Rastafari não é cultura, é uma realidade
-- A SOCIEDADE RASTA --
O movimento rastafari tem permanecido relativamente sem liderança, desde seu início em 1930. Contudo, existiram indivíduos que deram uma contribuição de grande significado, histórica e ideologicamente.
Depois da coroação de Sua Majestade Imperial, Haile Selassie, vários pregadores se tornaram conhecidos por expressar suas crenças em sua divindade, nas ruas de Kingston. Entre esses estão Joseph Hibbert, Archibald Dunkley, Robert Hinds e Altamont Reed. Enquanto outros indivíduos desenvolviam movimentos bem orientados de repatriação. Eles também eventualmente aceitavam a divindade de Haile Selassie. O mais bem sucedido em atrair seguidores foi Leonard P. Howell, durante a década de 30.
Em essência, muitas preocupações e conceitos rastas são políticos. Mas os rastas preferem ter pouco ou nada a fazer com políticos jamaicanos. Sua lealdade repousa no Governo Teocrático Divino de Haile Selassie I. Suas leis são bíblicas.
O movimento rastafari nunca esteve junto e unido como uma organização religiosa ou política. Qualquer pessoa, interessada no rastafarianismo, que tenha visitado a Jamaica recentemente, provavelmente percebeu muitas diferenças de doutrinas no movimento. A única similaridade exata entre aqueles que se consideram rastas, parece ser seu chamado visionário por um mundo “que irá garantir reparação e correção aos opressores na Terra”. Como um estilo de vida, igreja ou envolvimento organizacional, e aparência exterior, um rasta se difere do outro.
Contudo, existem certos grupos visíveis, vivendo hoje e podem ser distinguidos, apesar do rastafarianismo ser um movimento em mudança e crescimento, não sendo portanto uma religião estagnada e dogmatizada.
1) Nyabinghi Rasta:
O primeiro grupo são os rastas nyabinghi, um grupo tradicional e ortodoxo rastafari (não soldados guerrilheiros). A maioria dos rastas na Jamaica e em todos os lugares se encontra nessa categoria. Eles tendem a acreditar que a divindade de Haile Selassie representa a primeira vinda do Messias e que “Jesus” é um falso Deus da babilônia. Eles são extremamente suspeitos à organização, líderes, igreja e governos. São seletivos em suas crenças bíblicas e concordam que a maior parte das versões, deve estar corrompida.
2) Igreja Ortodoxa da Etiópia:
Um número de rastas é membro da Igreja Ortodoxa Etíope. Instituída na Jamaica em 1969, essa igreja tem filiais em Nova Iorque, Jerusalém e Sudão. É uma das mais históricas e ancestrais igrejas cristãs. Representando a glória e história da Etiópia ancestral, o que atrai muitos rastas. Eles acreditam que nenhuma outra nação tem uma sólida fundação nas Escrituras Sagradas como a Etiópia. Essa Bíblia contém a totalidade do Velho e do Novo Testamento, da forma que nenhum outro livro encontra essa totalidade, existente apenas nesse texto. A Igreja Ortodoxa da Etiópia trata com carinho outras leituras, incluindo o Kebre Negast (Glória dos Reis), o livro que traça a linhagem de Haile Selassie, de Salomão e Sabá. A Arca da Aliança contendo os Dez Mandamentos originais, afirmam estar também na Igreja Ortoxa da Etiópia, em Addis Ababa.
A Igreja Ortodoxa Etíope não enfatiza a divindade de Haile Selassie, especialmente desde sua morte em 1975. Para eles, ele foi um Cristão servo de Deus. Todavia, chamar realmente essa igreja de rastafari é certamente duvidoso. A Igreja Ortodoxa da Etiópia é fundamentada no cristianismo ortodoxo, compartilhando de todo o ritual e grandiosidade associados a essa tradição. Embora muitos rastas tenham se arrebanhado na igreja quando ela inicialmente se estabeleceu na Jamaica, desde então muitos deles se afastaram, acreditando ser demasiado cristão e peculiar a muitas crenças rastas, para eles.
3) Congregação Nacional Etíope:
Outro grupo é a Congregação Nacional Etíope do Príncipe Edward Emmanual. Localizada nas montanhas de St. Thomas, esse acampamento tende a ser uma comunidade auto-suficiente. O grupo existe desde o início do movimento rastafari e foi viver no local no fim da década de 60. O Príncipe é a cabeça da hierarquia, alegando ser um sacerdote da Ordem de Melchizedek. Ele é venerado de uma extremidade à outra, com Selassie e Marcus Garvey. Abaixo dessa árvore (e da esposa do Príncipe), tem um número de sacerdotes, apóstolos e profetas. Os membros vestem turbantes e mantos para os trabalhos e cultos. Muitos não possuem dreadlocks. Eles aderem a um estrito código moral e compartilham muitas regras e regulamentos. Ao lado de rituais de reza e devoção, de acordo com Leonard Barret, “práticas muito surpreendentes podem ser observadas neste grupo... sacrifício é uma prática ritual, lavar os pés dos santos e orar por exaustão, também”. A escassez de mulheres nessa comunidade é evidente. Esse grupo tem uma grande consciência racial. São negros supremacistas e não acreditam que brancos podem entrar nos portões de Sião. Pessoas de fora têm me dito que o Príncipe Edward Emmanual parece ser venerado acima e além de Selassie e Marcus Garvey.
4) Doze Tribos de Israel:
Os membros da organização Doze Tribos de Israel são basicamente cristãos, acreditam que a segunda vinda de Cristo ocorreu na pessoa de Haile Selassie. Consideram que Jesus Cristo foi o “sofredor” e Selassie é o “leão conquistador”. Sua evidência é a linhagem de Selassie e as escrituras bíblicas.
Apesar de pequenas discrepâncias entre as bíblias, eles acreditam que o apego a qualquer bíblia é crucial. Haile Selassie enfatizava esse ponto em seu discurso sobre a importância da Bíblia. Deve ser lido “um capítulo por dia” em ordem, para ter um grande entendimento do início ao fim. Respostas para todas as questões sobre a vida podem ser encontradas nessas páginas, se forem lidas no caminho. Desta forma, a Bíblia é o “livro de mão” da vida.
Por ser Haile Selassie o “homem perfeito”, suas palavras são reverenciadas e seus discursos são uma constante referência. As ações, disse ele por pressão, por ter se comprometido em seus anos anteriores, são consideradas propaganda hostil. Ou elas são atribuídas a senhores feudais corruptos e príncipes que deviam executar suas ordens. Em lugar disso, membros apontam suas muitas realizações.
A maioria dos membros das Doze Tribos de Israel não acreditam que o “Rei” morreu. “Onde está seu corpo? Onde está seu caixão?” , eles querem saber. Alguns acreditam que ele se esconde em algum lugar, na Etiópia. Mas mesmo se estivesse morto fisicamente, não apresentaria “problema” ou contradição para essa filosofia. Isto porque ele tem um filho e um neto, ambos nascidos em Julho, os quais podem também cumprir a profecia.
Os membros das Doze Tribos freqüentemente assumem o nome bíblico de sua tribo, referente ao mês de nascimento. Referências para a expansão das doze tribos de Israel são encontradas ao longo da bíblia. É dito de Davi, que teve doze conselheiros, cada um representando um mês diferente do ano. E Revelação 22:2 também conecta “as doze” com determinadas características “... e em cada lado do rio havia uma árvore da vida, carregadas de doze tipos de frutas, cedendo estes frutos todos os meses ...”.
A organização nasceu em 1968 em Trenchtown e desde então espalhou seus quartéis-generais. Eu não estou fornecendo uma estimativa dessa sociedade, mas é óbvio que o movimento tem crescido vastamente desde 1974. Bob Marley foi um membro, conhecido pelo nome “José”. Existem organizadas filiais das Doze Tribos de Israel em Nova Iorque, Londres, Etiópia, Toronto e Trinidad, assim como membros em outras ilhas e cidades por todo o globo. Membros das doze tribos chegam por diversos caminhos da vida. Sociedade dividida através de todas as linhas de raça e cor. Muitos são bem educados, enfatizando a importância da tolerância racial, citando o famoso discurso de Selassie sobre esse tópico (contido em War, Bob Marley).
Essa organização também enfatiza liberdade no estilo de vida e aparência. Embora muitos membros sejam adeptos da alimentação I-tal (ou geralmente sejam), esse grupo como um todo crê que o que sai de sua boca pode corromper mais do que o que entra. Muitos membros possuem dreadlocks, mas isso não é um pré-requisito para estar no meio. “Seja todas as coisas para todas as pessoas”, é a mensagem bíblica enfatizada. “Nascer novamente” e manter a fé interior ao longo do trabalho, torna-se mais importante do que a aparência exterior. Apesar de não serem contra o uso da ganja, aconselham seus membros a abster-se de usar durante os encontros.
Profecias bíblicas sobre a chegada do Armagedon dizem que Deus assumirá sua lei onde a Arca da Aliança está reservada. Isto é, na Etiópia.
“Para vocês, vosso povo de Israel é como a areia do mar, por ora, parte deles deve retornar” – Isaías 11:22.
Os remanescentes constantemente citados na bíblia são 144,000 homens e mulheres, que estarão reunidos em Sião. Embora exista um maior número de pessoas corretas, a Bíblia afirma que alguns deles não se encontrarão lá. Selassie acreditava que o Ocidente irá perecer primeiro. E Isaías 11:110-13 menciona que a reunião terá início nas “ilhas do mar”, podendo ser entendida como a Jamaica.
Embora este seja o “fim dos tempos”, as Doze Tribos de Israel não tem sua atenção focada na data e na forma como isso ocorrerá. Eles sabem que não haverá fim até as tribos estarem reunidas. Desta forma eles precisam espalhar a palavra, para reunir as tribos pelos quatro cantos da Terra.
As Doze Tribos de Israel acreditam literalmente na repatriação, baseada em suas fortes crenças bíblicas. Eles encaram a si próprios como o único grupo na Jamaica, que hoje trabalha ativamente, no esforço da repatriação.
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