
(1910-1997)
Antonio Gabriel Nássara é o decano
dos cartuns aqui no Brasil, dono de um dos traços mais modernos
e bonitos dessas praias. Foi diagramador e cartunista de mão cheia,
mas sua principal ocupação mesmo foi a de músico --
ele é co-autor de marchas antológicas do carnaval carioca
como A-la-la-ô,e sambas como Formosa. Redescoberto
nos anos 70 pelo Jaguar, voltou a fazer vinhetas para o Pasquim. E antes
que alguém comece a reclamar, vou logo avisando aqui que, apesar
dessa ser uma seção de quadrinhos, decidi incluir aqui também
cartunistas e chargistas que eu admiro, afinal, é muito incomum
encontrar algum desenhista exclusivo de quadrinhos por aqui. E já
que era pra abrir a lista das exceções, que ela fosse bem
aberta pelo Nássara.

Quem
já visitou a minha página de curiosidades
sabe o quanto eu gosto da Radical Chic
de Miguel Paiva. Tem uma tira diária que ele desenvolveu,
Ed Mort, em branco e preto, muito divertida, com o texto do Verissimo.
Saquem só os títulos dos álbuns com coletâneas
de histórias que a L&PM lançou: Procurando o Silva
(esse até virou filme), Com a Mão no Milhão,
O Sequestro do Zagueiro Central, Disneyworld Blues, Conexão
Nazista e por aí a fora. Aliás, todo mundo sabe que tira
é um negócio esgotante para escritor e desenhista, mas está
em boa hora de alguém iniciar um abaixo-assinado pela volta das
tiras do Ed, que Paiva & Verissimo só uma
vez por semana é muito pouco.

Isso aí do lado é a capa de um tijolão de 400 páginas
que reúne a súmula do pensamento de Millôr Fernandes,
aliás Emanuel Vão Gogo, aliás Rollim,
o pensador, aliás Milton Fernandes, jornalista, roteirista,
teatrólogo, desenhista, pintor e poeta entre outras coisas. Com
uma obra tão vasta (desde a década de 40 publica) quanto
variada, é curioso que eu me lembre de tão pouca coisa na
área específica de quadrinhos: Ignorabus, o guru,
com desenhos de Carlos Estevão, na década de 50 e
O Último Baião em Caruaru, filme em forma de story-board,
na década de 70. Mas praticamente todos os cantos pelos quais ele
passou valem a pena ser conhecidos, como, por exemplo, as traduções
para teatro.
César Lobo
Um dos melhores aerografistas (!) que conheço, melhor conhecido
por suas maravilhosas ilustrações para capas e revistas,
e, agora, pela substituição de Vilmar Rodrigues nas
ilustrações dos livros de Carlos Eduardo Novaes, César
Lobo também é um quadrinhista de mão cheia, que
admiro desde o tempo dos roteiros terroríficos para a Vecchi
(A Lâmpada Mágica, A Festa da Entropia), passando pela época
da InterQuadrinhos e em qualquer lugar que pintasse por aí,
fosse aterrorizando na revista Nervos de Aço, desenhando
o poster comemorativo da 1a Bienal HQ ou criando o mascote
da Petrobrás, a Ararajuba. O Anti-Corpo, cuja primeira
página se vê ao lado, foi história vencedora da 1a
Bienal HQ.
André
Diniz
Uma das grandes vantagens de ser leitor de quadrinhos é a proximidade
que o fã tem para com seu autor preferido. Conheci o trabalho do
André Diniz ainda na época fanzine de Grandes
Enigmas da Humanidade, uma mistura dos temas exóticos de Tintin
e Carl Barks, da caracterização de personagens de
Eisner e do mangá japonês. O desmaiado das cópias
xerox não reduzia o deslumbramento por sua capacidade de criar histórias
envolventes e personagens animados, cheios de vida, como o velho centenário
Lucas, que já ganhou revista em edição independente.
Confira tudo na página A
Saga de Lucas.
Jaguar,
ou melhor, Sérgio Jaguaribe, é um dos mais influentes
desenhistas de humor brasileiros: o que tem de filho dele por aí
não é fácil. Com seu estilo grotesco, gratuito, completamente
hilariante, Jaguar fez as contas e descobriu
que juntando todos os seus desenhos dá mais de um por dia, durante
toda a sua vida. Esse aí do lado é o ratinho Sig,
personagem dos Chopnics, a tira de quadrinhos mais carioca que já
houve, contando as perpécias da fauna ipanemense do amanhecer ao
ocaso da década de 60.
Luiz Gê
Vou cometer o insulto maior que um fã do Laerte pode
aturar e afirmar aqui que o maior quadrinhista paulista vivo é Luiz
Gê. Originário da década de 70, soube receber e absorver
as influências européias e do underground norte-americano
em seu trabalho, criando as obras-primas Dove' Meneghetti, Quem matou Papai
Noel?, Perdidos no Espaço, Viagem ao Centro da Terra, F.U.T.B.O.I.L.,
entre outros quadrinhos de ritmo incomparável, traço próprio,
roteiro incomum e um final sempre surpreendente. Gê de gênio.
