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          Mãos infantis brincam com a água cristalina de uma cascata. Ashura está feliz brincando na belíssima fonte de águas, enquanto o rei Yasha descansa num rochedo próximo: - Yasha! Essa água toda é linda! Tem tantos peixes também!
 
          - O reino do Leste do Mundo Celestial é protegido por barreiras de águas, governado pelo clã do Dragão. - explicou o rei Yasha. No Mundo Celestial todo, não há lugar onde a água seja mais límpida e cristalina quanto aqui.
 
          - Hum? - murmura Ashura, percebendo uma presença. Logo os pés de alguém aterrisam no rochedo acima deles.
 
          Ashura assusta-se mas logo corre para junto de seu protetor. Yasha logo está de espada em punho. A pessoa parece certificar-se da identidade deles: - O comandante do Norte, subordinado de Bishamonten. Creio que estou na presença do rei Yasha.
 
          - Meu nome é Naga. - apresenta-se o menino com uma vara nas costas - Herdeiro do clã do Dragão, subordinado do general do Oeste Koumokuten. Eu gostaria que me enfrentasse!
 
          O rei Yasha parece considerar o jovem por um momento, mas logo no seguinte ele dá as costas para o menino, que fica um pouco desconcertado: - Ei!!! Peraí!!!
 
          Aterrisando logo perto deles ele continua a reclamar: - Se uma pessoa se apresenta direitinho não pode ser ignorada assim!!! Você mesmo como as pessoa dizem, pomposo e muito grosso, heim?
 
          Dizendo isso, Ashura pareceu não gostar muito e ficou encarando Naga. O menino que também não gostava de ser encarado (ou ficou sem jeito) logo deu o troco: - Que foi? É filha desse sujeito aí, o rei Yasha?
 
          - Não sou não! - reclamou a menina.
 
          - Então que foi? - retrucou Naga - E o que o famoso rei Yasha estaria fazendo por aqui?
 
          Enquanto dizia isso, Naga se distraíra e o rei Yasha já deixava ele falando sozinho. Quando se voltou, só viu Ashura mostrando-lhe a língua. Logo voltou a ser um pentelho impedindo o rei Yasha de partir com seu bastão: - Peraí!
 
          - Não me ouviu, não? - reclamou o menino - Eu pedi para que me mostrasse do que é capaz... o mais poderoso comandante do Mundo Celestial, rei Yasha.
 
          De repente, o menino salta gritando: - Te peguei!
 
          Mas o guerreiro detém o ataque com a bainha da espada, e joga o menino para trás rodopiando. Tudo isso, com Ashura no colo.
 
          Naga gira o corpo para poder apoiar-se nos pés no rochedo para onde foi jogado. "Enfrentar o rei Yasha é mesmo diferente de tudo que já enfrentei antes!" pensa ele animado. Suas mãos tocam a superfície das águas da cascata, pronto para outra: - Bem... acho que não tem jeito.
 
          - O que acha disso, desgraçado? - grita Naga, comandando a água ao seu redor - Ataque, Dragão das Águas! Pega essa: Kai-Ou Jin!!!
 
          Os seres cristalinos seguem lépidos em direção ao seu alvo. Naga aproveita a cobertura e ataca também por cima: - Agora te peguei!
 
          Novamente o rei Yasha detém o ataque, e Naga é jogado contra os rochedos (desta vez, ele bateu feio). Está todo enxarcado, e preocupado "Droga! Ele é mesmo forte!" pensa ele.
 
          - Né? Né? - Ashura interrompe Yasha, puxando-lhe os cabelos.
 
          - Ashura está com fome! - reclama ela de forma inocente.
 
          Os meninos parecem desconcertados (principalmente Naga que resmunga que o clima de tensão foi pro brejo).
 


 
          Eles vão para os arredores do castelo de Naga que se aproxima de Ashura (esta está sentada na frente de um prato).
 
          - Ei é pra comer as verduras também - reclama Naga pegando uma batata, da pilha de peixes, legumes e carnes que trouxe - Até que enfim tinha conseguido que o rei Yasha me enfrentasse e você me atrapalha...
 
          - E pra piorar, você ainda por cima é a Ashura - diz ele limpando a boca dela - As pessoas do clã Ashura eram muito atraentes e suas mentes bem claras. Eram muito elegantes e educadas em qualquer lugar, e você me diz que é Ashura? (murmura que realmente esse negócio de hereditariedade não tava com nada, pois não tinha um pingo de jeito do clã Ashura essa aí)
 
          - Mas de qualquer jeito - ele continua - eles foram destruídos há muito tempo. Quantos anos você tem?
 
          Em resposta ela mostra três dedos, o que ele estranha: - Três anos?
 
          - Trezentos - corrige ela.
 
          - Tá brincando! - ele retruca. Em seguida, olhando para o céu ele continua conversando - Ah... os tempos em que o rei Ashura comandava os 4 reis celestiais que eram bons. Os 4 reis celestiais não eram sujeitos que só queriam dominar o mundo: todos eles eram amigos e dividiam a obrigação de proteger o Mundo Celestial.
 
          O olhar de Naga demonstra certa insatisfação quando diz: - Eu também vou ter que lutar como um subordinado de Koumokuten, um dos quatro reis celestiais se virar o rei Dragão. Mas eu não confio muito em Koumokuten como líder, e acho que não é só isso que eu quero.
 
          - Você vai virar "Rei Dragão", Naga? - pergunta Ashura curiosa.
 
          - É... - responde ele - Vovô está muito doente e não vai viver muito tempo. Não tem jeito senão eu assumir.
 
          Naga disse isso pondo a mão na cabeça, como se não quisesse encarar essa função. Ashura perguntou docemente: - Naga é forte?
 
          - Devo ser... - respondeu ele levantando-se, um pouco surpreso com tal pergunta - porque nem Hakuryu ou Seiryu querem mais treinar comigo.
 
          - Ah, então tá tudo bem! - retrucou Ashura aliviada, abraçando-se à maçã que mordia.
 
          - Como é? - perguntou mais confuso ainda Naga.
 
          Ela olhava para ele num misto de ternura e alegria: - Por culpa de Ashura as pessoas morrem. Mas desta vez, tá tudo muito muito bem!
 
          - Vamos, Ashura. - chama o rei Yasha surgindo de repente.
 
          Naga ainda não tinha entendido direito o que Ashura dissera, e por um momento ele quase deixa os dois irem assim na boa: - Ei, rei Yasha! E a nossa luta?!?
 
          - Nós vamos andando - respondeu ele secamente.
 
          - Então eu também vou - decidiu-se o menino.
 
          - O que o herdeiro do clã Dragão... - ia perguntar o rei Yasha, surpreso com Naga.
 
          Mas Naga parecia decidido mesmo: - Se disse que vou é porque eu vou! Até pelo menos eu poder ganhar pelo menos uma de você, rei Yasha! Não vou desistir mesmo!
 
          O olhar de Yasha tornou-se ameaçador quando explicou: - Somos perseguidos e procurados pelo exército do Imperador. Não se envolva conosco.
 
          - Isto deve ser divertido - respondeu ele, dando tapinhas no peito do rei Yasha - Deixa eu entrar nessa!
 
          - Nossa missão é derrotar Taishakuten - insiste o rei Yasha tentando intimidar o menino.
 
          - Yasha! - interrompe Ashura - Naga também vai junto. Não quero ir sem ele!
 
          O rei Yasha ficou surpreso com a repentina rebeldia da menina: - É a primeira vez que você exige que alguém fique junto conosco.
 
          - Beleza! - comemorou Naga - Então tá combinado! E se já decidiram, melhor comer enquanto está quente!
 
          Por um momento, Naga voltou-se para os dois antes de voltar para o castelo: - Se vamos enfrentar o exército do Imperador preciso usar uma arma de verdade, não? Vou buscá-la. Desculpa aí, mas tenho coisas para resolver. Esperem um pouco tá bom?
 

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