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1942
7 de
Agosto
Nasce Caetano
Emanuel Vianna Telles Velloso, o quinto dos sete filhos de José Telles Velloso,
funcionário público do Departamento de Correios e Telégrafos, e de Claudionor
Vianna Telles Velloso. Em Santo Amaro da Purificação, pequena cidade do
Recôncavo Baiano, próxima de Salvador.
1946
18 de
Junho
Nasce em Santo Amaro da
Purificação o sexto filho de seu Zezinho e dona Canô (como sempre foram
chamados os pais de Caetano). À época, o cantor Nelson Gonçalves faz grande
sucesso com uma música chamada "Maria Bethânia" (de Capiba), e é
assim que o pequeno Caetano quer que a sua recém-nascida irmã se chame. Assim
será.
1946 - 1951
O menino revela pendores artísticos, demonstrando gosto por
música, desenho e pintura. No rádio, ouve os cantores da música brasileira em
voga, como Luiz Gonzaga; na cidade, os sambas de roda e os pontos de macumba.
1958
Faz uma gravação única, para desfrute familiar, cantando
"Feitiço da Vila" (de Vadico e Noel Rosa) e "Mãezinha
querida" (de Getúlio Macedo e Lourival Faissal), hit de Carlos Galhardo.
Ao piano, quem o acompanha é a irmã Nicinha.
1956
Passa uma temporada no Rio de Janeiro, onde freqüenta o
auditório da Rádio Nacional, palco de apresentações dos maiores ídolos
musicais brasileiros de então.
1960
Muda-se com a família para Salvador. Depois de fazer o
curso ginasial (correspondente às séries de quinta à oitava do atual
primário) em Santo Amaro da Purificação, começa a cursar o colegial,
ou clássico (equivalente ao atual secundário).
1960 - 1962
Intensifica-se o seu
interesse por música - graças à Bossa Nova, particularmente ao cantor
e violonista baiano João Gilberto; por cinema - graças ao Cinema Novo,
particularmente ao diretor Glauber Rocha, também baiano; e por teatro.
Na universidade local, uma programação de eventos instaura um ambiente
modernizador e vanguardista. Enquanto
absorve essa atmosfera, Caetano escreve críticas de cinema para o
"Diário de Notícias", cuja seção cultural é dirigida por
ninguém menos que Glauber Rocha. Ele aprende violão, e canta com a irmã
Maria Bethânia em bares de Salvador. Na TV, aprecia quando, às vezes,
aparece um cantor novo, chamado Gilberto Gil. É numa dessas aparições
que sua mãe, dona Canô, o chama, dizendo: "Caetano, vem ver o
preto que você gosta".
1963
Ele ingressa na Faculdade de Filosofia da Universidade
Federal da Bahia. Finalmente conhece Gilberto Gil, a quem é apresentado
pelo produtor Roberto Santana, e inicia amizade também com Gal Costa
(ainda Maria da Graça, à época) e Tom Zé. O primeiro trabalho
musical: a trilha sonora da peça "O boca de ouro", de Nelson
Rodrigues, em montagem do diretor baiano Álvaro Guimarães, que o
convida também para compor a de "A exceção e a regra", de
Bertolt Brecht. São trabalhos importantes para que ele se decida a ser
cantor-compositor.
1964
Junho
Um marco histórico: o show "Nós, por
exemplo", com Caetano, Gil, Bethânia, Gal e Tom Zé, entre outros,
integra os eventos de inauguração do Teatro Vila Velha, onde será
reapresentado em setembro. Misturando canções e textos, "Nós,
por exemplo" acabará influenciando a concepção de espetáculos
de estrutura semelhante que virão a ser feitos no Rio de Janeiro e em São
Paulo pouco depois.
1965
Um marco de particular importância para Caetano: em
Salvador, conhece João Gilberto - para ele, um dos artistas mais
importantes do Brasil e uma das principais referências de sua trajetória
artística. Início do ano a Bahia de então fica pequena para a
grandeza da cabeça e do coração do artista. Já ressentido do
provincianismo local, ele abandona a faculdade e acompanha sua irmã
Bethânia, chamada ao Rio para substituir a cantora Nara Leão no show
"Opinião". Gil, Gal e Tom Zé também se transferem para o
sul do Brasil. Maio Gravação do primeiro compacto simples (single) de
Caetano, com "Cavaleiro" e "Samba em paz", ambas de
sua autoria, pela RCA. Pela mesma gravadora, e também num compacto
simples, Bethânia lança "É de manhã", dele, no outro lado
de "Carcará", que projetará a cantora nacionalmente. Segundo
semestre participação, ao lado de Gil, Gal, Bethânia e Tom Zé, no
espetáculo "Arena canta Bahia", dirigido por Augusto Boal e
apresentado no TBC, em São Paulo. Tem músicas incluídas no
curta-metragem "Viramundo", dirigido por Geraldo Sarno.
1966
A "Revista Civilização", no seu número
sete, publica um depoimento de Caetano em que ele fala da necessidade da
"retomada da linha evolutiva da música popular brasileira" a
partir das lições mais fundamentais da bossa nova. É uma das
primeiras manifestações teóricas do artista-crítico, pensador da
arte, Caetano Veloso.
Junho
Estreando na era dos festivais que
sacudiram a MPB nos anos 60, ele concorre, em São Paulo, no Festival
Nacional da Música Popular, da TV Excelsior, com "Boa
palavra"; a canção, defendida por Maria Odette, classifica-se em
quinto lugar.
Outubro
O grande poeta da canção começa a ser
reconhecido como tal. A sua "Um dia" recebe o prêmio de
melhor letra, no 2º Festival de Música Popular Brasileira, da TV
Record, de São Paulo.
1967
Caetano arrasa em "Esta noite se improvisa",
programa da TV Record que promove disputas nas quais os artistas
participantes exibem seus conhecimentos de música popular; passa a se
tornar mais conhecido. Compõe a trilha do filme "Proezas de Satanás
na terra do leva-e-traz", de Paulo Gil Soares.
Julho
Contratado pela Philips, gravadora pela
qual sairão todos os seus discos de agora em diante, Caetano lança seu
LP de estréia, "Domingo", dividido
com Gal Costa; do repertório, constam "Coração vagabundo" e
"Avarandado", entre outras. O disco mostra uma filiação do
artista à bossa nova; no texto na contracapa, porém, ele avisa:
"Minha inspiração agora está tendendo para caminhos muito
diferentes dos que segui até aqui".
Outubro
A apresentação de sua marcha
"Alegria, alegria", ao som das guitarras elétricas do
conjunto pop argentino Beat Boys, enlouquece o 3º Festival de Música Popular
Brasileira, da TV Record,
juntamente com a cantiga de capoeira "Domingo no parque", de
Gilberto Gil, com acompanhamento de Os Mutantes. As duas canções se
classificam, respectivamente, em quarto e segundo lugares. São os
baianos rompendo com a tradição na nossa música.
Novembro
"Alegria, alegria" é lançada
em compacto simples. A essa altura, já está em curso o Tropicalismo,
movimento de vanguarda que abalará nossas estruturas musicais e
culturais, com conseqüências notáveis até hoje. O movimento aplica e
atualiza, num contexto de massa, a filosofia antropofágica do
modernista Oswald de Andrade, que propôs o reprocessamento de informações
estrangeiras para a criação de uma arte brasileira e original.
Estabelece também uma ponte entre o rural e o urbano, a alta e a baixa
cultura, a de bom e a de mau gosto. Público, crítica e artistas -
entre tropicalistas e esquerdistas engajados - se dividem. Na imprensa,
o poeta Augusto de Campos saúda o grupo baiano que o promove. Quanto a
Caetano, "eu organizo o movimento", canta ele, na canção-manifesto
"Tropicália".
21 de novembro
Um happening ocorre em Salvador e
repercute nas revistas de todo o país: o seu casamento pop-tropicalista
com a baiana Dedé Gadelha (ela de mini-saia).
1968
Janeiro
Gravação de seu
primeiro LP individual, "Caetano
Veloso". No disco ressaltam grandes e memoráveis clássicos como
"Alegria, alegria", a emblemática "Tropicália",
"Soy loco por ti, América" (esta, de Gil e Capinan), "No
dia que eu vim-me embora" e "Superbacana".
Maio
Lançamento de compacto simples contendo
leitura tropicalista da antiga "Yes, nós temos bananas", de
João de Barro e Alberto Ribeiro.
Julho
Lançamento de "Tropicália ou panis
et circensis",
LP coletivo de que participam Caetano, Gil, Gal e Tom Zé, além dos
maestros e arranjadores eruditos Rogério Duprat, Julio Medaglia e
Damiano Cozzella. O elenco de autores inclui ainda os poetas-letristas
tropicalistas Torquato Neto, piauiense, e Capinan, baiano. Com Caetano,
o repertório destaca "Baby", dele, e uma recriação de
"Coração materno", de Vicente Celestino.
Setembro
Caetano é vaiado ao apresentar sua
"É proibido proibir" na eliminatória paulista do 3* Festival
Internacional da Canção (FIC), da TV Globo, no Teatro da Universidade
Católica, de São Paulo. Vestido com roupa de plástico, ele lança de
improviso um histórico discurso contra a platéia e o júri. "Vocês
não estão entendendo nada", grita. A canção é desclassificada.
Sai em compacto simples.
Novembro
Interpretada por Gal, sua "Divino,
maravilhoso", parceria com Gil, tira o terceiro lugar do 4* FMPB -
do qual ele participa como intérprete, defendendo "Queremos
guerra", de Jorge Ben. O programa de vanguarda "Divino,
maravilhoso" estréia na TV Tupi, de São Paulo. Com todo o grupo
tropicalista, aprontando mil e uma. Caetano lança um compacto duplo (EP)
que inclui gravação de "A voz do morto", samba que é
censurado, sendo o disco recolhido das lojas.
Dezembro
Lançamento de "Atrás do trio elétrico",
dele próprio, e "Torno a repetir", de domínio público, em
compacto simples. Dias antes do Natal, a última apresentação de
"Divino, maravilhoso". A barra estava ficando cada vez mais
pesada.
27 de Dezembro
O terror do negror dos tempos
sinaliza para Caetano e Gil. O Ato Institucional n* 5, que acirrou a
ditadura militar e cerceou a liberdade artística no Brasil, tinha sido
editado havia somente duas semanas. É nesse momento que os dois são
presos em São Paulo sob o pretexto de terem desrespeitado o hino
nacional e a bandeira brasileira. São levados para o quartel do Exército
de Marechal Deodoro, no Rio, e têm suas cabeças raspadas.
1969
Fevereiro
Na Quarta-Feira de Cinzas, Caetano e
Gil são soltos e seguem para Salvador, onde têm de se manter em regime
de confinamento, sem aparecer nem dar declarações em público.
Abril e Maio
Caetano grava as bases de voz e violão
que são mandadas para São Paulo, onde Rogério Duprat fará os
arranjos e dirigirá as gravações de seu novo disco, "Caetano
Veloso".
Julho
Após dois shows de despedida, dias 20 e 21
no Teatro Castro Alves, Caetano e Gil partem com suas mulheres,
respectivamente as irmãs Dedé e Sandra Gadelha, para o exílio na
Inglaterra. O espetáculo, precariamente gravado, se transformará no
disco "Barra 69", de três anos mais tarde. Na swinging London da época, os dois casais se estabelecerão no
bairro de Chelsea.
Agosto
Lançamento de "Caetano Veloso".
O álbum é o único de toda a discografia do artista que não traz uma
foto sua na capa - toda branca. Não poderia; de que jeito se explicaria
o pouco cabelo de Caetano? Quanto ao LP, ele traz, entre outras, "Atrás
do trio elétrico" e "Não identificado", do próprio, e
célebres recriações de "Carolina", de Chico Buarque, e
"Cambalache", tango de E.S. Discépolo.
Novembro
Lançamento de compacto simples com
"Charles, anjo 45", de Jorge Ben, e "Não
identificado".
1970
De Londres, Caetano envia artigos para o tablóide
carioca "O Pasquim" e canções novas para intérpretes como
Gal Costa (que recebeu "London, London", um hit), Maria Bethânia
("A tua presença"), Elis Regina ("Não tenha
medo"), Erasmo Carlos ("De noite na cama") e Roberto
Carlos ("Como dois e dois"). Um marco: assiste o show dos
Rolling Stones. Começa a se apresentar por palcos da Inglaterra e de
outros países da Europa.
Segundo semestre
Lançamento na Inglaterra do seu
primeiro disco concebido e gravado no exílio, "Caetano
Veloso", pelo selo Famous, da Paramount Records. No repertório,
seis canções escritas em inglês - entre elas, "London, London"
e "Maria Bethânia" - e uma pungente recriação de "Asa
branca", de Luiz Gonzaga e Humberto Teixeira. A gravação de
"Asa branca" exprime a profunda tristeza que Caetano vivia por
estar longe do Brasil. "I don't want to stay here/ I wanna to go
back to Bahia", dizia uma canção de sucesso à época,
"Quero voltar pra Bahia", de Paulo Diniz, feita para ele.
1971
Janeiro
Com permissão para ficar um mês no
Brasil, Caetano vem ao país para assistir à missa pelos quarenta anos
de casamento de seus pais. No Rio, militares praticamente o seqüestram para um interrogatório, no qual pedem que ele faça uma canção
elogiando a rodovia Transamazônica, então em construção. Estamos no
período do governo mais ditatorial do regime militar: o do presidente
Garrastazu Médici.
Junho
O primeiro disco "inglês" de
Caetano sai no mercado brasileiro pela Philips. Agosto Caetano volta ao
Brasil. Visita a família, na Bahia. Apresenta-se na TV Globo e, na TV
Tupi, participa, com Gal Costa, de um programa especial com João
Gilberto: um encontro histórico. Aproveita ainda para deixar gravado um
frevo novo para o Carnaval do ano seguinte, "Chuva, suor e
cerveja".
Segundo semestre
Grava e lança outro LP em
Londres pelo selo Famous, da Paramount Records: "Transa", com
cinco músicas compostas em inglês, mais
"Triste Bahia" (sua musicalização de trecho de soneto do
poeta barroco baiano Gregório de Mattos) e "Mora na
filosofia" (de Monsueto Menezes).
Dezembro
Lançamento do compacto duplo "O
carnaval de Caetano", com cinco músicas, entre elas "Chuva,
suor e cerveja", que fará um grande sucesso no carnaval seguinte.
1972
Janeiro
"Lá vem o mano, o mano Caetano /
Ele vem sorrindo, ele vem cantando / Ele vem feliz pois ele vem
voltando". Alegria, alegria: para cumprir a promessa de felicidade
da música de Jorge Ben - sucesso na voz de Beta, a mana Bethânia -,
ele volta, finalmente.
Fevereiro
Lançamento de "Barra 69", o
registro do
último show de Caetano e Gil antes do exílio. Entre as faixas,
"Cinema Olympia", de e com Caetano, e o hino do Esporte Clube
Bahia, de Adroaldo Ribeiro da Costa, com ele e Gil.
Março
Lançamento de "Transa" no
Brasil,
com capa em formato inusitado, tridimensional, em estilo chamado de
discobjeto. Caetano e Gil (que havia voltado em fevereiro) marcam seu
retorno com um show no Teatro Municipal, do Rio. Um outro show,
individual, de Caetano, estreará no Tuca, em São Paulo, e percorrerá
outras grandes cidades do país. Nele, com novo visual, meio hippie,
Caetano choca parte do público ao se apresentar imitando trejeitos de
Carmen Miranda.
Maio
Caetano e Gil lançam um compacto simples,
com "Cada macaco no seu galho", de Riachão, e "Chiclete
com banana", de Gordurinha e Almira Castilho.
Segundo semestre
Caetano produz o disco
"Drama - anjo exterminado", um dos principais da carreira de
Maria Bethânia e de toda a produção do período. Compõe a trilha
sonora de "São Bernardo", filme de Leon Hirszman a partir do
romance homônimo do escritor Graciliano Ramos. No ano seguinte, a
trilha receberá o prêmio de melhor música do Festival de Cinema de
Santos.
10 e 11 de
Novembro
Divide com Chico Buarque um
show no Teatro Castro Alves, em Salvador, com a participação do grupo
vocal MPB-4; o espetáculo, gravado para se transformar em disco, serve
para desmentir rumores de desavenças entre os dois artistas.
22 de
Novembro
"Um quiçá Moreno nem vai
querer saber qual era". Nasce, em Salvador, seu filho com Dedé
Veloso. Para cumprir o que estava implícito no verso da canção
"Júlia / Moreno" ("Araçá azul"), o menino é
batizado com o nome de Moreno Veloso.
Dezembro
Lançamento do LP "Caetano e Chico juntos e ao vivo"; entre as faixas, músicas de Chico (como
"Partido alto", um dos hits do disco) cantadas por Caetano, e
de Caetano por Chico, além de um medley com duas em dueto ("Você
não entende nada"/"Cotidiano", respectivamente de
Caetano e Chico), outro enorme sucesso.
1973
Janeiro
Caetano lança "Araçá azul",
seu novo LP individual,
que surpreende o público pelo seu grau de experimentalismo
anticomercial. O disco terá um grande número de devoluções e será
retirado de catálogo. À época, ele lança também um compacto simples
com "Um frevo novo", dele, para o carnaval.
Março
Início de apresentações pelo interior
do Brasil, seguindo o roteiro dos circuitos universitários,
procedimento que começou a se tornar comum então.
Maio
Apresentação no evento "Phono
73", série de shows promovidos pela gravadora Philips com todo o
seu elenco nacional, no Anhembi, em São Paulo. Surpresa:
Caetano canta música do cantor e compositor Odair José, considerado
brega: "Eu vou tirar você deste lugar".
Dezembro
Lançamento de compacto simples contendo
música nova - "Deus e o diabo" - para o carnaval.
1974
Caetano investe numa nova atividade no meio musical, a
de produtor. Neste ano, produz o novo LP de Gal Costa,
"Cantar" (que inclui duas canções suas, uma delas "Lua,
Lua, Lua, Lua" ), um marco na trajetória da intérprete, e "Smetak",
do músico experimental, radicado na Bahia, Walter Smetak.
Início do ano
Faz com Gil e Gal um show no
Teatro Vila Velha, em Salvador, que, gravado, se transformará no álbum
"Temporada de verão".
Abril
Lançamento de "Temporada de verão".
Entre as três músicas cantadas por Caetano, "O conteúdo",
dele próprio, e "Felicidade", de Lupicinio Rodrigues, grande
sucesso daquele ano.
Novembro
Lançamento de compacto simples com
"Cara a cara", dele, e "Hora da razão", de
Batatinha e J.Luna.
1975
Um compacto simples de Caetano, com musicalizações
suas para os poemas "dias, dias, dias" (com citação de
"Volta", de Lupicínio Rodrigues) e "Pulsar", de
Augusto de Campos, sai encartado em "Caixa preta" (Edições
Invenção), obra do poeta em parceria com Julio Plaza; quatro anos
depois, sairá também acoplado ao livro "viva vaia" (editora
Duas Cidades), que será então publicado por Augusto.
Junho
Depois de mais de dois anos sem gravar um
LP individual, põe no mercado logo dois de uma vez, "Jóia" e
"Qualquer coisa". "Jóia" traz canções
experimentais como "Asa, asa" e "Gravidade";
"Qualquer coisa", o clássico que lhe dá título e três músicas
dos Beatles. Caetano está provocativo
como sempre - ou mais do que nunca. Na primeira edição de ambos os
trabalhos, um manifesto define-os como dois pseudomovimentos,
ironizando, na verdade, a idéia da necessidade de movimentos, comum à
época. A capa original de "Jóia" mostra Caetano, sua mulher
e seu filho nus, num desenho feito por Caetano; é proibida (bem mais
tarde será reconstituída, quando o disco sair em CD). A de
"Qualquer coisa" parafraseia a do álbum "Let it be",
dos Beatles.
Novembro
Lançamento de compacto simples
destacando "A filha da Chiquita Bacana", dele.
1976
24 de Junho
Num reencontro histórico em palco,
dez anos depois do show "Nós, por exemplo", Caetano, Gil, Gal
e Bethânia, se juntam novamente para cantar juntos como um grupo, os
Doces Bárbaros, e estréiam no Anhembi, em São Paulo, a excursão homônima
que percorrerá outras dez cidades brasileiras.
Julho
Sai pela Philips um compacto duplo gravado
em estúdio com canções do show "Doces Bárbaros".
7 de Julho
A turnê "Doces Bárbaros"
é interrompida: Gilberto Gil e o baterista Chiquinho Azevedo, da banda
que acompanha o grupo, são presos por porte de maconha em Florianópolis,
Santa Catarina, durante a passagem do show pela cidade. Uma polêmica de
dimensão nacional cercando o acontecimento rapidamente se estabelece.
Numa das declarações, Caetano afirma não fazer uso de drogas,
justificando o apelido de Caretano, cunhado anos antes pelo amigo Rogério
Duarte, artista gráfico-poeta-músico baiano, um dos mentores do
movimento tropicalista.
Outubro
Lançamento do álbum duplo com o material
do espetáculo "Doces Bárbaros", que se transformará também
em filme (do diretor Jom Tob Azulay).
1977
Janeiro
Sai um compacto simples com as suas
carnavalescas "Piaba" e "A filha da Chiquita
Bacana". Caetano se firma como um nome da moderna MPB que procura
seguir uma tradição de velhos compositores: a de criar, todo ano, música
pro carnaval.
Janeiro e Fevereiro
Caetano e Gil participam do 2º Festival Mundial de Arte e Cultura Negra, em Lagos, Nigéria, onde
passam cerca de um mês.
Abril
É publicado pela editora Pedra Q Ronca o
livro "Alegria, alegria", uma compilação de artigos,
manifestos e poemas de Caetano, além de entrevistas com ele, feita pelo
amigo e poeta baiano Waly Salomão.
Maio
Lançamento de seu novo disco,
"Bicho", reunindo
algumas músicas que se tornarão clássicos, como "Tigresa"
(que já virara hit na voz de Gal Costa), "Um índio",
"Gente" (espécie de protesto social dançante, na linha
chamada de "heavy causes in light music")", "Leãozinho"
e "Odara". Nova polêmica se instaura. O termo "odara"
acabará se tornando sinônimo de hippie ou, para a ala dos
esquerdistas, "alienado"; os "odaras", por sua vez,
responderão aos que lhe cobram posicionamentos políticos explícitos,
chamando-os de "patrulheiros ideológicos". Uma atualização
da divisão entre os tropicalistas e os engajados da MPB, dez anos
depois do movimento.
Setembro
"Alegria, alegria", a canção,
vira tema principal de uma novela da Rede Globo, à qual dá o nome,
tirado de um de seus versos: "Sem lenço, sem documento"
(verso que, por sua vez, foi tirado do livro "As palavras", do
escritor e filósofo francês Jean-Paul Sartre, papa do existencialismo;
a citação é um procedimento comum na obra do baiano).
Novembro
É lançado o disco "Muitos
carnavais", uma
coletânea da produção carnavalesca de Caetano feita principalmente a
partir de gravações de músicas lançadas anteriormente em compactos.
1978
Viagem à Europa com Gal Costa, para apresentações em
Roma, Milão, Genebra e Paris.
Maio
Lançamento de compacto simples com duas canções
tema de filmes: "Amante amado", de Jorge Ben, da trilha de
"Na boca do mundo", e a sua "Pecado original", da
trilha de "A dama do lotação".
Julho
Sai seu novo LP, "Muito (dentro da
estrela azulada)",
contendo as clássicas "Terra" e "Sampa"; o repertório
traz ainda o hit "Tempo de estio" e "Muito romântico"
(sucesso anterior na voz de Roberto Carlos, para quem foi originalmente
composta), ambas dele, além de uma recriação de "Eu sei que vou
te amar", de Tom Jobim e Vinícius de Moraes. "Muito"
marcou o início da colaboração dos músicos reunidos com o nome de A
Outra Banda da Terra no trabalho do artista.
Agosto
Lançamento de "Maria Bethânia e
Caetano
Veloso ao vivo", LP tirado do espetáculo inicialmente concebido
para ser apresentado apenas em Santo Amaro da Purificação, para
levantar fundos para a catedral local, mas que acabou sendo levado a várias
cidades do Brasil. Os dois cantam músicas em dueto e sozinhos, como
"Maria Betânia", de Capiba, e "Carcará", de João
do Vale e José Candido, ambas na voz de Caetano.
Novembro
Novo compacto para o carnaval,
destacando a sua "O bater do tambor".
1979
7 de
Janeiro
Nasce Júlia, filha de Caetano e Dedé;
o bebê, no entanto, vive apenas alguns dias.
Novembro
"Cinema Transcendental", seu
novo disco,
é lançado (agora, e daí em diante, pelo selo Polygram, da mesma
companhia de seus discos anteriores, Philips). No repertório, canções
antológicas de sua autoria, como "Lua de São Jorge",
"Oração ao tempo", "Beleza pura", "Menino do
Rio" e "Cajuína". "Beleza pura" se torna o hit
do LP; "Menino do Rio" estoura na voz de Baby Consuelo.
Caetano se apresenta como intérprete no Festival de MPB promovido pela
TV Tupi, defendendo a música "Dona Culpa ficou solteira", de
Jorge Ben; é vaiado por um público que não tolera a participação de
artistas já consagrados no evento; a canção não recebe premiação.
Dezembro
Lançamento do compacto "Carnaval
80", com o hit "Massa real", dele, e "Badauê",
de Moa do Catendê.
1980
Março
Começa a turnê do show "Cinema
transcendental", que percorrerá o circuito universitário
nacional.
1981
Março
Novo álbum na praça: "Outras
palavras". "Lua e estrela", de Vinícius Cantuária, e
"Rapte-me, camaleoa", de Caetano, puxam a vendagem do disco,
que se torna o mais vendido da carreira do artista até então - 100 mil
cópias, o que lhe garante o primeiro Disco de Ouro. "Outras
palavras" destaca ainda a faixa-título, mais uma incursão poética
vanguardista, "Sim/não" (parceria com Bolão, que também sai
em compacto), "Vera gata" e "Nu com a minha música",
todas dele. "Rapte-me, camaleoa" e "Vera gata"
cantam duas musas de Caetano: a atriz Regina Casé e Vera Zimmerman, que
também se tornará atriz mais tarde.
Maio
Shows em Buenos Aires.
Junho
Lançamento, pela WEA, do álbum
"Brasil", de
João Gilberto com Caetano e Gil (e ainda a participação de Maria Bethânia).
Estréia no Rio a peça "O percevejo", do poeta russo Vladimir
Maiakóvski, dirigida por Luiz Antonio Martinez Correa, com a participação
de Dedé Veloso como
atriz e com alguns poemas musicados por Caetano; uma das canções da
trilha, "O amor", se tornará sucesso na voz de Gal Costa.
Setembro
Apresentações em Portugal.
1982
Início do ano
Recebe o troféu Vinícius de
Moraes de "melhor cantor" (de 1981), por seu trabalho no disco
"Brasil".
Março
Lança o álbum "Cores, nomes",
destacando "Queixa"
(que também sai em compacto simples), "Ele me deu um beijo na
boca" e "Meu bem, meu mal" (já então conhecida na voz
de Gal), dele, "Sina" (de Djavan) e "Sonhos" (de
Peninha); estas duas últimas, além da primeira, tornam-se os
principais sucessos da obra, que, um mês depois de lançada, rende ao
cantor seu segundo Disco de Ouro. "Sina", dedicada ao próprio
Caetano, assim transformado em "muso", contribuiu com um termo
inédito para a linguagem brasileira falada: o verbo "caetanear".
É em meio a esse irresistível caetanismo que se dá uma polêmica com
o crítico e escritor José Guilherme Merquior. Este o acusa de
"pseudo-intelectual" que tenta usurpar "a área do
pensamento". "Por que os artistas - e não os pensadores - são
chamados a opinar sobre os mais diversos assuntos?", pergunta
Caetano. "Esta é uma questão que deve ser pensada com rigor e
delicadeza", diz.
Abril
Estréia a turnê nacional do show
"Cores, nomes", em Curitiba. Participação em filme, como
ator: Caetano é Lamartine Babo (grande compositor da velha guarda da
MPB) em "Tabu", do cineasta Julio Bressane.
1983
Fevereiro
Sai compacto simples com "Luz do
sol", dele.
16 de Março
Inaugura o programa "Conexão
internacional", da TV Manchete, entrevistando Mick Jagger, o líder
e cantor dos Rolling Stones; a gravação foi em Nova York.
Maio e Junho
Uma nova polêmica é travada agora
nas páginas do jornal "Folha de S.Paulo" entre Caetano e o
jornalista Paulo Francis. Este começa por criticar a postura do artista
diante de Jagger na entrevista para o "Conexão
internacional". Para Caetano, Francis é preconceituoso. Outros
intelectuais e artistas são chamados a se posicionar contra ou favor.
Junho
Caetano aumenta o número de suas apresentações
no exterior, cantando no Olympia, em Paris; em Israel, numa caravana com
Elba Ramalho e Djavan; na noite brasileira do Festival de Jazz de
Montreux, na Suíça, com João Bosco e Ney Matogrosso; em Roma, com
Gil, Gal e João Gilberto; e - pela primeira vez nos Estados Unidos - em
Nova York, onde é elogiado pelo crítico do jornal "The New York
Times".
Na volta, lança "Uns", cujo repertório
destaca os
sucessos "Eclipse oculto" e "Você é linda",
dele, e "É hoje" (também lançada em compacto simples),
samba-enredo da escola de samba União da Ilha, do Rio, cuja bateria
participa da gravação - Maria Bethânia também. O trabalho encerra a
colaboração de A Outra Banda da Terra, que é dissolvida. Começa no
Canecão, no Rio, a turnê nacional de "Uns".
13 de
Dezembro
Morre aos 82 anos José Telles
Velloso, o pai de Caetano. "O
homem velho deixa vida e morte para trás", escreverá o poeta numa
canção do ano seguinte, "O homem velho", inspirada no pai e
incluída no novo trabalho, "Velô".
1984
24 de Maio
Acompanhado agora dos músicos da
Banda Nova, com quem gravou seu novo disco, "Velô, estréia no
Palace, em São Paulo, a excursão nacional do show homônimo.
Junho
Lança "Velô", trazendo, entre
outras, "Podres
poderes" (também em compacto), "O quereres", "Shy
moon" e "Língua", estas duas com as respectivas
participações de Ritchie e Elza Soares. Trata-se do trabalho mais
rocky do artista.
Meio do ano
Novas discussões esquentam as páginas
da "Ilustrada", da "Folha de S.Paulo". Atacado por
um dos colaboradores do caderno, o poeta Décio Pignatari, Caetano
responde aos insultos desfechando fortes golpes no articulista. Sobram
farpas para todo lado.
1985
Compõe e grava a música-tema
- "Milagres do povo" - da série "Tenda dos
milagres", sobre a obra do escritor baiano Jorge Amado, da Rede
Globo. Nova incursão como produtor - desta vez, do álbum
"Antimaldito", do cantor e compositor, além de escritor,
Jorge Mautner, amigo desde os tempos de Londres.
Maio
Apresentações na Europa: em Lisboa e, com Bethânia, em Madri, para
platéias de 5 mil pessoas.
Julho
Show no
Teatro Castro Alves, transmitido ao vivo pela Rede Globo.
Setembro
Shows no Carnegie Hall, em Nova York, dias 24 e 25.
Outubro
Apresenta-se no projeto "Luz do solo", no Golden Room do
Copacabana Palace, sozinho ao violão; o espetáculo, gravado, resultará
no seu disco do ano seguinte.
1986
Separado de Dedé
Veloso, Caetano se une à carioca Paula Lavigne.
"London, London", a triste canção do exílio do poeta-músico,
é recuperada para as novas gerações numa gravação do grupo RPM,
cantada por Paulo Ricardo. Quinze anos depois, novo estouro nas paradas.
Abril
Caetano
faz sua primeira incursão cinematográfica, "O cinema falado" (o
título remete ao primeiro verso de um samba de Noel Rosa"). O
filme é feito em apenas três semanas, sem repetição de planos (a
grana é pouca), e dará o que falar.
A ousadia poética
de Caetano é detida pela censura, que proíbe a execução de
"Merda", por ele composta de encomenda para a peça "Miss
Banana". A canção homenageia a gente de teatro -
"merda!" é a expressão do desejo de boa sorte de um ator
para outro antes da entrada em cena.
Maio
A Rede
Globo estréia "Chico e Caetano", programa mensal onde os dois
artistas, além de cantar, apresentarão artistas convidados; entre
estes, comparecerão Cazuza, Jorge Ben Jor, Elza Soares, Tom Jobim, não
faltando atrações internacionais, como o argentino Astor Piazzola e o
cubano Silvio Rodrigues. O programa se transformará
na coqueluche musical da TV brasileira em 1986, e todos vão querer dele
participar, menos o roqueiro baiano Marcelo Nova, da banda Camisa de Vênus;
Nova dirá que se recusa "a participar de 'namoro na TV'..."
Maio
Gravações,
em Nova York, de um disco destinado especificamente ao mercado
norte-americano.
Junho
Estréia
em São Paulo "Caetano Veloso e violão", show intimista que
será levado ao Rio em agosto. Agosto É lançado o álbum
"Totalmente
demais", gravado ao vivo durante as apresentações no projeto
"Luz do solo". Entre as canções selecionadas, as suas
"Vaca profana" e "Dom de iludir", lançadas
anteriormente por Gal; "Todo amor que houver nessa vida", de
Frejat e Cazuza, e a música-título, de Arnaldo Brandão e Tavinho
Paes, que permanecera três anos retida pela censura. O álbum quebrará
os recordes de vendagem de Caetano até então, atingindo 250 mil cópias
e lhe rendendo um Disco de Platina.
Setembro
Estrepitosa estréia, no 3º Festival de Cinema, Televisão e Vídeo do
Rio de Janeiro, do longa-metragem "O cinema falado", a realização
de um velho sonho do artista. Será aplaudido por grandes diretores e
artistas nacionais, mas também rechaçado por outros. Um filme sobre
cinema e artes em geral, com produção independente, em linguagem
experimental, em tom muito pessoal e com a participação quase que
somente de amigos.
Lançamento, pelo
selo Nonesuch, de "Caetano
Veloso", o chamado "disco americano", que obtém boa
recepção crítica. O repertório reúne reedições de canções suas
e de outros compositores em arranjos acústicos; um medley funde
"Nega maluca", de Fernando Lobo e Ewaldo Ruy, a "Billie
Jean", de Michael Jackson. Um outro grande compositor americano
presente é Cole Porter (como Caetano, um letrista excepcional), com
"Get out of town".
6 de
Dezembro
A paz é restabelecida entre dois ex-amigos. Num encontro com os poetas
concretos, em São Paulo, em que se comemoram trinta anos do movimento
concretista, ocorre finalmente a reconciliação de Caetano com Décio
Pignatari, dois anos depois dos mútuos ataques que desferiram através
da imprensa.
26 de
Dezembro
"Chico e Caetano" se despede do telespectador da Globo, indo
ao ar pela última vez.
1987
14 de Fevereiro
O grande artista brasileira dá o
seu depoimento para o Museu da Imagem e do Som - MIS - de São Paulo.
Presentes, como entrevistadores, os poetas paulistas Augusto e Haroldo
de Campos e Décio Pignatari, além do psicanalista baiano, também
amigo, Tenório Cavalcanti.
Abril
Shows na Europa.
Junho
Relançamento de "Araçá azul",
a radical e contundente experiência de quase quinze anos antes.
Setembro
Sai "Caetano", seu novo LP-CD, com
uma vendagem antecipada de cem mil cópias. Traz dois hits: "Vamo
comer" (parceria com Tony Costa) e "Fera ferida" (de
Roberto e Erasmo Carlos). E dois clássicos: "Eu sou neguinha?"
e a belíssima "O ciúme". Diferentemente das vezes
anteriores, o lançamento do novo trabalho em disco não é acompanhado
de entrevistas. É que Caetano, desgostoso com a imprensa, resolveu não
falar mais com ela. Já não fala há algum tempo e não vai falar por
mais tempo ainda. Trata-se de mais um capítulo da história do eterno
divórcio entre artistas e jornalistas - no Brasil, protagonizada
sobretudo e sobre todos por ele, Caetano Veloso.
Outubro
O show para
promover "Caetano" dá o pontapé inicial de sua turnê
nacional, que se prolongará pelo decorrer de 1988.
1988
Março
Shows em Paris. Por aqui, a revista
"Vogue" publica um número especial total e exclusivamente
dedicado ao nosso poeta-músico-cantor-compositor-cineasta
escritor-artista-intelectual-personalidade.
Maio
New York revisited: "Caetano"
agora é levado para o público americano. Começa a voltar a falar com
a imprensa. Só que ainda escolhe seus entrevistadores (assim mesmo, um
dos primeiros é um amigo, Waly Salomão, num programa da TV
Bandeirantes). A maioria continua de castigo.
Novembro
De volta a Nova York, desta vez para
gravar, produzido por Arto Lindsay e Peter Scherer, a dupla de
americanos que formam o Ambitious Lovers (Lindsay é um velho amigo que
já viveu no interior de Pernambuco). O trabalho se estenderá até março
do ano seguinte.
Dezembro
É publicado pela editora Lumiar e lançado
com festa de arromba no Rio o songbook "Caetano Veloso",
produzido por Almir Chediak. Em dois volumes e com as letras e as cifras
de 135 canções.
1989
Maio
Apresentações na Itália.
Abril
Aparece no papel do poeta Gregório de
Mattos em "Os sermões - a história de Antonio Vieira", filme
de Julio Bressane.
7 de
Junho
Estréia no Canecão, no Rio, a turnê
de promoção do CD-LP "Estrangeiro", gravado em
Nova York e que está sendo lançado. Entre as músicas, além da que dá
título ao disco, contam-se "Esse amor" e
"Branquinha", inspiradas em e dedicadas a, respectivamente,
Dedé Veloso, sua ex, e Paula Lavigne, sua mulher. O hit é
"Meia-lua inteira", de um compositor que está começando a
ascender e que integra, como percussionista, a sua banda: o baiano
Carlinhos Brown.
"Estrangeiro" será o seu primeiro disco lançado
quase simultaneamente (pouco depois) no exterior. A recepção pela crítica
especializada nos Estados Unidos será das melhores. O cantor e
compositor David Byrne, líder da banda Talking Heads, fará na época
elogios rasgados a Caetano e sua arte.
Julho
Shows na Europa, alguns com João Gilberto
e João Bosco (em apresentações separadas).
21 de
Novembro
Recebe o Prêmio Shell para a Música
Brasileira - 89, apresentando-se no Teatro Municipal do Rio.
Dezembro
Outro prêmio: o Sharp, de Música.
1990
26 de Janeiro
Atentado contra a casa de Caetano
em Salvador, onde ele está passando férias (como faz todo verão). De
madrugada, uma bomba explode e três tiros são disparados. Em seu
quarto, ele e a mulher nada sofrem. Importante: quase duas semanas
antes, Caetano havia feito duras críticas à administração do
prefeito Fernando José.
2 de
Fevereiro
O Dia de Iemanjá mais triste da
vida do artista. No Rio, morre o filho de Gil, Pedro Gadelha Gil
Moreira, seu afilhado. Pedro estava em estado de coma havia uma semana,
após um acidente de carro. Era baterista (tocava na banda do pai), e
muito próximo de Moreno, filho de Caetano.
Julho
Participação no Festival de Jazz de
Montreux, na Suíça.
Outubro
Sai finalmente no Brasil "Caetano
Veloso", o seu "álbum americano", de 1986. Para promover
o lançamento, acompanhado de três músicos, ele estréia no Canecão
um novo espetáculo, "Acústico".
1991
Abril
Reiniciada a turnê nacional de "Acústico".
21 de
Abril
Sua apresentação em homenagem ao
Dia da Terra atrai 50 mil pessoas à enseada do Botafogo, no Rio.
Junho
Completa-se a lista de lançamentos de
todos os seus discos (os que fez até então) em laser (LPs em CDs).
Setembro
Shows no Town Hall, em Nova York. A
estada no umbigo do mundo se estende para as gravações de seu novo
disco, novamente produzido por Arto Lindsay.
Outubro
Publica um longo artigo, de profundas
implicações culturais, sobre a cantora Carmen Miranda no jornal "The
New York Times". O texto, que chamará a atenção de um dos
editores da Alfred Knopf, sairá posteriormente no Brasil, na
"Folha de S.Paulo".
Novembro
Lançamento de "Circuladô". O
CD destaca
a canção-título, composta por ele a partir de fragmento da obra de
"proesia" (prosa + poesia) "Galáxias", do poeta
Haroldo de Campos; duas novas canções-pensamentos acerca do Brasil e
da sua inserção no plano internacional: "Fora de ordem" e
"Cu do mundo"; e mais duas de fonte de inspiração familiar,
uma sobre a mulher, Paulinha, "Ela ela", e outra para anunciar
o filho de ambos, "Boas vindas".
Numa carta para Caetano, o presidente da República do
Brasil, Fernando Collor de Melo, sugere um encontro dos dois. Caetano
(eleitor de Leonel Brizola, no primeiro turno, e de Lula da Silva, no
segundo, nas eleições presidenciais de 1990, das quais Collor saiu
vencedor) acabará não respondendo à carta.
1992
Janeiro
"Caetano, por que não?" é o título
do estudo sobre o artista, abordando o seu percurso poético-musical,
feito pelos acadêmicos Gilda Dieguez e Ivo Lucchesi; o livro sai pela
Francisco Alves.
25 de
Janeiro
Um público estimado em 50 mil
pessoas assiste à sua apresentação no Anhangabaú, em São Paulo, no
aniversário da cidade.
7 de
Março
Nascimento de Zeca Lavigne Veloso,
segundo filho de Caetano e seu primeiro com Paula Lavigne. No Rio.
Março
"Circuladô", o espetáculo,
estréia no Canecão, no Rio.
Abril
No programa de entrevistas de Jô Soares -
o "Jô onze e meia", do SBT -, Caetano resolve inesperadamente
contar quem o delatou em 1968, detonando o processo que levou à sua
prisão. O locutor de rádio Randal Juliano. Ele teria noticiado - sem
checar a veracidade, ao embalo das atitudes ditatoriais - que Caetano e
Gil haviam desrespeitado os dois símbolos nacionais, parodiando o hino
e rasgando a bandeira.
Maio
Pela segunda vez, Caetano é agraciado com o
Prêmio Sharp de Música.
Agosto
Seus cinqüenta anos de idade, completados
dia 7,
servem de motivo para vários tributos na mídia. No principal deles, a
TV Manchete exibe uma série especial de cinco programas, dirigida pelo
cineasta Walter Salles. "O tempo não pára e no entanto ele nunca
envelhece".
Dezembro
Tanto foi o sucesso do show, que este acabou
resultando num disco, e duplo: o CD "Circuladô ao vivo", que é
lançado.
1993
Fevereiro
O livro "Caetano - esse
cara", organizado por Héber Fonseca, é publicado pela editora
Revan, contendo depoimentos dados ao longo da carreira em várias
publicações, emissoras de rádio e de televisão.
Março e
Abril
O desejo de comemorar os 26 anos
de Tropicalismo e os trinta de amizade coloca em estúdio Caetano Veloso
e Gilberto Gil, para a gravação de um novo disco, juntos. O trabalho
começou a ser preparado antes e marcou a retomada da parceria dos dois.
Agosto
Lançamento de "Tropicália 2",
de Caetano
e Gil, pela Polygram, o disco mais esperado e comentado do ano no
Brasil. Entre os destaques, o hit "Haiti", rap social da
dupla; a homenagem "Cinema Novo", também dos dois; e
"Desde que o samba é samba", de Caetano.
25 de
Setembro
Gil e Caetano apresentam
"Tropicália 2" - o show - na Praça da Apoteose, no Rio; o
espetáculo será levado em 2 de outubro ao Pólo de Arte e Cultura do
Anhembi, em São Paulo.
1994
28 de Janeiro
Salvador assiste finalmente a
"Tropicália 2": o acontecimento é no Parque de Exposições.
Fevereiro
"Atrás da verde e rosa só não
vai quem já morreu". A paráfrase do verso de "Atrás do trio
elétrico", o velho e imenso sucesso carnavalesco de Caetano, dá
nome ao enredo da Escola de Samba Estação Primeira de Mangueira, que
homenageia Caetano, Gil, Gal e Bethânia. Os quatro fazem um show na
quadra da escola e depois brilham no desfile na avenida Marquês de
Sapucaí, no Rio, no carnaval. Caetano, que chegara a compor um samba
para Mangueira, sai esfuziante e emocionadíssimo.
Maio
Tempo de estúdio: é "Fina
estampa" sendo gestado. A Polygram havia pedido a ele um disco com
suas canções vertidas para o espanhol, para lançar no mercado latino,
mas Caetano preferiu gravar
clássicos latinos relidos sob uma perspectiva bossa-novista. Para isso,
chamou para fazer os arranjos orquestrais e toda a direção musical o
maestro e violoncelista Jaques Morelenbaum, músico de sua banda que
tocou anos com Tom Jobim.
1 de
Junho
Os sempre Doces Bárbaros Caetano,
Gil, Gal e Bethânia voltam a cantar juntos, agora no Royal Albert Hall,
em Londres; a bateria da Mangueira participa muito especialmente do
espetáculo.
Junho e
Julho
"Tropicália duo" - o
"Tropicália 2" em transposição acústica, só com Gil e
Caetano, vozes e violões - é exportado para a Europa e os Estados
Unidos.
Agosto
Caetano Veloso se encontra com Pedro Almodóvar,
em Madri. Grande admirador do trabalho do baiano, o cineasta espanhol
incluirá a gravação de "Tonada de luna llena" (de Simón
Diaz) feita por Cae (no CD "Fina estampa") na cena final de
seu filme "A flor do meu segredo".
Em show em
Nápolis, outro encontro: com Lucio Dalla,
grande nome da moderna música popular italiana.
Na volta, em São Paulo, na Tom Brasil, as primeiras das
poucas apresentações de "Fina estampa" em território
nacional.
Outubro
"Caetano Veloso e violão" leva
cerca de 40 mil pessoas à praça da Apoteose, no Rio. Participações
muito especiais de Chico Buarque, Milton Nascimento e Mercedes Sosa.
Em sua primeira entrevista como presidente da República
virtualmente eleito (as eleições tinham acabado de se realizar),
Fernando Henrique Cardoso cita frases de Caetano; para ele, o pensamento
do artista a respeito do Brasil é um modelo a ser seguido.
Dezembro
"Tropicália duo" inicia sua
excursão brasileira por Rio, São Paulo e Belo Horizonte.
1995
Caetano começa a escrever um longo livro de reminiscências,
impressões, visões e opiniões sobre os anos 60. Trata-se de uma
encomenda da editora norte-americana Alfred Knopf, desde que um de seus
editores se impressionou com o texto do brasileiro sobre Carmen Miranda
publicado no "The New York Times".
Abril
"Fina estampa" é levado a países
da América Latina.
Junho
Apresentação no Central Park, de Nova
York; com a participação do músico e compositor japonês Ryuichi
Sakamoto.
Novembro
Lançamento de "Fina estampa - ao
vivo",
incluindo músicas do disco homônimo gravado em estúdio. Entre as
novidades do repertório, um sucesso de Orlando Silva, "Lábios que
beijei" (de Álvaro Nunes e Leonel Azevedo), uma composição de João
Gilberto, "Você esteve com meu bem" (com Russo do Pandeiro),
"Cucurrucucu paloma" (Tomas Mendez), "O samba e o
tango" (Amado Regis) e "Soy loco por ti, América"
(Gilberto Gil e Capinan).
9 de
Dezembro
"Alguma coisa acontece no meu
coração / Que só quando cruza a Ipiranga e a avenida São João".
Exatamente na esquina celebrizada no clássico "Sampa" (lugar
onde ele morou nos anos 60), ergue-se o palco do show que Caetano faz
para São Paulo.
31 de
Dezembro
Mais comoção em massa. No
reveillon, a praia de Copacabana assiste ao maior espetáculo musical da
sua história: Caetano, Gil, Gal, Chico Buarque, Milton Nascimento e
Paulinho da Viola cantam num tributo a Tom Jobim; participação
especial da bateria da Mangueira.
1996
Início de Janeiro
A informação de que Paulinho
da Viola recebeu cachê mais baixo que os demais participantes do show
do reveillon gera um imbróglio envolvendo os artistas, a prefeitura do
Rio e o patrocinador. Em meio às discussões, a mulher de Paulinho
falseia um documento. Caetano, Gil, Gal e Chico rompem com Paulinho.
Abril
Caetano começa a gravar a trilha que compôs
para o novo filme do diretor Carlos (Cacá) Diegues, "Tieta do
Agreste", baseado na obra de Jorge Amado e com Sônia Braga no
papel principal. Na direção musical e nos arranjos, outra vez Jaques
Morelenbaum. Participação muito especial de Gal.
Setembro
Paralelamente à entrada do filme em
cartaz, sai também a trilha original de Caetano em CD, "Tieta do
Agreste",
com Gal. O lançamento é da Natasha Records, da qual Paula Lavigne é sócia.
Entre as composições, "O motor da luz", "Coração-pensamento"
e uma que se tornará sucesso no carnaval baiano de 97, "A luz de
Tieta".
Caetano e Gal estréiam o show "Tieta do
Agreste", tendo por base o repertório do filme e do CD com a
trilha. A banda Didá, de percussionistas femininas da Bahia, participa.
Dezembro
O artista é objeto de mais um livro -
"O arco da conversa: um ensaio sobre a solidão", de Cláudia
Fares (Cada Jorge Editorial).
A Polygram lança no mercado uma caixa com 30 CDs de
Caetano.
1997
25 de Janeiro
No dia do aniversário de Tom
Jobim, nasce em Salvador Tom Lavigne Veloso, segundo filho do casal
(terceiro de Caetano).
Junho e Julho
Turnê por Europa e Estados Unidos.
Na volta, início das gravações do novo CD.
30 de
Outubro
Convidado por Madalena Fellini, irmã
de Federico Fellini (1921-93), Caetano faz um show na República de San
Marino, perto de Rimini (Itália), cidade natal do cineasta; em comemoração
do aniversário de casamento de Fellini e da atriz Giullite Masina
(1920-94), anteriormente homenageada por Caetano em canção que leva
seu nome.
Novembro
Dois lançamentos importantes: um livro
e um disco. No início do mês, sai "Verdade Tropical"
(editora Companhia das Letras, 524 páginas), o há muito esperado livro
de Caetano, em que ele dá a mais profunda e pessoal das visões acerca
dos principais aspectos e acontecimentos relacionados com o movimento
tropicalista. A publicação é amplamente debatida nos principais
centros intelectuais do país.
No meio do mês, é lançado "Livro",
o novo CD do artista. No repertório, entre outras, uma versão rap de
"Navio negreiro", do poeta romântico baiano Castro Alves,
outra de "Na Baixa do Sapateiro", clássico de Dorival Caymmi,
e "Minha voz, minha vida", dele próprio, feita nos anos 80
para Gal Costa gravar.
