A Caminho da Luz
III As raças adâmicas
O SISTEMA DE CAPELA
Nos mapas zodiacais, que os astrônomos terrestres compulsam em
seus estudos, observa-se desenhada uma grande estrela na Constelação
do Cocheiro, que recebeu, na Terra, o nome de Cabra ou Capela. Magnífico
sol entre os astros que nos são mais vizinhos, ela, na sua trajetória
pelo Infinito, faz-se acompanhar, igualmente, da sua família
de mundos, cantando as glórias divinas do Ilimitado. A sua luz
gasta cerca de 42 anos para chegar à face da Terra, considerando-se,
desse modo, a regular distância existente entre a Capela e o nosso
planeta, já que a luz percorre o espaço com a velocidade
aproximada de 300.000 quilômetros por segundo.
Quase todos os mundos que lhe são dependentes já se purificaram
física e moralmente, examinadas as condições de
atraso moral da Terra, onde o homem se reconforta com as vísceras
dos seus irmãos inferiores, como nas eras pré-históricas
de sua existência, marcham uns contra os outros ao som de hinos
guerreiros, desconhecendo os mais comezinhos princípios de fraternidade
e pouco realizando em favor da extinção do egoísmo,
da vaidade, do seu infeliz orgulho.
UM MUNDO EM TRANSIÇÕES
Há muitos milênios, um dos orbes da Capela, que guarda
muitas afinidades com o globo terrestre, atingira a culminância
de um dos seus extraordinários ciclos evolutivos.
As lutas finais de um longo aperfeiçoamento estavam delineadas,
como ora acontece convosco, relativamente às transições
esperadas no século XX, neste crepúsculo de civilização.
Alguns milhões de Espíritos rebeldes lá existiam,
no caminho da evolução geral, dificultando a consolidação
das penosas conquistas daqueles povos cheios de piedade e virtudes,
mas uma ação de saneamento geral os alijaria daquela humanidade,
que fizera jus à concórdia perpétua, para a edificação
dos seus elevados trabalhos.
As grandes comunidades espirituais, diretoras do Cosmos, deliberam,
então, localizar
aquelas entidades, que se tornaram pertinazes no crime, aqui na Terra
longínqua, onde aprenderiam a realizar, na dor e nos trabalhos
penosos do seu ambiente, as grandes conquistas do coração
e impulsionando, simultaneamente, o progresso dos seus irmãos
inferiores.
ESPÍRITOS EXILADOS NA TERRA
Foi assim que Jesus recebeu, à luz do seu reino de amor e de
justiça, aquela turba de seres sofredores e infelizes.
Com a sua palavra sábia e compassiva, exortou essas almas desventuradas
à edificação da consciência pelo cumprimento
dos deveres de solidariedade e de amor, no esforço regenerador
de si mesmas.
Mostrou-lhes os campos imensos de luta que se desdobravam na Terra,
envolvendo-as no halo bendito da sua misericórdia e da sua caridade
sem limites. Abençoou-lhes as lágrimas santificadoras,
fazendo-lhes sentir os sagrados triunfos do futuro e prometendo-lhes
a sua colaboração cotidiana e a sua vinda no porvir.
Aqueles seres angustiados e aflitos, que deixavam atrás de si
todo um mundo de afetos, não obstante os seus corações
empedernidos na prática do mal, seriam degredados na face obscura
do planeta terrestre; andariam desprezados na noite dos milênios
da saudade e da amargura; reencarnariam no seio das raças ignorantes
e primitivas, a lembrarem o paraíso perdido nos firmamentos distantes.
Por muitos séculos não veriam a suave luz da Capela, mas
trabalhariam na Terra acariciados por Jesus e confortados na sua imensa
misericórdia.
FIXAÇÃO DOS CARACTERES
RACIAIS
Com o auxílio desses Espíritos degredados, naquelas eras
remotíssimas, as falanges do Cristo operavam ainda as últimas
experiências sobre os fluidos renovadores da vida, aperfeiçoando
os caracteres biológicos das raças humanas. A Natureza
ainda era, para os trabalhadores da espiritualidade, um campo vasto
de experiências infinitas; tanto assim que, se as observações
do mendelismo fossem transferidas àqueles milênios distantes,
não se encontraria nenhuma equação definitiva nos
seus estudos de biologia. A moderna genética não poderia
fixar, como hoje, as expressões dos "genes", porquanto,
no laboratório das forças invisíveis, as células
ainda sofriam longos processos de acrisolamento, imprimindo-se-lhes
elementos de astralidade, consolidando-se-lhes as expressões
definitivas, com vistas às organizações do porvir.
Se a gênese do planeta se processara com a cooperação
dos milênios, a gênese das raças humanas requeria
a contribuição do tempo, até que se abandonasse
a penosa e longa tarefa da sua fixação.
ORIGEM DAS RAÇAS BRANCAS
Aquelas almas aflitas e atormentadas reencarnaram, proporcionalmente,
nas regiões mais importantes, onde se haviam localizado as tribos
e famílias primitivas, descendentes dos "primatas",
a que nos referimos ainda há pouco. Com a sua reencarnação
no mundo terreno, estabeleciam-se fatores definitivos na história
etnológica dos seres.
Um grande acontecimento se verificara no planeta É que, com essas
entidades, nasceram no orbe os ascendentes das raças brancas.
Em sua maioria, estabeleceram-se na Ásia, de onde atravessaram
o istmo de Suez para a África, na região do Egito, encaminhando-se
igualmente para a longínqua Atlântida, de que várias
regiões da América guardam assinalados vestígios.
Não obstante as lições recebidas da palavra sábia
e mansa do Cristo, os homens brancos olvidaram os seus sagrados compromissos.
Grande percentagem daqueles Espíritos rebeldes, com muitas exceções,
só puderam voltar ao país da luz e da verdade depois de
muitos séculos de sofrimentos expiatórios; outros, porém,
infelizes e retrógrados, permanecem ainda na Terra, nos dias
que correm, contrariando a regra geral, em virtude do seu elevado passivo
de débitos clamorosos.
QUATRO GRANDES POVOS
As raças adâmicas guardavam vaga lembrança da sua
situação pregressa, tecendo o hino sagrado das reminiscências.
As tradições do paraíso perdido passaram de gerações
a gerações, até que ficassem arquivadas nas páginas
da Bíblia.
Aqueles seres decaídos e degradados, a maneira de suas vidas
passadas no mundo distante da Capela, com o transcurso dos anos reuniram-se
em quatro grandes grupos que se fixaram depois nos povos mais antigos,
obedecendo às afinidades sentimentais e lingüísticas
que os associavam na constelação do Cocheiro. Unidos,
novamente, na esteira do Tempo, formaram desse modo o grupo dos árias,
a civilização do Egito, o povo de Israel e as castas da
Índia.
Dos árias descende a maioria dos povos brancos da família
indoeuropéia nessa descendência, porém, é
necessário incluir os latinos, os celtas e os gregos, além
dos germanos e dos eslavos.
As quatro grandes massas de degredados formaram os pródromos
de toda a organização das civilizações futuras,
introduzindo os mais largos benefícios no seio da raça
amarela e da raça negra, que já existiam.
É de grande interesse o estudo de sua movimentação
no curso da História. Através dessa análise, é
possível examinarem-se os defeitos e virtudes que trouxeram do
seu paraíso longínquo, bem como os antagonismos e idiossincrasias
peculiares a cada qual.
AS PROMESSAS DO CRISTO
Tendo ouvido a palavra do Divino Mestre antes de se estabelecerem no
mundo, as raças adâmicas, nos seus grupos insulados, guardaram
a reminiscência das promessas do Cristo, que, por sua vez, as
fortaleceu no seio das massas, enviando-lhes periodicamente os seus
missionários e mensageiros.
Eis por que as epopéias do Evangelho foram previstas e cantadas
alguns milênios antes da vinda do Sublime Emissário.
Os enviados do Infinito falaram, na China milenária, da celeste
figura do Salvador, muitos séculos antes do advento de Jesus.
Os iniciados do Egito esperavam-no com as suas profecias. Na Pérsia,
idealizaram a sua trajetória, antevendo-lhe os passos nos caminhos
do porvir; na Índia védica, era conhecida quase toda a
história evangélica, que o sol dos milênios futuros
iluminaria na região escabrosa da Palestina, e o povo de Israel,
durante muitos séculos, cantou-lhe as glórias divinas,
na exaltação do amor e da resignação, da
piedade e do martírio, através da palavra de seus profetas
mais eminentes.
Uma secreta intuição iluminava o espírito divinatório
das massas populares.
Todos os povos O esperavam em seu seio acolhedor; todos O queriam, localizando
em seus caminhos a sua expressão sublime e divinizada. Todavia,
apesar de surgir um dia no mundo, como Alegria de todos os tristes e
Providência de todos os infortunados, à sombra do trono
de Jessé, o Filho de Deus em todas as circunstâncias seria
o Verbo de Luz e de Amor do Princípio, cuja genealogia se confunde
na poeira dos sóis que rolam no Infinito. (*)
__________
(*) Entre as considerações acima e as do
capítulo precedente, devemos ponderar o interstício de
muitos séculos. Aliás, no que e refere à historicidade
das raças adâmicas, será justo meditarmos atentamente
no problema da fixação dos caracteres raciais.
Apresentando o meu pensamento humilde, procurei demonstrar as largas
experiências que os operários do Invisível levaram
a efeito, sobre os complexos celulares, chegando a dizer da impossibilidade
de qualquer cogitação mendelista nessa época da
evolução planetária. Aos prepostos de Jesus foi
necessária grande soma de tempo, no sentido de fixar o tipo humano.
Assim, pois, referindo-nos ao degredo dos emigrantes da Capela, devemos
esclarecer que, nessa ocasião, já o primata hominis se
encontrava arregimentado em tribos numerosas. Depois de grandes experiências,
foi que as migrações do Pamir se espalharam pelo orbe,
obedecendo a sagrados roteiros, delineados nas Alturas.
Quanto ao fato de se verificar a reencarnação de Espíritos
tão avançados em conhecimentos, em corpos de raças
primigênias, não deve causar repugnância ao entendimento.
Lembremo-nos de que um metal puro, como o ouro, por exemplo, não
se modifica pela circunstância de se apresentar em vaso imundo,
ou disforme. Toda oportunidade de realização do bem é
sagrada. Quanto ao mais, que fazer com o trabalhador desatento que estraçalha
no mal todos os instrumentos perfeitos que lhe são confiados?
Seu direito, aos aparelhos mais preciosos, sofrerá solução
de continuidade. A educação generosa e justa ordenará
a localização de seus esforços em maquinaria imperfeita,
até que saiba valorizar as preciosidades em mão. A todo
tempo, a máquina deve estar de acordo com as disposições
do operário, para que o dever cumprido seja caminho aberto a
direitos novos.
Entre as raças negra e amarela, bem como entre os grandes agrupamentos
primitivos da Lemúria, da Atlântida e de outras regiões
que ficaram imprecisas no acervo de conhecimentos dos povos, os exilados
da Capela trabalharam proficuamente, adquirindo a provisão de
amor para suas consciências ressequidas. Como vemos, não
houve retrocesso, mas providência justa de administração,
segundo os méritos de cada qual, no terreno do trabalho e do
sofrimento para a redenção. - (Nota de Emmanuel.)