"Mercedes não é carro popular". Foi dessa forma que um diretor da nova fábrica da montadora instalada no país respondeu a uma questão sobre os preços do novo modelo Classe A fabricado no país. Embora não seja um especialista em marketing, nem precisa ser um grande conhecedor da matéria para saber que para existir o produto é necessário que existam consumidores. Se não é popular então, como o próprio nome do veículo afirma destina-se a chamada "classe A", a elite do país. Neste caso acho que a pesquisa de marketing para lançamento do produto falhou. Lamento informar que a elite do país não se satisfaz com um carro compacto que, apesar de tecnologicamente avançado e com recursos de última geração, está muito longe de ser um modelo com o luxo e o requinte encontrado (e exigido pelos consumidores) em outros modelos, inclusive da própria marca. Aí chegamos ao dilema, existe o produto mas não existem consumidores. O resultado é bem previsível, o empreendimento está indo bem aquém das expectativas. Alguém poderia alegar que existem outras classes sociais para as quais o carro estaria direcionado. Infelizmente no nosso país não existem estas outras classes sociais. Hoje temos no Brasil a classe pobre lutando ferozmente pela sobrevivência, a classe chamada média, sobre a qual recai a grande maioria dos tributos (tendendo a empobrecer) e os ricos. |
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A classe dita média há muito não reúne as mínimas condições para sonhos de consumo ao nível do Mercedes Classe A.
Os carros chamados populares (impropriamente porque a grande massa da população não reúne as mínimas condições para adquiri-los), custando quase um terço do valor de um Classe A, estão amontoados nos pátios das fábricas. Resultado: a nova fábrica da Mercedes Benz, com o pátio lotado de modelos não vendidos, demitiu 10 por cento dos trabalhadores e prepara nova lista com mais demissões.
Enquanto isso a indústria sonha com um plano de renovação da frota que visa retirar de circulação os modelos antigos sem condições mínimas de trafegabilidade. Inquestionável a validade da medida enquanto vise aumentar as condições de segurança do nosso caótico trânsito. Se, de outro lado, a finalidade for aumentar vendas, será outro plano destinado ao fracasso.
Parece haver um intencional "esquecimento geral" de que existe uma capacidade limitada de impor qualquer tipo de novo tributo a população, a situação da nossa economia em geral está a sinalizar que este limite já foi atingido, ou ainda pior, foi ultrapassado há muito.
Até a próxima. |