| A F1 E AS ESTRELAS. Em outra coluna falávamos sobre Senna e Schumacher, dois vencedores, dois super-pilotos. Se é verdade que todos, pilotos, patrocinadores, torcedores, querem ganhar provas, também o é que a presença destes astros retira do espetáculo a emoção. Não se trata de condenar ídolos, eles são essenciais ao esporte, mas analisar a influência desse tipo de liderança total, inconteste, sem adversário, no show.
Senna durante várias temporadas duelou com Prost, Mansel, Schumacher e outros. Ele era o homem a ser vencido. Não havia chuva, sol, calor ou frio que alterasse o resultado (exceto algumas atitudes dos dirigentes do esporte na época). Ayrton era tão superior como piloto que, excluídos eventuais problemas mecânicos, o resultado era previsível.
A entrada de Schumacher no circo esquentou bastante as coisas e, até a fatídica Tamburello, tivemos bons "pegas" entre os dois. Hoje o duelo não é mais entre pilotos, o duelo é entre Schumacher e a McLaren, um piloto imbatível contra um carro quase perfeito. |
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O acidente ocorrido com Michael confirma alguns fatos na Fórmula 1 de hoje. Na Ferrari demonstra quem trabalha para quem. A escuderia trabalha para o piloto e não o contrário. A ascensão de Eddie Irvine comprova o fato. Na McLaren, sem a presença do "inimigo", os pilotos foram liberados por Ron Denis para disputar a ponta, sem esquemas de equipe. E, se na Ferrari renasceu Irvine, na McLaren David Coultard ganhou vida, tornando-se outro piloto.
Agora as provas e o campeonato tem um novo sabor! No GP da Europa no último fim de semana tivemos uma alternância de líderes que tornou impossível prever o vencedor. Duvido que alguém apostasse uma ficha sequer em Johnny Herbert! Quando não há "inimigo" a ser vencido, carro ou piloto, a prova ganha um atributo indispensável: emoção. Na verdade ninguém gosta de ver fime quando já se conhece o final.
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