A Caminho da Luz
II A vida organizada
AS CONSTRUÇÕES CELULARES
Sob a orientação misericordiosa e sábia do Cristo,
laboravam na Terra numerosas assembléias de operários
espirituais.
Como a engenharia moderna, que constrói um edifício prevendo
os menores requisitos de sua finalidade, os artistas da espiritualidade
edificavam o mundo das células iniciando, nos dias primevos,
a construção das formas organizadas e inteligentes dos
séculos porvindouros.
O ideal da beleza foi a sua preocupação dos primeiros
momentos, no que se referia às edificações celulares
das origens.
É por isso que, em todos os tempos, a beleza, junto à
ordem, constituiu um dos traços indeléveis de toda a criação.
As formas de todos os remos da natureza terrestre foram estudadas e
previstas. Os fluidos da vida foram manipulados de modo a se adaptarem
às condições físicas do planeta, encenando-se
as construções celulares segundo as possibilidades do
ambiente terrestre, tudo obedecendo a um plano preestabelecido pela
misericordiosa sabedoria do Cristo, consideradas as leis do princípio
e do desenvolvimento geral.
OS PRIMEIROS HABITANTES DA TERRA
Dizíamos que uma camada de matéria gelatinosa envolvera
o orbe terreno em seus mais íntimos contornos. Essa matéria,
amorfa e viscosa, era o celeiro sagrado das sementes da vida. O protoplasma
foi o embrião de todas as organizações do globo
terrestre, e, se essa matéria, sem forma definida, cobria a crosta
solidificada do planeta, em breve a condensação da massa
dava origem ao surgimento do núcleo, iniciando-se as primeiras
manifestações dos seres vivos.
Os primeiros habitantes da Terra, no plano material, são as células
albuminóides, as amebas e todas as organizações
unicelulares, isoladas e livres, que se multiplicam prodigiosamente
na temperatura tépida dos oceanos.
Com o escoar incessante do tempo, esses seres primordiais se movem ao
longo das águas, onde encontram o oxigênio necessário
ao entretenimento da vida, elemento que a terra firme não possuía
ainda em proporções de manter a existência animal,
antes das grandes vegetações; esses seres rudimentares
somente revelam um sentido - o do tato, que deu origem a todos os outros,
em função de aperfeiçoamento dos organismos superiores.
A ELABORAÇÃO PACIENTE DAS FORMAS
Decorrido muito tempo, eis que as amebas primitivas se associam para
a vida celular em comum, formando-se as colônias de infusórios,
de polipeiros, em obediência aos planos da construção
definitiva do porvir, emanados do mundo espiritual onde todo o progresso
da Terra tem a sua gênese.
Os reinos vegetal e animal parecem confundidos nas profundidades oceânicas.
Não existem formas definidas nem expressão individual
nessas sociedades de infusórios; mas, desses conjuntos singulares,
formam-se ensaios de vida que já apresentam caracteres e rudimentos
dos organismos superiores.
Milhares de anos foram precisos aos operários de Jesus, nos serviços
da elaboração paciente das formas.
A princípio, coordenam os elementos da nutrição
e da conservação da existência. O coração
e os brônquios são conquistados e, após eles, formam-se
os pródromos celulares do sistema nervoso e dos órgãos
da procriação, que se aperfeiçoam, definindo-se
nos seres.
AS FORMAS INTERMEDIÁRIAS DA NATUREZA
A atmosfera está ainda saturada de umidade e vapores, e a terra
sólida está coberta de lodo e pântanos inimagináveis.
Todavia, as derradeiras convulsões interiores do orbe localizam
os calores centrais do planeta, restringindo a zona das influências
telúricas necessárias à manutenção
da vida animal.
Esses fenômenos geológicos estabelecem os contornos geográficos
do globo, delineando os continentes e fixando a posição
dos oceanos, surgindo, desse modo, as grandes extensões de terra
firme, aptas a receber as sementes prolíficas da vida.
Os primeiros crustáceos terrestres são um prolongamento
dos crustáceos marinhos. Seguindo-lhes as pegadas, aparecem os
batráquios, que trocam as águas pelas regiões lodosas
e firmes.
Nessa fase evolutiva do planeta, todo o globo se veste de vegetação
luxuriante, prodigiosa, de cujas florestas opulentas e desmesuradas
as minas carboníferas dos tempos modernos são os petrificados
vestígios.
OS ENSAIOS ASSOMBROSOS
Nessa altura, os artistas da criação inauguram novos
períodos evolutivos, no plano das formas.
A Natureza torna-se uma grande oficina de ensaios monstruosos.
Após os répteis, surgem os animais horrendos das eras
primitivas.
Os trabalhadores do Cristo, como os alquimistas que estudam a combinação
das substâncias, na retorta de acuradas observações,
analisavam, igualmente, a combinação prodigiosa dos complexos
celulares, cuja formação eles próprios haviam delineado,
executando, com as suas experiências, uma justa aferição
de valores, prevendo todas as possibilidades e necessidades do porvir.
Todas as arestas foram eliminadas. Aplainaram-se dificuldades e realizaram-se
novas conquistas. A máquina celular foi aperfeiçoada,
no limite do possível, em face das leis físicas do globo.
Os tipos adequados à Terra foram consumados em todos os reinos
da Natureza, eliminando-se os frutos teratológicos e estranhos,
do laboratório de suas perseverantes experiências. A prova
da intervenção das forças espirituais, nesse vasto
campo de operações, é que, enquanto o escorpião,
gêmeo dos crustáceos marinhos, conserva até hoje,
de modo geral, a forma primitiva, os animais
monstruosos das épocas remotas, que lhe foram posteriores, desapareceram
para sempre da fauna terrestre, guardando os museus do mundo as interessantes
reminiscências de suas formas atormentadas.
OS ANTEPASSADOS DO HOMEM
O reino animal experimenta as mais estranhas transições
no período terciário, sob as influências do meio
e em face dos imperativos da lei de seleção.
Mas, o nosso raciocínio ansioso procura os legítimos antepassados
das criaturas humanas, nessa imensa vastidão do proscênio
da evolução anímica.
Onde está Adão com a sua queda do paraíso? Debalde
nossos olhos procuram, aflitos, essas figuras legendárias, com
o propósito de localizálas no Espaço e no Tempo.
Compreendemos, afinal, que Adão e Eva constituem uma lembrança
dos Espíritos degredados ria paisagem obscura da Terra, como
Caim e Abel são dois símbolos para a personalidade das
criaturas.
Examinada, porém, a questão nos seus prismas reais, vamos
encontrar os primeiros antepassados do homem sofrendo os processos de
aperfeiçoamento da Natureza. No período terciário
a que nos reportamos, sob a orientação das esferas espirituais
notavam-se algumas raças de antropóides, no Plioceno inferior.
Esses antropóides, antepassados do homem terrestre, e os ascendentes
dos símios que ainda existem no mundo, tiveram a sua evolução
em pontos convergentes, e daí os parentescos sorológicos
entre o organismo do homem moderno e o do chimpanzé da atualidade.
Reportando-nos, todavia, aos eminentes naturalistas dos últimos
tempos, que examinaram meticulosamente os transcendentes assuntos do
evolucionismo, somos compelidos a esclarecer que não houve propriamente
uma "descida da árvore", no início da evolução
humana.
As forças espirituais que dirigem os fenômenos terrestres,
sob a orientação do Cristo, estabeleceram, na época
da grande maleabilidade dos elementos materiais, uma linhagem definitiva
para todas as espécies, dentro das quais o princípio espiritual
encontraria o processo de seu acrisolamento, em marcha para a racionalidade.
Os peixes, os répteis, os mamíferos, tiveram suas linhagens
fixas de desenvolvimento e o homem não escaparia a essa regra
geral.
A GRANDE TRANSIÇÃO
Os antropóides das cavernas espalharam-se, então, aos
grupos, pela superfície do globo, no curso vagaroso dos séculos,
sofrendo as influências do meio e formando os pródromos
das raças futuras em seus tipos diversificados; a realidade,
porém, é que as entidades espirituais auxiliaram o homem
do sílex, imprimindo-lhe novas expressões biológicas.
Extraordinárias experiências foram realizadas pelos mensageiros
do invisível. As pesquisas recentes da Ciência sobre o
tipo de Neanderthal, reconhecendo nele uma espécie de homem bestializado,
e outras descobertas interessantes da Paleontologia, quanto ao homem
fóssil, são um atestado dos experimentos biológicos
a que procederam os prepostos de Jesus, até fixarem no "primata"
os característicos aproximados do homem futuro.
Os séculos correram o seu velário de experiências
penosas sobre a fronte dessas criaturas de braços alongados e
de pelos densos, até que um dia as hostes do invisível
operaram uma definitiva transição no corpo perispiritual
preexistente, dos homens primitivos, nas regiões siderais e em
certos intervalos de suas reencarnações.
Surgem os primeiros selvagens de compleição melhorada,
tendendo à elegância dos tempos do porvir.
Uma transformação visceral verificara-se na estrutura
dos antepassados das raças humanas.
Como poderia operar-se semelhante transição? Perguntará
o vosso critério científico.
Muito naturalmente.
Também as crianças têm os defeitos da infância
corrigidos pelos pais, que as preparam em face da vida, sem que, na
maioridade, elas se lembrem disso.