistas
dos outros povos, ensinou de todos os tempos a fraternidade, a par de
uma fé soberana e imorredoura - Sem pátria e sem lar,
esse povo heróico tem sabido viver em todos os climas sociais
e políticos, exemplificando a solidariedade humana nas melhores
tradições de trabalho; sua existência histórica,
contudo, é uma lição dolorosa para todos os povos
do mundo, das conseqüências nefastas do orgulho e do exclusivismo.
MOISÉS
As lendas da Torre de Babel não representam um mito nas páginas
antigas do Velho Testamento, porque o exílio na Terra não
pesou tanto às outras raças degredadas quanto na alma orgulhosa
dos judeus, inadaptados e revoltados num mundo que os não compreendia.
Sem procurarmos os seus antepassados, anteriores a Moisés, vamos
encontrar o grande legislador hebreu saturando-se de todos os conhecimentos
iniciáticos, no Egito antigo, onde o seu espírito recebeu
primorosa educação, à sombra do prestígio
de Termútis, cuja caridade fraterna o recolhera.
Moisés, na sua qualidade de mensageiro do Divino Mestre, procura
então concentrar o seu povo para a grande jornada em busca da Terra
da Promissão. Médium extraordinário, realiza grandes
feitos ante os seus irmãos e companheiros maravilhados. É
quando então recebe, de emissários do Cristo, no Sinai,
os dez sagrados mandamentos que, até hoje, representam a base de
toda a justiça do mundo.
Antes de abandonar as lutas da Terra, na extática visão
da Terra Prometida, Moisés lega à posteridade as suas
tradições no Pentateuco, iniciando a construção
da mais elevada ciência religiosa de todos os tempos, para as
coletividades porvindouras.
O JUDAÍSMO E O CRISTIANISMO
Estudando-se a trajetória do povo israelita, verifica-se que
o Antigo Testamento é um repositório de conhecimentos
secretos, dos iniciados do povo judeu, e que somente os grandes mestres
da raça poderiam interpretá-lo fielmente, nas épocas
mais remotas.
Eminentes espiritualistas franceses, nestes últimos tempos, procuraram
penetrar os seus obscuros segredos e, todavia, aproximando-se da realidade
com referência às interpretações, não
lhes foi possível solucionar os vastos problemas que as suas expressões
oferecem.
Os livros dos profetas israelitas estão saturados de palavras enigmáticas
e simbólicas, constituindo um monumento parcialmente decifrado
da ciência secreta dos hebreus.
Contudo, e não obstante a sua feição esfingética,
é no conjunto um poema de eternas claridades. Seus cânticos
de amor e de esperança atravessam as eras com o mesmo sabor indestrutível
de crença e de beleza. É por isso que, a par do Evangelho,
está o Velho Testamento tocado de clarões imortais, para
a visão espiritual de todos os corações. Uma perfeita
conexão reúne as duas Leis, que representam duas etapas
diferentes do progresso humano. Moisés, com a expressão
rude da sua palavra primitiva, recebe do mundo espiritual as leis básicas
do Sinai, construindo desse modo o grande alicerce do aperfeiçoamento
moral do mundo; e Jesus, no Tabor, ensina a
Humanidade a desferir, das sombras da Terra, o seu vôo divino
para as luzes do Céu.
O MONOTEÍSMO
O que mais admira, porém, naquelas tribos nômadas e desprotegidas,
é a fortaleza espiritual que lhes nutria a fé nos mais
arrojados e espinhosos caminhos.
Enquanto a civilização egípcia e os iniciados hindus
criavam o politeísmo para satisfazer os imperativos da época,
contemporizando com a versatilidade das multidões, o povo de
Israel acreditava somente na existência do Deus Todo-Poderoso,
por amor do qual aprendia a sofrer todas as injúrias e a tolerar
todos os martírios.
Quarenta anos no deserto representaram para aquele povo como que um
curso de consolidação da sua fé, contagiosa e ardente.
Seguiu-lhe Jesus todos os passos, assistindo-o nos mais delicados momentos
de sua vida e foi ainda, sob o pálio da sua proteção,
que se organizaram os reinos de Israel e de Judá, na Palestina.
Todas as raças da Terra devem aos judeus esse benefício
sagrado, que consiste na revelação do Deus Único,
Pai de todas as criaturas e Providência de todos os seres.
O grande legislador dos hebreus trouxera a determinação
de Jesus, com respeito à simplificação das fórmulas
iniciáticas, para compreensão geral do povo; a missão
de Moisés foi tornar acessíveis ao sentimento popular
as grandes lições que os demais iniciados eram compelidos
a ocultar. E, de fato, no seio de todas as grandes figuras da antigüidade,
destaca-se o seu vulto como o primeiro a rasgar a cortina que pesa sobre
os mais elevados conhecimentos, filtrando a luz da verdade religiosa
para a alma simples e generosa do povo.
A ESCOLHA DE ISRAEL
No reino de Israel sucederam-se as tribos e os enviados do Senhor.
Todos os seus caminhos no mundo estão cheios de vozes proféticas
e consoladoras, acerca dAquele que ao mundo viria para ser glorificado
como o Cordeiro de Deus.
A cada século renovam-se as profecias e cada templo espera a
palavra de ordem dos Céus, através do Salvador do Mundo.
Os doutores da Lei, no templo de Jerusalém, confabulam, respeitosos,
sobre o Divino Missionário; na sua vaidade orgulhosa esperavam-no
no seu carro vitorioso, para proclamar a todas as gentes a superioridade
de Israel e operar todos os milagres e prodígios.
E, recordando esses apontamentos da história, somos naturalmente
levados a perguntar o porque da preferência de Jesus pela árvore
de David, para levar a efeito as suas divinas lições à
Humanidade; mas a própria lógica nos faz reconhecer que,
de todos os povos de então, sendo Israel o mais crente, era também
o mais necessitado, dada a sua vaidade exclusivista e pretensiosa "Muito
se pedirá de quem muito haja recebido", e os israelitas
haviam conquistado muito, do Alto, em matéria de fé, sendo
justo que se lhes exigisse um grau correspondente de compreensão,
em matéria de humildade e de amor.
A INCOMPREENSÃO DO JUDAÍSMO
A verdade, porém, é que Jesus, chegando ao mundo, não
foi absolutamente entendido pelo povo judeu. Os sacerdotes não
esperavam que o Redentor procurasse a hora mais escura da noite para
surgir na paisagem terrestre. Segundo a sua concepção,
o Senhor deveria chegar no carro magnificente de suas glórias
divinas, trazido do Céu à Terra pela legião dos
seus Tronos e Anjos; deveria humilhar todos os reis do mundo, conferindo
a Israel o cetro supremo na direção de todos os povos
do planeta; deveria operar todos os prodígios, ofuscando a glória
dos Césares. E, no entanto, o Cristo surgira entre os animais
humildes da manjedoura; apresentava-se como filho de um carpinteiro
e, no cumprimento de sua gloriosa missão de amor e de humildade,
protegia as prostitutas, confundia-se com os pobres e com os humilhados,
visitava as casas suspeitas para de Iá arrancar os seus auxiliares
e seguidores; seus companheiros prediletos eram os pescadores ignorantes
e humildes, dos quais fazia apóstolos bem-amados.
Abandonando os templos da Lei, era freqüentemente encontrado ao
longo do Tiberíades, em cujas margens pregava aos simples a fraternidade
e o amor, a sabedoria e a humildade. O judaísmo, saturado de
orgulho, não conseguiu compreender a ação do celeste
emissário. Apesar da crença fervorosa e sincera, Israel
não sabia que toda a salvação tem de começar
no íntimo de cada um e, cumprindo as profecias de seus próprios
filhos, conduziu aos martírios da cruz o divino Cordeiro.
NO PORVIR
As organizações dos doutores da Lei subsistiram no curso
incessante dos tempos. Embalde esperaram eles outro Cristo, nestes dois
milênios que ora chegam a termo. A realidade é que um sopro
de amargura pesou mais fortemente sobre os destinos da raça,
depois da ignominiosa tarde do Calvário. As sombras simbólicas,
que caíram sobre o Templo de Jerusalém, acompanharam igualmente
o povo escolhido em todas as diretivas, pelas estradas longas do mundo,
com amplos reflexos no ambiente contemporâneo.
Israel continua a cultuar o Deus Todo-Poderoso dos seus profetas, seus
rituais prosseguem em pontos isolados do orbe inteiro.
É talvez a raça mais livre, mais internacionalista, mais
fraternal, entre si, mas também a mais altiva e exclusivista
do mundo.
Apesar de não ter uma pátria (*) e não obstante
todas as perseguições e clamorosas injustiças experimentadas
nas suas jornadas de sofrimento, Israel faz o seu roteiro através
das cidades tumultuosas, esperando o Messias da sua redenção
e da sua liberdade.
Jesus acompanha-lhe a marcha dolorosa através dos séculos
de lutas expiatórias e regeneradoras.
Novos conhecimentos dimanam do Céu para o coração
dos seus patriarcas e não tardará muito tempo para que
vejamos os judeus compreendendo integralmente a missão sublime
do verdadeiro Cristianismo e aliando-se a todos os povos da Terra para
a caminhada salvadora, em busca da edificação de um mundo
melhor.
__________
(*) Nota da Editora: Este livro foi escrito em 1938, dez anos antes
de ser criado, na
Palestina, o Estado de Israel.
|