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Nº 358 - 12/07/2000
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QUAL A OPÇÃO À ONDA NEOLIBERAL?
Se contrapondo ao intervencionismo de Keynes (John Maynard Keynes -
1883-1946) temos a chamada onda neoliberal.
A base
do pensamento neoliberal é a desregulamentação da economia, privatização
do setor empresarial do Estado, mercados livres, redução do déficit público,
controle da inflação, etc.
Na prática, busca-se estabelecer um Estado mínimo, transferindo à iniciativa
privada atividades que não se constituem finalidade primeira do Estado.
Estamos falando da mudança de um Estado interventor para um Estado
regulador.
Há nesse raciocínio um lado perverso mas não menos importante: o custo
social dessa redução do Estado.
Os governos não são capazes de promover as mudanças estruturais necessárias
para uma prática neoliberal, sem com isso impactar de forma violenta as
camadas menos favorecidas. Se escondem
atras do controle de preços, entendendo que somente isso basta, quando
na verdade temos considerar muitos outros aspectos.
Mas qual a opção à onda neoliberal? Seria o Estado máximo? Estatizante?
Ditador?
Não há muitas respostas, mesmo porque, a prática brasileira, por
exemplo, foi desastrosa nessa sentido (mais de 30 anos de autoritarismo,
com grande endividamento externo e inflação nas alturas).
Teria então que surgir uma nova revolução do tipo Keynesiano? É pouco
provável que isso ocorra.
Nos ocorre que talvez não seja necessário optar por um ou por outro
modelo, não precisa necessariamente excluir um para optar por outro, o
que é necessário é ter uma política social séria,
eficaz, e trilhar um caminho, por mais difícil que ele possa demonstrar.
O que é inadmissível é transformar modelos econômicos em colchas de
retalho, como somos ávidos em fazer, e imaginar que existe uma estratégia
de longo prazo como pano de fundo.
Os remendos de nosso modelo deixam muita margem a especulação e o que é
pior, muitas vezes descontenta todos os segmentos.
A conjuntura econômica pode até estar indo bem, mas a estrutura econômica
está distante de indicar um caminho seguro.
Reinaldo Cafeo (cafeo@economiaonline.com.br),
39 anos, economista, professor universitário, pós-graduado em Engenharia Econômica,
mestrando em Comunicação. Atualmente, é delegado do Conselho Regional de
Economia - CORECON, Consultor Empresarial nas áreas econômico-financeira,
diretor da Associação Comercial e Industrial de Bauru, consultor credenciado
do SEBRAE/SP, perito habilitado para atuar em processos na Justiça do Trabalho
e Cível (perícia econômico-financeira), coordenador do GEA - Grupo
Empresarial de Apoio à Criança e Adolescente |